2. Kompetansemobilisering og empowerment: Teoretiske perspektiver
2.3 Empowerment
A primeira atividade teve como objetivo o entendimento sistêmico das decisões estratégicas. Na primeira reunião, da qual participaram os grupos consultivo e executivo, foram formalizadas a situação de interesse e as questões norteadoras. A partir de um diálogo aberto entre os participantes, foram feitas anotações para registro das ideias principais, para posterior formulação de uma frase que sintetizasse a ideia principal do trabalho. A frase síntese da situação de interesse foi: o objetivo é a construção de uma infraestrutura, principalmente lógica, para reflexão e visualização dos cenários de longo prazo, superiores a 5 anos, que sirva de apoio ao processo decisório estratégico da empresa.
Seguindo o mesmo processo, foram estabelecidas as questões norteadoras, que detalham a forma como a situação de interesse deve ser trabalhada. As seguintes questões norteadoras foram formuladas: i) Como o ambiente de “sala de cenários”, que será aportado por modelos dinâmicos, relatórios de inteligência de mercado e de negócio, sinalizadores, etc., propiciará a reflexão estratégica do board da empresa em termos sistêmicos de longo prazo? ii) Dado que a estratégia da empresa tem claramente um direcionamento para o aumento de valor, quais são os elementos alavancadores e limitantes para esse incremento, que possibilitam uma postura estratégica antecipada e não reativa aos possíveis eventos futuros? iii) Quais são os impactos sistêmicos das possíveis avenidas de crescimento sobre o valor da empresa?
A partir dessas definições, é possível perceber que a empresa possuía um direcionador estratégico, a saber, o aumento de valor, mas que não tinha claro entendimento dos impactos sistêmicos de suas opções estratégicas. Como ponto de partida para esse entendimento sistêmico, foi utilizado um material prévio da empresa que listava alguns possíveis caminhos de crescimento que haviam sido anteriormente identificados. Estes se encontram ilustrados na Figura 35.
Originalmente, o método proposto tinha como pressuposto que as opções estratégicas estariam previamente definidas, de modo que a etapa de entendimento sistêmico das decisões estratégicas teria como objetivo entender apenas os impactos sistêmicos das decisões sobre o resultado da empresa. No entanto, como as opções estratégicas não estavam claramente definidas, as ferramentas do PSPC foram utilizadas também para formalizar as opções estratégicas.
Como ferramenta para a realização do entendimento sistêmico, optou-se pelo uso de arquétipos para a construção da estrutura sistêmica. Dada a natureza do tema, foram selecionados os seguintes arquétipos: limites ao crescimento, tragédia da propriedade comum e crescimento e subinvestimento. O primeiro tem como principal objetivo identificar os alavancadores do crescimento, bem como as possíveis restrições a serem enfrentadas. O segundo arquétipo procura explicitar as relações sistêmicas do uso de recursos compartilhados por mais de um ator. O último arquétipo complementa a análise dos “limites ao crescimento”, trazendo uma reflexão sobre a existência de delay entre o investimento e seus efetivos resultados, visando a eliminar os aspectos limitantes.
Em termos de perfil dos participantes, uma parte detinha conhecimentos da linguagem sistêmica e dos arquétipos, por terem participado previamente de outros projetos. Outros, no entanto, teriam o primeiro contato com o método. Assim, optou-se por realizar uma breve formação durante a própria reunião, para instrumentalizar minimamente os participantes neófitos que depois trabalhariam nos grupos com apoio dos demais. Os participantes foram divididos em grupos de trabalho para elaboração dos arquétipos, tomando-se cuidado para distribuir os participantes com mais experiência entre todos os grupos.
Foram produzidos, na primeira reunião, um total de 13 arquétipos, que posteriormente foram consolidados em uma primeira versão de estrutura sistêmica; destes, 3 são apresentados a seguir, a título de exemplo. É importante salientar que os arquétipos apresentam as relações simplificadamente, não explicitando todas as relações causais presentes no sistema. O detalhamento é feito quando da consolidação da estrutura sistêmica. Em alguns casos, o grupo pode não ser capaz de construir o arquétipo de maneira precisa, porém, ainda assim, as relações sistêmicas representadas podem ser aproveitadas. É importante entender que o uso dos arquétipos não é um fim em si, mas um meio de gerar reflexão no grupo para que as relações sistêmicas sejam formalizadas.
O primeiro arquétipo, ilustrado na Figura 36, apresenta um exemplo de “limites ao crescimento”. O enlace reforçador representa que o investimento em maior capacidade de produção de pelotas permite um maior volume de produção de pelotas, levando a um maior
resultado que, por sua vez, poderia ser revertido em investimento em novo aumento de capacidade. Porém, o enlace balanceador mostra que o investimento em maior capacidade aumentaria a oferta global de pelotas, que, dada uma demanda projetada, reduziria o gap de demanda por pelotas, limitando novos investimentos.
Figura 36 - Exemplo de Arquétipo Limites ao Crescimento
Fonte: Documentos da Empresa (2015)
O segundo exemplo de arquétipo, tragédia da propriedade comum, ilustrado na Figura 37, repete a ideia anterior nos enlaces reforçadores. Isso significa que investimentos em expansão permitem maior volume de produção, que geram mais recursos, que podem ser reinvestidos em novos projetos de expansão. Essa lógica é verdadeira para a empresa, mas também o é para outras empresas da região, denominadas no arquétipo genericamente como “Empresas B”. Porém, os incrementos em volume de produção causam impactos ambientais locais que podem reduzir o licenciamento social das empresas, dificultando novos investimentos em expansão.
Figura 37 - Exemplo de Arquétipo Tragédia da Propriedade Comum
O terceiro exemplo de arquétipo, crescimento e subinvestimento, ilustrado na Figura 38, apresenta, no enlace reforçador, a ideia de que quanto maior é a percepção de valor do produto, maior é o preço pago pelo cliente, contribuindo para um maior faturamento, que aumenta a capacidade de investimento, potencializando os investimentos em tecnologia e levando à diferenciação do produto e à percepção de valor. No entanto, caso o valor não seja percebido pelo cliente, é necessário gerar essa percepção de valor. Quanto menor é o valor percebido, maior é a dificuldade em gerar a percepção de valor. Uma forma de gerar percepção de valor são ações no sentido de diferenciar a pelota no mercado pela criação de um índice de diferenciação, o que reduziria a dificuldade de gerar percepção de valor. No entanto, a criação desse índice é uma ação que demanda certo tempo, apresentando como restrição o modelo mental de que a pelota é uma commodity.
Figura 38 - Exemplo de Arquétipo Crescimento e Subinvestimento
Fonte: Documentos da Empresa (2015)
Os arquétipos produzidos foram consolidados após a reunião, e a estrutura sistêmica preliminar serviu de ponto de partida para a reunião seguinte, quando foi solicitado ao grupo que enriquecesse a estrutura adicionando novas variáveis e relações. Esse processo iterativo de consolidação e enriquecimento foi concluído após duas rodadas. É importante ter em mente que a estrutura sistêmica tem dois objetivos primordiais: gerar aprendizagem para o grupo e fornecer as bases necessárias para a construção do modelo conceitual. Assim, a partir do momento em que as melhorias incrementais se tornam marginais, o que deve ocorrer após duas ou três rodadas, o processo deve ser encerrado.
Ao final, a estrutura sistêmica consolidada permitiu identificar as avenidas de crescimento do valor e explicitar os impactos sistêmicos reforçadores e limitantes do
crescimento. No total, foram identificadas 11 avenidas de crescimento: i) maximização dos ativos; ii) expansão; iii) aquisição de pelotizadoras; iv) diferenciação de produto; v) operação de estéril; vi) operação rejeito; vii) aglomeração; viii) estoque avançado; ix) novos usos para o minério; x) geração de energia; xi) ampliação da produção de finos. A Figura 39 apresenta a estrutura final consolidada e exemplifica duas avenidas de crescimento com alguns de seus limitantes. A avenida de crescimento de maximização de ativos está representada na área destacada em cor rosa claro, onde se encontra o enlace reforçador. Esse enlace representa que quanto maior é a maximização dos ativos, maior é o volume de produção e maior é a massa metálica ofertada. Isso leva a um maior faturamento e uma maior margem; maior margem significa maior competitividade e maior atratividade de investimentos, como em tecnologia para maximizar os ativos.
A mesma lógica é descrita no enlace reforçador da avenida de expansão em pelotas, representada na área de cor laranja claro. A diferença é que, nesse caso, o aumento de volume de produção se dá pela expansão de capacidade. Por sua vez, os limitantes são representados por enlaces balanceadores. O primeiro, representado na área de cor cinza, mostra que com maior volume de produção ocorre maior demanda de energia elétrica. Dado que existe uma oferta limitada de energia, há um gap de oferta de energia que, por sua vez, reduz a taxa de sucesso dos projetos e provoca aumento de custos de operação e perda de competitividade, limitando novos investimentos. O outro limitante é o gap de licenciamento social, representado pela área de cor laranja forte. Nesse enlace, a lógica é que a cada projeto de investimento há uma grande expectativa da sociedade local na concessão de benefícios, em especial de empregos. Quando essas expectativas não são atendidas, pode haver uma perda de licenciamento social para novos projetos. O enlace representado pela área azul mostra o limitante do gap de oferta de pelota. Dado um nível de demanda global de pelota, uma maior oferta por parte da empresa reduziria o gap de oferta, gerando um impacto no preço que poderia fazer com que a margem se reduzisse, com consequente perda de competitividade.
Por fim, o último limitante exemplificado mostra que, quando há um gap de oferta, a empresa não é a única a querer investir em expansão para aproveitar a oportunidade. Outros
players poderão exercer a mesma opção de investimento, aumentando a oferta global de
pelotas, reduzindo o gap de oferta e gerando impacto sobre o preço e a margem, conforme explicado anteriormente. Essas relações sistêmicas identificadas foram consideradas na construção do modelo conceitual e na definição das regras de negócio. Porém, como o modelo conceitual deve considerar igualmente os impactos das variáveis que descrevem os cenários, é fundamental que a visualização dos cenários preceda essas etapas.