Ao tratar a dimensão social da sustentabilidade, Elkington (2012) critica que, segundo a percepção de alguns estudiosos, os aspectos sociais, éticos ou culturais não exercem influência sobre a sustentabilidade. Entretanto, o sucesso ou fracasso da sustentabilidade depende de avanços significativos na esfera social, uma vez que ações desfavoráveis concernentes às questões sociais, políticas e éticas implicam em impactos negativos na área ambiental.
Na concepção de Brito e Ribeiro (2002) a sustentabilidade social representa uma alternativa para reverter a situação de desestruturação social ocasionado pelo modelo moderno de desenvolvimento econômico, o qual não foi suficientemente eficaz para solucionar problemáticas concernentes às diversas formas de efetivação da injustiça social, bem como o elevado índice de pobreza.
Nesse contexto, Sachs (2009) afirma que a sustentabilidade social consiste em aumentar o nível de homogeneidade social, minimizando as grandes disparidades das condições de vida da sociedade; oferecer oportunidades apropriadas de emprego e/ou incentivar o trabalho autônomo, contribuindo com uma melhor qualidade de vida; promover o acesso igualitário aos recursos e serviços sociais; e proporcionar a justa distribuição de renda.
De maneira similar, Serrão, Almeida e Carestiato (2012) citam que a sustentabilidade social visa ao alcance dos seguintes objetivos: equidade na distribuição de renda; sociedade igualitária; acesso ao trabalho digno com renda justa; trato ao homem e à mulher sem distinção; fornecimento de políticas adequadas de educação, saúde, habitação e seguridade social; e inclusão integral da mulher no mercado.
Compartilhando desta mesma ideia, Falcão e Gómez (2012) consideram que a dimensão social da sustentabilidade está principalmente centrada em fornecer a todos os indivíduos o acesso igualitário aos recursos e serviços sociais básicos, como educação, saúde, segurança, transporte, entre outros. Estas questões devem ser amplamente consideradas e definidas com clareza durante o planejamento das políticas públicas orientadas para o desenvolvimento.
Neste sentido, a dimensão social da sustentabilidade consiste em fomentar estratégias e ações capazes de erradicar a pobreza, oferecendo um padrão de vida digna e justa para todos os seres humanos. Os limites ambientais vitais devem ser respeitados segundo os princípios de igualdade, solidariedade e fraternidade, considerando a qualidade de vida das gerações futuras (FENKER; 2012).
Pawstowski (2008) acrescenta que a dimensão social abrange vários fatores, como tradições, costumes, cultura, espiritualidade, condições de vida, as relações interpessoais e as do homem com a natureza. Logo, a sustentabilidade social estaria atrelada à subsistência do indivíduo, suprindo suas necessidades tanto materiais como espirituais. Com opinião análoga, O’Connor (2006) expõe que a sustentabilidade social fundamenta-se no reconhecimento da identidade coletiva, de símbolos e culturas, e nas relações humanas reproduzidas através de redes e associações.
Na percepção de Vifell e Soneryd (2012), a dimensão social da sustentabilidade incentiva práticas voltadas para o desenvolvimento da democracia e do bem-estar, como por exemplo, ações educativas, fornecendo processos de qualificação para grupos sociais desfavorecidos. Além de atentarem para a questão da igualdade social, destacando que os males e bens ambientais são responsabilidades que devem ser distribuídos igualmente.
Sachs (2009) e Silva et al. (2013) defendem que a sustentabilidade social fundamenta- se em procedimentos de crescimento estável da economia com igual distribuição de renda, reduzindo assim as diferenças existentes entre as condições de vida das pessoas e atendendo aos direitos básicos da massa populacional.
No cenário empresarial, a dimensão social da sustentabilidade consiste em valorizar as qualidades de cada indivíduo, bem como suas habilidades, competências, atitudes e experiências, desenvolvendo ações que promovam o aprimoramento contínuo de suas capacidades (SPANGENBERG; BONNIOT, 1998).
Este contexto exige das organizações uma postura proativa perante suas obrigações e atuações (BAUMGARTNER; QUAAS, 2010). É imprescindível que cada colaborador seja respeitado, considerando os direitos humanos básicos, bem como remuneração justa, horas de trabalho adequadas, condições de trabalho apropriadas, garantindo um ambiente seguro e saudável, proibição de mão-de-obra infantil e de trabalho forçado. Vale acrescentar que esta conduta empresarial deve se estender na sua relação com o meio externo, com a sociedade, efetivando assim sua responsabilidade social (SPANGENBERG, BONNIOT; 1998).
Uma empresa orientada pela sustentabilidade social, precisa agregar valor ao capital social e humano, contribuindo com a qualidade de vida do colaborador através do fomento à saúde, do desenvolvimento de habilidades e da promoção de ações educativas, potencializando assim a produção de resultados rentáveis. Outro fator social que contribui diretamente para o desenvolvimento sustentável, agilizando este processo e reduzindo custos, é o “grau de confiança” existente na relação entre os membros da organização, e desta com a
população. Quanto maior for o nível de confiança, menor será o atrito social (ELKINGTON, 2012).
Elkington (2012) ainda ressalta que, perante o compromisso com a sustentabilidade social, os gestores precisam contemplar não somente o desempenho financeiro da empresa, mas também em que medida as atividades organizacionais estão alinhadas com as expectativas e exigências da sociedade, objetivando o progresso do capital social e humano.
Waage et al. (2005) descreve a necessidade de fornecer condições adequadas de trabalho, salários justos, acesso igualitário aos recursos naturais básicos (comida, água, etc.) e aos socioeconômicos (saúde, educação, informação, financeiro, etc.). Torna-se relevante analisar como os processos produtivos estão afetando os padrões de vida dos membros da empresa, bem como da sociedade em geral, a qual está sujeita aos impactos do ciclo de vida dos produtos.
De acordo com Sharma e Ruud (2003), a dimensão social da sustentabilidade reflete uma mudança comportamental e consciente acerca dos padrões de produção e consumo que afetam negativamente os bens comuns globais. Nesse sentido, é preciso unir os esforços das organizações sociais, da tecnologia e dos modelos de governança, para assim desempenharem o papel desafiador de buscar novos caminhos orientados para o consumo sustentável.
Numa perspectiva sistêmica, White e Lee (2009) abordam a dimensão social da sustentabilidade como uma oportunidade para inserir os diversos atores sociais na busca pelo desenvolvimento equilibrado. Incentivando a própria sociedade a lutar pelos seus interesses e formular soluções para os diversos problemas sociais. Para tal faz-se necessário concretizar atividades de fomento a aprendizagem social.
Esta concepção mantém relação com a afirmativa de Dempsey et al. (2009), o qual destaca que a efetividade da sustentabilidade social depende de duas dimensões, a equidade social, que se refere à justiça social frente à distribuição equitativa de recursos, e a sustentabilidade da comunidade, que diz respeito à capacidade da própria sociedade em manter e reproduzir o seu funcionamento de forma sustentável, promovendo a ordem social de comunidades locais a partir da relação de confiança entre os seus membros.
Analisando a relação entre as dimensões social e econômica, Baumgarten (2008) observa que uma alternativa eficaz para alcançar a sustentabilidade econômica e social de um país é através do alinhamento entre produção de conhecimento e as potencialidades e necessidade da população local, ou seja, por meio da reintegração de saberes. Vale lembrar
que esta articulação compreende uma questão prática a ser fomentado pelo processo da tecnologia social.
A partir dos conceitos e características expostos, até então, acerca da sustentabilidade social, delimitaram-se os devidos parâmetros de análise que serão aplicados nesta pesquisa, como apresenta a Figura 5.
Figura 5 – Parâmetros de Análise da Sustentabilidade Social
Fonte: Elaborado a partir de Brito e Ribeiro (2002); Sharma e Ruud (2003); Waage et al. (2005); Dempsey et al. (2009); Sachs (2009); White e Lee (2009); Fenker (2012); Elkington (2012).
Por meio dos parâmetros de análise apresentados na Figura 5, percebe-se que a sustentabilidade social abrange ações capazes de viabilizar processos includentes, fomentando princípios de igualdade e respeitando os direitos de todos os indivíduos. Além de efetivar o
igual acesso aos recursos e serviços ofertados pela sociedade, favorecendo as gerações atuais, bem como permitindo que as gerações futuras também tenham acesso aos seus direitos (SERRÃO; ALMEIDA; CARESTIATO, 2012).