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Inactivity by Individual Characteristics

In document The Syrian Labour Market (sider 87-91)

As informações coletadas nas entrevistas foram organizadas e agrupadas em três itens, recortadas da fala das mães, procurando abstrair do conteúdo as mensagens que permitem reflexão sobre o tema proposto:

-Inclusão social: expectativas e desejos das mães em relação ao filho e sua inclusão escolar e social;

-O papel do brincar e do brinquedo para a aprendizagem: a importância de brinquedos, jogos e materiais adaptados, histórias, atividades lúdicas e recreativas;

-O papel da Instituição: a opinião das mães sobre os profissionais e a Instituição.

Foram focalizados os sentimentos e as imagens que os pais constroem acerca de seus filhos com deficiência visual, procurando verificar ainda de que maneira o brincar e o brinquedo interferem no estabelecimento de vínculos afetivos, nas relações familiares, nos desejos e nas expectativas de vida para esses filhos, na escola e na comunidade.

As mães serão identificadas por nomes fictícios que são: Edi, Néia, Bia, Raquel e Cleusa. A Raquel é mãe da entrevistada GIGI.

6.3.1. Inclusão Social

Os sentimentos relatados pelas mães revelam inicialmente uma situação de dor, trauma, impotência e insegurança por não saber como lidar com os filhos e como ajudá-los.

na criança geralmente precipita uma crise que afeta a família inteira. As reações imediatas podem incluir choque, grande decepção, ansiedade e depressão”.

Podemos perceber ainda sentimentos de ansiedade, dúvida, necessidade de conhecer mais sobre a problemática da criança, busca de informações para resolução de problemas e procura de orientação. Revela também muita preocupação com o futuro.

Com o passar do tempo e com a orientação recebida em Laramara, percebemos que há uma construção positiva de vínculo e crença na possibilidade de desenvolvimento das pessoas com deficiência visual. A convivência com outras mães, a troca de experiências e acesso à informação fazem surgir sentimentos positivos que denotam aceitação da deficiência e valorização de seus filhos. Há uma mudança na relação mãe-filho, elas passam a encará-los de forma diferente, como pessoas interativas, comunicativas, de fácil convivência e integração social, compreendem suas necessidades, seus desejos e interesses, conhecem suas brincadeiras, objetos e as situações que lhes proporcionam alegria, satisfação e desprazer.

Mostram ainda uma consciência maior das dificuldades, um aumento na capacidade de resolvê-las e crença nas possibilidades de desenvolvimento dos filhos.

...No começo foi uma coisa muito traumática, agora não. Mas é pra todo mundo, o trauma existe, a gente não pode dizer que não, mas existe porque é complicado, além de tudo você não sabe como fazer como vai ser...do futuro quando eles chegarem na idade da adolescência, como vai ser. A deficiência visual não foi de nascimento mas de um acidente que ela teve, então foi assim... e, eu pensei na hora o que é que eu vou fazer? Porque até então eu não conhecia lugar nenhum, não conhecia nada, então para mim, o que eu vou fazer?, para onde vou correr?, quem vai me socorrer nessa hora? Eu fui num monte de lugar, hospitais, instituições, muitos rejeitaram, foi até que o Hospital S. falou, não isto é a coisa mais natural do mundo, então agora você vai ter que explicar o natural, porque para mim isso não é natural. Ela tem nistagmo congênito, baixa visão e estrabismo. EIa tem 6 anos. E ai eu comecei aqui (Laramara) e fiquei bem mais tranqüila...

... A P. creio que Deus me deu ela para tudo: para melhorar tudo na minha vida porque sem ela... ver certos lugares que eu conheço hoje, sem ela eu não conseguiria conhecer outras pessoas, ver o outro lado da vida... que até então eu não sabia que

existia esse outro lado da vida; acho que Deus colocou ela para mim, vamos ver o outro lado da moeda que eu não sabia que existia...; então até eu começar a ir para médico, fazer todo trajeto que eu fiz, no começo achei cansativo... achando solução, a partir do momento que eu consegui me centrar nas condições do que eu precisava, aí que aconteceu.... Aí meu carinho por ela, eu fiquei muito apegada com ela, tão apegada que eu senti mais do que ela, agora que estou trabalhando... (EDI)

...R. tem 17 anos agora, a gente levou ele em várias instituições, no começo a gente pensou que ele fosse autista... que foi isso que no começo todo mundo dizia... Depois que nós descobrimos que era da visão, que tinha os problemas, né? Aí ele fez um ano e meio de tratamento na S.C... ele não é completamente cego, tem visão subnormal, tem pouca visão. Depois por intermédio de uma outra mãe que tinha uma criança aqui (Laramara) que ele velo, e foi urna beleza, foi muito bom mesmo para o R. Porque ele não andava sozinho, tinha medo de tudo, aqui ele conseguiu uma melhora assim noventa por cento... (NÉIA)

...O A. tem nove anos, eu vivo no interior é longe daqui, perto de Ribeirão Preto, mas eu venho duas vezes por semana, depois uma, agora vou vir uma vez por mês. Ele está na escola normal, na terceira série de uma escola municipal. Ele é uma criança excelente, ele adora leitura, tem dificuldade na matemática, né, isso é normal em toda criança. Ele tem baixa visão e vem aqui para treinamento de recursos ópticos uma vez por semana. Ele é uma criança teimosa, ele não quer ajuda, então na sala ele senta na frente, às vezes, ele senta um pouquinho mais atrás, quando ele vê que está cansado, volta para frente. Ele está bem graças a Deus! Sabe o único problema dele, é que eu me separei, então, o que está afetando é aquele emocional, a ausência do pai... mas tirando isso eu o deixo muito à vontade...àss vezes meu filho fala:- Mãe você exagera um pouco.. (BIA).

...Olha, Mara, eu vou falar uma coisa pra você que você vai ficar contente e eu não tenho vergonha nenhuma de falar não, ela com os eventos dela ganha mais que o meu marido e tem me ajudado a pagar conta, olha ela tem me ajudado muito. Agora eu vou tentar trocar de carro, é dinheirinho que ela ajuntou. Então pra mim isso não é vergonha, é um orgulho, eu tenho orgulho, porque um dia eu achei que eu ia ficar num quarto escuro, quando aconteceu tudo, ficou cega e agora acabou minha vida, olha onde ela está me levando eu já fui na Rede Globo, fui conhecer o Roberto Carlos por causa da minha filha, ele disse que adorou a voz dela, meu Deus eu vou dar um beijo em você por causa da minha filha, eu vou lá no SBT quando eu vejo gente que eu estou fazendo aqui ela vai cantar nesses lugares chic, você vê e eu achando que ia ficar num quarto escuro. A gente foi pra Ilha de Comandatuba esses dias fazer um evento, chiquérrimo se vê quando que eu ia ir pra Comandatuba... a Gi. Tem um outro evento que é o hino nacional no Palácio do Governo acho que agora dia 20... (RAQUEL)

T. é filha única, tem baixa visão, ela é muito esforçada, gosta de desenhar e quer ser

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