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In document The Syrian Labour Market (sider 37-44)

Os primeiros sinais de segregação espacial ocorrem simultaneamente ao problema da habitação popular no final do século XIX. Se por um lado, a expansão da cidade acrescida à enorme concentração de trabalhadores provocava problemas, por outro,

[...] a segregação social do espaço impedia que os diferentes estratos sociais sofressem da mesma maneira os efeitos da crise urbana, garantindo à elite que áreas de uso exclusivo, livres da deterioração, além de uma apropriação diferenciada dos investimentos públicos (BONDUKI, 2004, p. 20).

No entanto, até meados da década de 1870, não era possível notar com facilidade diferenças de funções dentro da cidade, assim, muitas vezes as residências da classe mais rica poderiam ser encontradas junto aos comércios e às oficinas localizadas no centro da cidade. Contudo, a partir da década de 1880, já era possível notar o início do processo de segregação espacial através da diversificação das funções e aparecimento dos bairros operários e bairros residenciais ricos. (BONDUKI, 2004). Segundo Caldeira (2003), o que organiza o espaço urbano são regras formadas basicamente pela diferenciação social, capazes de revelar os princípios que orientam e estruturam a vida pública de cada grupo social e como estes se relacionam no espaço urbano. A autora ressalta que ao longo do século XX, a segregação social em São Paulo, se apresentou de três formas distintas no espaço urbano.

A primeira forma de segregação social expressa no espaço se apresentou do final do século XIX até meados dos anos de 1940, produzindo uma cidade concentrada em

que os diferentes grupos sociais se organizavam numa pequena área urbana onde eram segregados por tipo de moradia. O espaço urbano, portanto, era caracterizado por concentração e heterogeneidade.

[...] Na virada do século, a construção era intensa: erguiam-se novas fábricas [...] e residências tinham que ser construídas rapidamente para abrigar as ondas de trabalhadores [...]. As funções não eram espacialmente separadas, as fábricas eram construídas perto das casas, e comércio e serviços intercalavam-se com residências (CALDEIRA, 2003, p. 213).

A segunda forma urbana, conhecida como centro-periferia, dominou o desenvolvimento da cidade dos anos de 1940 até os anos de 1980, neste caso, os diferentes grupos sociais foram separados por grandes distâncias, assim, os bairros centrais munidos de boa infra-estrutura foram destinados às classes altas e médias enquanto as periferias, bairros mais distantes e precários foram destinados aos pobres (CALDEIRA, 2003). Já a terceira forma vem se configurando sobreposta ao esquema centro-periferia desde 1980, e vem mudando consideravelmente a região metropolitana gerando espaços ecléticos onde se encontram diferentes grupos sociais próximos uns aos outros, muitas vezes lado a lado, mas separados por grandes muros e sistemas de seguranças, relata a autora.

Ressalta-se que as transformações recentes expressas no espaço urbano trazem uma inovação quanto a distribuição geográfica dos diferentes grupos sociais, que agora, embora separados pela condição sócio econômica, acabam dividindo fisicamente as mesmas áreas da região metropolitana, utilizando-se de artifícios construtivo e tecnológico para se tornarem reconhecidos e segregados daquele entorno não almejado. Desta forma,

[...] aliado a alta tecnologia [...] as residências de alto padrão tornaram- se verdadeiros fortes, com grandes muralhas quando localizadas em áreas mais centrais. Os espaços livres foram aprisionados e sua função se restringiu a um refúgio da cidade (PIMENTEL, 1998, p. 32).

Concorda-se com Pimentel que a criação destes “fortes”, ou células residenciais de alto padrão, aprisiona os espaços livres, delimitando-os de tal forma, que seus moradores tendem a não circular ou interagir em áreas comuns fora de seus limites. Sobre este aspecto Caldeira (2003, p.211) ressalta ainda que

[...] essas mudanças espaciais e seus instrumentos estão transformando significativamente a vida pública e o espaço público. Em cidades fragmentadas por enclaves fortificados, é difícil manter os princípios de acessibilidade e livre circulação, que estão entre os valores mais importantes das cidades modernas. Com a construção de enclaves fortificados, o caráter do espaço público muda, assim como a participação dos cidadãos na vida pública.

Segundo a autora, a cidade moderna proposta por Le Corbusier, com seus térreos livres disponíveis à circulação de pedestres e aos serviços necessários ao perfeito funcionamento da vida moderna, está em xeque frente à condição atual das cidades, que se organizam cada vez mais de forma fragmentada e desconexa, diminuindo de maneira crescente a permeabilidade e a circulação entre os espaços. Como conseqüência, esta nova organização altera não só as características que definem o espaço público, como também, o envolvimento dos moradores com seu entorno imediato e a organização cidade.

Nesta nova organização, as células habitacionais tornam-se praticamente autônomas, constituídas com área para morar, circular e recrear. Desta maneira, a circulação externa aos muros fica cada vez mais restrita ou reservada ao trabalho e à circulação propriamente dita. A multiplicação deste modelo é justificada pelas classes mais altas, pela fuga da violência e a constante busca por melhores condições de vida, o que segundo Pimentel (1998, p. 32)

[...] leva hoje à formação de verdadeiros “feudos modernos”. Antes a criação dos bairros-jardins, agora com a presença de condomínios fechados como Alphaville, que possuem verdadeira infra-estrutura autônoma com áreas de lazer coletivo e de serviço quase completos, longe do centro da cidade.

Nessa evolução da tipologia habitacional, destaca-se hoje que a segregação é parte da vida urbana; e os espaços livres, por sua vez, também estão segregados; desse modo, há diferentes classes sociais usufruindo de diferentes áreas livres segregadas; e, existem diversos interstícios de áreas livres que por não serem ocupadas por usos construídos, mas por serem “jardins” ou “espaços abandonados”, estão entre os vários tipos de segregação, estes espaços intersticiais não são pontos de encontro ou permanência, mas são por vezes usados para ir de um local ao outro, servindo assim apenas de passagem; no entanto, podem ser paisagisticamente tratados.

In document The Syrian Labour Market (sider 37-44)