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R EASONS FOR INCREASED TRADING AROUND EX - DIVIDEND DATE – L ITERATURE REVIEW

2. THEORETICAL FRAMEWORK

2.6 R EASONS FOR INCREASED TRADING AROUND EX - DIVIDEND DATE – L ITERATURE REVIEW

Para Dubuc, termos de línguas diferentes são equivalentes (perfeitos, totais) se têm “uma identidade quase completa de sentido e de uso no interior de um mesmo domínio de aplicação”40 (DUBUC, 1985, p.69).

Nesse sentido, segundo Dubuc, para identificarmos dois termos como sendo equivalentes perfeitos deve-se observar: a) se há identidade de sentido entre os termos; b) se esses se situam no mesmo nível de língua sociolingüístico; c) se há identidade de uso entre os termos. Assim, dá-se equivalência perfeita (total) quando a relação mantida entre dois termos de idiomas diferentes atende aos três critérios acima mencionados, ou seja, os termos possuem mesmo conteúdo semântico, pertencem ao mesmo nível de língua e apresentam o

40 (...) une identité à peu près complète de sens et d’usage à l’intérieur d’un même domaine d’application.

mesmo uso por parte dos especialistas nos dois idiomas confrontados (DUBUC, 1985, p.55- 56).

O autor ressalta, porém, que, ainda que cada língua não examine um conceito sob o mesmo ângulo, pode haver equivalência. Por exemplo, em uma língua pode ocorrer que a denominação que representa certa realidade enfatize o efeito desta realidade, enquanto que, em outro idioma, a ênfase se dê sobre a causa. Mesmo assim, de acordo com Dubuc, a equivalência entre os termos não ficaria comprometida.

1.4.5.3 Equivalência parcial

Há equivalência parcial ou correspondência quando “o termo da língua A só recobre parcialmente o campo de significação do termo da língua B e vice-versa”41(DUBUC, 1985, p.69), ou, ainda, quando um dos termos se situa em um nível de língua diferente de seu homólogo da outra língua. Para se referir a casos de solução aproximativa por causa de conceptualizações diferentes, Lerat (1995) prefere falar em equivalentes funcionais em vez de equivalentes parciais ou correspondentes (LERAT, 1995, p.95). Na opinião do autor, não é muito clara a distinção entre equivalência total, parcial e nula, visto “ser preciso proceder a uma análise dos traços semânticos de cada termo, tarefa pouco própria à quantificação”42 (idem, ibidem).

Às vezes, em uma dada língua, só existe o termo genérico e não os específicos ou vice-versa. De acordo com Alpìzar-Castillo:

Isso depende das necessidades de precisão denominativa que possuem os falantes dos diversos sistemas lingüísticos, de acordo com a forma como estruturam seus sistemas conceptuais sobre o universo extralingüístico e suas relações objetivas e subjetivas com ele. E isso não é uma característica particular dos tecnoletos, estando também presente na língua geral43 (ALPÌZAR- CASTILLO, 1995, p.102).

41 (...) le terme A ne recouvre que partiellement le champ de signification du terme de la langue B, ou vice versa. 42 (...) il faut procéder à une analyse en traits sémantiques, tâche particulièrement peu propre à la quantification. 43 Ello está en dependencia de las necesidades de precisión denominativa que encaren los hablantes de los diversos sistemas lingüísticos, a partir de la forma en que tienen estructurados sus sistemas de nociones sobre el universo extralingüístico y sus relaciones objetivas y subjetivas con él. Esto, por demás, no es una característica particular de los tecnoletos, sino está presente en la lengua general.

Quando, em dada língua, só há o termo genérico, por exemplo, pode-se, segundo alguns terminólogos, apresentar este como sendo equivalente dos termos específicos. Em Terminologia, essa diferença de recorte pode se dar devido a diferentes visões conceptuais e referenciais dos especialistas do domínio.

O mais aconselhável ao terminólogo que se depara com situações como essas é que este apresente em seu trabalho “as marcas de uso sociolingüístico que particularizam o valor das acepções”44 (DUBUC, 1985, p. 73) para que o leitor possa perceber o alcance da correspondência entre os termos, em que situações são empregados. O terminólogo também pode apresentar em sua obra as marcas lógicas, que definem as relações entre os termos em: genérico, específico, causa, efeito, parte, todo, noção partitiva, noção integrante etc (idem, ibidem, p.56-57).

Como se sabe, “a grande maioria dos signos de duas línguas não são equivalentes; eles podem designar realidades múltiplas e geralmente bastante diferentes”45 (SZENDE,1996, p.115), ou seja, o que ocorre com freqüência são as correspondências (equivalentes parciais). De fato, pode ocorrer até um vazio de equivalência entre línguas diferentes.

1.4.5.4 Não-equivalência

Quanto à não-coincidência entre termos de línguas diferentes, Auger (1978, p.41) afirma que esse fenômeno pode se dar por várias razões, tais como:

- o levantamento das nomenclaturas em cada língua se deu de forma diferente;

- a documentação em uma língua é mais pobre que na outra, ou situam-se em níveis de língua diferentes, assim, seria preciso buscar novas fontes;

44 les marques d’usage qui limitent la portée du terme.

45 La grande majorité des signes de deux langues ne sont pas équivalentes; ils peuvent désigner des réalités multiples et souvent fort différentes.

- um conceito não existe na outra língua, visto que cada cultura recorta de maneiras diferentes uma mesma realidade.

Se for comprovado que a falta de equivalência deve-se à diferença de recorte que cada cultura faz da realidade, Szende afirma que o dicionarista “proporá uma glosa contextual”, uma vez que “o real só existe no universo cultural e no léxico do falante da língua de partida”46 ou vice-versa (SZENDE, 1996, p.119). Pode-se, ainda, recorrer aos empréstimos, desde que sejam apresentadas as informações necessárias para o bom entendimento do usuário, ou à criação de neologismos.

É importante, no entanto, ressaltar que o dicionário não deve temer o vazio. Não é recomendável apresentar como equivalentes termos que não tenham sido atestados em alguma referência, seja ela oral ou escrita. É preferível deixar um vazio durante certo tempo até que se possa proceder a uma análise mais minuciosa utilizando material complementar, buscando mais bibliografia especializada e conversando com especialistas da área (ALPÌZAR- CASTILLO, 1995, p.54).

Neste trabalho adotaremos a proposta de Dubuc, que classifica os diferentes graus de equivalência em equivalência total e equivalêcia parcial ou correspondência.

O problema dos diferentes graus de equivalências é sentido pelos tradutores e pelos terminólogos que elaboram obras bi- e multilíngües. Nesse sentido, os fundamentos teóricos e as situações práticas expostos são preciosos ao trabalho de ambos os profissionais.

46 (...) il proposera une glose contextuelle. C’est ce qui se passe lorsque le réel n’existe que dans l’univers culturel et le lexique du locuteur de la langue de départ.

1.4.6 Criações neonímicas

Em casos de não-equivalência entre termos de duas ou mais línguas, uma das soluções normalmente adotadas, sobretudo por tradutores, mas também por terminólogos, é a criação neonímica, porém, Alpízar-Castillo afirma que “...não é recomendável. A função do dicionário não é criar palavras, mas registrar as existentes com o maior rigor científico possível”47 (ALPÌZAR-CASTILLO, 1995, p.103).

Clas (1996) também não concorda com a criação neológica, visto que esse papel geralmente é desempenhado por centros de normalização nacional. O terminólogo não é autoridade para criar termos quando bem entender, seguindo suas intuições. Sobre este assunto, Clas afirma que

A liberdade do lexicógrafo é, como acabamos de ver, condicionada e sua reação frente às possibilidades de equivalências entre os signos da língua fonte e da língua alvo é a de uma procura pelo equilíbrio, em que as ‘perdas’ e os ‘acréscimos’ são mínimos ou minimizados totalmente na medida do possível. O lexicógrafo deve, então, constantemente ‘pesar’ e ‘medir’48 (CLAS, 1996, p.209).

Deste modo, o lexicógrafo/terminógrafo tem apenas o papel de analisar, dentre todas as definições e todos os equivalentes levantados, aqueles que são mais produtivos e que melhor representam a realidade lingüística.

Se houver, entretanto, a necessidade de se criar novos termos, o terminólogo ou o tradutor deve seguir as regras do sistema lingüístico vigente e, posteriormente, deve submeter os neologismos à aprovação de especialistas (GROUPE, 1990, p.09).

Neste trabalho, nosso papel foi o de apresentar os equivalentes encontrados nas fontes que compõem nosso corpus. Quando um equivalente não foi identificado, optamos por deixar um vazio em vez de criar um neologismo.

47 (...) no es recomendable. La función del diccionario no es la de crear palabras, sino la de registrar las existentes con el mayor rigor científico posible.

48 La liberté du lexicographe est, comme on vient de le voir, conditionnée et sa réaction face aux possibilités d’équivalences entre les signes de la langue source et de la langue cible sont celles d’une recherche d’équilibre où les ‘pertes’ et les ‘ajouts’ ne sont que minimes ou minimalisés dans toute la mesure du possible. Le lexicographe doit donc constamment ‘peser’ et ‘mesurer’.

2 Metodologia

2.1 Corpus em francês

De acordo com o projeto inicial, a primeira etapa de nosso trabalho consistiu no planejamento da obra que estamos elaborando. Decidimos que essa seria bilíngüe, sendo a língua de partida o francês e a de chegada o português. O público-alvo são os tradutores, brasileiros ou franceses, que habitualmente se vêem confrontados com o tratamento de textos da área do Comércio Internacional Brasil-França.

Para nos interarmos das particularidades do domínio, visitamos vários sites como o da Câmara de Comércio de Paris, do Consulado Geral da França no Brasil, do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, entre outros. Nesses sites, tivemos acesso a informações gerais sobre o Comércio Internacional, além de matérias de revistas, entrevistas com representantes dos governos francês e brasileiro, discursos do presidente Jacques Chirac e do presidente Lula, além de informações sobre as relações Brasil/França. Com base nessa pesquisa, encontramos as obras que compõem nosso corpus de estudo. Para o levantamento dos termos a serem estudados, nosso corpus de partida constituiu-se das seguintes obras:

¾Glossaire de l’exportation: dicionário monolíngüe francês com definições de 300 termos, apresentando, em grande parte das vezes, os equivalentes em inglês. Esta obra encontra-se disponível no site da Interex SA, filial da EXPORT Entreprises SA., especializada no acompanhamento de empresas no exterior. Exerce atividade há 11 anos e já serviu a 2500 empresas na França e na Bélgica: dispõe de uma equipe de 25 representantes em Paris e em Bruxelas, e de uma rede de correspondentes composta por 150 sociedades de pesquisa de mercado em 80 países. O site fornece todas as informações necessárias para a exportação.

¾Dictionnaire du Commerce International: dicionário monolíngüe contendo 868 termos e suas respectivas definições, elaborado pela Câmara do Comércio e da Indústria de Paris. A CCIP, primeira Câmara do Comércio e da Indústria da França e da Europa, representa 300.000 empresas da circunscrição Paris, les Hauts de Seine, la Seine- Saint-Denis e le Val de Marne. Representante de todas as empresas, ela é o ponto de união entre os poderes públicos e o mundo econômico. A CCIP emprega 3934 colaboradores, 62% dos quais têm a missão de formar profissionais na área. Esses colaboradores estão divididos em 4 grupos: Enseignement Supérieur de Gestion, Enseignement Supérieur Technique, Enseignement Technologique, Enseignement Commercial et Administratif. Com as 160 Câmaras do Comércio e da Indústria e as 21 Câmaras Regionais do Comércio e da Indústria, constitui a rede nacional das CCI, representada pela Assembléia das Câmaras do Comércio e da Indústria.

Essas são algumas das obras desse tipo encontradas durante a pesquisa que fizemos na Internet e nas principais livrarias do país. Foram essas as escolhidas para comporem nosso corpus por considerarmos muito competentes os responsáveis pela elaboração das mesmas e por apresentarem uma quantidade de termos possível de ser analisada no período do Mestrado. Queremos ressaltar que ambas as obras estão em formato eletrônico, o que facilitou e acelerou a pesquisa.

Nas próximas citações a essas obras, utilizaremos sempre os nomes de seus autores ou dos organizadores a fim de facilitar a identificação das mesmas.