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Como podemos ver no fluxograma, não havia diários disponíveis do curso de Edificações, ano 2010, assim como também não havia diários do curso de Mecânica, ano 2009. No ano de 2009, não encontramos um diário de uma aluna, estudante do curso de informática, que se encaixasse nos nossos critérios; o que pôde ser recompensado pela presença de diários escolhidos desse curso no ano de 2010, representantes de ambos os sexos. O mesmo ocorreu com o curso de Eletrotécnica, o qual teve representante de ambos os sexos em 2009 e apenas do sexo feminino em 2010. Essa variação na escolha do corpus deve-se também à divisão quebrada, resultante da operação 10/4, em que 10 é a quantidade de diários e 4 é a quantidade de cursos.

Selecionamos para o corpus dez diários e, portanto, dez enunciados para análise. Considerado que esses enunciados fazem parte da grande teia de discursos (BAKHTIN, 2010a), sabemos que o corpus constitui um recorte de

pontos de vista que circulam na sociedade, os quais são compartilhados pelos sujeitos produtores dos diários em questão. Por essa razão compreendemos que, apesar de apresentar apenas dez enunciados, eles são suficientes para o tipo de análise que pretendemos fazer e para os objetivos que almejamos alcançar.

2.4 O TRABALHO COM O GÊNERO DIÁRIO DE LEITURAS EM SALA DE AULA

A partir de agora, vemos, de forma mais detalhada, as características do gênero diário de leituras, gênero pouco conhecido e muito menos utilizado nas escolas. Primeiramente, apresentamos alguns estudos anteriores cujo corpus, assim como neste trabalho, foi o diário de leituras.

Na subseção seguinte, justificamos por que podemos inseri-lo nos gêneros discursivos, apresentando justificativas baseadas no que Bakhtin (2010a) e seu Círculo propõe ao longo de sua obra. Os aspectos a serem considerados são o conteúdo temático, o estilo, a forma composicional utilizados e como estes são determinados, também, pela esfera de onde o gênero emerge. Alguns desses aspectos já foram rapidamente contemplados no capítulo anterior. Porém, neste capítulo, abordaremos com mais profundidade como todas essas características juntas compõem o que denominamos de diário de leituras.

Em seguida, recuperamos um breve histórico do gênero diário íntimo, gênero do qual o diário de leituras provém, e como suas características estendem-se ao gênero escolar. Ou seja, mesmo adquirindo novas características, o gênero diário de leituras herda alguns aspectos do gênero discursivo que o antecede, e isso é o que torna a atividade escolar um pouco mais diversa das demais atividades comumente aplicadas no espaço da sala de aula.

Por fim, abordamos a ocorrência da linguagem verbo-visual nos diários. Assim, podemos refletir sobre como se dá essa ocorrência e quais as suas implicações para a escrita e para a leitura do texto diarista.

2.4.1 O que as vozes que nos antecedem dizem sobre os diários

Nesta subseção, expomos trabalhos anteriores cujo corpus de pesquisa também foi o diário de leituras. Poucos foram os trabalhos em nível de mestrado e doutorado encontrados nos bancos de dados das universidades brasileiras. Escolhemos, aqui, cinco trabalhos que mais se aproximam do nosso objeto de estudo.

Começamos, então, pela referência principal nos estudos que envolvem o gênero diário de leituras no Brasil. Trata-se da obra da professora e pesquisadora Anna Rachel Machado que publicou, na década passada, o livro “O diário de leituras: a introdução de um novo instrumento na escola”. Esse livro, já citado diversas vezes no capítulo anterior, retrata o histórico desse gênero, mostrando os autores que se dedicaram ao seu estudo até o momento e enfatizando sua importância como instrumento didático. Recentemente, essa mesma autora coordenou uma publicação chamada “Trabalhos de Pesquisa: diários de leitura para a revisão bibliográfica”, que consiste em uma proposta de trabalho com o gênero como instrumento didático. Foi criadora e líder do ALTER ― Análise de Linguagem, Trabalho Educacional e suas Relações ― grupo de pesquisa integrado ao LAEL ― Programa de Estudos Pós-graduados em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem.

Em seu primeiro livro mencionado, Machado (1998) assegura que os autores que trabalharam com a questão do diarismo são unânimes em afirmar que, somente a partir do século XIX, o gênero impõe-se devido a mudanças históricas e sociais que se desenrolaram nesse período. Essa imposição estaria ligada a conflitos de identidade vivenciados pelos indivíduos da época. Tais conflitos eram advindos das contradições relacionadas a princípios de ordem social, como igualdade e liberdade. Nesse momento, a instabilidade social afeta o sujeito de forma direta. Este, por sua vez, sente a necessidade de externar esse conflito por meio da escrita e, assim, manifestam-se os diários íntimos dos quais surgirão os chamados diários de leitura que, como veremos adiante, preservam ainda essa característica da necessidade de externar os conflitos por parte do escritor.

É nessa obra, como vimos, que encontramos informações importantes sobre o gênero, como, por exemplo, aspectos sobre a escrita diarista e a complexidade dos seus possíveis destinatários, que podem variar conforme a intenção do autor.

Um fator importante apontado pela autora é a possibilidade que o sujeito tem, por meio do diário de leituras, de assumir uma ou outra imagem de enunciador ― ou de posições de sujeito ― entre as diversas que ele desempenha em seu cotidiano. Em alguns momentos, um mesmo sujeito que exerce papel de pai, de advogado, de homem de meia-idade na sociedade, pode deixar sobressair-se um desses papéis, aquele que “falar mais alto”, influenciado pelo contexto de produção. Essa liberdade manifesta-se porque não existem aqui as normas sociais manipulando o discurso.

Machado (1998) chama atenção ainda para o tipo de sociedade em que vivemos hoje, na qual as pessoas estão cada vez mais expondo a sua intimidade. Isso pode ser notado nos sites de relacionamento, nos programas de televisão e nos discursos presentes nas demais mídias. Para a autora, essa exposição está contribuindo para um aumento da produção de diários e fazendo com que esse gênero constitua-se como objeto de discursos múltiplos, que abordam diferentes pontos de vista (o literário, o metodológico, o científico, o educacional...). Para chegar a essa conclusão, a autora toma como objeto específico de análises os diários “tanto de escritores e de pesquisadores consagrados como os de pessoas comuns e os de estudantes em situações de aprendizagem” (MACHADO, 1998, p. 23).

O segundo livro mencionado faz parte de uma coleção chamada “Leitura e produção de textos técnicos e acadêmicos”. Os volumes da coleção são constituídos em forma de oficina, de modo que leitura e escrita sejam constantes na aprendizagem. O volume dedicado ao gênero diário de leituras sugere alguns passos que orientam a leitura dos produtores, ao mesmo tempo em que orienta sobre como se deve produzir o gênero. O livro é fruto de experiências pessoais das autoras com seus alunos. Elas sentem-se convictas de que o gênero constitui um novo espaço de diálogo com o texto. Trata-se tanto de uma proposta para professores que desejam trabalhar com o gênero, quanto para alunos universitários que realizam a prática da produção diarista.

Uma recente pesquisa que nos ajuda a compreender a importância desse gênero e as variações às quais está passível trata-se de uma tese da professora Tania Maria Mazzilo. Intitulada “O trabalho do professor de língua estrangeira representado e avaliado em diários de aprendizagem”, o trabalho teve como corpus de análise diários de aprendizagem produzidos por duas professoras matriculadas em um curso de língua estrangeira. O objetivo consistia em compreender o processo de ensino-aprendizagem em línguas estrangeiras por meio de narrativas e avaliações das aulas assistidas. Nesse trabalho, a autora reserva dois de seus capítulos para defender a importância do gênero para o ensino de leitura e também como ferramenta para a reflexão crítica. A análise da autora também chama a atenção para a avaliação do ensino feita pelas professoras produtoras do corpus em questão. Mazzilo (2006) afirma, ancorada na teoria bakhtininana, que a avaliação do ensino por parte das duas professoras sofre inevitável influência das vozes que as constituem e que há sempre uma compreensão responsiva-ativa e uma diversidade de posicionamentos enunciativos a partir dos quais o agir é avaliado.

Outra pesquisa, também sob orientação da professora Anna Rachel Machado, consiste em uma dissertação de Carla Mascarenhas Galhardo, PUC de São Paulo, defendida no ano de 2009. Com o título “O gênero diário de leitura e o desenvolvimento de capacidades de linguagem”, discute a prática da leitura escolar e o trabalho didático com o gênero em questão. A pesquisa apresenta o gênero diário de leituras como um instrumento didático importante na formação de alunos, tornando-os capazes de fazer uma leitura mais crítica e interativa.

Para comprovar isso, a pesquisadora constrói um modelo de sequência didática, baseada em Machado, Lousada e Abreu-Tardelli (2007); compara o diário com outros gêneros textuais, usando a noção de gênero encontrada em Dolz e Schneuwly (2010) e baseando-se no sociointeracionismo de Bronckart. A sequência foi utilizada com alunos do 3º ano do Ensino Médio de uma escola pública estadual de Guarulhos. Segundo a autora, os alunos participantes precisaram ser estimulados a participar com perguntas, pois não estavam acostumados a expor suas opiniões. Porém, apesar de todas as dificuldades

enfrentadas durante a pesquisa, ao final, pôde-se perceber uma mudança: da passividade para a participação ativa desses estudantes.

Outro trabalho que optamos por apresentar trata-se da tese “O diário como ferramenta para reflexão crítica”, defendida por Fernanda Coelho Liberali, pela PUC de São Paulo, em 1999, sob a orientação da Profa. Dra Maria Cecília Camargo Magalhães.

O objetivo principal do trabalho, como o título já deixa bem claro, é mostrar como o diário pode funcionar como uma ferramenta de estímulo à reflexão e à crítica. Para comprovar isso, a autora baseia-se na discussão da ação comunicativa de Habermans, na teoria do funcionamento dos discursos de Bronckart, além de utilizar-se de pesquisas anteriores que comprovam que o diário tem sido utilizado como atividade que incita a reflexão: Machado (1998), Richards (1991), Rilling & Skillman (1995), Porter et alii (1990), Zeichner (1981).

Como colaboradores da pesquisa, temos um grupo de cinco coordenadoras de escolas que aceitaram participar de um curso de extensão ministrado pela professora-pesquisadora. Desse grupo, foram analisados 23 diários escritos ao longo do curso.

Na conclusão de seu trabalho, a autora apresenta as vantagens da utilização dos diários como observação da própria prática, como autoavaliação, como propiciadores de reflexão sobre o processo pedagógico, sobre a relação e assimilação entre conceitos novos e antigos. Além disso, os diários também auxiliam na compreensão de conteúdos na preparação do educador para a discussão desses conteúdos.

Por fim, mais uma dissertação de mestrado, intitulada “As interações no diário de aprendiz do curso de letras da UFPB virtual: uma leitura interacionista sociodiscursiva”, de Miqueias dos Santos Vitorino, defendida em João Pessoa, no ano de 2012, na Universidade Federal da Paraíba.

No trabalho, o autor nomeia o gênero de diário de aprendizagem e analisa diários dos cursos de graduação a distância. Para tanto, orienta-se pelo questionamento principal: “Como se caracteriza o uso de diários de aprendizagem por agentes de uma atividade educacional na modalidade de Educação a Distância?”. Do seu corpus, constituído por 4 diários, dois pertencem à disciplina Semântica da Língua Portuguesa e dois pertencem à

disciplina Didática da Língua Portuguesa, ambas disciplinas do curso de Letras da UFPB.

Segundo o autor, o diário é um gênero comum nas práticas de atividade educacional do curso de Letras da UFPB virtual. Cada diário possui três agentes: o aluno, o tutor e o professor, que compartilham o diário entre si. Os diários analisados consistem um espaço virtual de interação entre os agentes citados, em que são discutidas temáticas que giram em torno da disciplina do qual o diário faz parte. Apesar disso, os temas discutidos, além de abordarem as dificuldades dos alunos em desenvolver alguma atividade, ou avaliação destas, também foi contemplado por questões pessoais que dificultavam o andamento do curso, como gravidez, estado emocional, dificuldades de relacionar trabalho com estudo. Ao final da pesquisa, o autor enfatiza o lado pedagógico do uso do diário, mostrando a relevância do gênero para o ensino, uma vez que proporciona registros que vão além das experiências pessoais dos alunos. Assim, conclui que o diário pode ser considerado uma ferramenta pedagógica importante para o ensino-aprendizagem.

Como vimos, todos esses trabalhos, mesmo que com objetivos diferentes, confirmam a importância do diário no estímulo à leitura crítica e reflexiva e à autoavaliação de alunos e de profissionais da educação. O incentivo a essas atitudes constitui-se como principal responsável pelo embate de vozes que encontramos nos enunciados registrados nessa atividade escolar.

A seguir, vemos como o gênero diário de leituras configura-se como gênero discursivo e como suas características já apresentadas materializam-se em sua composição.

2.4.2 O diário como gênero discursivo: estilo, composição e conteúdo temático

Entendemos o diário de leituras, neste trabalho, como gênero discursivo (BAKHTIN, 2010a). Segundo o autor, os gêneros são enunciados relativamente estáveis que

Refletem condições específicas e as finalidades de cada referido campo não só por seu conteúdo (temático) e pelo estilo da linguagem, ou seja, pela seleção dos recursos lexicais, fraseológicos e gramaticais da língua mas, acima de tudo, por sua construção composicional. Todos esses três elementos — o conteúdo temático, o estilo, a construção composicional — estão indissoluvelmente ligados no todo do enunciado e são igualmente determinados pela especificidade de um determinado campo da comunicação. (BAKHTIN, 2010a, p. 261-262).

Portanto, essa escolha teórica traz para esta pesquisa algumas implicações. Uma delas diz respeito ao entorno do enunciado, que não está fora dele, mas também o constitui, exercendo influência sobre sua composição. Isso nos leva a refletir sobre a importância do contexto escolar, do ambiente de sala e do contexto histórico em que os alunos e os enunciados produzidos estão inseridos.

Segundo Geraldi (2010b), o espaço escolar e a sala de aula convivem com situações específicas, as quais devem ser consideradas ao analisar os gêneros que circulam nessa esfera. Uma dessas situações consiste no que o autor denomina de relação “triádica”, composta pelo professor, pelo aluno e pelos conhecimentos. Os participantes dessa tríade alternam o lugar de destaque em cada proposta pedagógica que surge; assim ora a ênfase está no professor, ora no aluno, ora nos conhecimentos. Outra questão é a autoridade que é conferida social e culturalmente ao sujeito professor que, mesmo quando visto como mediador de conhecimento, ainda permanece como “o sujeito que sabe o saber produzido por outros, e que o transmite” (GERALDI, 2010b, p. 86). Essa relação entre os participantes da situação escolar e a hierarquização entre professor e aluno exerce influência na construção dos textos analisados nesta pesquisa, como veremos mais adiante.

Assim, atravessado por essa condição cultural escolar, o gênero diário de leituras cumpre o papel de modificar esse ambiente e, ao mesmo tempo,

acontece a partir das características que o ambiente escolar impõe. Além disso, não esqueçamos dos pontos de vista que circulam no meio social, isto é, como a sociedade configura-se em questões de ideologia.

Ao chamarmos de entorno toda a esfera escolar, suas implicações e o contexto sócio-histórico em que um produtor se insere, compreendemos que estes estão intimamente ligado aos demais aspectos, apontados por Bakhtin (2010a), que compõem o gênero discursivo, tais como estilo, composição e conteúdo temático.

Em relação ao estilo, o autor afirma que cada enunciado pode refletir a individualidade de quem o escreve, ou seja, o estilo. Porém, alguns gêneros estão mais propícios a esse reflexo, pois não possuem uma padronização convencionada para sua materialização. A partir das características do diário de leituras já apresentadas nesta pesquisa, podemos considera-lo como participante desse grupo de gêneros em que há a permissão social para que o estilo individual apareça com mais evidência. O escrever para si mesmo abre a possibilidade para o uso de uma linguagem que foge dos padrões estabelecidos pela norma culta.

Temos, nesse caso, uma escrita que se aproxima da linguagem utilizada pelo aluno no seu cotidiano, em suas conversas informais. Sendo assim, quando o aluno considera esse destinatário imediato, que é ele mesmo, ocorre uma menor preocupação com sua escrita e com suas variantes linguísticas. Então, a linguagem informal tende a aparecer em seus textos. E juntamente com ela os palavrões, as interjeições, a linguagem da internet (abreviações, emoticons), as gírias, regionalismos. Esses são só alguns exemplos do universo de formas de expressões que podem ser encontradas nos diários. Vale salientar que os alunos não costumam explicar alguma expressão que possivelmente não seja entendida por um outro destinatário, uma vez que o destinatário imediato trata-se dele mesmo.

Logo, sobre o estilo dos diários de leituras, temos um gênero discursivo que possui algumas características que são recorrentes, como a escrita diária, por exemplo. Contudo, por autorizar uma escrita mais flexível do que em outros gêneros escolares, a presença da subjetividade, do estilo individual do falante é mais frequente.

Sobre a composição do gênero em questão, antes de tudo, lembramos que este é composto por enunciados concretos, nos quais incluímos todos os elementos que lhes são subjacentes e que os fazem participantes do grande diálogo.

Nos enunciados dos diários, devem constar a data da análise, o resumo do texto escolhido para análise e o posicionamento do aluno sobre esse texto. Para a construção desse enunciado, não existe uma extensão predeterminada, se longo, se curto. Todavia, como adiantamos no capítulo introdutório, outros enunciados, não exigidos, mas permitidos pelo gênero, aparecem constantemente, como poemas, depoimentos, poemas-canção. Além disso, encontramos também nos diários que compõem o corpus a linguagem visual, a qual se manifesta de diferentes formas.

A presença de frases interrogativas e de modalizadores de dúvidas é comum (ABREU-TARDELLI; LOUSADA; MACHADO, 2007, p. 116), uma vez que os alunos estão autorizados a exporem suas dúvidas e questionamentos sobre diversos assuntos apresentados nos textos analisados. Além disso, as autoras afirmam que os diaristas não assumem uma responsabilidade quanto ao acabamento do seu texto e essa característica proporciona a existência de textos fragmentados, sem marcas coesivas explícitas, mesmo quando produzido por pessoas que possuem considerável domínio da escrita.

Outra ocorrência apontada pelas autoras é a utilização da primeira pessoa, e mais uma vez é apontada a “liberdade” conferida pela escrita diarista:

A produção do diário não se desenvolve na vida pública, ela sofre menores restrições, havendo uma relativa liberdade para o produtor assumir diferentes papéis. Assim, em relação às unidades enunciativas, o produto normalmente escolhe integrar ao texto referências explícitas a si mesmo, com o uso de unidades de primeira pessoa do singular, ao espaço e ao tempo de produção, Entretanto, não são raros os fragmentos ou os diários inteiros em que o produtor apaga essas marcas, utilizando a terceira pessoa. (ABREU- TARDELLI et al, 2007, p. 116).

É claro que a questão da não existência de um destinatário empírico, como também apontam as autoras, é fator determinante para o estilo, composição e conteúdo temático dos diários. Por isso e, a partir desses

elementos composicionais diversos, temos também uma diversificação de conteúdos, que vão desde narrações de fatos do dia a dia do aluno (em casa ou na escola), até discussões sobre temas abordados pelos textos das revistas as quais analisam.

Esse panorama que situa o gênero diário de leituras na teoria bakhtiniana sobre gêneros do discurso comprova, entre outras coisas que

A vontade discursiva do falante se realiza antes de tudo na escolha

de um certo gênero do discurso. Essa escolha é determinada pela