3.3 Data
3.3.1 Grunnlag for datamateriale
A Revista Brasileira de Educação Especial (RBEE) é mantida pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Educação Especial (ABPEE), foi criada em 1993, tem como objetivo a disseminação de conhecimento na área de Educação Especial, apresentando periodicidade quadrimestral. Publica artigos originais, somente de sócios, principalmente, de pesquisa, porém abrindo espaço para ensaios, artigos de revisão e resenhas. Essa revista é um periódico científico reconhecido como um dos mais importantes veículos de divulgação das pesquisas em Educação Especial no Brasil. Possui atualmente classificação Qualis Capes A2, Nacional, no sistema de avaliação da CAPES.
Analisando a RBEE constata-se que foram encontrados cinco artigos relacionados ao tema altas habilidades/superdotação, compreendendo o período de
1996 (ano de início de publicação da revista) até dezembro de 2010, última edição da revista, conforme quadro a seguir:
Quadro 1 – Apresentação da caracterização dos artigos na Revista Brasileira de Educação Especial (RBEE)
Ordem Ano Autor Título
01 2009 Mori&Brandão O atendimento em salas de recursos para alunos com altas habilidades/superdotação: o caso do Paraná.
02 2009 Chagas&Fleith Estudo comparativo sobre superdotação com famílias em
situação socioeconômica desfavorecida.
03 2009 Pocinho Superdotação: conceitos e modelos de diagnóstico e
intervenção psicoeducativa.
04 2005 Rech&Freitas Uma análise dos mitos que envolvem os alunos com altas habilidades: a realidade de uma escola de Santa Maria/RS
05 2005 Barbosa; Simonetti&
Rangel Relato da vida escolar de pessoas com o transtorno obsessivo-compulsivo e altas habilidades: a necessidade de programas de enriquecimento
O estudo de Mori&Brandão (2009) objetivou conhecer o atendimento educacional realizado em Salas de Recursos para alunos com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) no Estado do Paraná. Os dados foram obtidos por meio de entrevistas semi-estruturadas com duas professoras que atuam neste contexto escolar. Os relatos foram analisados sob a perspectiva da Teoria Histórico-Cultural, que pressupõe a disponibilidade de mediadores materiais e simbólicos como condição essencial para o acesso à cultura. Os resultados indicaram práticas pedagógicas pautadas no ecletismo e o esforço pessoal das docentes para equipar as suas salas. Concluíram que, apesar das dificuldades identificadas, a continuidade e efetivação da proposta pode se constituir em uma importante contribuição para o enriquecimento dos níveis conceituais dos alunos superdotados.
Chagas&Fleith (2009) descreveram e compararam as características de famílias em situação socioeconômica desfavorecida relacionadas ao desenvolvimento de comportamentos de superdotação. Participaram da pesquisa 28 famílias residentes no Distrito Federal, sendo 14 com superdotados e 14 sem filhos superdotados. Os dados foram coletados por meio do Inventário de Sucesso Parental - PSI, do Teste de Pensamento Criativo - TCP-DT e de questionário sobre características individuais e familiares do superdotado. Para a análise dos dados foram utilizados o teste t, a correlação de Pearson e estatística descritiva. Foram encontradas diferenças significativas entre os grupos com relação ao nível de comunicação, uso do tempo, práticas de ensino parental e satisfação parental. Os genitores de superdotados e não
superdotados avaliaram o nível de comunicação e satisfação parental em relação a comportamento dos filhos de forma mais positiva do que seus filhos. Os resultados também indicaram uma maior participação dos pais de alunos superdotados na vida acadêmica de seus filhos. A maioria dos alunos superdotados, que participou do estudo, era do gênero masculino e ocupava posição especial na família como primogênitos e unigênitos. Além disso, não foi observada relação entre os níveis de criatividade de pais e filhos. Ficou evidenciado, porém, que os alunos superdotados apresentaram desempenho superior no teste de criatividade quando comparados aos alunos não superdotados. Os resultados chamam a atenção para o papel que a família pode desempenhar no estímulo de habilidades, talentos e interesses.
Neste ensaio teórico, a autora Pocinho (2009) procurou conceituar superdotação no cenário internacional, ponderando sobre outras variáveis além das cognitivas e de inteligência. Suas contribuições apontam para a multiplicidade dos conceitos que requerem uma avaliação multirreferencial, diversificadas propostas de intervenção, recursos, procedimentos e instrumentos de avaliação. Tratou dos diferentes modelos explicativos de superdotação, destacando as teorias e seus respectivos autores: Teoria Triárquica da Inteligência, de Sternberg, ao Modelo Diferenciado de Sobredotação e Talento de Gagné, a Teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner, à Concepção de Sobredotação dos Três Anéis de Renzulli e ao Modelo Multifatorial da Sobredotação de Mönks.
Barbosa et. al. (2005) discutiram a oferta de atividades escolares de apoio a estudantes com sintomas ou transtorno obsessivo-compulsivo e altas habilidades/superdotação/talentos, através de atividades psico-educacionais denominadas programas de enriquecimento. Para se identificar o comportamento relativo às altas habilidades nos sujeitos, foram utilizados os testes psicológicos Matrizes Progressivas de Raven - Escala Geral, e Minhas Mãos, além do coeficiente de rendimento escolar dos sujeitos, bem como os relatos dos mesmos, colhidos por meio de questionário baseado no Modelo Triádico de Renzulli e Mönks. Quanto aos comportamentos dos sujeitos relacionados ao transtorno obsessivo-compulsivo diagnosticado por psiquiatra, foram utilizados a Escala de Sintomas Obsessivo- Compulsivos de Yale-Brown e um questionário baseado em Cordioli, para a identificação dos sintomas obsessivo-compulsivos apresentados pelos sujeitos. Os resultados da pesquisa, além de reforçarem a pertinência da proposta de utilização de
programas de enriquecimento para estudantes com altas habilidades, evidenciaram a desinformação de alguns educadores acerca das manifestações e sintomas do transtorno obsessivo-compulsivo, e indicaram que as altas habilidades não são percebidas por muitos educadores como uma necessidade especial que deve ser reconhecida e oportunizada.
Rech&Freitas (2005) abordaram os mitos que envolvem os alunos com altas habilidades que prevalecem na concepção dos docentes do ensino fundamental de uma escola da rede pública estadual de Santa Maria/RS. Dez professoras do turno da tarde, que lecionam de 1ª à 4ª série, participaram da pesquisa. O instrumento definido para a coleta dos dados foi a entrevista semi-estruturada, aplicada individualmente em um ambiente reservado. As considerações finais apontaram para a importância da conscientização dos professores que atuam em sala de aula regular, para que eles saibam identificar, atender e/ou encaminhar alunos com características de superdotação para um atendimento especializado.
O artigo de Pocinho (2009) aborda a definição de sobredotação, apontando que a mesma não está isenta de inseguranças e de controvérsias. O conceito não é estático, está em constante evolução, sendo que a tendência atual é caracterizada pela ponderação de outras variáveis além das cognitivas e da inteligência. Segundo o World Council for Gifted and Talented Children, considera-se sobredotada a pessoa com elevado desempenho ou elevada potencialidade, em qualquer dos seguintes aspectos isolados ou combinados: capacidade intelectual geral, aptidão acadêmica específica, pensamento criativo ou produtivo, talento especial para as artes visuais, dramáticas e musicais, capacidade motora e capacidade de liderança. A multiplicidade de conceitos acaba, assim, por traduzir a multiplicidade de critérios a ter em conta na definição de sobredotação, implicando que a avaliação seja também multirreferencial.
Analisando os artigos da Revista Brasileira de Educação Especial (RBEE) constatamos que foram encontrados cinco artigos, o que demonstra que ainda há um número reduzido de artigos publicados relacionados à área, considerando que é uma revista específica da área de Educação Especial. Verificamos que nenhum dos artigos acima expostos apontam como e para quê atender as pessoas dotadas e talentosas.
3.2. Revista Educação Especial (Santa Maria)
A Revista Educação Especial (REE) é uma publicação semestral, editada desde 1987 pelo Departamento de Educação Especial (DED) do Centro de Educação (CE) e sob responsabilidade do Laboratório de Pesquisa e Documentação (LAPEDOC) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Esse periódico está classificado como B2 pelo Qualis/CAPES, triênio 2007-2009.
A revista foi criada e mantida com o objetivo de veicular estudos, pesquisas e experiências na área para abertura de novos horizontes, para o aprofundamento de temas concernentes e para o enriquecimento mútuo de todos os que se dedicam à Educação Especial (MARQUEZAN, 2002).
Freitas (2005) aponta como objetivo da revista a divulgação de práticas educativas e novas experiências que sirvam de auxílio aos profissionais da educação, como também, socialização de resultados de projetos desenvolvidos não apenas na UFSM, mas em demais universidades nacionais e internacionais.
Analisando a REE constata-se que foram encontrados 20 artigos relacionados ao tema altas habilidades/superdotação, compreendendo o período de 2000 a 2010, considerando que somente publicações a partir do ano 2000 estão disponíveis no site.
Quadro 2 – Caracterização dos artigos na Revista de Educação Especial (REE)
Ordem Ano Autor Título
1 2010 Vieira Políticas públicas educacionais no Rio Grande do Sul: indicadores para discussão e analise na área de altas habilidades/superdotação
2 2009 Guenther Aceleração, ritmo de produção e trajetória escolar: desenvolvendo o talento acadêmico
3 2009 Pérez A identificação das altas habilidades sob uma perspectiva multidimensional
4 2008 Freitas&Negrini A identificação e a inclusão de alunos com características de altas habilidades/superdotação: discussões pertinentes.
5 2008 Mattei O professor e aluno com altas habilidades e superdotação: relações de saber e poder que permeiam o ensino
6 2007 Guenther Centros comunitários para desenvolvimento de talentos
7 2007 Fortes&Freitas PIT – Programa de Incentivo ao Talento: um relato das experiências pedagógicas realizadas com alunos com características de altas habilidades
8 2006 Guenther Dotação e talento: reconhecimento e identificação 9 2006 Germani,
Costa&Vieira Proposta de política pública educacional para os alunos com altas habilidades/superdotação no Estado do Rio Grande do Sul