4. ANALYSIS
4.2 C OUNTRY - SPECIFIC ANALYSIS
4.2.4 Sweden
A Terminografia configura-se como uma área de conhecimento que oferece respaldo teórico-metodológico para a elaboração de obras dicionarísticas de áreas de especialidade, refletindo sobre os componentes que devem integrar esse tipo de obra e outros aspectos da elaboração de dicionários especializados. Krieger e Finatto (2004, p. 51) explicam que
esse aporte teórico-metodológico deve orientar o tratamento a ser dado aos elementos constituintes do universo de informações que integram os instrumentos terminográficos, cujas estruturas variam conforme o conteúdo de um glossário, um dicionário monolíngue, bi
ou multilíngue ou ainda um banco de dados de terminologias. (KRIEGER E FINATTO, 2004, p. 51)
Embora os sintagmas toponímicos não constituam o tipo de unidades terminológicas que costumam ser tratados em repertórios terminológicos, optamos neste trabalho pelo subsídio teórico da Terminografia considerando alguns aspectos desses sintagmas que os aproximam e estabelecem alguns pontos de intersecção com os termos especializados.
Há dois aspectos principais que observamos e queremos salientar para justificar o amparo da Terminografia neste trabalho.
O primeiro diz respeito à fonte de dados para as pesquisas em Toponímia, afinal, o mapa configura-se como um texto especializado da área da Geografia e sintagmas toponímicos são integrantes desse texto.
O segundo ponto refere-se à própria estrutura dos sintagmas toponímicos inseridos em mapas: os nomes próprios sempre vinculados aos elementos geográficos, ou seja, vinculados aos termos de uma área de especialidade, a hidrografia. Explicitamos anteriormente que isso é mais claro quando o sintagma toponímico ocorre ligado por uma preposição, mas, ainda sem este conectivo, para que produza sentido, o topônimo precisa de alguma forma estar ligado ao seu referente, no caso dos dados de nossa pesquisa, um termo especializado da área da hidrografia.
Também ressaltamos como característica própria de propostas terminográficas as informações que compõem os textos dos verbetes que se restringem a oferecer dados específicos ao repertório léxico escolhido, ao contrário do que acontece com a Lexicografia, que busca oferecer no verbete o maior número de informações e significações possíveis para uma unidade léxica. Nesse sentido, os verbetes toponímicos também não pretendem ser exaustivos e, sim, oferecer informações relativas aos nomes em relação a seus aspectos motivacionais e enciclopédicos. Este elemento constitutivo encontra suporte nas palavras de Krieger e Finatto (2004, p. 53) quando as autoras manifestam que “como as obras terminográficas privilegiam as informações sobre o conhecimento especializado, e como tal de natureza extralinguística, diz-se que elas se aproximam das enciclopédias”.
Partindo desses pontos de vista, buscamos respaldo teórico na Terminografia, por constatarmos oferecer subsídios produtivos para a constituição do sistema conceptual de hidrônimos de um dicionário enciclopédico toponímico.
A elaboração de um sistema de conceitos é baseada em critérios estabelecidos conforme o domínio a ser organizado. Para Barros (2004, p. 108)
toda característica que serve ao estabelecimento de um sistema de conceitos (mapa conceitual) é chamada característica de classificação. Em um mesmo sistema de conceitos, essas características devem ser do mesmo tipo, entretanto, a natureza e o tipo da característica empregada podem variar segundo a necessidade de organização do sistema em diferentes campos conceituais. (BARROS, 2004, p. 108)
No caso da nossa proposta de sistema conceptual de hidrônimos, a característica que prevalece é a classificação taxionômica dos topônimos, estabelecida conforme a motivação de cada designação: nomes cujos conceitos fazem referência à aspectos de natureza física (rios, fauna, flora, relevo) e de natureza humana (pessoas, cidades, sentimentos, bens materiais). A autora supracitada explica que
A organização das unidades terminológicas que compõem a nomenclatura de um vocabulário em um conjunto estruturado de termos permite a identificação precisa das relações conceptuais estabelecidas entre eles. A análise semântico-conceptual dessas unidades linguísticas permite igualmente a identificação da zona de intersecção semântica existente entre elas e dos traços específicos de cada um. (BARROS, 2004, p. 122)
No sistema conceptual dos hidrônimos que propomos, o ponto de intersecção semântica entre os sintagmas toponímicos é a motivação, o que os aproxima para um mesmo subconjunto delimitado levando em conta a taxionomia.
O sistema conceptual é elaborado considerando as relações hierárquicas e não hierárquicas dos termos. As relações hierárquicas são estruturadas a partir dos conceitos mais genéricos para os mais específicos, já as relações não-hierárquicas mantêm relações de coordenação conceptual (BARROS, 2004, p. 115-118). Situamos a nossa proposta de sistema conceptual como mista, por abarcar esses dois tipos de relações: hierárquica no que se refere a relação entre os hidrônimos e os tipos de elementos e a recorrência das taxionomias e não-hierárquicas na relação entre os próprios sintagmas toponímicos dentro da divisão taxionômica, onde todos estão no mesmo nível semântico.
Outro elemento fornecido pela Terminografia para a elaboração de dicionários é a consideração do contexto como fator determinante para exprimir as características que compõem um termo. O contexto é definido por Barros (2004, p. 109) como o enunciado
onde o termo estudado encontra-se atualizado. Para a constituição do dicionário toponímico aproveitamos o que a autora citada explica como sendo o contexto enciclopédico, essencial para a elaboração de dicionários enciclopédicos e caracterizado como elemento que “veicula dados de natureza extralinguística, referencial, histórica, sem agregar definição” (BARROS, 2004, p. 11). Para nossa proposta de dicionário este é um dado fundamental, uma vez que, tomamos os sintagmas toponímicos a partir de sua inserção em mapas e o contexto onde os elementos ocorrem determina as informações geográficas que compõe a microestrutura.
No próximo capítulo tratamos da metodologia de trabalho para o desenvolvimento desta pesquisa.