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4. ANALYSE OG DISKUSJON

4.3 A NALYSE

4.3.2 Hvilke grep gjøres det?

A implantação de políticas e programas considerando o novo perfil demográfico do país inclui a necessidade de ampliação quantitativa e qualitativa de profissionais para atuar na área do envelhecimento. Para Lenardt et al (2007), a relação profissional-paciente deve ser vivida num ambiente humanizado por atitudes e gestos que promovem a dignidade, autoestima, privacidade e individualidade. Entre as ações que respeitam a dignidade e a autonomia do paciente está a comunicação com o direito à informação.

De acordo com Pena e Diogo (2005, p. 667)

A convivência humana é um fenômeno difícil, complexo e desafiante. Isso porque as pessoas relacionam-se e trabalham com pessoas e portam-se como pessoas, isto é, reagem àquelas pessoas com as quais entram em contato: comunicam-se, simpatizam e sentem atrações, antipatizam e sentem aversões, aproximam-se, afastam-se, entram em conflito, competem, colaboram, desenvolvem afetos. O processo de interação humana, se dá constantemente nas relações pessoais, por meio de comportamentos verbais e não-verbais, sentimentos, reações mentais e/ou físico-corporais, os quais desencadeiam diferentes reações pessoais.

A pesquisa apontou que dificuldades de comunicação entre idosos e equipe profissional pode ser prejudicada devido ao constrangimento dos pacientes. O informante Y

alega que não diz tudo o que sente ao médico porque “(...) eles tem muita coisa para fazer”.

Além disso, ressalta que só avisa que está precisando de algo em último caso e apenas

“quando o pé tá doendo (...) porque tenho vergonha de ficar chamando direto”.

Sobre isso, a profissional A90 declarou que

Como também às vezes ele [médico] vai fazer a visita e, eles [pacientes] também, não sei porque, não tem coragem de falar ou na hora não lembra. Ai quando o serviço social entra e vai conversando talvez menos pesado do que chegar com uma agulha, sei lá com uma

injeção, aí eles dizem: ‘olhe, faz uns três dias que eu não faço cocô’, ai eu disse: ‘e por que não falou com o médico?’ e quando vou dizer ao

90 Assistente social, feminino, 34 anos de exercício profissional, com Especializações em Serviço Social e em Políticas Sociais.

médico, ele pergunta: ‘mas eu não passei ainda agorinha, por que você não me disse?’ sabe assim?

Assim, ao refletir sobre a autonomia e decisão do paciente, destaca-se a importância do diálogo entre os profissionais e o paciente. Estas ações expressam o respeito à dignidade, o reconhecimento da autonomia e da liberdade do sujeito. Nesta abordagem da relação profissional-paciente torna-se imprescindível apontar a necessidade da interação:

[...] a interação é uma constante no processo de viver de cada ser humano e este é único, inicia-se na concepção e vai até a morte, desenvolvendo-se contínua e dinamicamente, a partir de todos os eventos, acontecimentos e experiências que descrevem sua história e trajetória de vida, através de ininterruptos processos interacionais. Esses processos são desenvolvidos consigo mesmo, mediados pela cultura na qual o sujeito vive (LENARDT, 1996, p. 45).

A comunicação é um processo que se realiza nas interações humanas, na qual se partilham e compreendem-se ideias, podendo ser um recurso valoroso na relação de ajuda. Nesse processo, alguns instrumentos como a observação são fundamentais no cuidado de pacientes idosos, os quais têm dificuldade em verbalizar os sentimentos.

Para Porchet e Silva (2008) para lidar com outro, é preciso utilizar os recursos da comunicação, uma vez que é por meio dela que somos capazes de nos relacionarmos e construirmos uma condição de atendimento e interação com o outro, seja ele idoso ou colega de trabalho. A comunicação é a essência da vida e inerente ao ser humano, pois traz a possibilidade de as pessoas se relacionarem, compartilhando suas ideias, pensamentos, vivências e sentimentos. Ao se relacionarem, sofrem influências de si próprias, do outro e do ambiente, com isso podendo sentir-se mobilizadas a transformar a realidade na qual estão inseridas. O fato é que a comunicação é o processo pelo qual podemos compreender o mundo, nos relacionarmos com os outros e transformarmos a nós mesmos e a realidade. Para Prochet e Silva (2008, p. 313),

A importância da comunicação no atendimento ao cliente hospitalizado é vital para se estabelecer um diálogo produtivo, positivo e ajustado às necessidades. Para que a comunicação seja efetiva é necessário estar sempre atento não só nas palavras, mas também aos gestos, expressões e atitudes.

Conforme ressaltam Lenardt et al (2007), o profissional da área de saúde deve estar ciente de que o próprio processo de envelhecimento muitas vezes pode trazer tristeza e

introspecção para o idoso. Cabe ao profissional estimular processos que façam o idoso reagir, ser sujeito participativo e protagonista no evento. A participação ativa dele, como modo de revelar detalhes percebidos, auxiliará no processo de cuidados e de tratamento.

Acresce-se a isso a importância de que a necessidade do cuidado personalizado, direcionado as exigências de cada cidadão, considerando seus valores. Ser sensível possibilita ampliar o leque perceptivo e não se restringir às formas convencionais de usar os sentidos. Agindo desse modo, não só facilita a promoção da saúde, como também impede que um agravo maior à saúde do indivíduo se instale. “Utilizar-se de mecanismos de comunicação interpessoal é um dos caminhos que estreitam essa possibilidade e, consequentemente, pode proporcionar ao paciente uma assistência mais adequada, capaz de satisfazê-lo” (PROCHET e SILVA, 2008, p. 313).

Além disso, Almeida e Aguiar (2011, p. 204) destacam que “(...) o cuidado depende de uma concepção ética que contemple a vida como um bem valioso em si”. Logo, no exercício

da profissão, os profissionais de saúde devem respeitar a vida, a dignidade e os direitos humanos em todas as suas dimensões – o respeito é valor fundamental na prática profissional.

Segundo Barroco (2010, p. 16), “(...) a ética diz respeito a prática social de homens e

mulheres, em suas objetivações na vida cotidiana e em suas possibilidades de conexão com as

exigências éticas conscientes da genericidade humana”. Barroco (2009, p. 12) reitera que

A ética profissional se objetiva como ação moral, através da prática profissional, como normatização de deveres e valores, através do código de ética profissional, como teorização ética, através das filosofias e teorias que fundamentam sua intervenção e reflexão como ação ético-política. Cabe destacar que essas não são formas puras e/ou absolutas e que sua realização depende de uma série de determinações, não se constituindo na mera reprodução da intenção dos seus sujeitos.

Barroco (2009) ressalta ainda que a moral profissional diz respeito à relação entre a ação profissional do indivíduo singular (produto de determinado comportamento prático, objetivados de decisões, escolhas, juízos e ações de valor moral), os sujeitos nela envolvidos (usuários/colegas) e o produto concreto da intervenção profissional (avaliado em função de suas consequências éticas, da responsabilidade profissional, tendo por parâmetros valores e referenciais dados pela categoria profissional, como o Código de Ética). Assim, a moral

[...] é reveladora de uma dada consciência moral ou moralidade que se objetiva através das exigências do ato moral: escolha entre

alternativas, julgamentos com base em valores, posicionamentos que signifiquem defesa, negação, valorização de direitos, necessidades e atividades que interfiram e/ou tragam consequências sociais, éticas e políticas para a vida de outros indivíduos (BARROCO, 2009, p. 12). Conforme destaca Almeida e Aguiar (2011, p. 208),

Todo paciente hospitalizado tem direito a atendimento atencioso e respeitoso; à dignidade pessoal; ao sigilo ou segredo profissional; de conhecer a identidade dos profissionais envolvidos em seu tratamento; à informação clara, em linguagem acessível, sobre seu diagnóstico, tratamento e prognóstico; de recusar tratamento e ser informado sobre as consequências dessa opção e, também, de reclamar do que discorda sem que a qualidade de seu tratamento seja alterada para pior.

Conforme supracitado, o Estatuto do Idoso garante as pessoas nessa faixa etária direitos fundamentais como a vida, liberdade, respeito, dignidade, alimentação, saúde, educação, cultura, esporte, lazer, exercer uma profissão, previdência e assistência social, habitação e transporte. Sendo assim, os profissionais de saúde precisam estar ciente desses direitos e respeitá-los não apenas como profissional, mas também como cidadão.

No entanto, é importante destacar que muitas vezes os profissionais não dedicam uma atenção maior aos pacientes em função das condições e da sobrecarga de trabalho, sobretudo na saúde pública, onde a falta de recursos humanos e materiais é crônica e representa um desafio para a qualidade da assistência. Logo, os trabalhadores da saúde não podem mais ser

considerados simplesmente “instrumentos” ou “recursos” na oferta de cuidados necessários,

mas atores estratégicos que podem agir individual ou coletivamente influenciando na construção das políticas (BRASIL, 2011). Por esse motivo, não podem ser considerados como únicos responsáveis pela qualidade da assistência, uma vez que estão inseridos em uma conjuntura que ultrapassa sua atuação em meio a suas condições objetivas de trabalho.

Outro ponto importante é que o Estatuto do Idoso obriga os profissionais de saúde a notificarem, aos órgãos competentes, casos suspeitos ou confirmados de maus-tratos aos mais velhos. Lê-se no Art. 19.: “Os casos de suspeita ou confirmação de violência praticada contra idosos serão objeto de notificação compulsória pelos serviços de saúde públicos e privados à autoridade sanitária, bem como serão obrigatoriamente comunicados por eles a quaisquer dos

seguintes órgãos”.

Sobre a identificação de um caso de violação de direitos, o profissional D91 que

É possível sim, desde que o olhar do profissional vá além do biologicismo. Durante as visitas diárias é possível observar comportamentos tanto do paciente quanto do acompanhante que apontam que há algo errado. Claro que a correria do plantão muitas vezes atrapalha, por isso que é imprescindível que toda a equipe da assistência direta ou indireta esteja envolvida de verdade.

A profissional B92 alega que durante a entrevista social no ato da internação, o assistente social faz o processo de orientação para a família e para o idoso. Além disso,

discorre que o assistente social tem o “(...) papel de democratizar o serviço e o acesso e que, quando há violação, já procura os mecanismos para viabilizar o direito do idoso”. A

profissional A93

Assim, porque esses problemas já chegam, ne? Eles já estão postos. Então assim, quando tem alguma agressão.. assim, as meninas, principalmente as técnicas de enfermagem que estão mais próximas, as vezes, tem.. enxergam e passam pra gente e a gente tenta conversar. Chama a promotoria do idoso, ne? A gente tem essa questão (parcerias).. ou então, o Ministério Público também. O pessoal vem e faz visita, faz relatório. Então tem essas coisas assim, que é pra minimizar, ne? Melhorar.. as vezes nem vem, mas só em falar

‘promotor’, eles já.. ne?.. já baixam, certo? Já dá um medo.. E também

a justiça é de uma rapidez, assim estonteante [risos].

Nessa fala da referida profissional destaca-se que a garantia de direitos esbarra no burocratismo do aparelho do Estado, que por suas muitas divisões, regras, controles e procedimentos redundantes comprometem o funcionamento do sistema e dificultam a agilidade de alguns órgãos – independentemente de sua natureza público ou privado, mas com maiores entraves na primeira.

E no caso de comprovada a violação de direitos, os profissionais estão cientes da importância da denúncia e atuam em conjunto com os órgãos de defesa do idoso – dos quais foram citados a Promotoria do Idoso, o SOS Idoso, Coordenação de Promoção à Saúde na Secretaria de Saúde e Ministério Público. A profissional C94destaca que o papel é “orientar e

92 Assistente social, feminino, 25 anos de exercício profissional, com Especializações em Saúde Pública, em Unidades Básicas e Serviços de Saúde e Linguagem e Educação.

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Assistente social, feminino, 34 anos de exercício profissional, com Especializações em Serviço Social e em Políticas Sociais.

denunciar”, assim como a profissional A95, a qual afirma “denunciar” esses casos. Já a profissional D96 ressalta que “Sempre que necessário fazemos ações conjuntas [com os órgãos

de defesa dos idosos] para evitar que os idosos tenham os seus direitos violados”. Por sua vez,

a profissional B97 refere “Acionar os órgãos de defesa caso tenha algum direito violado; informar o direito enquanto idoso”.

Vale destacar que segundo a profissional A98: “Os técnicos, as próprias... os

acompanhantes eles denunciam, às vezes eles denunciam na sala” que elucida que os

profissionais e os acompanhantes estão atentos para identificar os casos de violação no que se refere aos maus-tratos e as situações de violência.

A notificação da violência contra o idoso, exigida pela lei, tem um papel fundamental no combate à violência contra o idoso. No entanto, esse papel pode ser otimizado se não for limitado a uma função meramente punitiva. A notificação pode ser um instrumento de proteção aos direitos do idoso e das políticas públicas, na medida em que permite articular ações e recursos públicos e privados que somem esforços para promover ações solidárias e reconstruir relações afetivas, bem como ajuda a dimensionar a questão da violência em família, a determinar a necessidade de investimentos em núcleos de vigilância, assistência e ainda permite o conhecimento da dinâmica da violência doméstica.

Se os saberes e as práticas institucionais valerem-se da notificação para ampliar a análise da dinâmica das relações intra e extrafamiliares; para ampliar a compreensão dos modos como as condições sociais, econômicas e culturais afetam a dinâmica familiar; e se essa compreensão puder contribuir para criar alternativas de intervenção sobre os conflitos, então a notificação pode ser o primeiro passo na proteção do idoso e na defesa de seus direitos.

Contudo, é fato que a conscientização da sua importância, a quebra de idéias pré- concebidas e o treinamento correto para diagnosticar situações de violência são condições necessárias para que o profissional de saúde seja capaz de detectar e notificar, a quem for competente, essa realidade que se apresenta de forma tão expressiva no cotidiano dos seus atendimentos, seja qual for a sua área de atuação.

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Assistente social, feminino, 34 anos de exercício profissional, com Especializações em Serviço Social e em Políticas Sociais.

96 Enfermeira, feminino, 6 anos de exercício profissional, com Especialização em Vigilância Sanitária.

97 Assistente social, feminino, 25 anos de exercício profissional, com Especializações em Saúde Pública, em Unidades Básicas e Serviços de Saúde e Linguagem e Educação.

98 Assistente social, feminino, 34 anos de exercício profissional, com Especializações em Serviço Social e em Políticas Sociais.