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Functions of accounting – Inter-organizational relationships inside of the organizational boundaries

4. Empirical Findings

5.2. Functions of accounting – Inter-organizational relationships inside of the organizational boundaries

Uma simples leitura da análise acima confrontada com o gráfico de ação bastará ao leitor para perceber que há consideráveis diferenças entre a estrutura temporal convencional da peça bem feita e The Children´s Hour. O crítico Brooks Atkinson, do New

York Times, notou e impressionou-se com a quantidade de tempo que Hellman dedicou à

primeira parte da peça. Ele chama essa primeira parte de “exposição”, como veremos mais à frente.

Essa primeira parte contém o primeiro ponto de virada, e nas peças bem feitas ele ocorre ao final do primeiro ato (como mostrado no gráfico), ato que ocupa em média um terço do tempo total da peça, ou ainda menos, se for uma peça de cinco atos, por exemplo. Em

The Children´s Hour, o primeiro ponto de virada vai aparecer quase no meio da peça, ao fim

da primeira cena do segundo ato.

Outro ponto discutível sob o ponto de vista do tempo é o desenvolvimento, que na peça ocorre na segunda cena do segundo ato, o que ocupa, em termos de tempo cênico, por volta de um sexto da peça. O desenvolvimento é a parte em que a sorte do protagonista é totalmente revertida, isto é, aquilo que começou como um problema no primeiro ato será drasticamente agravado no segundo. Ele não ocorre na peça na ordem clássica dos atos, justamente porque os telefonemas da Sra. Tilford são feitas no fim da primeira cena do segundo ato. O que temporalmente ocuparia mais da metade da peça entre o primeiro e o segundo ponto de virada desenvolve-se em muito menos tempo, apontando uma despreocupação por parte da autora em alinhar sua peça ao modelo tradicional.

Deslocando-se do tempo para a ação dos personagens, no primeiro ato Mary atua como antagonista. É ela quem instaura todo o conflito na escola e descobre as

desconfianças da Sra. Mortar em relação aos sentimentos de Martha por Karen. Na primeira cena do segundo ato, Mary conta o que sabe e o que inventou para a avó. Na segunda cena do segundo ato, há uma transferência de forças no papel de antagonista. Embora Mary continue desafiando as professoras, é a Sra. Tilford quem definitivamente age contra as duas. Mary faz sua parte em usar Rosalie como fantoche de seu plano, enquanto a Sra. Tilford mantém sua decisão sobre não se desculpar e não recuar. Além disso, a velha senhora ainda alerta Martha e Karen de que abrir um processo contra ela seria inútil, algo que se revela verdadeiro no início do terceiro ato. O papel de antagonista encerra-se no segundo ato dividido entre neta e avó: enquanto uma sustenta a mentira, a outra age para fazer o que acredita ser justo, completamente ludibriada pela neta.

O terceiro ato também apresenta algumas diferenças estruturais. A primeira delas é o desentendimento entre Karen e Joe que resulta na partida dele. Para justificar a atitude de Karen, seria necessário explicitar que o problema entre os dois já vinha, pelo menos, desde o segundo ato. A peça não oferece qualquer base para que se creia nisso. No entanto, Hellman não deixou de respeitar a questão do encadeamento lógico (incidente, crise, clímax, resolução) por meio de causa e efeito, mesmo ocorrendo dentro de uma única cena. Primeiro, há um incidente, quando Karen tenta beijá-lo e ele afasta-se, o que leva a uma pequena discussão entre os dois. Superada a discussão, surge a crise, que é o momento em que ela o conduz para que ele pergunte se havia afinal algum fundo de verdade em toda a história sobre as duas. Antes mesmo de formular a pergunta toda, ela interrompe-o e nega. Ele tenta se mostrar satisfeito com a negativa, o que vai culminar no clímax da cena, pois Karen alega que, mesmo acreditando nela, a dúvida assombraria os dois para o resto de suas vidas e não seria possível viverem em paz juntos. Ela pede, então, que ele vá embora. Após alguns argumentos de ambas as partes, há a resolução: Joe parte, afirmando que voltará em breve, porém Karen sabe que isso jamais acontecerá.

Em seguida, Martha confessa seu amor por Karen, que reluta em acreditar. Ela pede a Martha que vá descansar. Martha sobe para seu quarto e suicida-se. Nenhuma das antagonistas está presente nos momentos cruciais do terceiro ato: o desentendimento de Karen e Joe, a confissão de Martha a Karen e o suicídio. O que importou para a autora não foi a tradição clássica da peça bem feita entre antagonista e protagonista no último ato, aquela em que os dois enfrentam-se presencialmente, fazendo uso de todos os recursos dramáticos convenientes: diálogo e ação. O que se manifesta em todos esses momentos é a força da mentira de Mary. Note-se que Mary simplesmente desaparece no terceiro ato, ressurgindo apenas em uma fala da Sra. Tilford. O desaparecimento de Mary por si só é um ultraje às normas da peça bem feita, dado que a ação deve ser propelida através de diálogos, especialmente entre protagonista e antagonista. O que propele a ação em todo o terceiro ato é a presença dos efeitos da mentira na vida dos personagens: Joe e Karen duelam sobre a dúvida que paira na mente dele; Martha confessa que foi a mentira que a fez entender o que realmente sentia por Karen; Martha suicida-se por causa dos desastres que a falsa afirmação provocou; o retorno da Sra. Tilford à escola falida para reparar seus erros deve-se a ter descoberto a invenção da neta.

Demonstradas as dificuldades em associar stricto sensu The Children´s Hour à peça bem feita tradicional, surge uma questão: se The Children´s Hour fosse uma peça bem feita no sentido estrito do termo, causaria uma diminuição em sua importância ou vigor dramatúrgico e cênico? A resposta é não. Porque ela está mais associada à teoria de Bernard Shaw sobre a argumentação (como apresentado na seção 2), ou seja, aquela que propõe uma discussão sobre a moral e os costumes em vigor aceitos pela lei e pela sociedade. Dessa forma, o uso da estrutura bem feita favorece a argumentação sem ter como objetivo a exposição de situações inventivas.

Essas questões serão discutidas com mais exatidão e extensão à medida que a análise for feita e algumas críticas forem expostas. A crítica se apropriou do termo bem feita para difundir a idéia de que a estrutura da peça é meramenteconvencional, o que, como já exposto, ela não é. Cabe demonstrar que aquilo os críticos chamam de bem feita tem grandes diferenças com o estilo tradicional desse tipo de peça, além de várias outras concepções que têm relação com o melodrama.