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How Can the Employed Become More Productive?

In document The Syrian Labour Market (sider 102-106)

Nas linhas iniciais desta dissertação, mencionei que, desde muito jovem senti vocação para o magistério e desejava ser professora. De fato, comecei a lecionar antes mesmo de me formar e continuei nesta profissão durante toda a minha vida, inicialmente como professora de Geografia e depois trabalhando com crianças deficientes visuais. Tive sempre a preocupação de procurar e adotar em meu trabalho métodos e materiais que motivassem os jovens e crianças a aprender de forma espontânea, lúdica, agradável e que nossa convivência fosse muito alegre.

Resolvi fazer o mestrado com a intenção de investigar o resultado de meu trabalho, entrevistando os jovens com deficiência visual, atendidos por mim quando crianças e com os quais interagi por meio das brincadeiras e brinquedos especiais. Queria avaliar o papel dos brinquedos, brincadeiras, da interação afetiva, da socialização e da participação, na aprendizagem e desenvolvimento infantil. Seria também uma oportunidade de estudar e pesquisar a literatura referente aos brinquedos e brincadeiras e ao desenvolvimento da criança com deficiência visual, e de ao mesmo tempo, dar embasamento teórico à minha prática, verificando quanto minhas crenças e os métodos que utilizei foram válidos.

Entretanto, não podia prever o significado que teve para mim a realização desta pesquisa. A freqüência às aulas, a consulta aos livros especializados, a redação da dissertação, as entrevistas e sua análise resultaram em uma experiência enriquecedora e útil para minha vida pessoal e profissional. Posso sentir que aprendi e adquiri mais conhecimentos importantes e esclarecedores do que durante toda a minha vida como estudante, mãe e professora. O amadurecimento conseguido pelos anos de prática fortaleceu-se com os ensinamentos dos diferentes autores consultados, o que foi fundamental para que se estabelecessem as necessárias ligações entre tudo o que acreditei e vivenciei em meu dia-a-dia, durante os muitos anos em que atuei como profissional e a base teórica que agora encontrei nos livros pesquisados.

Estudar o desenvolvimento infantil e as necessidades específicas das crianças com deficiência visual, compreender, apoiada na teoria de Vygotsky, o fundamental papel da socialização, da interação da criança com o ambiente, para seu aprendizado, para o desenvolvimento das capacidades físicas, perceptivas, emocionais, intelectuais e sociais, foi importante para meu trabalho e a credibilidade dos materiais que desenvolvi e que utilizei.

Pesquisar sobre o papel desempenhado pelos brinquedos especiais, pelos brinquedos adaptados e brincadeiras, para a educação e inclusão das crianças cegas e com baixa visão, ajudou-me a comprovar a veracidade de minhas idéias e crenças de tantos anos. Entendi serem corretos os métodos que utilizei e apliquei, nas inúmeras horas em que interagi com as crianças, baseada apenas em minha intuição e que estava certa no caminho que segui, o mesmo indicado há tanto tempo por Vygotsky e outros teóricos que estudaram o desenvolvimento infantil. Foi importantíssimo ainda poder analisar as entrevistas e ver a importância dos brinquedos e brincadeiras na formação dos jovens que reencontrei neste momento, atendidos por mim há dez ou doze anos.

Meu envolvimento com a área da deficiência visual iniciou-se com o nascimento de minha filha caçula Lara, cega devido à retinopatia da prematuridade e que tem hoje vinte e sete anos. Foram anos e anos de interesse e procura por conhecimentos sobre o tema, em que eu quis saber sempre mais sobre as necessidades específicas do desenvolvimento da criança com deficiência visual, inicialmente para poder educar Lara e posteriormente para realizar melhor minhas atividades profissionais.

Se para qualquer educador é fundamental avaliar o próprio trabalho, verificando a validade do caminho trilhado para atingir seus objetivos, considero importantíssima a realização desta pesquisa. Para verificar se meu trabalho com as crianças, utilizando as brincadeiras e os brinquedos especiais, foi útil para sua vida, se minhas idéias foram realmente criativas e inovadoras, se representaram

mudanças, transformações e trouxeram melhoria para a qualidade de vida de meus alunos. De que maneira estas ações fizeram a diferença em sua educação e inclusão. Conhecer a opinião das mães que hoje fazem parte de Laramara foi interessante e importante, pois em suas palavras pude deduzir que os métodos, idéias e ações que defendemos desde a fundação de Laramara há quinze anos, continuam vivos e se ampliaram, permanecendo presentes em nosso trabalho de educar a pessoa com deficiência visual para a vida.

A importância de qualquer ação que desenvolvemos depende da possibilidade de podermos avançar alguns passos, modificar a situação vigente, de lutar por transformações importantes que interfiram positivamente na sociedade e na qualidade de vida de todas as pessoas.

Ao iniciar o trabalho como mãe e educadora de crianças com deficiência visual, encontrei um campo fértil, com facetas variadas, muitas possibilidades de atuação, muito por fazer, estudar, pesquisar, descobrir e pôr em prática. Compreendi que as crianças com deficiência visual possuem necessidades especificas com relação à interação e comunicação com o meio, precisam de procedimentos diferenciados no processo ensino-aprendizagem, de materiais e recursos especiais. Constatei haver um grande número de crianças carentes de atenção e educação, muitas delas encontravam-se isoladas em casa, apresentando defasagens de desenvolvimento devido à falta de intervenção precoce, educação infantil, complementações em orientação e mobilidade, atividades de vida diária, atividades físicas, esporte e lazer. Livros e folhetos informativos eram raros e pouco difundidos. Brinquedos e materiais adaptados totalmente inexistentes. E, principalmente, era muito pequeno o número de profissionais especializados, dedicados a este trabalho, sendo poucos os cursos para sua formação.

No entanto, todos sabemos como é imprescindível para qualquer criança, e principalmente para aquelas com alguma deficiência, ter acesso aos recursos adequados à sua educação, contando com mediação social e convivendo com pessoas sensíveis, dispostas a ajudá-la a ampliar suas experiências e a construir

suas próprias imagens pelo conhecimento e exploração do ambiente com o próprio corpo; saber interpretar as pistas ambientais utilizando os sentidos e as descrições verbais a respeito do que se passa em volta, estar ativa e participante.

Senti ainda a importância de que, na educação da criança com deficiência visual, houvesse o envolvimento de toda a comunidade, pois a educação ocorre em todo o espaço social. Assim, seriam necessárias as parcerias para que a criança tivesse acesso a todos os recursos da comunidade, com estreito entendimento entre a instituição especializada, a família, a escola e a sociedade.

Adquiri a certeza de que todas as situações acima referidas seriam facilitadas pelo brincar, brincadeiras e brinquedos, de que eles são fundamentais para a interação e comunicação da criança, para que ela compreenda o mundo, adquira habilidades, competências, sendo este o melhor caminho para a inclusão social. E, o mais importante, que os brinquedos fossem interessantes para todas as crianças, facilitando a inclusão em casa, na escola e comunidade.

Minha certeza de que estas crianças precisavam apenas de oportunidade para seu desenvolvimento e educação, de que deviam contar com os melhores recursos materiais e humanos, de que a família precisava ser orientada a participar ativamente em sua educação, levou-me a criar Laramara. Ela foi o sonho que se concretizou, de criar um espaço onde fosse possível acompanhar e apoiar o aprendizado, desenvolvimento e educação das crianças com deficiência visual, prepará-las e encaminhá-las para a vida como pessoas participantes da sociedade, como estudantes, profissionais, pais de família, como verdadeiros cidadãos. E principalmente que todo o trabalho seguisse a filosofia em que eu sempre acreditei, de respeito e verdadeira aceitação da criança, em um ambiente de otimismo e crença em seu potencial de desenvolvimento e no qual as brincadeiras e brinquedos fossem o eixo de comunicação, idéia esta que deveria ser compartilhada pela família e comunidade.

muito pequenos, que foram atendidos por mim e tiveram acesso aos recursos materiais nela disponíveis, com mediação de profissionais sensíveis e dedicados, imbuídos da filosofia institucional de interação com a criança por meio de brincadeiras. Contaram, portanto, não só com os melhores recursos materiais e humanos, mas também com as brincadeiras e brinquedos especiais e adaptados para seu aprendizado e desenvolvimento. Examinando seus prontuários, constatei terem sido numerosas e variadas as oportunidades para sua socialização e aprendizagem, que o ambiente lúdico e alegre e os recursos oferecidos, dos quais ainda desfrutam, fizeram muita diferença em sua vida. Assisti ainda a alguns filmes de nossos atendimentos, podendo ver que foram muitas as formas que usamos para brincar.

A pesquisa abrangeu ainda algumas mães, assíduas freqüentadoras de Laramara há vários anos, beneficiárias de todos os serviços e do apoio oferecido pela Instituição.

O resultado da pesquisa mostrou que as brincadeiras e brinquedos especiais, presentes em todos os espaços e serviços oferecidos pela Instituição, que a mediação de uma equipe competente de profissionais, a socialização, a interação, o ambiente rico em estímulos, a comunicação favorecida pelas interações e trocas afetivas, a participação na vida familiar, a freqüência à escola com a orientação adequada, as parcerias estabelecidas com a comunidade foram benéficos para a aprendizagem, desenvolvimento e inclusão dos jovens entrevistados.

Gostaria de deixar registrado ainda ter sido um exercício interessantíssimo realizar um estudo amplo e detalhado sobre os temas que deram fundamentação à pesquisa e que trouxeram importantes subsídios para ela. Tanto os referentes às particularidades do desenvolvimento, da educação e inclusão da criança com deficiência visual, como também aqueles relativos ao brincar e sua importância para a educação de todas as crianças.

Foi grande a emoção de reencontrar esses jovens, passados bem mais de dez anos, constatando com satisfação serem eles pessoas integradas, seguras, maduras emocionalmente, preocupadas com o futuro e com a vida profissional.

A análise da fala dos jovens entrevistados e das mães de crianças que freqüentam atualmente Laramara mostrou com clareza que todos deram grande importância às oportunidades de brincar, à brincadeira, ao brinquedo, à socialização, à participação nos diferentes ambientes, à freqüência à escola, à parceria com a família e com toda a comunidade.

Gostaria de ressaltar ainda que, embora todos eles tenham enfrentado dificuldades de vários tipos e as diferenças sócio-econômicas entre eles sejam muito grandes, guardadas as devidas proporções, todos superaram os obstáculos e conseguiram atingir um amadurecimento compatível com a idade.

Muitos outros aspectos, incluídos nas transcrições dos depoimentos, mereceriam uma ampliação da análise aqui registrada. Entretanto, face aos objetivos estabelecidos e em decorrência da delimitação do problema da presente pesquisa e análise interpretativa aqui exposta, senti estarem refletidos os pontos fundamentais inicialmente propostos. Um amplo leque de possibilidades para análises futuras abriu-se, também, como resultado adicional. Espero que outros estudos possam contemplá-los, colaborando, assim, para a continuidade de esforços que resultem em contribuição efetiva para a aprendizagem e desenvolvimento de todo sujeito, em particular das pessoas com deficiência visual.

Ficou aqui demonstrada, uma vez mais, a importância do brinquedo e do brincar no desenvolvimento pessoal, familiar e social, revelada e reiterada por pessoas estimuladas a relembrar e relatar suas próprias vivências lúdicas e educativas.

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