O artesanato cearense originou-se no período pré-colombiano, a partir da cultura indígena, cujos índios utilizavam principalmente a argila e a palha para produzir ferramentas e objetos úteis para as atividades diárias. Este artesanato foi aprimorado durante o período da colonização e com a vinda dos jesuítas, os quais contribuíram com orientações sobre as possibilidades de diversificar a matéria-prima e aplicar novas técnicas de produção. Fato este que levou à fabricação de novos produtos como adornos, adereços, ornamentos, vestimentas, relíquias e joias, uma herança histórico-cultural que ainda permanece nos dias atuais (SANTOS, 2007).
A cultura do artesanato no Ceará é fruto da junção de conhecimentos e experiências de três raças, os índios, os europeus e os africanos. Este fato, aliado à grande diversidade de matéria-prima existente na região, potencializou as possibilidades de ampliar os tipos de produtos artesanais, desenvolvendo várias técnicas (pintura, escultura, ourivesaria, carpintaria, fundição, marcenaria e tecelagem, etc) com capacidade de atender à demanda da sociedade. (VIDAL, 2010).
Por volta da segunda metade do século XX, a indústria apresentou-se incapaz para empregar toda a população, assim, o artesanato cearense, desenvolvido por trabalhadores autônomos, ganhou espaço nos planos governamentais como uma alternativa para atender a uma mão-de-obra excluída (CARDOSO, 2012).
Os produtos artesanais, antigamente, eram mais produzidos pela família durante as horas vagas como uma forma de obter uma renda complementar. Porém, por meio do aprimoramento das técnicas da produção, do desenvolvimento de novas habilidades, da diversificação da matéria-prima, da qualidade e originalidade dos produtos, e da valorização e aceitação do artesanato pelo mercado nacional e internacional; a produção artesanal no Ceará passou a ser a atividade econômica principal de muitas famílias, gerando renda suficiente para atender as necessidades dos artesãos (SANTOS, 2007).
É importante evidenciar a originalidade e a diversidade do artesanato cearense. Atualmente, os artesãos utilizam o barro ou argila, metal, madeira, couro, ouro, palha, areia, algodão e corda para fabricar produtos que representam a arte local, como renda, bordados, crochê, tecelagens, cestaria em fibras vegetais, labirinto, cerâmica, filés, bordados, garrafinhas de areia colorida, móveis, artigos decorativos, entre outros (VIDAL, 2010; SANTOS, 2007). Estes produtos carregam sempre o aspecto característico do artesanato, o “fazer manual”, e refletem a criatividade e a simplicidade do artesão cearense, oferecendo uma beleza peculiar que resiste ao tempo, perpassando as gerações (SANTOS, 2007).
A partir dos dados da Central de Artesanato do Ceará (CEART) nota-se a ampla diversidade do artesanato cearense. Existem mais de 10.000 itens de artesanato, classificados em 26 tipologias distintas de produtos que são comercializados. Em mais de 30 municípios do Ceará constata-se a forte presença da atividade artesanal, sendo que é comum uma mesma tipologia de artesanato estar presente em cidades distintas localizadas em regiões diferentes. O tipo de artesanato a ser disseminado em uma determinada localidade é influenciado pelo recurso natural existente na região, bem como pela formação histórica e cultural e pela especialização do artesão. Por exemplo, Fortaleza (capital do Ceará) é o município que abrange a maior diversidade do artesanato cearense, devido às migrações dos habitantes que fogem das secas (VIDAL, 2010).
Mesmo adquirindo vários benefícios através do artesanato, os artesãos cearenses ainda enfrentam algumas dificuldades que limitam sua expansão, como a produção em pequena quantidade, haja vista que constitui um trabalho manual, que exige tempo, dedicação e atenção aos detalhes; o despreparo do artesão, o qual às vezes não possui conhecimento
mercadológico; e a falta de recursos e de padronização. Porém, estes empecilhos vêm sendo minimizadas a partir da intervenção do poder público.
No Estado do Ceará é notória a ação de algumas instituições que fornecem apoio para o desenvolvimento da produção artesanal, bem como sua valorização e expansão. Nesta vertente, destacam-se a Central de Artesanato do Ceará - CEART/CE; Secretaria de Cultural do Estado do Ceará - SECULT e Banco do Nordeste em parceira com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNB/BNDES (BNB, 2014; SECULT, 2014; STDS, 2014).
Estas instituições desenvolvem ações (feiras, capacitações, rodadas de negócios) para promover o resgate cultural e fortalecer a identidade do artesanato na região. Fornecem suporte às demandas de produção artesanal, intermediando o acesso às tecnologias e facilitando novos canais de comercialização. Objetivam, dessa forma, oferecer oportunidades de emprego e renda para os artesãos, consolidando a produção artística e contribuindo significativamente para o desenvolvimento sustentável (BNB, 2014; SECULT, 2014; STDS, 2014).
A consolidação e expansão do artesanato no Estado do Ceará é resultado também da ação de grupos de artesãos localizados na Região do Cariri, os quais compreendem o campo de estudo da presente pesquisa. A Região do Cariri foi assim denominada devido aos seus primeiro habitantes, em meados do século XVII, conhecidos como os índios Kariris, os quais, naquela época já utilizam o cipó e o barro para produzir peças artesanais para o próprio uso, como cestos, balaios, potes e panelas (MDA, 2010).
O Cariri, com uma população de 930.938 habitantes (IBGE, 2010), compreende uma área de 16.350,40 km², situado na região sul do Estado do Ceará, abrangendo vinte e oito municípios: Abaiara, Barbalha, Caririaçu, Crato, Farias Brito, Grangeiro, Jardim, Juazeiro do Norte, Missão Velha, Várzea Alegre, Aurora, Barro, Brejo Santo, Jati, Mauriti, Milagres, Penaforte, Porteiras, Altaneira, Antonina do Norte, Araripe, Assaré, Campos Sales, Nova Olinda, Potengi, Salitre, Santana do Cariri e Tarrafas (MDA, 2010).
Devido ao elevado desenvolvimento cultural e socioeconômico do cariri, em 2009 delimitou-se a Região Metropolitana do Cariri, com cerca de 537.860 hab. (IBGE, 2010), que vem se destacando nas últimas décadas pelo acelerado crescimento econômico, bem como pela atividade artesanal enquanto elemento cultural de referência (ARAÚJO, 2006). Segundo a Lei Complementar Estadual n. 78, de 29 de junho de 2009 essa região é composta por nove
municípios: Crato, Barbalha, Caririaçu, Farias Brito, Jardim, Missão Velha, Nova Olinda, Santana do Cariri e Juazeiro do Norte.
O Juazeiro do Norte não é a cidade mais antiga da sub-região do Cariri Cearense, mas é hoje a maior e de maior poder econômico. Fortemente influenciado pelas romarias à Juazeiro do Norte, onde milhares de romeiros são atraídos pela fé na figura do Padre Cícero. Os movimentos migratórios fortaleceram significativamente o comércio e a indústria, enquanto que a fé religiosa influenciou a produção artesanal, motivada pelo Padre Cícero, o qual, no final do século XIX, percebeu o potencial econômico do trabalho manual e incentivou a população a adotar a atividade artesanal como fonte de renda (GONÇALVES, 2010). O artesanato intensificou-se em Juazeiro do Norte a partir das oficinas de produção manual que começaram a se instalar nas próprias residências dos artesãos (DO VALE; GRANGEIRO, 2012).
No início do século XX, as oficinas de trabalho passaram a se consolidar em espaços coletivos, localizando-se no centro da cidade, com o intuito de atrair mais clientes (ARAÚJO, 2006). Além disso, vários grupos de artesãos atentaram para a necessidade de se organizar de forma associativa. Como exemplo, Gonçalves (2010) menciona cinco associações de artesãos: Associação dos Artesãos da Mãe das Dores, Associação dos Artesãos de Juazeiro do Norte, Artesãos da Palha de Milho (mais conhecida por Genipoart), Associação dos Lapidários e Artesãos Minerais e Ourives da Região do Cariri (ALAMOCA) e a Associação dos Artesãos da FEART (Feira de Artesanato).
Ao longo dos anos, estas associações e as demais, localizadas não somente em Juazeiro do Norte, mas também em outras cidades da região do Cariri e do Estado do Ceará, vêm participando de ações de fomento ao artesanato cearense. Por exemplo, em 2012, realizou-se a Rodada de Negócio Investe Brasil na região do Cariri, na cidade Juazeiro do Norte, recebendo compradores de todo o Brasil interessados no artesanato cearense. Estavam presentes neste evento cerca de 20 compradores de oito estados brasileiros e 46 grupos de artesãos do Ceará. A expectativa era de que a rodada gerasse em torno de R$ 300 mil em curto e médio prazos (ASN, 2012).
Outro dado relevante sobre o artesanato na região do Cariri que merece atenção refere- se ao estudo de Do Vale e Grangeiro (2012), pelo fato de estar relacionado com a temática “desenvolvimento sustentável”, a qual remete ao contexto da presente pesquisa. As autoras realizaram uma pesquisa com um grupo de 225 artesãos da cidade de Juazeiro do Norte,
visando identificar indicadores de sustentabilidade presentes nas suas práticas, revelando resultados importantes sobre as dimensões social, cultural, econômica e ambiental.
Na dimensão social, verificou-se que o artesanato em Juazeiro do Norte faz parte da tradição familiar e quase metade dos respondentes participam de associações. Os artesãos associados revelaram que a forma de organização associativa favorece o aumento de renda, fornece oportunidade de trabalho, possibilita estabelecer relações com outras pessoas, propicia apoio coletivo para superar dificuldades e promove a participação em treinamentos (DO VALE; GRANGEIRO, 2012).
Com relação aos aspectos culturais, detectou-se que cerca de 90% dos artesãos trabalham na própria residência, o que representa uma tradição do local, proposta pelo Padre Cícero, o qual pronunciava “em cada casa uma oficina, em cada oficina um oratório” (DO VALE; GRANGEIRO, 2012).
Em se tratando da perspectiva econômica, foi revelado que mais da metade da amostra desenvolve a atividade artesanal como principal fonte de renda, auxiliando no sustento da família. E na dimensão ambiental, identificou-se que os artesãos são conscientes sobre a necessidade de descarte dos resíduos de forma ecologicamente correta. Porém, falta consciência ecológica no que se refere à aquisição da matéria-prima, pois a maioria dos artesãos compram, em vez de adquirir a matéria-prima através de coletas com a vizinhança, no lixo, na natureza ou por meio de doação (DO VALE; GRANGEIRO, 2012).
Os resultados positivos consequentes do trabalho artesanal em Juazeiro do Norte, evidenciado no estudo de Do vale e Grangeiro (2012), constituem uma experiência que parece se estender para as demais cidades do Cariri, principalmente por meio de grupos de artesãos aglutinados em associações.
A exemplo, a Associação das Rendeiras de Bilro, localizada no Município de Santana do Cariri, foi fundada em 2009, sendo formada por 16 mulheres rendeiras, as quais continuamente buscam aprimorar suas habilidades na arte de tecer rendas de bilro, desenvolvendo produtos diversificados, como bolsas, toalhas, tapetes e principalmente as redes de dormir. Preocupada com a preservação do meio ambiente, esta associação não descarta resíduos de maneira inadequada, pelo contrário, reutiliza os restos de matéria-prima no desenvolvimento criativo de outros produtos. Além disso, busca-se priorizar ações que possam efetivar a valorização da cultura local, a transformação da sociedade, melhorias das condições financeiras da comunidade e o fortalecimento das relações sociais (ARTESOL, 2014b).
Outra organização que merece atenção é a Associação dos Artesãos de Juazeiro do Norte Mestre Noza, localizada no centro de Juazeiro do Norte, foi fundada em 1985 com o apoio da Fundação Nacional de Artes (FUNARTE) do Ministério da Cultura. Esta associação, formada por um grupo de em média 180 associados, fornece suporte aos artesãos para que assim possam consolidar sua profissão, obtendo o sustento das suas famílias por meio do artesanato. Ela tem se destacado no cenário nacional e internacional através da comercialização de peças artesanais, confeccionadas principalmente a partir da madeira, que retratam e propagam a identidade histórica, cultural e religiosa do povo caririense. Além disso, desenvolve atividade de cunho educacional, incentivando a inclusão digital do artesão (GONÇALVES, 2010).
Associação da Mãe das Dores do Padre Cícero, localizada em Juazeiro do Norte, foi oficialmente fundada em 1988, porém as artesãs já vinham desenvolvendo o artesanato com palha de milho desde 1970. Incialmente, os produtos fabricados com a palha de milho (cestas, chapéu, utensílios para casa, chaveiros, lembrancinhas, etc.) eram comercializados em feiras, na própria região, em outras cidades e Estados. O produto que abriu as portas para a comercialização internacional, na Europa, foi o “cartão para presente” feito com palha e tecido, o qual transmite mensagens sobre os fatos históricos e culturais da comunidade local. Atualmente, a associação, formada por 35 membros associados, fabrica em média mais de 200 produtos diversificados, gerando renda para as famílias e garantindo a sobrevivência dos artesãos (GONÇALVES, 2010).
Fazendo um contraponto entre a vivência presente nos exemplos relatados e as demais temáticas da presente pesquisa, pode-se percebe o potencial de crescimento sólido e global da Região do Cariri, destacando-se o trabalho dos artesãos aglutinados em associações com condutas direcionadas para o desenvolvimento sustentável. As associações civis, bem como as de artesanato, representam um dos agentes que pode viabilizar a missão da tecnologia social, promovendo vários benefícios, dentre os quais, a inclusão social, acessibilidade, sustentabilidade, educação, bem-estar e inovação (ITS, 2007).
As organizações da sociedade civil possuem capacidades para elaborar e implementar estratégias ambientalmente responsáveis, criativas e inovadoras, solucionando os agravamentos sociais e ambientais. É perceptível o seu potencial em aplicar a tecnologia social em prol do desenvolvimento demandado pela população brasileira. Estas organizações se distinguem pela sua habilidade em produzir conhecimentos orientados para a inclusão social, haja vista que vivenciam a realidade dos grupos sociais e comunidades locais, o que
permite identificar oportunidades favoráveis à transformação social. Utilizam metodologias participativas para produzir, organizar e aplicar conhecimentos úteis para atender as demandas, minimizando as desigualdades e encorajando uma sociedade pautada na democracia, na justiça e na ética (CGEE, 2011b).
Segundo relato de Pena (2010), o artesanato pode ser desenvolvido por comunidades urbanas e rurais ou por movimentos sociais a partir da tecnologia social, ou seja, por meio de métodos, técnicas ou produtos que favoreçam a inclusão e transformação social, associando o conhecimento científico com o saber popular, visando à inserção econômica e social dos mais desfavorecidos.
Dessa forma, oferecer suporte ao artesanato Cariri Cearense a partir da metodologia da tecnologia social pode gerar contribuições peculiares para o progresso desta região. E, a presente pesquisa constitui um “pontapé” inicial para enfrentar este desafio.
5MODELOCONCEITUAL
A partir da fundamentação teórica acerca dos temas centrais deste estudo (tecnologia social, desenvolvimento sustentável e artesanato em organizações associativas) torna-se relevante apresentar um modelo conceitual (FIGURA 9), demonstrando as possíveis relações existentes entre o campo de estudo desta pesquisa (organizações associativas de artesanato), os parâmetros de análise da tecnologia social e os parâmetros de análise das dimensões da sustentabilidade.
Figura 9 – Modelo Conceitual: tecnologia social, desenvolvimento sustentável e artesanato
Fonte: Elaborado a partir de Sachs (1993); Spangenberg e Bonniot (1998); Brito e Ribeiro (2002); Sharma e Ruud (2003); ITS (2004a); Waage et al. (2005); Pawtowski (2006); Loureiro e Callou (2007); Claro, Claro e
Amâncio (2008); Pawtowski (2008); Sachs (2008); Dempsey et al. (2009); Sachs (2009); White e Lee (2009); Baumgartner e Quaas (2010); Baribieri e Silva (2011); Fenker e Ferreira (2011); Fenker (2012); Elkingnton (2012); Serrão, Almeida e Carestiato (2012) e Silva et al. (2013).
Este modelo conceitual (FIGURA 9), que pode ser vislumbrado no anexo A com resolução maior, resume a base teórica que irá guiar a coleta e análise de dados da presente pesquisa, permitindo averiguar, no campo de estudo, os objetivos e os pressupostos delimitados anteriormente.
Nesse sentido, o modelo conceitual (FIGURA 9) apresenta, no início do seu processo, o objeto de estudo da presente pesquisa, ou seja, a atividade artesanal desenvolvida por artesãos organizados em associações. Incialmente, cada associação deverá passar por um
processo de análise para verificar se sua atividade artesanal configura uma tecnologia social. Para tal, serão verificados os parâmetros de análise da tecnologia social que abrangem: (1) igualdade social, efetivando a solução dos problemas que afetam a sociedade; (2) decisões democráticas, incentivando a população a participar do processo de tomada de decisão; (3) participação, apropriação e aprendizagem, favorável à população; (4) disseminação sistemática do conhecimento, concretizando atividades de planejamento e aplicação do saber de forma organizada; (5) conhecimento tácito, permitindo a produção de novos conhecimentos por meio da troca de experiências; (6) sustentabilidade, prezando por melhorias nas dimensões econômica, social e ambiental; (7) reaplicação, incentivando outras comunidades a aplicarem as aprendizagens construídas em contextos semelhantes (FIGURA 02, 09).
Estando em conformidade com estes parâmetros, consequentemente, a atividade artesanal passa a ser reconhecida como uma tecnologia social, a qual será analisada a partir dos parâmetros que definem cada dimensão da sustentabilidade - econômica, social, ambiental e cultural.
Para averiguar a sustentabilidade econômica, analisam-se os seguintes parâmetros: (1) a igualdade social através da distribuição equitativa de riquezas; (2) a demanda da sociedade é considerada para produzir bens e serviços apropriados; (3) o emprego e a renda fornecidos para os mais desfavorecidos; (4) os limites da natureza são respeitados perante os processos de produção, distribuição e consumo; (5) o aspecto economicamente viável constitui uma característica dos bens e serviços; (6) o capital econômico é valorizado, gerando lucro; e (7) o capital humano é valorizado, reconhecendo a importância das experiências, capacidades e conhecimento dos indivíduos (FIGURA 04, 09). A partir desta análise será possível verificar se o pressuposto 01 (P1) - “As tecnologias sociais proporcionam efeitos econômicos significativos para os artesãos, contribuindo com a distribuição de bens e serviços economicamente viáveis” - da presente pesquisa se confirma.
No que se refere à sustentabilidade social, avaliam-se os seguintes parâmetros: (1) os direitos humanos básicos são respeitados, como saúde, alimentação, água, transporte, lazer e educação; (2) habilidades, competências e atitudes dos indivíduos são desenvolvidas; (3) a educação é promovida continuamente; (4) o grau de confiança é estabelecido entre os membros da organização e desta para com a sociedade; (5) a organização e a sociedade possuem seus objetivos e atividades alinhados; (6) o trabalho e o salário são fornecidos sob condições adequadas e justas; (7) a inclusão social é amplamente promovida; (8) as relações
interpessoais são consolidadas (FIGURA 05, 09). Esta análise permite verificar se o pressuposto 02 (P2) – “As tecnologias sociais favorecem a inclusão social dos artesãos, minimizando as diferenças existentes entre as condições de vida das pessoas”, desta pesquisa se confirma.
Com relação à sustentabilidade ambiental, utilizam-se os seguintes parâmetros: (1) a preservação ambiental é um compromisso efetivo da sociedade em manter o equilíbrio da natureza; (2) o capital natural crítico tem seus limites respeitados, reduzindo assim os impactos negativos sobre os recursos naturais não-renováveis; (3) os elementos renováveis são uma alternativa concreta de consumo, substituindo os não-renováveis; (4) os agentes poluidores são minimizados; (5) os resíduos são descartados e reutilizados de maneira adequada (FIGURA 06, 09). Assim, torna-se possível analisar se o pressuposto 03 (P3) - As tecnologias sociais incidem em práticas ambientais adequadas, incentivando a utilização dos elementos naturais sem comprometer a integridade do meio ambiente - deste estudo se confirma.
Em se tratando da sustentabilidade cultural, observam-se os seguintes parâmetros: (1) o saber popular é valorizado e disseminado; (2) o conhecimento científico é utilizado; (3) a diversidade cultural é respeitada; (4) as tradições, crenças e costumes são preservados; (5) tecnologias novas são desenvolvidas; (6) o intercâmbio cultural entre diversos contextos sociais é fomentado (FIGURA 07, 09). Nesta situação, busca-se constatar se o pressuposto 04 (P4) - As tecnologias sociais incentivam uma convivência harmônica entre os artesãos, estimulando o respeito à diversidade cultural – do presente estudo se confirma.
Por meio da análise das quatro dimensões da sustentabilidade, acima explanadas, é possível concretizar os objetivos geral e específicos desta pesquisa. À medida que cada pressuposto (P1, P2, P3, P4) for confirmado evidencia-se a real contribuição da atividade artesanal, enquanto tecnologia social, para o desenvolvimento sustentável, podendo ser em maior ou menor grau.
6METODOLOGIA