3. Energy
3.3. Energy production (fugitive emissions from fuels)
3.3.2. Fugitive emissions from coal mining and handling
A dimensão humanista, social, pública e coletiva, que promove a arquitetura do encontro, da convivência, da confiança poderá favorecer a garantia dos direitos das crianças e de suas famílias de se sentirem respeitadas na escola infantil, de se apropriarem dos ambientes da escola e de interagirem com outras crianças e adultos, como orienta o documento do MEC, Critérios para um atendimento em creches que
respeite os direitos fundamentais das crianças. (BRASIL, 1997).
Mobiliários de boa qualidade também são o que os educadores almejam. Há muito desgaste devido ao uso intenso, então devem ter material resistente, mas com especial atenção às cores, texturas que devem ser atraentes, como nos lembram os arquitetos, motivando a exploração e manipulação, instigando a criatividade.
Espaços e equipamentos planejados e organizados de acordo com o projeto pedagógico – projeto de uso e programação, que agregue boas condições de conforto acústico, térmico e de visibilidade no ambiente e que respeite as características regionais e necessidades da população atendida estão previstos na Deliberação CME
Nº 04 /2009.33
A tônica de todas as intervenções, na entrevista com os arquitetos, foi sempre o diálogo. A crença na locomotiva da conversa em todas as instâncias. Isto é o que poderá viabilizar o artigo 14 da LDBEN, que se refere à gestão democrática da escola.
33 A Deliberação CME Nº 04 /2009 é utilizada pelos supervisores escolares, para autorizar e
Em muitos momentos foi possível constatar a importância que conferem aos processos coletivos e participativos, abordando, também, a relevância da ética na estruturação do projeto de gestão das escolas, dos equipamentos educacionais, para alcançar a gestão compartilhada, nas ações do cotidiano.
Devido às solicitações de intervenções nos prédios, eles puderam constatar que, muitas vezes, é necessária conscientização dos educadores, para que possam ter outro olhar para a segurança das crianças, que não seja a fragmentação dos espaços escolares. Isto ocorre, principalmente com os espaços abertos, nos quais são colocados portões e grades. Essas solicitações vão na mesma direção daquelas de fechar e erguer os muros, principalmente das EMEIs que foram P.Is. e contam com uma extensa área externa.
Nas reformas ou ampliações solicitadas pelas escolas, EDIF procura atender às especificidades de cada edificação. Muitas reformas se fazem necessárias, pois os prédios vão se deteriorando ao longo do tempo. Contudo, Luís alertou para o cuidado em relação às intervenções feitas sem planejamento e sem a participação do arquiteto, que podem interferir em aspectos relevantes para o conforto dos usuários, como: a iluminação, a mobilidade, a ventilação, a acústica, entre outros, podendo afetar também processos relacionais e a aprendizagem dos alunos.
Alguns educadores temem o contato das pessoas da rua, com as crianças no parque da escola. O arquiteto Claudio advertiu o quanto uma visão atravessada – o
sentimento de insegurança em relação à cidade, que faz com que as pessoas/os educadores queiram se cercar de muros e grades, termina por refletir no prédio escolar.
Entender a arquitetura da cidade, portanto a arquitetura escolar, como uma
obra inconclusa, que precisa deixar espaços para atender a novas exigências
pedagógicas, administrativas e funcionais, possibilitando intervenções que contribuam com o melhor atendimento à comunidade educativa, é compreender a escola com suas necessidades, com a dinâmica presente em seu cotidiano.
Os arquitetos afirmaram serem desejáveis as críticas e disseram que acompanham as “reclamações” dos educadores, que consideram muito importantes. A escola está acostumada a não ver consequência nas suas observações sobre os espaços. Uma questão que foi levantada em todas as escolas pesquisadas foi o barulho excessivo do refeitório e o calor dos ambientes.
A aproximação da universidade pública com a administração pública, espaços distintos de ação e reflexão, deveria ser cada vez mais apoiada e incentivada. Com a entrevista tivemos conhecimento de trabalhos desenvolvidos nas disciplinas da FAUUSP, por exemplo, sobre mobiliários escolares, que poderiam contribuir com as escolas da rede municipal.
Para compreender, intervir e atuar nos espaços da escola foi colocada, pelo arquiteto Paulo, a necessidade de se calibrar as visões de mundo, de projeto pedagógico, com vistas à construção de um projeto de Cidade Educadora, que seja apropriado e assumido por toda comunidade educativa.
Espaços que promovam o encontro, a convivência, a confiança dos
diferentes, para as escolas de educação infantil da cidade de São Paulo têm um
significado especial, considerando-se que devem favorecer o acesso da população de forma acolhedora para a família e para a criança pequena.
O aspecto segurança, já discutido anteriormente, tem importantes desdobramentos na configuração dos prédios. É possível constatar a pertinência em ampliar essas discussões, para que cheguem até a escola e promovam debates que ampliem a conscientização da necessidade de repensar os espaços escolares.
Figura 26 Recepção de uma das EMEIs pesquisadas Fonte: Acervo pessoal.
Na escola da foto, como em várias escolas da rede, o primeiro contato dos familiares das crianças com a escola acontece através de um balcão aberto na Secretaria, por onde são atendidos, sem a possibilidade de adentrarem o prédio.
Questões estruturais não podem ser resolvidas pela escola, isoladamente. Mesmo que a comunidade educativa decida que este espaço deve ser modificado,
será necessário um caminho burocrático para que a solicitação seja atendida, pois são sempre priorizadas intervenções nos espaços em que há riscos para a segurança dos alunos.
Ainda que o ambiente seja capaz de propor, facilitar ou inibir ações dos usuários, a compreensão do papel desempenhado pelo espaço nas práticas educativas e culturais nem sempre é valorizada. Importam as decisões tomadas durante a elaboração do projeto e após seu uso sobre os espaços da escola, em especial, aqueles que irão concentrar maior número de pessoas, pois tais decisões estão relacionadas a conceitos e ações de humanização, que têm influência sobre os usuários e suas possibilidades de convivência e participação social.
Porém, para além das preciosas contribuições que os quatro arquitetos trouxeram a esta pesquisa, a entrevista enfocou temas e espaços, de forma tão interessante e com elementos tão instigantes que levaram à modificação de algumas questões já elaboradas para a pesquisa nas escolas. (Anexo 1).
Finalizando este capítulo, vale registrar que a ênfase na construção coletiva, na importância do alicerce ético, social, humanista das edificações escolares e a relevância conferida ao projeto pedagógico, à interlocução com educadores e com todas as pessoas que vão viver esse espaço construído, que precisa ser avaliado, em todas as etapas do processo de construção, a partir da elaboração do projeto, durante sua realização e após sua ocupação, foi a tônica desta entrevista, e esteve presente nas intervenções dos quatro arquitetos..
Ainda que, algumas vezes, a discussão se voltasse mais para o ideal do que para o real, a entrevista se constituiu oportunidade de aprendizagens significativas numa área que é campo fértil para pesquisa.
(...) não existe edifício/equipamento coletivo que consiga ser isolado do espaço urbano ou rural, até porque grande parte de seu espaço é, por seu próprio objetivo, público. Sua organização, agenciamento, dimensões e distribuição territorial o tornam elemento que, obrigatoriamente, participa da composição/estruturação da paisagem urbana e de sua qualidade. (LIMA, 1995, p.144).