5.1. Amostra
Como já foi referido, o estudo foi aplicado uma única vez antes de iniciar um programa de actividade física formal, a um grupo de idosos com idades compreendidas entre os 60 e os 81 anos.
A amostra foi constituída por sujeitos voluntários, autónomos na sua vida diária e sem problemas graves de saúde que condicionassem a sua participação no estudo. Os idosos voluntários são, geralmente os mais activos e saudáveis enquanto que os que têm problemas de saúde mais graves, desistem mais facilmente (Shephard, 1995). A exclusão de indivíduos com problemas clínicos severos é importante para minimizar os riscos durante os testes de força resultando, inevitavelmente, numa selecção dos mais aptos e, normalmente, dos mais fortes (Hughes et al., 2001).
No que diz respeito aos critérios de exclusão, apenas foi considerado o facto que não participarem em programas de actividade física formal há pelo menos 2 anos.
5.2.Caracterização da actividade física diária
Com o objectivo de caracterizar a actividade física habitual dos idosos, foi aplicada à totalidade da amostra um questionário baseado no questionário de Baecke Modificado validado para a população idosa por Vorrips (1991) (anexo 1).
Os resultados obtidos através do questionário de Baecke Modificado, possibilitam a análise da variação dos índices de actividade física total, tal como das suas componentes doméstica, desportiva e de tempos livres. Para caracterização da actividade física diária total foi realizado o somatório dos índices das componentes doméstica e tempos livres, não tendo em conta a
actividade desportiva, uma vez que foi considerado como critério de inclusão a ausência de prática desportiva há pelo menos 2 anos.
Por actividade física diária, deve entender-se a actividade física espontânea e não apenas os exercícios realizados de forma codificada (p ex. ginástica de manutenção, musculação...) (Carvalho, 2002). A actividade física diária envolve qualquer tipo de actividade física de intensidade moderada. Exemplos disso são pintar uma parede, limpar a casa, brincar com crianças, utilizar as escadas em vez do elevador, entre outros (Ross e Bartlett, 1998). Estas actividades podem ser avaliadas segundo parâmetros definidos como características comportamentais da actividade física que são: o tipo de actividade (aeróbio, anaeróbio, ocupacional, doméstico), intensidade (energia dispendida), frequência (horas/ semana) e duração (minutos/ sessão) (Ainsworth et al., 2000).
Estilos de vida activos podem promover o bem-estar geral do idoso e reduzir o aumento de doenças crónicas características da idade (Dipietro e Seals, 1995). “É actualmente aceite que a actividade física regular e adequada à capacidade do idoso contraria o efeito do envelhecimento, quer a nível físico, quer a nível psíquico, sendo os sistemas cardiovascular, locomotor e neurológico, os mais beneficiados” (Costa et al., 1999). No que diz respeito ao sistema músculo – esquelético, estudos realizados em ratos mostram que o diâmetro das fibras de vários músculos é afectado “diferenciadamente” com a idade, aparentemente pelas diferenças apresentadas nos níveis de actividade diária (Lexell, 1993). Por outro lado, pode ainda afirmar-se que um gasto semanal de 2000 Kcal está associado a uma redução de 25-30% na mortalidade (Paffenberger e Lee, 1996).
Assim, sendo a literatura é cada vez mais consensual no que diz respeito à possível relação entre estilos de vida menos activos e o incremento de determinadas patologias características das sociedades mais industrializadas (Montoye et al., 1996). Torna-se assim importante a existência de um instrumento válido para avaliação da actividade física diária no idoso.
Vários métodos têm sido utilizados em pesquisas de avaliação da actividade física, tais como questionários, acelerómetros, pedómetros,
cardiofrequencimetros, observação directa e calorimetria indirecta. No entanto, o questionário tem sido o mais frequentemente utilizado nos vários estudos por ser mais vantajoso. O questionário é económico; de fácil e rápida aplicação; confortável para o inquirido; e acumula informação qualitativa e quantitativa, permitindo estimar a energia dispendida no dia a dia (Dale et al., 2002). Este método fornece informação acerca das características da actividade física praticada em períodos específicos de tempo e em domínios específicos da actividade. No entanto, a sua principal desvantagem é o facto de existir dificuldade em recordar as actividades praticadas, tal como a sua frequência, intensidade e duração. O acelerómetro é também um método utilizado em alguns estudos, mas, apesar das suas vantagens, apresenta algumas limitações que levam à sua menor utilização. Este método é bastante dispendioso, pouco rigoroso e preciso no que se refere à avaliação de determinadas actividades (movimentos de tronco e braços, actividades aquáticas) (Dale et al., 2002).
Também a utilização do pedómetro é menos frequente, já que, apesar de económico e de fácil aplicação, apresenta limitações por permitir apenas a avaliação da marcha (Dale et al., 2002).
Assim apesar do questionário apresentar alguns problemas associados à recordação das actividades praticadas, parece ter uma aplicação vantajosa, tendo sido utilizado neste estudo.
O questionário foi efectuado oralmente, de forma presencial, por um único entrevistador, dados os impedimentos ao nível visual e de coordenação fina característicos desta faixa etária (Voorrips et al., 1991).
Para classificar os grupos em actividade física alta, razoável e baixa, foram utilizados os tertis. Voorips et al. (1991), efectuaram um estudo no sentido de validar o questionário de Baecke Modificado. A estimativa de fiabilidade após aplicação sucessiva do instrumento (teste/ reteste) – 20 dias após) foi elevada (r=0.89). Sendo r = 1, o significado de uma correlação perfeita positiva entre as duas variáveis, é neste estudo evidenciada uma elevada fiabilidade do questionário, tal como a sua potencialidade para classificar a actividade física de idosos.
Num estudo realizado por Carvalho (2002) evidenciou-se também a potencialidade deste questionário para classificação da actividade física diária do idoso. Para a determinação da fidelidade do teste, foi adoptada a técnica de aplicação sucessiva do instrumento (teste e reteste) com espaçamento de 15 dias. Os coeficientes de correlação obtidos foram de r=0.95 e r=0.92 para o grupo de Ginástica e de Ginástica Manutenção + Musculação, respectivamente (p〈0.001). A replicabilidade deste questionário já tinha sido anteriormente avaliada pela autora, não tendo sido observadas diferenças significativas entre os 3 observadores que simultaneamente aplicaram o questionário (Carvalho, 1996).
Outros questionários podem ser utilizados em estudos para determinação da actividade física diária do idoso, de que é exemplo o “Physical Activity Scale for the Ederly” (PASE), que, no entanto, apresenta uma fiabilidade mais baixa (r=0.75) relativamente ao questionário de Baecke modificado (Whasburn et al., 1993). Assim, dada a sua maior fiabilidade e ser um questionário de fácil aplicação, optámos neste estudo pela utilização do questionário de Baeke Modificado. Este questionário é frequentemente utilizado em Portugal, parecendo não apresentar problemas de adaptação cultural e linguística para a população portuguesa (Ferreira, 2003).
No estudo de Carvalho (2002), foram observados valores médios de actividade física diária de 5.21±2.3 no momento inicial do Grupo de Ginástica Manutenção (Grupo G) e de 6.39±2.1 no momento inicial do Grupo de Ginástica Manutenção + Musculação (Grupo G+M). Estes valores aproximam-se dos valores por nós encontrados no grupo classificado como “Razoavelmente Activo” (5.8±0.8), sendo bastante superiores aos valores encontrados no grupo classificado como “Menos Activo” (3.6±0.8) e bastante inferiores aos valores do grupo classificado como “Mais Activo” (7.9. ±1.7).
Voorrips et al. (1991) apresentam, no seu estudo, valores médios de actividade física superiores aos encontrados por nós nos três grupos (11.0±4.6 vs. 3.6±0.8, 5.8±0.8 e 7.9. ±1.7). As diferenças evidenciadas nos resultados podem justificar-se pelos índices superiores de actividade desportiva, já que os
sujeitos deste estudo, além de autónomos e saudáveis, pertenciam a clubes desportivos.
Ainda Pols et al. (1996) aplicaram o questionário de Baecke Modificado a idosos do sexo feminino com idades compreendidas entre os 49 e os 70 anos. Os sujeitos mais velhos, com mais de 64 anos, obtiveram valores médios de actividade física semelhantes aos encontrados por nós no grupo “Razoavelmente Activo” (6.03±4.6 vs. 5.8±0.8).
Também Fontes (2004) analisou grupo de idosos sem prática física, apresentando níveis de actividade física diária de 11.79±6.97, sendo este valor bastante superior aos níveis de todos os grupos do nosso estudo. Estes valores elevados podem ser justificados pelo facto deste grupo de idosos viver no meio rural, o que pode implicar um maior contacto com o mundo do trabalho bem como a manutenção dos níveis de actividade física (Fontes, 2004). O impacto da reforma e a ausência de trabalho nos idosos inseridos do meio rural, não se verifica com tanta intensidade, uma vez que têm a oportunidade de canalizar a ocupação do seu tempo livre para os trabalhos agrícolas e pecuários, característicos deste meio (Fontes, 2004).
5.3. Avaliação da força muscular
A sua importância
Como já foi anteriormente referido, o objectivo principal deste trabalho foi avaliar o efeito da actividade física diária na força muscular de sujeitos idosos sedentários.
Força muscular é definida como a capacidade de um grupo muscular para desenvolver a máxima força contráctil contra resistência, durante uma única contracção (Heyward, 2002).
Sendo a força muscular fulcral para a realização das várias actividades diárias do idoso, torna-se essencial a manutenção da funcionalidade e independência do sujeito, influenciando assim a sua qualidade de vida (Spirduso, 1995). O
aumento de força muscular pode melhorar a capacidade funcional, autonomia e contribuir para uma melhor qualidade de vida do sujeito idoso. Por outro lado, a perda de massa muscular e consequentemente da força muscular é um dos principais responsáveis pela diminuição na mobilidade e na capacidade funcional do sujeito idoso (Safons e Pereira, 2004). Por exemplo, a diminuição da força dos músculos extensores do joelho conduz de forma significante a limitações na marcha do indivíduo idoso (Rantanen, 2003), considerada um factor de dependência em sujeitos mais velhos. Com a idade, o padrão biomecânico da marcha é alterado, o que muitas vezes contribui para o aumento de quedas (Evans, 1995).
Assim, a diminuição nos níveis de força muscular tem implicações não apenas em termos funcionais mas também na saúde dos idosos. Por exemplo, Woollacott (1996) refere a existência de uma relação directa, do declínio da força muscular com o aumento do risco de quedas. Este acontecimento pode, por seu lado, ter efeitos devastadores na independência e qualidade de vida do idoso, frequentemente conduzindo à inactividade (Skelton e Beyer, 2003). Os baixos níveis de força muscular podem levar a uma grande prevalência de quedas nos idosos. Nos sujeitos com mais de 65 anos, a incidência de quedas é de 28% a 35%, naqueles com mais de 70 anos é de 35% e acima dos 75 anos é de 42%. (Pinho et al., 2005).
Assim, a força muscular dos membros inferiores é um factor importante de prevenção de quedas e manutenção do equilíbrio. Estudos concluem ainda que o aumento na força excêntrica do quadricípite representa um melhor controlo do centro de massa melhorando o equilíbrio, resultando num melhor controlo da marcha (Topp et al., 1993 cit. p/ Perell et al. 2001).
A força muscular adequada dos membros inferiores pode prevenir quedas, permitindo que o indivíduo não perca o equilíbrio. Por outro lado, a musculatura pode ainda reduzir o risco de lesão resultante de uma queda reduzindo a violência da queda ou estabilizando as articulações durante a queda (Spirduso, 2005).
A manutenção da actividade física e consequente condição física, nomeadamente da força muscular é assim determinante para o idoso na
medida em que tem uma importante contribuição para melhoria da funcionalidade, saúde e qualidade de vida do idoso, tal como para o prolongamento da sua independência (Spirduso, 2005).
Por esta razão, torna-se relevante o estudo dos efeitos da actividade física ao nível do desenvolvimento e manutenção da integridade do sistema muscular esquelético no indivíduo idoso.
Assim, porque a força muscular, particularmente dos membros inferiores é determinante para a vida quotidiana e saúde do idoso, justifica-se a necessidade de avaliar estes grupos musculares.
Métodos para avaliação da força muscular
São vários os métodos descritos na literatura para avaliação da força muscular, tais como a avaliação isométrica (estática), isocinética (velocidade constante) e isotónica (contracção muscular constante) (Porter et al., 1995).
O teste muscular isotónico mede a força que o indivíduo pode produzir enquanto acelera (ou desacelera) uma massa constante (Murphy e Wilson, 1996). Neste método, a força de um grupo muscular é determinada pelo peso máximo levantado através de uma amplitude de movimento articular numa repetição (1RM) ou 10 repetições (Perrin, 1993).
A avaliação isométrica também pode ser utilizada, envolvendo “a contracção máxima voluntária” (CMV) conseguida num ângulo articular específico e contra uma resistência imóvel. A CMV pode ser realizada contra uma medida de tensão, um transdutor de força, uma plataforma de força ou outro aparelho que traduza as medidas de força aplicada (Abernethy et al., 1995).
A avaliação isocinética é cada vez mais utilizada como método de avaliação da performance muscular em estudos com idosos, utilizando-se normalmente o torque máximo nestas avaliações (Carvalho, 2002). Este tipo de avaliação pode produzir parâmetros como peak torque (momento máximo de força), torque angular específico, “peak” de trabalho, trabalho total, “peak” de potência e índices de resistência (Kannus, 1994), sendo torque muscular medido a velocidades entre os 0º e os 300º/seg. (Heyward, 2002).
Apesar da metodologia por nós utilizada apresentar algumas limitações, já que se limita à análise isolada de apenas um grupo muscular através de níveis fundamentais de movimento, apresentando situações de pouca proximidade ao dinamismo das actividades diárias e sendo os seus custos de utilização relativamente altos (Brown e Whitehurst, 2000), as suas vantagens face a outros métodos são evidentes.
Uma das vantagens da avaliação isocinética é o facto de permitir determinar a força muscular a uma velocidade constante, isolando o músculo que se pretende avaliar (Brown e Whitehurst, 2000). Outra grande vantagem deste tipo de avaliação é a possibilidade de aplicação da carga máxima durante todo o movimento nos vários pontos do segmento avaliado (Wrigley, 2000). Quando, durante um movimento angular, o membro avaliado excede a velocidade limite, o dinamómetro produz uma força contrária de forma a assegurar o ritmo do movimento (Brown e Whitehurst, 2000). O dinamómetro isocinético apresenta ainda bastante segurança no que diz respeito à possível ocorrência de lesão ortopédica, o que permite uma maior estandardização do protocolo de teste (Brown e Whitehurst, 2000). Heyward (2002) afirma que este aparelho permite uma avaliação fidedigna da força muscular. A maior parte dos estudos de fiabilidade dos sistemas isocinéticos têm sido baseados em tarefas de flexão- extensão do joelho. Segundo Abernethy et al. (1995), o resultado do teste- reteste da avaliação isocinética são geralmente altos (r ≥ 0.9).
A dinamometria isocinética é mais vantajosa relativamente a avaliação isotónica devido à sua maior fiabilidade e objectividade na medição (Murphy e Wilson, 1996). Algumas vantagens podem ser referidas relativamente a avaliação isotónica, tais como o facto de incluir uma componente natural de resistência concêntrica e excêntrica e os exercícios realizados permitirem a mobilização de várias articulações em simultâneo (Brown, 2000). No entanto, algumas desvantagens podem ser referidas tais como incapacidade para determinar o torque, trabalho e potência, e o facto de os músculos mais fortes compensarem os músculos mais fracos durante os exercícios de cadeia cinética fechada (Brown, 2000).
A dinamometria isométrica, apesar de ter um alto nível de controlo da medida, ser de fácil administração, requerer pouco envolvimento de habilidades e ser realizado com baixos custos financeiros, apresenta situações de pouca semelhança à natureza dinâmica da maioria das tarefas diárias e desportivas (Murphy e Wilson, 1996).
Assim, pelas suas vantagens, neste estudo foi realizada a avaliação isocinética, sendo utilizado o torque máximo (“Peak Torque”) como indicador da força muscular, que representa o maior valor de força produzido ao longo de todo arco de movimento, medido em Newton x metro (N x m) (Ellenbecker e Davies, 2000).
Numerosos autores têm considerado o torque máximo como um indicador de elevada precisão e fiabilidade para a avaliação da força isocinética de diferentes grupos musculares em indivíduos idosos (Carvalho, 2002). Para isso, devem ser utilizados protocolos de teste padrão, por forma a manter a fiabilidade do teste. Assim, deve-se providenciar um período de habituação ao equipamento e a cada uma das velocidades, a consistência dos protocolos e das instruções verbais, utilização de equipamento apropriado e calibrado, e providenciar uma estabilização adequada (Ellenbecker e Davies, 2000), tal como foi considerado no presente estudo.
De acordo com os resultados do torque máximo do nosso estudo, não foram observadas diferenças com significado estatístico entre os grupos de diferentes níveis de actividade física diária, relativamente às médias dos valores de força muscular. Estes valores sugerem que as diferenças nos níveis de actividade diária deste grupo de idosos não são suficientes para obter variações ao nível da força muscular dos membros inferiores. Neste estudo, foram ainda encontrados valores mais elevados para o torque máximo a 60º/seg. relativamente aos encontrados na velocidade de 180º/seg. Uma possível explicação para este facto é a provável inibição da força à medida que a tensão muscular aumenta (Barnes, 1975). Outra possível explicação é o facto de a velocidade de 60º/seg. ser a que mais se aproxima da velocidade utilizada no dia-a-dia, promovendo um maior desenvolvimento de força nestas condições
(Bellew e Malone, 2000). Esta explicação parece estar de acordo com a hipótese formulada por Lexell (1998), atrás referida, que diz respeito a uma possível transformação das unidades motoras rápidas em unidades motoras lentas pelo desuso, levando à alteração da relação fibras rápidas/ lentas (Lexell et al., 1998). Esta hipótese parece ainda estar de acordo com aquela formulada por Carvalho (2002), que justifica este facto com a perda de fibras tipo II e com a redução da capacidade para realizar contracções rápidas característica dos sujeitos desta faixa etária. Para além disso esta autora refere-se às alterações neuromusculares associadas ao envelhecimento que poderão levar a uma maior dificuldade de coordenação dos movimentos à velocidade de 180º/seg. Também por nós foram encontrados valores de força superiores durante a extensão do joelho, comparativamente à sua flexão. Este facto pode explicar- se pelo facto destes músculos serem os mais recrutados durante a marcha e subida de degraus e por isso, serem os mais utilizados no dia-a-dia (Westhoff, 2000).
Carvalho (2002), encontrou no seu grupo Ginástica de manutenção (grupo G), valores de pré-treino no torque máximo para flexão do joelho a 60º/seg. no membro dominante, que são ligeiramente inferiores aos encontrados em todos os grupos do nosso estudo. O grupo G apresenta valores com uma maior diferença relativamente aos valores do grupo por nós considerado “mais activo” (grupo C) (41.9 Nm vs. 53.4 Nm), verificando-se uma maior proximidade aos valores do grupo considerado por nós “menos activo” (grupo A) (41.9 Nm vs. 44.4 Nm). Desta análise, poderia presumir-se que os valores de actividade física do grupo G do estudo da autora e grupo A seriam semelhantes. No entanto, os valores de actividade física diária do grupo G apresentam maior proximidade aos valores do grupo considerado por nós “razoavelmente activo” (grupo B) (5.21±2.3 vs. 5.8±0.8). Este grupo apresenta também valores no torque máximo para flexão do joelho a 60º ligeiramente superiores aos da autora (41.9 Nm vs. 45.2 Nm). Daqui se pode concluir que valores de força muscular semelhantes não resultam necessariamente de níveis idênticos de actividade física diária, existindo possivelmente a influência de factores intrínsecos ao sujeito.
Pode ainda referir-se que os níveis de força do sub-grupo classificado como “mais forte” por Carvalho (2002) são semelhantes aos obtidos pelo nosso grupo “mais forte” (53.2 vs. 53.4). Este facto pode resultar de idênticos níveis de actividade física entre os 2 grupos.
Ainda no mesmo estudo, foram encontrados no grupo G valores de pré-treino no torque máximo para flexão do joelho a 60º/seg. no membro dominante, superiores aos grupos A e B do nosso estudo (50.6Nm vs. 44.4 e 45.2 Nm, respectivamente). Estes valores são ligeiramente inferiores, mas mais próximos dos do grupo C (50.6 Nm vs. 53.4 Nm), sugerindo que os valores de actividade física também são semelhantes entre eles. No entanto, os níveis de actividade física do grupo da autora são mais próximos do nosso grupo B (6.39 vs. 5.8), apresentando o grupo C níveis actividade física superiores (7.9±17).
No que se refere ao torque máximo para extensão do joelho na mesma velocidade angular e no mesmo membro, a autora encontrou, no grupo G, valores semelhantes aos encontrados no nosso estudo no grupo C (107.9 Nm vs. 107.7 Nm). Por seu lado, os valores de actividade física são semelhantes ao grupo B, que apresenta níveis de força mais baixos comparativamente aos da autora (5.8±0.8).
Também Salem et al. (2000) apresentaram valores semelhantes aos do grupo B nosso estudo, no que se refere aos valores para o torque máximo na flexão do joelho a 60º no membro dominante (43.8 Nm vs. 45.2 Nm). No que diz respeito ao torque máximo na extensão do joelho para a mesma velocidade angular, estes autores encontraram valores substancialmente inferiores aos do nosso estudo, nomeadamente ao grupo C, que apresenta os valores mais baixos (64.5 Nm vs. 83.6 Nm).
Ainda no estudo de Fontes (2003), os valores de força durante a flexão do membro dominante a 60º/seg. estão mais próximos aos do nosso grupo B (48.9±27.02 vs. 45.2±17.3), apresentando este um nível de actividade física bastante mais baixo do que o da autora (11.79±6.97 vs. 5.8±0.8). No que diz respeito à extensão do joelho no mesmo membro e à mesma velocidade angular, os valores de força encontrados pela autora são semelhantes aos do grupo B do nosso estudo (93.1±27.50 vs. 92.4±26.7).
Relativamente à comparação bilateral, as diferenças a este nível na ordem dos