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3. Metode og metodiske valg

3.5 Undersøkelsens kvalitet

3.5.4 Forskerens rolle og etiske hensyn

Conforme previsto no método proposto, foram utilizados os passos sugeridos por Schwartz (2000). A discussão das forças motrizes resultou na identificação de três incertezas críticas: i) demanda de aço; ii) participação da pelota na carga metálica; e iii) posição competitiva em custos. A combinação dessas três incertezas gerou oito cenários plausíveis sobre os quais as estratégias de aumento de valor da empresa irão se desenvolver, conforme ilustra a Figura 40.

Cada um dos quadrantes representa um futuro alternativo e, embora nenhum deles vá de fato ocorrer como descrito, permite que a organização reflita sobre a sua estratégia considerando diferentes realidades. Os cenários de 1 a 4 ponderam que a demanda de aço crescerá a uma taxa alta, enquanto os cenários de 5 a 8 consideram que a demanda de aço crescerá a uma taxa menor. Posteriormente, na modelagem conceitual, é definido o que significa taxa de crescimento alta ou baixa. O cenário 1 identifica uma realidade em que a demanda de aço cresce a uma taxa alta, e a empresa mantém boa posição competitiva em custos, favorecendo a estratégia de crescimento. Porém, a pelota perde espaço na participação da carga metálica, o que pode fazer com que alguma opção, como a expansão em pelotas, perca atratividade. Esse é um cenário em que a opção de investir em maior produção de finos provavelmente apresentaria melhores resultados. Por sua vez, o cenário 7 é provavelmente propício à busca de novas aplicações para o minério de ferro, uma vez que a taxa de crescimento da demanda de aço é baixa, a participação da pelota na carga metálica é reduzida e a empresa está em posição competitiva desfavorável.

Figura 40 – Cenários

Fonte: Documentos da Empresa (2015)

Para aumentar o entendimento sobre cada cenário e identificar possíveis novas relações sistêmicas, realizou-se o exercício de “tele transporte para o futuro”. Nesse exercício, procurou-se responder às seguintes questões: i) O que deveria acontecer para a materialização deste cenário? Quais sinalizadores deveriam ser acompanhados? ii) Quais seriam as avenidas mais apropriadas para o aumento do valor da empresa neste cenário? iii) Quais os limitantes para o aumento de valor da empresa neste cenário?

A fim de responder à primeira questão, basta descrever o que levaria as incertezas críticas a se moverem em cada direção. No que diz respeito à demanda de aço, o primeiro fator elencado como possível explicação é a expansão da urbanização da China em todas as regiões do país. O nascimento de novos centros consumidores, seja pelo crescimento econômico do continente africano ou pela reindustrialização dos países desenvolvidos também alavancaria o consumo de aço, assim como um novo ciclo de crescimento que resultasse em aumento do PIB acima da média e em melhoria da qualidade de vida da população mediante mais obras de saneamento e construção de moradias. Outro alavancador do consumo seria a adoção de aço estrutural em substituição ao concreto nas economias em desenvolvimento. Novos usos para o aço, impulsionados pela queda do preço do aço frente a produtos substitutos também poderiam fomentar a demanda. Por fim, o aumento de conflitos com incremento da indústria bélica seria um fator não desejável, mas que também resultaria em maior consumo de aço.

A queda na taxa de crescimento da demanda de aço se explicaria por questões econômicas, seja pela estagnação das economias maduras e, consequentemente, das emergentes, seja por importantes processos de desindustrialização, a um ponto em que a retomada se tornasse quase inviável, ou pelo declínio do crescimento chinês. No entanto, mesmo com crescimento econômico é possível ocorrer retração na taxa de crescimento da demanda de aço. Um dos fatores desencadeadores de tal cenário é a viabilização de materiais substitutos. Estes podem surgir por pressão ambiental contra a produção de ferro e aço, com indução de pesquisas que busquem alternativas ou ainda pela obrigação de internalização de custos.

Quanto à participação na carga metálica nas siderúrgicas, foi explicitado que tais empresas buscam otimizar o trade-off de qualidade e custo. Nos altos-fornos, a relação entre carvão e carga metálica é fundamental, de modo que alto custo ou baixa qualidade do carvão precisariam ser compensados com uma carga metálica de maior qualidade, o que favoreceria o uso da pelota. O processo de sinterização tem impactos ambientais elevados, e o aumento de

restrições ambientais pode tornar o processo mais caro, fazendo com que a pelota se torne comparativamente mais competitiva. Também a queda na qualidade média do sínter-feed levaria as siderúrgicas a aumentarem o uso de pelotas. O desenvolvimento de novas rotas tecnológicas na siderurgia poderia permitir o uso de minério de menor qualidade, favorecendo o uso do sínter-feed em detrimento da pelota. A descoberta de novas fontes de lump, provavelmente quando as reservas da África se tornarem economicamente viáveis, também traria uma opção de minério de qualidade a um custo menor do que o da pelota. Essas mesmas reservas poderiam levar a um aumento expressivo da oferta de sinter feed, ocasionando uma queda constante e consistente do preço. Por fim, quando se analisa a rota siderúrgica de redução direta, um aumento na oferta de sucata reduziria a necessidade de uso de pelota para complemento da carga.

Em termos de posição competitiva, a empresa estaria em situação favorável se conseguisse manter um custo de operação baixo que permitisse que a pelota fosse capaz de deslocar qualquer processamento de finos. Melhor ainda seria um custo que batesse o processo de sinterização mantendo uma margem alta. No entanto, essa redução de custos não poderia ocorrer com perda de qualidade. Outro caminho para a manutenção de posição competitiva favorável seria ter um produto diferenciado capaz de gerar valor que compensasse o aumento de preço.

Quanto aos fatores que explicam a perda de competitividade, é importante considerar a localização da empresa no Brasil. O custo Brasil, representado pelo alto custo de energia elétrica e de mão de obra e pela precariedade da logística para escoar o produto pode ser fator de perda de competitividade. Mudanças expressivas na legislação tributária, como por exemplo taxação do lucro, pode ser outro fator relevante. O fato de o Brasil estar geograficamente distante do principal mercado consumidor, a China, é outro ponto a ser analisado. Assim, um aumento significativo do frete para as vendas transoceânicas ou ainda um fato como a Austrália se tornar produtora de pelota, teriam impacto negativo sobre a competitividade da empresa. Ademais, o desenvolvimento de tecnologias para uso de minérios de baixa qualidade faria com que o nível atual de custo de operação deixasse de ser competitivo. Por fim, caso a China se tornasse um forte exportador de aço, o fato impactaria siderúrgicas de outros países, dentre eles clientes da empresa, reduzindo a demanda atual.

Essas reflexões do grupo sobre os cenários trouxeram outras duas contribuições ao projeto. A primeira diz respeito a novas relações sistêmicas que puderam ser incorporadas ao modelo conceitual. Por exemplo: quanto maior é a qualidade do carvão, menor é a

participação de pelota na carga metálica. A segunda é que a identificação dos fatores indutores das incertezas críticas permite formalizar um conjunto de sinalizadores.

O acompanhamento desses sinalizadores possibilita à empresa monitorar qual dos cenários têm maior tendência de se concretizar, permitindo que a organização decida pelo exercício das opções estratégicas que se mostrarem mais adequadas à realidade que se configura. O Quadro 11 apresenta os indicadores definidos para a empresa e a direção de cada um em cada cenário.

Quadro 11 - Sinalizadores

Sinalizadores C1 C2 C3 C4 C5 C6 C7 C8

Projeção da taxa de

substituição do aço ê ê ê ê é é é é

Vantagem competitiva dos

materiais substitutos do aço ê ê ê ê é é é é

GAP de oferta projetado para

pelotas ê é ê é ê é ê é

Investimento em mineração na

África é ê é ê é ê é ê

Rigor nas leis ambientais para

produção de aço ê é ê é ê é ê é

Custo Brasil ê ê é é ê ê ê é

Restrições e custos ambientais

no Brasil ê ê é é ê ê ê é

Vantagem Custo Pelotização x

Sinterização ê ê é é ê ê ê é

Fonte: Documentos da Empresa (2015)

Se os sinalizadores indicarem, por exemplo, aumento na taxa de substituição do aço, aumento na vantagem competitiva de materiais substitutos frente ao aço, redução no gap de oferta projetado para pelotas, ampliação dos investimentos em mineração na África, arrefecimento do rigor de leis ambientais para a produção de aço, do custo Brasil e de restrições e custos ambientais no Brasil, bem como aumento da vantagem de custo da sinterização sobre a pelotização, há indícios de que o cenário 5 está se concretizando.

A segunda questão permite uma análise qualitativa da adequação das opções estratégicas aos cenários. Essa análise viabiliza verificar a suficiência das opções, ou seja, avaliar se todos os cenários possuem pelo menos uma opção estratégica e se há opções estratégicas robustas adequadas a todos os cenários. Embora essa análise seja um dos objetivos do modelo de dinâmica a ser construído, é importante que ela seja feita qualitativamente nesse ponto. Caso se identifique que há cenários não cobertos por nenhuma

opção estratégica, é possível, ainda, criar novas opções para serem incluídas no modelo para posterior avaliação quantitativa. Devido à complexidade da modelagem, é importante minimizar as mudanças conceituais após a construção do modelo. O Quadro 12 apresenta o resultado dessa análise. Pode-se verificar que para todos os cenários existe pelo menos uma opção estratégica que foi considerada adequada. No entanto, nenhuma das opções estratégicas foi considerada, a priori, como adequada a todos os cenários.

Quadro 12 – Adequação das Opções aos Cenários

Opções Estratégicas C1 C2 C3 C4 C5 C6 C7 C8 1. Maximização de ativos XXX X X 2. Expansão XXX 3. Aquisição de Pelotizadoras X X X X 4. Diferenciação X X X XX 5. Operação de Estéril X X X X 6. Aproveitamento de Rejeito X X X X 7. Aglomeração XX 8. Estoque avançado X X

9. Novos usos para os Ativos XX XX XX X XXX

10. Geração de Energia X X X X

11. Ampliação de Produção de Finos XXX XXX XXX

Fonte: Documentos da Empresa (2015)

Finalmente, a última questão busca analisar os possíveis limitantes para o aumento de valor a partir das opções estratégicas e verificar em que cenários eles teriam maior impacto. As respostas dos participantes a essa questão foram agrupadas em sete elementos limitantes, conforme ilustra o Quadro 13. O primeiro é o mercado, ou seja, a demanda de aço e consequentemente de minério de ferro, em especial de pelota. O segundo limitante refere-se às questões logísticas, incluindo tanto a infraestrutura de escoamento no Brasil como o posicionamento geográfico distante dos principais mercados consumidores. O terceiro limitante reflete o modelo mental dominante, que é centrado na mineração, dificultando as opções relacionadas ao aproveitamento de rejeito e à operação de estéril. A disponibilidade de energia elétrica constitui-se no quarto limitante. O licenciamento social, que inclui o grau de aceitação da sociedade para uso de recursos hídricos e da bacia atmosférica para a disposição de rejeitos e atendimento das demandas sociais, configura o quinto limitante. O sexto fator que pode limitar os resultados das opções estratégicas é a capacidade de desenvolvimento de tecnologia. Por fim, o sétimo limitante é a disponibilidade de recursos financeiros.

Quadro 13 – Impacto dos Limitantes nos Cenários

Limitantes C1 C2 C3 C4 C5 C6 C7 C8

Mercado X XXX XXX XX XXX XX

Logística XX XX XX XX

Modelo mental centrado em mineração XX XXX XX

Energia elétrica X XXX XX

Licenciamento Social X XXX XX

Tecnologia XXX XX XXX XX

Recursos financeiros XXX XX XXX XXX

Fonte: Documentos da Empresa (2015)

Essas atividades concluem o entendimento sistêmico e a visualização de cenários. A partir desse entendimento, foram obtidas informações necessárias à elaboração do modelo conceitual, à definição das regras de negócio e à definição da base de dados.