3. Energy
3.2. Energy combustion
3.2.2. Energy industries
[...] Arquitetura, projeto de gestão intersecretarial e com a participação da sociedade (...) é construir a primeira arquitetura, que é a conquista coletiva do lugar, a construção do endereço. (Arquiteto Paulo).
Claudio foi quem abriu as discussões. Falou sobre sua experiência com o Parque Infantil (P.I) da Moóca, atual EMEI Marcílio Dias, na zona leste da cidade, onde ele frequentava as piscinas, na infância.
Descreveu seu trajeto para o P.I., relembrando os lugares pelos quais passava: equipamentos públicos e conjuntos habitacionais, com espaços de circulação e convivência, era um espaço coletivo, que hoje está fechado, murado. De acordo com Cláudio, “o espaço público foi confinado, estratificado, privatizado, não é mais um espaço coletivo”.
Para o arquiteto, hoje se fala em “cidade educadora”, contudo, os prédios, assim como a cidade, educam, mas podem deseducar.
Ao mesmo tempo, alertou-nos para o fato de que, nas grandes cidades brasileiras, a escola restava como a:
“Última e muitas vezes, a única alternativa, para que as crianças pudessem ter
uma experiência com um espaço público, uma vez que elas perderam o direito às praças e às ruas como espaços da brincadeira e da convivência.” (Claudio) é preciso
que a escola reinvente seus tempos e espaços.
Paulo, outro arquiteto que participou da entrevista, ponderou que, no cotidiano da escola, é preciso:
Conviver com um bom desenho de mobiliário, espaços que vão compor uma atmosfera aconchegante, de acolhimento, de convite e recepção, com texturas e cores tratadas cuidadosamente, nas proporções de cada cidadão: o idoso, a criança...
Uma das perguntas feitas aos arquitetos foi como chegavam a EDIF as demandas de projetos. Como resposta: “Sempre, não sei se vocês, mas a gente se
ressentia muito de uma interlocução com os educadores. Chegava sempre no Departamento muito como encomenda mesmo. Coisa quantitativa e o Luís costuma dizer isso e acho que é uma característica de quem projetou a EDIF, de ser propositor. O que quer dizer isso? É identificar nessa encomenda um possível avanço.”
Em várias situações os arquitetos colocaram esta característica de EDIF-ser propositores, ou seja, a capacidade desse escritório público de arquitetura, de ir além, de vislumbrar outros espaços e formas de uso, a partir das solicitações que recebe, de imprimir uma qualidade de reversibilidade nos espaços construídos. Como exemplo, Claudio citou a construção de um espaço para acomodar os instrumentos da fanfarra nas escolas onde há tradição e interesse da comunidade educativa, ainda que esse espaço não tivesse sido solicitado inicialmente pelos educadores.
Luís e Marcos consideraram que a SME estava vivenciando um momento semelhante à época do Convênio Escolar:
(...) o início desse escritório na prefeitura de São Paulo para projetar escolas dentro de uma concepção de Educação, a partir do Anísio Teixeira, que é o caso concreto dessas escolas-parques e onde esses projetos (...) estão lá no acervo de EDIF.
Os arquitetos, durante a vigência do Convênio Escolar (1949-1952) desenvolviam projetos baseados nas propostas do educador Anísio Teixeira e do arquiteto Hélio Duarte, época em que:
[...] esse programa de projetos escolares produziu cerca de 70 equipamentos públicos de reconhecida qualidade arquitetônica e adequada à inserção na paisagem urbana, dentro dos conceitos da moderna pedagogia, defendidos pelo filósofo e educador baiano Anísio Teixeira. (BUCALEM, M.L., in DUARTE, Hélio, p.13)
Figura 23 Croqui de Edifício: Escola Classe
Fonte: Duarte, Hélio. Escola classe escola parque, São Paulo, 1948. Crédito Arquivo FAUUSP.
Em 2013, assim como ocorreu na época do Convênio Escolar e, em outros momentos da história da educação paulistana, voltava a ocorrer a possibilidade de diálogo entre arquitetos e educadores, para a elaboração de um novo projeto para a educação infantil, o CEMEI.
Por ocasião da elaboração da arquitetura do programa31 foram realizados encontros entre técnicos de SME e SIURB e reuniões com representantes das DREs e os projetos arquitetônico e pedagógico vinham sendo discutidos nesses encontros. Pela experiência em órgão público, todos têm clareza da importância das diretrizes da política educacional, na condução das questões voltadas também às edificações escolares.
31 Arquitetura do Programa, como será discutida em diversos momentos desta entrevista, envolve
fatores que poderão interferir na qualidade dos espaços escolares, por meio de debates, com a participação dos atuais e/ou futuros usuários, ou representantes de diferentes segmentos da comunidade educativa: alunos, pais, professores, funcionários da escola, comunidade. Especialistas de várias áreas: sociais, pedagógicas, ambientais da região podem contribuir com a discussão, além de técnicos em conforto ambiental e infraestrutura predial.
(...) o projeto dos CEUs que a Marta fez, os 21, que eram os 45, que deviam ser aprimorados. (...), deveriam ser assim, sofisticados, o jeito de construir bem feito, o mobiliário aprimorado, brinquedo...sintonia fina. (...) A creche na esquina oposta da nave da biblioteca, você tem a Padaria-Escola, num canto; a esquina oposta é o restaurante da criançada.E como é tudo envidraçado, são salas ambientes, são vitrines, você pode expor as atividades das crianças, o que tinha de importantíssimo na varanda do térreo era o elo de ligação de uma criança com oito meses de idade, ou três anos de idade com as avós, com os avós que estão fazendo hidroginástica nas piscinas. Sabe, quando vai a avó visitar o bisneto que nasceu lá na maternidade, a alegria... Parece uma vitrine de crianças no berçário. (PAULO, arquiteto)
Em relação aos CEUs, equipamento no qual os arquitetos entrevistados se envolveram e sobre o qual detêm grande conhecimento, ressaltou a proposta de avançar para além da leitura de um equipamento isolado, de uma escola-sala, para vivenciar as possibilidades oferecidas pela praça de equipamentos urbanos.
Ao responderem sobre como chegavam a EDIF as solicitações para a construção, reformas, ampliações, disseram que toda solicitação chegava de uma maneira burocrática, como, por exemplo, pedidos de ampliação do número de salas de aula.
A possibilidade de discussão dos arquitetos da prefeitura, técnicos que trabalhavam em EDIF, com os educadores aconteceu em alguns momentos pontuais, em algumas administrações municipais que exercitaram a gestão da cidade com uma intenção de funcionamento mais sistêmica em relação aos órgãos públicos.