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Hvordan lærerne forstår psykiske vansker hos elever

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Na Vivência Biográfica Integrativa, partilhamos momentos de alegria, emoção, oração, troca e celebração. Foi um momento vivencial reflexivo e integrativo, visando a uma síntese das construções biográficas produzidas por elas, no percurso da pesquisa. Teve como mote o questionamento “quem sou eu?” que foi abordado, na apresentação dos álbuns autobiográficos e na partilha das narrativas da experiência sociorreligiosa, ao tempo em que oportunizou a autoexpressão, através das mandalas de saberes, construídas durante a vivência. Essa fase foi pensada, com o intuito de dar ênfase aos momentos formativos, no sentido de motivar uma reflexão de si, à proporção que elas narrassem e apresentassem, uma para outras, suas experiências do vivido. Para tanto, utilizei, como instrumental de produção de informação e conhecimento, as mandalas de saberes romeiros, inspiradas na metodologia das mandalas de saberes, criada pela Casa da Arte de Educar (CAE)86, a qual propõe uma nova proposta pedagógica de articulação, integração e interação de saberes escolares/acadêmicos e

86A Casa da Arte de Educar (CAE) nasceu da reunião de educadores, tendo como missão promover ações de

educação e cultura capazes de contribuir para a qualificação das políticas públicas de educação, cultura e direitos humanos. Desenvolveu uma metodologia estruturada - Mandala de Saberes - para favorecer o diálogo entre os saberes acadêmicos e os saberes populares, e tem apresentado resultados significativos, no desempenho acadêmico dos estudantes. Desenvolveu para o Ministério da Educação a proposta pedagógica para a Educação Integral, no Programa Mais Educação (LIMA, 2014).

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saberes locais, entre a escola e a comunidade. Esta metodologia “vem sendo utilizada em contextos de educação integral e educação de jovens e adultos. Ela contribui para a instauração de um campo de articulação de saberes e linguagens diferenciados [...]” (LIMA, 2014, p.7).

É uma proposta inovadora de organizar e desenvolver projetos pedagógicos. Pressupõe em seus princípios diretivos o estabelecimento de diálogo, troca de experiências, uma interação e uma integração entre a escola e as comunidades envolventes, bem como diversos órgãos governamentais. “Apresentam uma abordagem holística que se ajusta ao espírito da educação integral e ao Projeto Mais Educação” (LIMA, 2014, p.7).

Nessa perspectiva de integração, interação e troca de saberes, considerei a metodologia das mandalas de saberes um instrumento adequado e oportuno para trabalhar a síntese integradora das construções biográficas, produzidas pelas mulheres romeiras, participantes da pesquisa. Além disso, é um instrumento de expressão e representação criativa e lúdica. A mandala é um elemento milenar, formada por figuras geométricas que utilizam símbolos, desenhos, cores, números, e palavras. Universalmente a mandala é o símbolo da integração e da harmonia.

De acordo com o Guia das Tecnologias Educacionais da Educação Integral e Integrada e da Articulação da Escola com seu território, produzida pelo Ministério da Educação e da Cultura (2013):

A Mandala é uma representação simbólica e arquetípica da psique, envolvendo a consciência, o inconsciente individual e o inconsciente coletivo. Ela representa a totalidade da experiência humana entre o interior (pensamento, sentimento, intuição e sensação) e o mundo externo (a natureza, o espaço, o cosmo) [...] Uma integração/interação da consciência individual e/ou coletiva à natureza, à sociedade, ao cosmo, por meio de uma abordagem holística, em que o universal e o particular ou local estão em situação dialógica, ou seja, a unidade na diversidade e vice-versa” (2013, p.27).

A partir desse significado, a intenção era construir com as romeiras uma mandala síntese dos saberes romeiros. Para elaboração dessa mandala, usei o Sistema de Construção das Mandalas de Saberes idealizado pela Casa da Arte de Educar em parceria com o Garagem

Studio que, através dessa ferramenta gráfica, apresenta uma nova metodologia de ensino87. Esse programa possibilita criar mandalas de diversas formas, cores, formatos e níveis. Para a Vivência Biográfica Integradora, criei a mandala síntese, que chamei de Mandala dos Saberes Romeiros, como podemos observar na figura 26.

Figura 25 – Mandala dos Saberes Romeiros.

Fonte: Arquivos da pesquisa

A mandala síntese se subdividia em cinco níveis, a contar do centro. Cada nível constituía-se em uma mandala específica. A ideia era vivenciar a construção de cada mandala, até que as cinco formassem a mandala síntese, uma vez que elas respondiam a diferentes

87 Imagem do sistema de construção de mandalas dos saberes disponível:

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objetivos, devendo representar a síntese da experiência romeira, expressa em cinco níveis, como mostra a figura 27.

Figura 26 – Subdivisão da Mandala dos Saberes Romeiros.

Fonte: Arquivos da pesquisa

A vivência aconteceu, no dia 23 de abril de 2016, no Santuário Franciscano, por ocasião da realização do III Seminário de Romeiros e Romeiras e Agentes da Pastoral da Romaria. Oportunizei esse evento que reuniu romeiras e romeiros de vários Estados do Nordeste, para encontra-las e compartilharmos mais uma fase de nossa pesquisa. Essa, também, foi uma oportunidade de reuni-las fora do período de romarias, o que permitiu um encontro mais prolongado. Participaram dessa atividade Lúcia Cabral, Quiterinha Tota, Perolina e Renilda. Quitéria Meyer não compareceu e nem justificou a ausência. Na verdade, sua participação na pesquisa foi difícil, porque ela parecia evitar os encontros e, mais ainda, entrar em detalhes de sua vida pessoal, se atendo à narrativa de sua experiência romeira.

A Vivência Biográfica Integradora constituiu-se de acolhimento, dinâmica integração, apresentação dos álbuns autobiográficos, construção das mandalas de saberes romeiros e encerramento, com uma partilha de alimentos e entrega de um kit lembrança88, um mimo com que fiz questão de presenteá-las. Nessa atividade, contei com a participação de

88 Uma bolsa de palha confeccionada a mão com uma imagem bordada do Pé de Juá e Padre Cícero; uma

encadernação com as histórias de vida de cada uma; as fotos delas tiradas no período da pesquisa; O terço com a oração – coroa de dores de Nossa Senhora; o terço das sete alegrias de Maria – Terço das rosas de N S dos Prazeres e um doce, mini bolo.

1º nível - Centro - Altar Coletivo

2º nível - Quem sou eu?

3º nível - Como me tornei romeira?

4º nível - O que aprendi com as romarias?

Ercília, minha orientadora, meu companheiro Wesley, que ajudou com os equipamentos audiovisuais e de duas alunas do Curso de Ciências Sociais da Universidade Regional do Cariri (Beth e Larissa), que auxiliaram na organização e registro escrito da programação.

A programação iniciou-se, às 14 horas, com o acolhimento feito a partir das boas vindas, com a música “seja bem-vindo oh lê” muito conhecida delas. Depois, fiz a apresentação da programação, procurando deixá-las calmas em relação ao que iríamos fazer. Após, passamos para o primeiro momento de construção das mandalas de saberes. Essa metodologia permitiu a construção de um conjunto de mandalas que expressaram saberes, representações e expressões de si das romeiras, de forma compartilhada e lúdica.

O primeiro nível correspondeu ao centro que foi pensado, como momento de integração e representação da religiosidade das participantes. Denominei esse centro de altar coletivo, como podemos visualizar na figura 28. Para a montagem do altar, separei, antecipadamente, alguns objetos e imagens que representam o sagrado para as romeiras, como: imagens de Padre Cícero, N S das Dores, Sagrado Coração de Jesus e de Maria, chapéu romeiro, um terço, fitinhas de pedidos, uma vela e flores. Pedi que cada uma escolhesse um objeto, levasse ao centro da mandala e colocasse lá, dizendo por que escolheu o objeto.

Figura 27 – Primeiro nível da Mandala Síntese, – Centro/Altar Coletivo

Fonte: Arquivos da pesquisa

Após todas concluírem, fizemos um círculo ao redor da mandala síntese e fizemos um momento de intenções para aquele momento, agradecendo a egrégora de Nossa Senhora das Dores, de Padre Cícero e dos franciscanos, que nos acolheram para a realização da vivência. Assim, iniciaram-se nossas atividades, num clima de oração e sensibilidade, impregnando nossa atividade biográfica de espiritualidade e afetividade.

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Fonte: Arquivos da pesquisa

A partir do altar coletivo, que formou o centro da mandala de apresentação, seguiu- se o segundo nível correspondendo à mandala “Quem sou eu”. Para esse momento, solicitei que elas fizessem uma apresentação, utilizando os álbuns autobiográficos, confeccionados por elas, representando sua percepção de si. Essa mandala foi estruturada em cinco divisões que formaram uma flor; cada pétala da flor correspondia a uma romeira.

Figura 29 – Segundo nível – Mandala de Apresentação – Quem eu sou?

Fonte: Arquivos da pesquisa

Deixei em cada divisão uma foto delas, tiradas durante a pesquisa, uma placa com o nome e uma pasta contendo material para utilização, no decorrer da vivência. Esse momento foi o mais longo, elas trouxeram muitas informações nos seus álbuns, acompanhadas de

Mandala Síntese impressa

em papel de outdoor. as participantes da vivência

histórias, acontecimentos e ilustrações que tornaram essa parte importante, para conhecer as figurações de si e a reação de cada uma às apresentações das outras.

Nesse momento, também, pudemos sentir a tensão entre elas, gerada por certos incômodos, diante da apresentação das outras. Foi revelador perceber os conflitos, ao tempo em que se manifestavam os laços de amizade, as preferências, os julgamentos e as intervenções. No conjunto, essas falas, diálogos e tensões trouxeram elementos para ver, em suas expressões, o que as torna atoras biográficas de suas trajetórias sociorreligiosas, tensionadas pelo singular- plural que compõe cada uma.

Após essa mandala, as três que seguiram foram construídas, a partir de mandalas menores, reproduzidas em papel A3 e entregues a cada uma para elas preencherem. Nesse momento, procuramos auxiliar as romeiras a preencherem as mandalas, pois elas demonstraram dificuldade com a escrita. Depois, cada mandala foi apresentada e inserida na mandala síntese.

Figura 30 – O terceiro, quarto e quinto nível da Mandala Síntese: como me tornei romeira, o que aprendi em romaria e porque permaneço em romaria.

Fonte: Arquivo da pesquisa.

Quando concluímos essa parte, imediatamente fomos para a terceira parte, que correspondeu à Mandala Coração de Maria que tinha como objetivo registar, de forma sintética,

3º nível - Como me tornei

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as dores e alegrias vivenciadas por elas, na sua história de vida. Para tanto, solicitei que elas identificassem sete dores e sete alegrias e escrevessem nas pétalas da mandala, que também foi entregue em tamanho A3 a cada uma, com a intenção de facilitar esse registro. Como observamos na figura 32. Essa foi uma mandala que suscitou lembranças e emoções: algumas romeiras choraram e, ao apresentarem, contaram alguns episódios que corresponderam a essas graças e dores relembradas.

Figura 31 – Mandala Coração de Maria – As 7 dores e As 7 alegrias.

Fonte: Arquivos da pesquisa

A Mandala Coração de Maria tem como base o arquétipo das sete dores vividas por Maria, a Mãe de Jesus, no momento de sua paixão e morte na cruz, assim como os momentos gloriosos de sua existência, denominados de sete alegrias de Nossa Senhora.

Segundo a tradição católica, a Coroa das Sete Dores de Nossa Senhora relembra as principais dores que a Virgem Maria sofreu, em sua vida terrena, culminando com a paixão, morte e sepultamento de Seu Divino Filho. Foi junto à Cruz que a Mãe de Jesus tornou-se Mãe de todos os homens e do corpo Místico de Cristo: a Igreja Católica.

A devoção popular fixou simbolicamente as sete dores de Nossa Senhora, com base nos episódios narrados pelos Evangelhos:

1. A profecia do velho Simeão, 2. A fuga para o Egito,

3. A perda de Jesus no templo,

4. O caminho de Jesus para o Gólgota, 5. A crucificação,

6. A deposição da cruz, 7. O sepultamento de Jesus.

São episódios que nos convidam a meditar sobre a participação de Maria na Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo e que nos dão forças para enfrentar as dificuldades de nossas vidas. Portanto, momento oportuno para lembrarmos de nossas dores e sofrimentos. Com base nisso e nas narrativas biográficas, registradas nas entrevistas narrativas, onde elas falam de dores, sofrimentos e provações que as fizeram buscar auxílio divino, junto a Nossa Senhora das Dores e Padre Cícero, para alívio de suas dificuldades, pensei sintetizar esses aspectos numa mandala que simbolizasse esses sentimentos e acontecimentos vividos.

Além da devoção mariana das sete dores, encontramos na tradição católica, também, as sete alegrias de Nossa Senhora, ou seja, os seus momentos felizes ou gloriosos. Essa é uma devoção de origem franciscana, que destaca as sete alegrias ou os sete prazeres vividos pela Mãe de Jesus, a saber:

1. Quando recebeu o anúncio do anjo Gabriel, 2. Quando visitou a sua prima Isabel,

3. Quando nasceu seu filho, o Menino Jesus,

4. Quando os três reis magos prestaram adoração ao Menino Jesus, 5. Quando encontram o menino Jesus, que estava no templo, 6. Quando da Ressurreição de Jesus,

7. Quando da sua Assunção e Coroação como Rainha do Céu.

De acordo com Papa Pio XII, na Acta Apostolicae Sedis89, “a alegria é um sentimento profundo que nasce da mescla de vários fatores: sentir confiança, ter a satisfação do dever cumprido, estar em harmonia consigo mesmo, com Deus e com os demais irmãos” (GARCIA, 2006, p. 4). A partir desse arquétipo, que é forte na devoção romeira, e também porque, durante as entrevistas as romeiras pontuaram que em Juazeiro elas celebram as sete dores de Nossa Senhora, através da Romaria de Nossa Senhora das Dores, e em Maceió celebram as sete alegrias de Nossa Senhora, através da festa da padroeira do município, que é

89 Elisabete S.C.Garcia se reporta em seu texto “AS SETE ALEGRIAS DA SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA” a

Acta Apostólica Sedis An et Vol XXXXII - Ser II, V. XVII - nº 15, do Papa Pio XII, de 1 de novembro de 1950. Disponível em: www.universocatolico.com.br/index.php?/pdf/as-sete-alegrias-da-santissima.

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Nossa Senhora dos Prazeres, considerei essa coincidência um simbolismo oportuno e revelador dos momentos bons e difíceis, na trajetória de vida das mulheres romeiras de Alagoas.

Busquei, assim, facilitar a reflexão acerca das principais dores e alegrias vivenciadas por elas, no curso de suas vidas. Entendo dores como sendo os momentos de sofrimento, perdas e rupturas, na trajetória vivida, e alegrias como sendo os momentos que elas consideram de felicidade, ou as graças obtidas, através de sua religiosidade.

Após esse momento de emoção e sensibilidade, fiz o encerramento destacando a visualização da trajetória romeira, contada a partir da construção da Mandala Síntese, que englobou os seus saberes e experiências, assim como suas dores e alegrias. Concluímos com a integração desses sentimentos e construções biográficas, a partir de seus depoimentos sobre o que significou para elas contar suas histórias de vida. Aqui, busquei identificar os elementos formadores engendrados no processo de pesquisa e a percepção da construção de si, da relação com as outras romeiras e com o espaço das romarias, em especial o movimento romeiro.

Com isso, eu pretendia convergir os aspectos individuais e coletivos, reunindo, num só tempo, o que cada uma traz, enquanto sujeito singular-plural e o impacto disso em suas trajetórias romeiras em correlação ao movimento romeiro.

Portanto, pensei em usar a metodologia de mandalas de saberes na Vivência Biográfica Integrativa: primeiro, por sua ludicidade e leveza; segundo, pela possibilidade de sintetizar informações, tendo em vista que as cinco romeiras, que participaram desse momento, já narraram suas histórias de vidas, no decorrer de dois anos.

Especificamente, busquei facilitar um momento de partilha da experiência – momento de escuta ativa e acolhedora, ao tempo em que cada uma sintetizasse sua história, apresentando quem é, por que se tornou romeira, o que aprendeu em romaria e por que permanecer em romaria.

Considero que essas atividades biográficas favoreceram uma autorreflexão do percurso vivido. Momento em que elas puderam perceber não só as singularidades, mas também se darem conta dos aspectos comuns, o que delineia a identidade das mulheres romeiras, participantes da Reunião das Três Horas, em Juazeiro do Norte. Almejei, com isso, valorizar a cultura romeira, as experiências e saberes construídos na trajetória romeira, bem como contribuir com o processo de empoderamento que essas mulheres alcançam, ao fazerem uma figura pública de si.

Ao propor a construção dos álbuns autobiográficos e das mandalas dos saberes romeiros, tive a intensão, ainda, de facilitar a visualização e integração de seus processos de biografização, produtores de sentidos para suas trajetórias sociorreligiosas, evidenciando sua bioteca90 romeira, constituída de experiências e saberes acumulados, em seu percurso de vida. Trata-se das leituras que elas fazem do seu mundo-de-vida, das experiências e das interpretações que dão a esses acontecimentos.

Considero que essas produções biográficas se constituíram em um instrumental relevante de produção de conhecimento, tanto pelo que mobilizaram como atividade criativo- reflexiva, quanto pelo que deram passagem em torno do conhecimento de si e dos sentidos atribuídos. Para além disso, penso que essas construções evocam uma qualidade essencial da abordagem das histórias de vida e formação, como potencial transformador, evidenciado nessa figuração de si. Portanto, acredito que este instrumental é um dispositivo de sintetização da trajetória romeira, pois permitiu às atoras biográficas revisitar reminiscências, projetar uma figuração de si, ao tempo em que possibilitou novas interpretações das experiências vividas.

É nesse sentido que olho para essas construções, pois, como assegura Delory- Momberger, “toda biografia é um percurso de formação”; assim, essas produções compõem seu repertório autobiográfico, possibilitando aprendizagens formativas de suas identidades e subjetividades. Para essa autora, “essas formas de apropriação biográfica, longe de estar ausentes dos lugares instituídos da educação e da formação, desempenham um papel central, no processo de aquisição dos saberes e do saber-fazer”. Essas aprendizagens sinalizam as formas e os sentidos que as pessoas atribuem às suas experiências, representando a trajetória vivida, no âmbito individual, em correlação com os “espaços de seu ambiente histórico e social”, sendo, portanto, um espaço possibilitador de aprendizagem experiencial que, por sua vez, incidem nos sentidos existenciais. (2008, p. 10)

Diante dessas considerações, as construções biográficas não podem ser vistas como uma mera atividade de expressão de si, pois, além de serem uma via de conhecimento de si, refletem a compreensão que o ator/atora tem de si mesmo. Produzem, ainda, conhecimentos e percepções que adentram o âmbito social e histórico em que os biografados vivem e se relacionam. Nessa perspectiva, essas atividades biográficas, construídas com as mulheres romeiras, são, em conjunto com as narrativas biográficas, a fonte pela qual elas puderam

90 Termo usado por Delory-Momberger, para designar o “conjunto das experiências e dos saberes biográficos, ou

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representar e expressar seu ser singular-plural; ademais, atestam o caráter formativo das produções biográficas.

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