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Segundo Teodorescu (1984: 31,32), “Nos jogos desportivos a táctica

representa a contribuição activa do factor consciência...” representando “...a táctica

individual o conjunto de acções individuais utilizadas conscientemente por um jogador na luta com um ou mais adversários e em colaboração com os companheiros, com o objectivo de realização das missões do jogo, tanto no ataque como na defesa.”. Para Kunst-Ghermanescu (1976), a táctica individual engloba o conjunto dos princípios e das regras segundo as quais o jogador age, seja na luta com um ou mais adversários ou em cooperação com um ou dois companheiros; a táctica colectiva engloba os princípios, as regras, os meios e os sistemas segundo os quais o jogo de conjunto de uma equipa se desenvolve em virtude de uma colaboração unitária.

O conceito de táctica é, na actualidade, conotado com a gestão inteligente do comportamento face a situações que impliquem conflitualidade de interesses, ou concorrência entre objectivos, como no caso do desporto (Garganta, 1997b).

Como afirma (Chauffier, 1993, cit. Ziane, 2004:28) “…a táctica nasce e

justifica-se pela presença de um adversário...A táctica de uma equipa pode consistir na utilização sucessiva e temporária de vários sistemas de jogo no decorrer de uma partida...”.

Para Petit, S., treinador de Andebol citado por Sampedro (1999), táctica é tão só a combinação inteligente dos recursos técnicos.

Sampedro (1986 cit. Sampedro, 1999:29) define táctica como “…a

combinação inteligente dos recursos motores, de forma individual e colectiva, para solucionar no momento as situações de jogo que surgem da própria actividade desportiva.”.

Dufour (1989) afirma que, a táctica representa a contribuição activa do factor consciência, tanto durante a partida como no decurso da sua preparação e competição.

Bayer (1983), fala-nos da formação táctica no Andebol como sendo a aquisição de uma cultura do Andebol, o que supõe um desenvolvimento da actividade perceptiva do jogador baseada no aperfeiçoamento da sua capacidade de captação de informação, ou seja, de ver e hierarquizar os diferentes elementos do jogo, e da sua capacidade de análise das situações de jogo, que designa de inteligência táctica.

Segundo Bompa (1990), a preparação táctica refere-se à forma como os jogadores assimilam modos e meios viáveis de preparar e organizar acções ofensivas e defensivas, de forma a realizarem / cumprirem um objectivo, por exemplo, marcar pontos ou obter a vitória. Este autor afirma ainda que a acção táctica deve fazer parte de um plano táctico estabelecido a priori para a competição, que por sua vez é parte intrínseca de uma estratégia4.

A táctica é um meio básico do jogo de Andebol (Falkowski y Enriquez, 1979), permitindo responder eficazmente a situações ou possibilidades que podem ocorrer durante o desenvolvimento conjuntural do jogo, devendo essas respostas não ser estereotipadas mas sim plurais e adaptadas a cada situação e momento.

Segundo Racinowski (1975, cit. Antón Garcia, 1992), a táctica é o modo pensado, racionalizado, económico e planeado de realizar a luta desportiva.

Antón Garcia (1992:39) considera táctica como sendo “...todas as acções

motoras inteligentes, realizadas com ajustamento espácio – temporal, resultado da observação de situações prévias de companheiros, adversários e as suas modificações espaciais, adequando-se às regras do jogo.

Fazendo a leitura de diferentes autores (Racinowski, 1975; Harre, 1979; Hegedus, 1981; Teodorescu, 1984; Matveev, 1985; Weineck, 1988) sobre o que

consideram ser táctica, Antón Garcia (1992) faz notar que todos eles coincidem em assinalar a acção táctica como algo racional e inteligente que deriva de uma lógica de comportamento adaptada a cada momento, coincidindo quase todos em considerar a acção táctica como o resultado da análise da actuação do adversário ou oponente.

Considerando que a táctica individual exige todo o tipo de factores para optimizar a conduta do jogador, este autor prossegue afirmando que esta representa a união da técnica desportiva com o modo racional de utilizá-la, o que significa que é sempre uma resposta a uma situação concreta da competição.

Ao analisar bibliografia sobre a noção de táctica, e do conjunto extenso de definições que obteve, Garganta (1997b) destaca alguns aspectos essenciais que considera permitirem delimitar a noção de táctica:

1) O conceito de táctica, expressa os níveis de relação intra-equipa segundo os quais se pode desenvolver: a táctica individual e a táctica colectiva, contendo ainda os sub-níveis táctica de grupo e táctica da equipa.

2) O conceito de táctica é referido como possuindo uma dimensão espácio - temporal de realização, traduzida pela sua subordinação à estratégia e pelos constrangimentos espácio - temporais das acções de jogo.

3) A táctica não traduz apenas uma organização das variáveis físicas (tempo e espaço) do jogo mas implica também, e sobretudo, uma organização informacional, pelo que nos JDC devem também ser considerados o espaço de interacção e a componente decisional.

4) O conceito de táctica transcende as missões e tarefas específicas de cada jogador e pressupõe a existência de uma concepção unitária da equipa para tornar o jogo mais eficaz.

5) A competência dos jogadores nos JDC, refere-se sobretudo à natureza táctica da acção. Como tal situa-se fundamentalmente em princípios de acção, em regras de gestão da organização e em aptidões perceptivas e decisionais.

6) A cultura táctica constitui um guia de escolhas na acção, referenciado ao conjunto de valores e percepções que decorrem do corpo de significações criado (princípios, regras e modelos de jogo).

Na síntese de diversas definições estudadas por (Gelé, 1993) e por Ziane (2004) e considerando o que é comum a essas definições, este autor afirma que, por

estratégia podemos considerar o conjunto das actividades preparatórias e por táctica um conjunto de actividades de adaptação.

No entanto (Gelé, 1993, cit. por Ziane, 2004) e este último, defendem a inseparabilidade entre estratégia e táctica, bem como afirmam que é redutor pensar que o treinador tem um papel estratégico enquanto os jogadores têm um papel táctico.

Para Ziane (2004), no decorrer de uma partida, tanto os treinadores como os jogadores intervêm nos planos estratégicos e tácticos, tornando-se muito difícil distinguir entre actividades estratégicas e actividades tácticas.

Estratégia e táctica nos JDC são dois conceitos que caminham lado a lado, de tal modo que é cada vez mais frequente a utilização justaposta destes termos, falando- se da componente estratégico - táctica (Garganta, 1997b).

2.3 A análise do rendimento nos Jogos Desportivos Colectivos (JDC)