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4. ANALYSIS

4.2 C OUNTRY - SPECIFIC ANALYSIS

4.2.2 Germany

Aspecto relevante a ser levantado a respeito da opção pelo amparo teórico da Terminografia para a constituição do sistema conceptual de hisdrônimos deste trabalho é em relação ao contexto onde os nomes próprios de lugar ocorrem.

Todos os dados toponímicos tratados neste trabalho foram retirados de mapas oficiais do IBGE, que, por sua vez, podem ser considerados textos especializados, pois, além de apresentar sintagmas toponímicos, também se constitui por recursos linguísticos como os símbolos apresentados na legenda, cujos significados são

determinantes para reconhecimento de sua área de pertencimento, no caso, ao âmbito da comunicação da Geografia.

Este sentido atribuído à fonte do corpus dicionarizado, é que nos faz visualizar os sintagmas toponímicos contextualizados como unidades de uma área específica e, deste modo, estabelecendo um ponto de intersecção com os termos especializados.

Encontramos em Barros (2004, p. 40) a explicação de que “o termo também é uma palavra ou uma unidade lexical” e o que o torna termo é o contexto especializado. Concordamos também com Bevilaqua e Finatto (2006, p. 50), quando as autoras explicam que

de acordo com nossa concepção de Terminologia, de viés comunicativo e textual, a qual dirige e modela a apresentação da informação para o usuário, acreditamos que o estatuto terminológico de uma unidade é dado por sua pertinência a um determinado tipo de texto. Isto é, nenhuma unidade lexical é a priori um termo, mas sim, torna-se um termo à medida que essa condição é ativada em um ambiente textual e discursivo. (BEVILAQUA E FINATTO, 2006, p. 50)

A consideração do mapa como um texto onde o sintagma toponímico ganha sentido é defendida por Dick (1999, p. 128) que explica:

Por de inserirem os topônimos, funcionalmente, em uma carta geográfica, qualquer que seja seu endereçamento, foi que sentimos a necessidade de procurar conceituar esse fundo material como um texto, à semelhança de outros, resultantes dos discursos enunciativos, construindo uma base textual articulada a partir dos sintagmas ou enunciados toponímicos. (DICK, 1999, p. 128)

Desse modo, conforme a autora (1999, p. 130), a Toponímia é um conjunto lexical ordenado, um sistema de significação completo, em que a distribuição das denominações é o resultado de uma reflexão e de uma escolha realizada no eixo paradigmático da linguagem.

É esta formação de nomes que estabelece uma relação entre o denominador e o designativo, o que se encontra revelado no nome são as influências que este sujeito nomeador sofreu em relação à cultura e ao ambiente e projetou no ato da nomeação. Sapir (1969, p. 43 a 62) explica que os aspectos do ambiente em que vive o povo falante influenciam na morfologia, na sintaxe, no sistema fonético de uma língua, mas, segundo o autor, o ponto que mais sofre influência é o léxico. Para o autor não basta o ambiente

físico para fazer surgir um símbolo linguístico, é necessário que haja influência da parte social no ambiente. Ou seja, que exista interesse da comunidade naquele aspecto físico. Sobre o caso do léxico especializado, Sapir (1969, p. 46) explica que “não são propriamente a fauna e os aspectos topográficos da região, em si mesmos, que a língua reflete, mas o interesse da nação nesses traços ambientais”.

Cada um dos sintagmas toponímicos inseridos no texto, no caso, o mapa, indica um referente distinto e a análise do todo que compõe este texto oportuniza depreender as representações simbólicas das paisagens e as possíveis características sociais que envolvem uma região geográfica. Em relação a este aspecto, à semelhança do sintagma toponímico, o termo, segundo Cabré (1999, p. 21)

se relaciona fundamentalmente com outros termos no sentido de conceitos, estabelecendo assim uma rede completa de relações lógicas e ontológicas diversas que pretendem representar o conhecimento interiorizado que temos da realidade. (CABRÉ, 1999, p. 21)

Observamos esta rede de relações nos termos geográficos que compõem os sintagmas toponímicos da hidronímia no estado de Mato Grosso do Sul, objeto de nossa pesquisa. A relevância dos cursos de água para o desenvolvimento da região e a vasta diversidade de componentes naturais é ilustrada, entre outras formas, também pela diversidade de termos que identificam os elementos nas cartas topográficas. Encontramos, além de córregos, rios e ribeirões, mais comuns na geografia nacional, particularidades como os termos corixo, corixão, vazante, arroio e baía.

Só é possível ler as representações simbólicas do mapa porque os sintagmas toponímicos são enunciados que produzem sentidos. A esse respeito, Guimarães (2002, p. 63) explica que “o nome não é um selo para o objeto, mas é de algum modo, a construção de um objeto pelo que o nome designa” e o mapa se faz texto não em relação à coesão e coerência, mas com enunciações distribuídas separadamente que só podem ser compreendidas quando há o entendimento do que significa cada designação, significados estes que são parte da denominação do sintagma toponímico no mapa, que os apresenta como enunciados de um texto. Assim, cada um deles, manifesta a memória do enunciador. Guimarães (2002, p. 67), ao tratar do mapa de uma cidade defende que

Os nomes no mapa, mesmo que apareçam aí como meras etiquetas de espaços urbanos, são, enquanto nomes, o mapa (linguagem) que relaciona esta cidade com sua história, sem a qual ela não é uma

cidade. E estes nomes, inclusive o nome da cidade, são, enquanto sentido (designação), o que produz incessantemente uma identificação dos espaços da cidade e da cidade consigo mesma. E assim constitui estes espaços como espaços de identificação de sujeitos. (GUIMARÃES, 2002, p. 67)

Nesse sentido, Dick (1999, p. 132) defende que, embora para os estudiosos em geral não se deva falar em texto toponímico pela ausência de coordenação entre os vários enunciadores identificadores de lugares,

para o toponimista, em particular, se o enunciado é um produto ou uma resultante da manipulação intelectual do nomeador, valendo por si só, deve ser estudado também em função dos demais, num esquema de articulação linguística. É ela que permitirá alcançar a verdade do nome no conjunto da nomenclatura, sua inscrição num esquema de coordenadas tempo-espaciais, sua contextualização e a sintonia entre o tempo da enunciação e o tempo real da produção do designativo. (DICK, 1999, p, 132)

Interpretando, então os sintagmas toponímicos a partir de sua inserção em mapas, que, por sua vez configuram-se como um texto documental de uma área de especialidade, acreditamos que a Terminografia também oferece amparo para a constituição de um dicionário enciclopédico toponímico, no caso de nossa proposta, ampara a organização do sistema conceptual. No tópico a seguir trataremos da contribuição da Terminografia para a elaboração da nossa proposta de dicionário enciclopédico toponímico.

1.2.6 Terminografia como amparo teórico-metodológico para a constituição do