Regulering av fisket etter sild i Nordsjøen og Skagerrak i 2016
REGULERING AV FISKET ETTER SILD I NORDSJØEN OG SKAGERRAK I 2016
6 REGULERINGSOPPLEGGET FOR DE ENKELTE FARTØYGRUPPER I 201
6.4 FORDELING AV SONEADGANGEN I EU-SONEN
Com o objetivo de compreender melhor os elementos que delineiam a docência na Educação Infantil, torna-se necessário refletir sobre alguns aspectos inerentes às crianças na faixa etária até cinco anos, afinal “o mestre [o professor] age em função dos alunos [das crianças]” (TARDIF; LESSARD, 2015a, p. 72).
Sendo assim, para iniciar esta reflexão, é importante dar destaque ao pensamento de Oliveira-Formosinho (2011), pois a autora, ao fazer menção às crianças pequenas, afirma como principais características desses sujeitos: a dependência da família, a vulnerabilidade e a globalidade.
A dependência da família revela a condição da criança como indivíduo que está sujeito aos cuidados e acolhimento de seus familiares e/ou responsáveis para a manutenção de sua sobrevivência. Diferente de outros animais, a espécie humana precisa de apoio e estímulo por um maior período de tempo até que conquiste alguma independência e isso só acontece de forma gradual, através da interação com outros humanos e com a colaboração de indivíduos mais experientes.
É importante salientar que reconhecer a dependência da condição infantil não significa afirmar a criança como sujeito incapaz ou incompleto. Percebê-la como dependente da família e de outros possíveis adultos implica considerar sua condição atual de desenvolvimento para, a partir disso, buscar formas de articular experiências condizentes com suas competências.
Esta reflexão corrobora com o pensamento de Oliveira-Formosinho (2011, p. 136), pois a autora assevera que a criança “é um ser dependente dos outros para a satisfação das suas necessidades [e dos seus direitos] durante um largo período de tempo, mas que, simultaneamente, fala desde cedo cem linguagens”. Essas cem linguagens, contudo, estão
46 Adoto para este estudo o conceito de Nóvoa (1992a, p. 23), que define profissionalização como “um processo
através do qual os trabalhadores melhoram seu estatuto, elevam seus rendimentos e aumentam o seu poder de autonomia”, através do investimento na formação inicial e continuada.
associadas a outras particularidades, relacionadas à condição de vulnerabilidade física, emocional e social (OLIVEIRA-FORMOSINHO, 2011).
A dependência e a vulnerabilidade física da criança estão profundamente atreladas à necessidade que este indivíduo possui quanto à presença de um adulto nas atividades que envolvem, por exemplo, higiene, limpeza e saúde. Muitas crianças na Educação Infantil ainda utilizam fraldas porque, nessa faixa etária, sobretudo, na Creche, ainda não estabeleceram o controle de seus esfíncteres. Deste modo, ao evacuar e/ou urinar, necessitam do suporte de um adulto que troque sua fralda, que lhe acompanhem até o banheiro ou que lhe dê um banho.
Nos momentos que antecedem as refeições, na higiene das mãos, utilizando água e sabonete, o adulto poderá se tornar um importante colaborador da criança, quando muito pequena, tanto quanto nas situações de sede e nos horários voltados às refeições. Ela também necessita, quando pequena, de apoio para calçar a sandália, para trocar de roupa, para se vestir, para organizar seus brinquedos, para subir ou descer de uma cadeira ou de um balanço, ou seja, a boa condição física, o bem-estar do corpo da criança depende, de forma significativa, do suporte do adulto. Este suporte de um parceiro mais experiente, no caso o adulto, será valioso para que a criança possa aprender a realizar essas atividades.
Para Oliveira-Formosinho (2011), essa condição de dependente e vulnerável inerente à criança pequena “dá ao adulto o direito de regular o seu ambiente físico”, mas de forma respeitosa e visando ao melhor desenvolvimento da criança.
Cabe lembrar que, de acordo com Horn (2007), o ambiente se relaciona não só com a organização estrutural do espaço, materiais e objetos, mas abrange as relações e processos interativos que acontecem nesse contexto. Isso significa afirmar que estar em um espaço com materiais diversificados, com mobiliários adaptados ao seu tamanho e escolhidos cuidadosamente para a sua segurança física, seja um aspecto fundamental para a criança pequena, por si só não seria suficiente, pois, por tratar-se de um indivíduo em condição de vulnerabilidade, as relações nas quais se envolve em meio a este cenário são de profunda relevância para o seu bem-estar e desenvolvimento.
Isso significa que, ao se deparar com a ausência da mãe, do pai ou da pessoa da família responsável pelos seus cuidados em casa, um berço confortável e cheiroso não lhe basta, pois a criança precisa de um adulto acolhedor com quem construa um vínculo de confiança e de forma que se sinta tranquila mesmo sem a presença da família. O mesmo ocorre em situações de conflito com a qual ainda não sabe lidar sozinha ou em ocasiões em que ainda não sabe nomear com clareza um sentimento e, com o apoio de um adulto, disponível a ouvi-la, consegue exteriorizar o que sente, dentre tantas outras situações.
A vulnerabilidade social significa que a criança depende “da proteção dos adultos, das instituições e das políticas públicas” (CVIATKOVSKI; LORENZETI; FALER, 2014, p. 2) para que suas necessidades e direitos sejam garantidos. Para ilustrar essa situação de vulnerabilidade, ou seja, de desrespeito aos direitos legais das crianças, é possível citar a Educação Infantil como exemplo. Mesmo sendo um direito da criança de zero a cinco anos de idade estar matriculada na primeira etapa da Educação Básica, ainda há um grande percentual dentre esses sujeitos que não tem acesso a Creches e Pré-Escolas no Brasil (SCHMITT, 2014).
Situação similar ocorre nos casos em que as crianças já estão inseridas nas Creches e Pré-Escolas municipais, onde deveriam desfrutar do direito de serem cuidadas e educadas por professoras, mas, comumente, são acompanhados por Auxiliares e professoras, realidade que não só fere, mas rompe com a lógica da criança como sujeito de direitos. Cabe rememorar que a garantia do direito das crianças está nas mãos dos adultos, representados por instituições ou leis.
Campos (2011, p. 27) salienta que “nossa tradição cultural e política sempre foi marcada por essa distância e, até mesmo, pela oposição entre aquilo que gostamos de colocar no papel e o que de fato fazemos na realidade”. A reflexão da autora ganha ainda mais força quando se pensa que, embora o acesso a esta etapa educacional tenha sido proclamado, ainda se configura como campo em construção na sociedade brasileira.
Por fim, ainda é necessário pensar sobre a globalidade, terceira característica da criança que “reflete a forma holística pela qual a criança aprende e se desenvolve” (OLIVEIRA-FORMOSINHO, 2011, p. 135). Sob essa perspectiva, todo trabalho que envolve a criança pequena deve buscar dar conta de suas múltiplas dimensões, de modo simultâneo, pois a globalidade está associada ao entendimento da criança como indivíduo integrado, que não pode ser cindido em corpo e mente, pois ela é corpo-mente (ÁVILA, 2002).
Diante do que foi exposto até aqui, a ideia de que a criança é feita de “cem linguagens” (MALAGUZZI, 1998) expressa bem a complexidade desse sujeito, elucidando que a criança não impõe limites à sua forma de pensar, agir, interagir, brincar, expressar-se, portanto a criança está inteira no processo que envolve a descoberta de si e a descoberta do mundo.