6. R ESULTATER AV SAMARBEID
6.2 Hva består gevinstene i?
A palavra convergência é, muitas vezes, confundida com outros termos, pois trata-se de um fenômeno complexo. Complexo porque, segundo Henry Jenkins (2009, p.29), refere-se a um fenômeno com diversas nuances: “Convergência é uma palavra que consegue definir transformações tecnológicas, mercadológicas, culturais e sociais, dependendo de quem está falando e do que imaginam estar falando”, afirma o autor.
Para Salaverría e Negredo (2008) trata-se de um processo multidimensional facilitado pelas tecnologias, afetando os diversos âmbitos jornalísticos, como empresarial, econômico, profissional e editorial, proporcionando integração, que por sua vez permite aos jornalistas criarem conteúdos que se distribuem em múltiplas plataformas, utilizando diferentes linguagens.
Não existe um caso em que os veículos conseguiram ser convergentes da noite para o dia. Para Salaverría e Negredo (2008), é mais eficaz apostar em um conjunto de ações
estratégicas e não só integrar as redações, mas também promover mudanças de funcionamento nelas:
Mudar as estruturas de controle editorial servirá de pouco se não se muda a organização gerencial da empresa, e assim por diante, até as últimas consequências. A convergência, enfim, é como uma larga fila de peças de dominó: se queremos que caia a última peça devemos começar jogando a primeira. (SALAVERRÍA e NEGREDO, 2008, p.46, tradução da nossa13)
A convergência é então um processo multidimensional que, para dar certo, precisa ser concebida em vários ângulos. Não só uma proposta editorial que perpasse por várias mídias, mas também uma mudança de gestão do conteúdo, que seja criativa, flexível e, como ressaltam Salaverría e Negredo, focada no público-alvo, interagindo com ele e apresentando produtos que ele se interessa em consumir.
Para Jenkins (2009, p.30), convergência não trata apenas de um processo tecnológico que une múltiplas funções em um só aparelho, “Em vez disso, a convergência representa uma transformação cultural, à medida que consumidores são incentivados a procurar novas informações e fazer conexões em meio a conteúdos de mídia dispersos”, afirma o autor.
O processo de convergência atinge pelo menos quatro dimensões nas empresas jornalísticas. A primeira que citaremos é a tecnológica, que se refere às ferramentas e aos sistemas de produção e difusão. Até os anos 80, havia poucos computadores em uma redação, hoje é impensável redações sem computadores, internet e até jornalistas sem smartphones.
Considerando essa esfera, infere-se que hoje todos os conteúdos midiáticos utilizam tecnologias em seu benefício e que o público recebe um conteúdo convergente, já que várias mídias podem ser encontradas no mesmo suporte. Além disso, os diferentes meios podem criar produtos jornalísticos que se cruzem e sejam aproveitados pelo público, cada um usando o que tem de melhor para a construção de conteúdos mais completos.
A segunda dimensão é a empresarial. As empresas têm vivido um período de diversificação midiática muito grande no século XXI, pois surgiram inúmeras tecnologias e plataformas de comunicação diferentes, como smartphones e internet móvel, e os meios - televisão, rádio, internet e impresso - estão ainda mais coordenados. (SALAVERRÍA e NEGREDO, 2008)
Hoje, apostar em ser multiplataforma e oferecer a maior variedade midiática é o que fazem as instituições que buscam alcançar a liderança em audiência. Em paralelo a isso, as
13“Cambiar las estructuras de mando editorial servirá de poco si no muda a su vez la organización gerencial de la empresa. y así hasta las últimas consecuencias. La convergencia, en fin, es como una larga fila de piezas de dominó:
empresas também iniciaram uma nova forma de coordenação editorial e comercial, que vai culminar na integração de pessoal nas redações.
Essa influência da convergência pode ser facilmente percebida, uma vez que quase todos os veículos hoje possuem um portal na internet e aplicativos em dispositivos móveis - buscando estar presentes nos mais diversos canais que o leitor possa acessar. A marca
Cosmopolitan, por exemplo, possui, além da revista impressa, um site vinculado ao M de Mulher (portal destinado ao público feminino da Editora Abril), aplicativos para leitura digital da revista em smartphones e tablets, o conteúdo adicional do Mobile View que pode ser acessado pelo aplicativo para celular, além das redes sociais que também produzem conteúdo próprio, como o canal no Youtube e as transmissões ao vivo no Facebook.
Como afirma Roseli Fígaro (2013), as dinâmicas nas redações mudaram,
As empresas requerem um profissional com habilidades em multiplataformas, com destreza no uso da língua e das linguagens para produzir enunciados de acordo com os requisitos das diferentes plataformas e dos objetivos de consumo. Exigem que tenham habilidades no uso dos artefatos de navegação na Internet e atuação nas redes sociais; e maturidade intelectual para coletar, selecionar e organizar as informações disponíveis em abundância cada vez maior (FÍGARO, 2013, p.14).
Na dimensão profissional, o acúmulo de funções é uma realidade já sabida pelos que trabalham na área. Salaverría e Negredo (2008) comentam que um dia isso já foi diferente, mas já faz quase meio século que a polivalência acontece. E, no entanto, vem intensificando-se à medida que a tecnologia e os hábitos de consumo de informação, principalmente, pedem novas funções.
Os profissionais hoje, como ainda afirma Fígaro (2013, p.14), precisam saber filmar, fotografar, escrever, e desempenhar essas funções adequando-as aos canais que utilizam. Assim, os jornalistas precisam ser também multimídia, para acompanharem a atual forma de comunicação e garantirem sua presença nas instituições.
Dessa forma, as dimensões empresarial e profissional não são as únicas a sofrerem mudanças, como ainda afirma Roseli Fígaro (2013),
O ritmo de trabalho, os desafios com as novas plataformas e linguagens aumentam a tensão do profissional. Os vínculos contratuais cada vez mais precários, a terceirização e até a quarteirização da produção de conteúdos – os chamados trabalhos por projetos – são a realidade no meio profissional. Agenciar o cliente e formatar o produto ao gosto dele passa a fazer parte da rotina do jornalista. É o público-alvo/cliente que conforma o enquadramento do produto/notícia e não o direito do cidadão à informação (FÍGARO, 2013, p.112)
A dimensão dos conteúdos é uma das mais relacionadas ao termo convergência. Esse processo pode acontecer no modo multiplataforma, quando os conteúdos produzidos são divulgados em mídias diferentes, ou no modo multimídia, quando um conteúdo engloba as diferentes mídias na mesma narrativa. Na Cosmopolitan, percebe-se que os conteúdos tanto são multiplataforma, alguns transpostos do impresso para o site, quanto multimídia - nesse caso a narrativa vai além da revista nos apps e redes sociais.
A convergência resulta assim em integração, que, segundo Salaverría e Negredo (2008), tem a ver com a criação de uma nova cultura jornalística, uma nova forma de pensar as possibilidades tecnológicas com as demandas do público. Unificar instrumentos e tecnologias, integrar redações e reorganizar fluxos de trabalho, além de explorar criativamente as linguagens multimídia.
A principal consequência editorial de todas essas mudanças se concretiza nos jornalistas embarcados num processo de convergência em que passam pouco a pouco a trabalhar em um só meio para distribuir as informações através de múltiplas plataformas ou meios, e não só isso. O fazem empregando as linguagens jornalísticas próprias de cada um desses meios. (NEGREDO; SALAVERRÍA, 2008, p.50, tradução da nossa14)
Toda essa multimidialidade também passa por plataformas que hoje fazem parte da comunicação mundial: as redes sociais; que também exigem linguagem e conteúdo próprios e que não podem mais ser ignoradas por nenhuma instituição jornalística. No próximo tópico, vamos tratar do uso das redes sociais por parte dos veículos impressos e da distribuição de informação nesses espaços.