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Regulering av fisket etter vassild i 2016

REGULERING AV FISKET ETTER VASSILD I 2016

2 FISKE ETTER VASSILD I NORGES ØKONOMISKE SONE

4.3 BIFANGST I FISKET ETTER VASSILD

Para buscar atender o terceiro objetivo específico, que pretendia compreender como a função de Auxiliar é percebida na perspectiva de diferentes segmentos do estabelecimento de Educação Infantil (Auxiliares, professoras e coordenadora), o processo de realização das entrevistas foi uma etapa de grande importância.

Inúmeros os autores que se dedicam a ressaltar a relevância do uso da entrevista na pesquisa qualitativa. Triviños (2013, p. 146) esclarece que a entrevista semiestruturada é um dos principais meios para a coleta de dados. Na opinião deste autor,

Podemos entender por entrevista semiestruturada, em geral, aquela que parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipóteses, que interessam à pesquisa, e que, em seguida, oferecem amplo campo de interrogativas, fruto de novas hipóteses que vão surgindo à medida que se recebem as respostas do informante. Desta maneira, o informante, seguindo espontaneamente a linha de pensamento e de suas experiências dentro do foco principal colocado pelo investigador, começa a participar na elaboração do conteúdo da pesquisa.

A partir disso, é possível afirmar que a entrevista se apresentou como instrumento capaz de proporcionar uma maior aproximação com sujeitos e informantes. A escolha por este

tipo de entrevista se deu porque seu formato e concepção permitem maior flexibilidade e dinâmica entre entrevistador e entrevistado, de modo que perguntas podem ser acrescentadas ou omitidas, de acordo com o andamento e necessidade da pesquisa. Entrevistas semiestruturadas podem, nessa perspectiva, sofrer alterações no decorrer do encontro, objetivando o maior esclarecimento sobre os conteúdos expressos a partir das perguntas realizadas. Assim, ao fazer uso desse instrumento nesse formato, agregou-se maior volume de informações à pesquisa (LÜDKE; ANDRÉ, 1986).

Para a feitura das entrevistas, foram produzidos, previamente, roteiros (APÊNDICES D, E e F) utilizados nesses encontros com esses sujeitos e informantes. O roteiro funcionou como um norte, um guia e foi importante porque propiciou maior segurança para que, sempre que as falas das Auxiliares e demais participantes adentravam em temáticas e questões distantes do objetivo da pesquisa, pudesse fazer o exercício de retornar para o foco no objeto deste estudo.

Havia um roteiro direcionado para as Auxiliares, um para as professoras e outro para a entrevista com a coordenadora. Contudo, havia pouca diferença entre esses materiais, pois as questões giravam em torno de um objeto comum: a função da Auxiliar no contexto da educação das crianças pequenas. De todo modo, os principais aspectos contemplados por esses roteiros foram as atividades realizadas pelas Auxiliares, o papel dessas profissionais no contexto do CEI, o significado da função que exercem, as preferências que possuem dentre as tarefas cotidianas que exercem, dentre outros. Os roteiros elaborados se inspiraram naqueles que foram elaborados e utilizados por Duarte (2011) e Gomes (2016). Nenhuma das pesquisas tem a Auxiliar como tema, mas investigaram, respectivamente, as professoras de bebês e professoras de Creche, temáticas que se aproximam das Auxiliares pelo seu campo de atuação profissional. O terceiro objetivo específico também serviu para nortear a organização deste instrumento.

Partindo dessa escolha, foram realizadas entrevistas individuais com a Auxiliar do Infantil I, a Auxiliar do Infantil II e a Auxiliar do Infantil III. A individualidade na realização das entrevistas é esclarecida por Gil (2008, p. 114), ao afirmar que a entrevista individual permite “investigar um tema em profundidade”. Assim, ter optado por encontros individuais com cada participante da pesquisa foi imprescindível para que se criasse um ambiente de segurança, no qual sujeitos e informantes entrevistados não se sentissem inibidos pela presença de outrem.

Em seguida, as PRA62 que trabalhavam, respectivamente, com as três Auxiliares citadas, também foram entrevistadas. Por fim, aconteceu a entrevista com a coordenadora do CEI, principal representante da gestão do estabelecimento onde ocorreu a pesquisa.

Tardif e Lessard (2015a) asseveram que a profissão docente se constitui a partir de interações humanas, o que lhe confere um caráter essencialmente relacional. De forma similar, Arroyo (2013) defende que a atividade docente possui natureza eminentemente relacional, dialógica e interativa. Vale salientar que, assim como ocorre com as professoras, as Auxiliares estão em constante interação com um número importante de sujeitos: crianças, equipe gestora, docentes, comunidade e outros funcionários do estabelecimento educacional. Diante desse contexto, é preciso compreender que “[…] o professor [e também a Auxiliar] pertence a uma teia de interdependências e seu poder é relacional e mutável, ou seja, dependente das ações, circunstâncias, condições, crenças, convicções, desejos etc., de todos os indivíduos do seu grupo social” (HUNGER; ROSSI; SOUZA NETO, 2011, p. 707).

Considerando esta teia relacional edificada no cenário do CEI, entende-se que, para a apropriação da complexidade concernente às Auxiliares, não bastava apenas investigá- las, mas ir paulatinamente apercebendo os dados compartilhados pelos outros personagens envolvidos no cotidiano dos sujeitos investigados.

Os encontros para a concepção da entrevista foram previamente acertados com sujeitos e informantes, tendo em vista que eles possuíam atividades, pessoais e de trabalho.

O horário e o local foram previamente definidos em comum acordo entre sujeitos, informantes e pesquisadora. Todas as Auxiliares, por exemplo, sugeriram que a entrevista acontecesse no “horário de sono” das crianças. Elas, assim como as professoras com as quais trabalhavam, afirmaram que este era o horário mais tranquilo da rotina no CEI. Também sinalizaram sobre a inconveniência que seria ter que chegar mais cedo ou sair mais tarde, caso não fosse possível entrevistá-las neste horário, por volta de 11 horas e 30 minutos da manhã. Somente no caso de Socorro, a entrevista iniciou logo após o horário de almoço63, no próprio estabelecimento. Nesta ocasião, a colaboração da coordenadora do CEI foi relevante, pois ela se disponibilizou para ficar em sala com a professora no Infantil III enquanto a Auxiliar era entrevistada.

62 A PRA III, mesmo ausente de sua função, na época da entrevista fez questão de ir até o CEI “Hora Marcada”

para participar dessa etapa da pesquisa. Desse modo, a entrevista foi realizada com ela e não com a professora substituta, pois se considerou o tempo de convivência entre professora e Auxiliar.

63 Na época, havia uma criança da turma do Infantil III que estava saindo quase no horário de chegada da turma

do turno da tarde, de forma que a Auxiliar permanecia com ela até que o responsável fosse buscá-la, às vezes, ao meio dia.

As professoras, por exemplo, afirmaram que o horário de planejamento seria um instante bastante adequado para participar da entrevista, pois as PRA possuem “tempo sem interação com crianças” (FORTALEZA, 2014, 2015a, 2016), conforme a Lei nº 11.738/2008 (BRASIL, 2008). Essas profissionais explicaram que poderiam disponibilizar um desses momentos para a realização da entrevista, haja vista que, para planejar, deslocam-se para o CEI. Deste modo, as entrevistas com as três professoras aconteceram em horário de planejamento na própria instituição. Apenas a entrevista da PRA II aconteceu em uma sala da Escola “Hora Marcada”, estabelecimento anexo ao CEI, pois a sala da coordenação, no horário marcado, estava sendo utilizada por outros profissionais.

A gestora colocou-se à total disposição para conceder a entrevista no CEI, mas explicou que além das atribuições relacionadas ao seu cargo no estabelecimento, uma coordenadora também tem muitas reuniões e atividades que acontecem externas a instituição. Por isso preferiu definir, previamente, dia e horário para a realização da entrevista, considerando a “agenda da semana”, comprometendo-se a entrar em contato via telefone com, no mínimo, dois dias de antecedência para acertar a feitura da entrevista.

A entrevista realizada com a informante também ocorreu na escola “CEI Hora Marcada” e mostrou-se como fator agregador para acrescer elementos acerca de como a função das Auxiliares é percebida pela gestão, através dos significados atribuídos pela coordenadora, que fazia parte do CEI, a qual estava lá diariamente, mas que ocupa um local hierarquicamente superior à função da Auxiliar. Todas as entrevistas foram de suma importância, pois expressaram conteúdos e aspectos bastante significativos sobre as Auxiliares, ampliando a percepção e desvelando os diversos olhares e concepções acerca de um mesmo objeto.

A média de tempo de duração das entrevistas foi de, aproximadamente, 1 hora e 10 minutos e foram registradas com gravador de áudio. Este recurso não causou nenhum desconforto nos participantes afinal, foram previamente consultados com relação à realização da gravação da entrevista. Talvez por isso, não tenha havido nenhum tipo de resistência por parte de Auxiliares, professoras e coordenadora para a participação nesta etapa da pesquisa.

4.5 A análise dos dados

Os dados gerados na pesquisa através do percurso metodológico anteriormente descrito foram cuidadosamente organizados. Como bem asseveram Gerhardt e Silveira (2009, p. 85) “faz-se necessário superar a tendência ingênua a acreditar que a interpretação dos dados

será mostrada espontaneamente ao pesquisador”. Portanto, com apoio em Bardin (2011), foi feita a pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação, trabalho que se iniciou ainda durante a realização da pesquisa de campo.

Bogdan e Biklen (1994) alertam ao pesquisador de que na pesquisa de natureza qualitativa não há um momento isolado e específico para a análise dos dados. À medida que o pesquisador vai colocando os dados em ordem, a análise já se inicia, mediante o contato com a complexidade contida nos conteúdos gerados, marcados por significados singulares que partem de um ambiente dinâmico e interativo de pesquisa. É através desse processo que será possível “construir um quadro que vai ganhando forma à medida que se recolhem e examinam as partes” (BOGDAN; BIKLEN, 1994 p. 50).

De maneira simultânea ao trabalho de campo no CEI “Hora Marcada”, esses materiais foram sendo examinados mais cuidadosamente, procurando associá-los aos objetivos desta pesquisa, no intuito de classificá-los (MINAYO, 2001).

Para organizar os dados dos questionários foram criadas tabelas, no computador, com as perguntas e as respostas das 5 Auxiliares do CEI. Mesmo com uma amostra pequena, este trabalho exigiu atenção e cuidado. Os dados gerados por meio da observação participante, além de registrada em caderno, eram diariamente transcritos para um arquivo no laptop. Ao longo das transcrições eram destacados em negrito os episódios, gestos e falas, em especial, das Auxiliares. As entrevistas, a medida que foram realizadas, eram ouvidas e transcritas para um outro arquivo.

Nesta fase, é de grande relevância acessar, exaustivamente, esses conteúdos, identificando aquilo que se sobressai frente aos objetivos da pesquisa, que é comum e que se relacionam entre si, sendo necessariamente articuladas com as bases teóricas para a finalização do estudo.

5 CONTEXTUALIZANDO O LÓCUS DE PESQUISA

“Morena eu me dei conta que a gente não se conhece tanto quanto eu queria, tanto quanto parece” (DUARTE, 2014).

Este capítulo está vinculado ao primeiro objetivo específico que visa entender o perfil pessoal e profissional das Auxiliares do CEI. A partir disso, é preciso considerar que os sujeitos da pesquisa estão inseridos em um contexto específico que exerce influência no modo como se estrutura as características das Auxiliares como indivíduo e agrupamento profissional. A pesquisa qualitativa, como já descrito na metodologia desta dissertação, não desatrela os sujeitos do ambiente em que estão inseridos afinal o contexto, por si só, já revela muito sobre esses indivíduos. Cada um carrega consigo as marcas do outro (MOLON, 2003). Sendo assim, conhecer os principais aspectos relacionados ao CEI onde a pesquisa foi desenvolvida é uma etapa fundamental.

Deste modo, são esclarecidos aspectos como localização, características do entorno do CEI “Hora Marcada”64, quantitativo de crianças, faixa etária atendida, dentre outras. Aborda-se, também, a estrutura do estabelecimento, tanto na arquitetura do local, como no que concerne aos funcionários que lá trabalham. O propósito é expor uma visão geral da instituição. Finalmente, considerando o objetivo específico referido e que as Auxiliares são os sujeitos da investigação, o enfoque do capítulo é para essas profissionais.

Para isto, foram utilizadas, essencialmente, as informações construídas através dos questionários, instrumento respondido por todas as Auxiliares do CEI. Entretanto, outros esclarecimentos adquiridos através dos registros em diário de campo e nas entrevistas foram utilizados a fim de complementar esta etapa do estudo.

As reflexões realizadas a partir desses dados também dão suporte às seções vindouras, haja vista que as informações estão intimamente relacionadas.

64 “Hora Marcada” não se trata do verdadeiro nome da instituição educacional investigada. Este nome é fictício e

foi adotado para esta dissertação com o objetivo de cumprir com o compromisso ético e de sigilo da pesquisa. A opção por esta nomeação foi inspirada na evidente preocupação dos profissionais, mas principalmente de Auxiliares e professoras do CEI, no que concerne ao cumprimento dos horários para o desenvolvimento organizado da rotina das crianças. Esta realidade denota uma concepção de Educação Infantil em que a criança e suas necessidades não são consideradas os principais elementos norteadores das práticas pedagógicas desenvolvidas. A rotina das crianças era fortemente centrada no trabalho dos adultos, ou seja, uma perspectiva adultocêntrica, em que os “tempos” das crianças nem sempre são considerados para a organização desta dinâmica cotidiana.