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Formål og problemstilling

1.   Prosjektbeskrivelse

1.2   Formål og problemstilling

Raimundo José da Cunha Mattos teve sua formação fortemente influenciada pela proposta educacional de José Anastácio da Cunha. A continuidade de seus estudos na Escola Regimental de Faro reforçaria os valores iluministas que absorvera na Casa Pia. Em julho de 1790, foi tirado do colégio por iniciativa do pai. Estava com quase 14 anos e, possivelmente, prestes a concluir os estudos.

Alexandre Manuel voltara para o Algarve em decorrência da transferência da Companhia de Artífices do Regimento de Artilharia de Faro, na qual servia. Decidiu levar consigo o filho mais velho, deixando o resto da família em Lisboa. Resolveu também que Raimundo José deveria entrar como soldado voluntário no mesmo regimento em que servia.

Os estudos de Cunha Mattos foram complementados na cidade de Faro. Ele continuaria a dedicar-se à cirurgia no hospital militar da cidade, tendo conseguido autorização

do comandante do regimento. Com a chegada dos rumores sobre a possibilidade de Portugal ver-se envolvido numa guerra em decorrência dos acontecimentos na França, abandou definitivamente a área médica 92

Todos conheceram que mais cedo ou mais tarde teríamos guerra, e por isso eu entendi que seria mais vantajoso fazê-la como militar combatente com as Armas na mão do que como Facultativo de saúde, tratando os enfermos nos Hospitais. Este meu juízo passou a ter execução e conseqüentemente larguei os Estudos Médicos e passei a freqüentar os estudos militares na Aula do Regimento de que era Lente o Tenente Coronel José Nunes da Costa Cardoso.

As armas, portanto, foram uma opção sua quando chegou à fase adulta. A atuação como cirurgião do Exército era, para usar uma expressão de Cunha Mattos, “menos militar”, e parece que isso não lhe agradava. O fato de ter passado de ‘aluno esforçado’ de cirurgia a um dos mais destacados aspirantes de artilharia do seu regimento indica que estava bastante motivado com a nova carreira.

A formação recebida na Casa Pia seria enriquecida pelos conhecimentos técnicos necessários ao bom desempenho de suas novas funções nas aulas do regimento. Essas aulas foram criadas no contexto da guerra de 1762 e confirmadas pelas reformas militares de Lippe. As escolas regimentais faziam parte do conjunto de instituições laicas de ensino criadas por Pombal. Seguiam uma concepção prática do conhecimento, oferecendo aulas técnicas especificamente destinadas a capacitar os soldados para o bom desempenho de suas atividades. As aulas teóricas e práticas abordavam temas como a movimentação nos campos de batalha, a coleta de informações e o mapeamento de terrenos e regiões.

A criação de aulas dessa natureza para o Regimento de Artilharia da Fortaleza de São Julião da Barra, em Oeiras, foi determinada pelo alvará de 9 de abril de 1762. Os soldados seriam obrigados a freqüentar as duas horas de aulas oferecidas três vezes por semana. O recebimento dos soldos ficava vinculado ao cumprimento dessa obrigação. A promoção a postos superiores ao de sargento seria vedada àqueles que não apresentassem a “certidão de exame feito publicamente por Professores da mesma Artilharia, na presença do General desta

92 As impressões causadas pela revolução na França e as conseqüências políticas e militares para Portugal serão tratadas no próximo capítulo.

Corte e Província.” 93 Os professores responsáveis pela aula seriam oficiais indicados pela Junta dos Três Estados, com vencimentos iguais aos do mestre da Aula de Estremoz e pagos em acréscimo ao soldo relativo ao posto.

Com o início da guerra, tal proposta não foi posta em prática. No ano seguinte, contudo, foi aprimorada pelo conde Lippe e agregada ao Plano que Sua Majestade manda

seguir e observar no estabelecimento, estudos e exercícios das aulas dos Regimentos de Artilharia94. Havia a preocupação de que os artilheiros dominassem os conhecimentos exigidos para a manipulação dos armamentos.

A artilharia, na qual os Cunha Mattos serviriam, mereceu atenção especial do conde. Ele considerava que dela dependia, cada vez mais, o poder de um exército. Isso exigia uma primorosa formação dos soldados e oficiais, e a perfeição das tropas dependia de uma capacitação específica que abrangesse conhecimentos de química, aritmética, trigonometria, topografia e edificação, entre outros.

Durante as aulas, os oficiais dos regimentos também deveriam instruir-se nas questões relativas a seus postos. Deveriam ser capazes de formular e executar planos de ataque e de defesa assim que lhes fossem solicitados, o que exigia conhecimentos dos “Parques e Equipagens da Artilharia de todas as espécies e operações dela”.95

Os professores seriam escolhidos dentro do próprio regimento e nomeados pelo soberano, ficando responsáveis pela tradução e explicação das obras indicadas no plano. Por tal trabalho, além do soldo relativo aos postos que ocupavam, recebiam 20 mil réis por mês.

O conde Lippe definiu os conteúdos e os livros que deveriam ser usados pelos alunos. A Secretaria dos Negócios Estrangeiros e da Guerra deveria providenciar a tradução e publicação das obras que não estivessem em português. Qualquer alteração na lista oferecida pelo conde Lippe era veementemente rejeitada:

… proibindo de baixo da pena de expulsão das Aulas e dos Regimentos que algum soldado ou Oficial deles compre ou retenha, havendo-os comprado outro algum Livro da Profissão que não sejam os que ficam acima determinados para os seus Estudos, defendendo o mesmo Senhor

93 Alvará de 19 de abril de 1762, criando o Regimento de Artilharia da Corte, disponível em:

http://www.iuslusitaniae.fcsh.unl.pt/verlivro.php?id_parte=105&id_obra=73&pagina=1215, acessado em 8/05/2006.

94 AHM, 3/5/1/11.