4.2 R ESULTAT FRÅ KVANTITATIV DEL
4.2.4 Frå graf til tabell
Nos percursos que fizemos em torno dos discursos sobre a concepção de docência, o ensino sempre esteve entremeando as falas dos sujeitos. Como exposto no capítulo 2, ensino e docência são palavras que além de se mesclarem, aparecem muitas vezes como sinônimos de transmissão de conhecimento, de ser professor, de instruir e isso teve como conseqüência, o uso muitas vezes restrito do termo docência, vez que a compreendemos aqui como um exercício docente e, que a depender do lócus, como coloca Morosini (2001), a docência
ganhará concepções diversas. Voltando para a questão do ensino, o percebemos nas falas dos docentes, como algo que transversaliza a docência. O ensino está voltado para o processo de conhecer, de produzir, de aprender.
Dessa maneira o ensino traduz concepções sobre a docência e vice-versa. A forma como o ensino é pensado, é representado na vida dos professores, aponta para como a docência por sua vez pode ser concebida: afinal onde se produz o ensino?
Nas falas abaixo, apresentamos olhares acerca do ensino que traduzem muito a forma como os docentes do IB, se colocam diante dele.
Acho que a nossa função aqui não é ser só professor, nós estamos aqui no papel de educadores, é mais do que a transmissão de informação, a transmissão de conhecimento. A universidade é o local de geração de conhecimento, nós temos um compromisso grande com a formação desses meninos que passam por nós, se espelham na nossa atividade, se espelham no que nós fazemos, no que nós falamos, no que nós mostramos pra eles em termos do que é ser um profissional.
O aprendizado não se restringe à sala de aula. Quando o aluno está na sua sala, mas quando o aluno vem pra sua sala, muitas vezes ele aprende, me atrevo a dizer mais, tanto quanto aprende dentro da sala de aula. Com um detalhe: na sala de aula você está falando pra quarenta alunos. Então, você está tentando homogeneizar a informação. Você está tentando passar a informação de forma mais geral, democrática, tentando atingir a todo mundo. (S4)
Não consigo chegar lá e não trabalhar para que os alunos modifiquem, para que eles cresçam, para que eles vão para a docência do Ensino Fundamental e Médio bem preparados, ou pelo menos que eu tenha dado condições deles enxergarem alguma coisa diferente, que não só conteúdo. Isso para mim, é muito forte, então por mais que eu goste da pesquisa, que queira dedicar mais horas à ela, não consigo. O compromisso com ensino é grande. (S5)
A docência (ensino), eu vejo como o preparo de um ser humano, que dentro da sala de aula, além do conteúdo teórico, que geralmente é muito grande, eu preciso dar-lhes, eu repasso toda a parte de formação como pessoa, como futuro docente, como futuro pesquisador e como ser humano inserido numa sociedade que deve ser baseada no princípio do respeito, e não só respeito pelo ser humano, mas o respeito pela biosfera, pois como nós trabalhamos com a Biologia, esse respeito, precisa ser repassado no primeiro dia. (S2)
Imagino que o professor realmente não vai falar: Eu sou professor porque estou empregado aqui na Universidade, mas eu sou pesquisador. Diante dessa postura que a gente vê muito, que eu não quero questionar isso, ele tem dificuldade com o processo de transmitir o conhecimento dele, ele é professor, vamos supor eu, professora de botânica que não quero me envolver com a área de ensino, eu vou ter dificuldade, se eu não tiver um olhar mais atento ao meu cliente, à minha sala, à minha estrutura, de
transmitir o meu conhecimento de botânica, porque eu vou ficar presa a coisas secundárias, como: os alunos não têm base, conversam muito, saem mal na prova. (S6)
Baseando a nossa análise na perspectiva de Mizukami (1986), os discursos se situam muito nas esferas das abordagens humanística e tradicional e timidamente na abordagem construtivista. Na primeira, o núcleo central é a preocupação com a formação do sujeito em sua plenitude. Há uma intenção de fazer com que o aluno se constitua como ser humano e, além das questões cognitivas, a ética também é explicitada como algo que precisa ser alimentado no sujeito.
A segunda abordagem reside no entendimento de que o conteúdo precisa ser repassado, que o aluno precisa aprender numa ação diretiva na qual o professor assume o fio condutor do processo de transmissão de conhecimentos.
A abordagem construtivista, que se configura como um movimento de fazer com que aluno ganhe consciência de seu processo de aprendizado, foi registrado na fala de apenas um de nossos sujeitos.
A perspectiva tradicional, aparece quando os professores abordam a preocupação com repasse de conteúdos, com a sua transmissão e, limitando esse ensino à sala de aula, como se a pesquisa, ou outro tipo de atividade não se concretizasse como um ambiente de ensino.
A predominância das duas vertentes filosóficas (tradicional e humanística) pode estar ligada a diversos fatores: época em que se formaram e se constituíram como estudantes, como profissionais; a forma como vivenciaram a escola, a universidade; os exemplos que tiveram como referência na história de vida de cada um e, as representações, como não poderia deixar de ser, que se agregam a perspectiva do ensino.
Termos como: instruir, transmitir, repassar, se cristalizaram em um código, que representa o ensino e, ao mesmo tempo, impõe uma forma de conceber a formação do sujeito. Na medida que o sujeito não recebe uma formação mais reflexiva, sobre o ensinar, o que Moscovici (2001) denominou de Ancoragem, passa ser a compreensão mais forte em torno do ensino. Ouvir que o professor ensina e o aluno aprende, que ensino é transmitir algo, é instruir, passa ser o significado maior da palavra. Com isso, nos apropriamos dessas idéias cristalizadas e, passamos a fazer uso contínuo em nossa linguagem, transportando-a para a nossa prática e vice-versa.
Se deixar levar por outras linguagens e outros significados sobre este ensino, é transpor uma formação que é histórica, temporal, cultural. Nesses casos, acreditamos que a
possibilidade de mudança está localizada num processo de “reforma do pensamento”, como define Edgar Morin (1999) que, por sua vez, representa, reforma da condição social. Condição social esta referente a forma como concebemos o mundo, a educação, a universidade, a formação de sujeitos, seria por assim dizer, uma mudança de eixo paradigmático. Em condições mais concretas, a formação contínua desses professores seria uma possibilidade de refletir sobre nossos discursos e práticas construídas historicamente.