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Four factors that may explain the relative absence of success

Number of incidents

6. Conclusion: the utility of coercion theory in Northern Afghanistan 1. Introduction

6.3. Four factors that may explain the relative absence of success

Um dos pontos cruciais em uma eleição é saber a reação do povo perante as estratégias construídas. Desse modo, faz-se necessário distinguir os conceitos de público e multidão. Segundo Gustave Le-Bon (1947, p. 16-18), o que caracteriza uma multidão é um grande número de pessoas em unidade momentaneamente, no mesmo espaço público. Já o conceito de público são as pessoas em espaços diferentes, dispersas fisicamente, porém com identidade e interesses comuns por tempo indeterminado (TARDE, 1986, p. 46-50).

De acordo com a teoria das multidões, uma pessoa possui diferentes tipos de pensamentos e sentimentos ao se deparar com o mesmo fato, estando sozinha, no meio de conhecidos ou no meio de uma multidão (LE-BON, op. cit., p. 16-18). No entanto, segundo a lei da unidade pelo contágio, há tendências de as pessoas se tornarem mais humanas ou afáveis ao pensamento de seus semelhantes. Isso ocorre quando ela concorda com o grupo, para não perturbar a ordem existente. Dessa forma, é possível inferir que a propaganda não cria conceitos, mas reforça a unanimidade que foi construída pelo contágio.

Entra aqui o conceito de ideologia. A ideologia é o reflexo de toda a sociedade e servirá para desencadear ações futuras. As motivações do voto – que podem ser ideologicamente determinadas, seja por fatores psicológicos, sociais, culturais e tradicionais –, interagem a todo momento não somente pela manipulação de um discurso (TEIXEIRA, 2006, p. 62).

De acordo com a psicologia da Gestalt, inúmeros fatores influem sobre a atenção. Eles se dividem em: “fatores internos” (como estados emocionais, interesses, identidade com o exposto) e “fatores externos” (como tamanho, cor, intensidade, contraste, posição, direção, movimento, novidade e isolamento). (Ibidem, p. 64). Dentre eles, são os fatores externos que podem ser controlados pelo marketing.

A aprendizagem se dá como um processo mental que visa reter ou fixar as informações, na memória do aprendiz, que a detém por longo prazo. Ela serve também para condicionar o comportamento do indivíduo. De acordo com Teixeira (Ibidem p. 65), o condicionamento pode ser: clássico (aprendizado por associações, utilizados na maioria das propagandas), operante (comportamento modificado por

punições. Exemplo: alerta de epidemias) e vicariante (fixação de informações trabalhadas mediante repetições, imagens e palavras concretas). Em uma campanha eleitoral a aprendizagem se dá pelo modo de condicionamento clássico e vicariante.

O processo de escolha do candidato acontece na maioria das vezes por intuição ou eliminação (Ibidem, p. 65-66). A intuição é uma forma espontânea de conhecimento adquirido por meio da sensibilidade no cotidiano, por outro lado a convenção social somada à intuição leva à dedução. Já a eliminação passa por critérios próprios, valores, necessidades, perspectivas e acontece primeiramente por análises objetivas, depois estas se tornam subjetivas e com forte carga emocional (Idem, Ibidem). A decisão do público costuma ser emocional, pois as pessoas depositam com o voto suas esperanças de um futuro melhor.

Ainda segundo Teixeira (Idem, Ibidem), para se obter sucesso em uma campanha é preciso transmitir ao público um conjunto de processos que passam pela seqüência: cognição, aceitação, afetividade e envolvimento.

Alto envolvimento requer aprendizado por diferenciação e repetição para criar envolvimento. Também é possível aumentar o envolvimento com um apelo à infância, conquistando o público adulto através das crianças (Ibidem, p. 67).

Todas as relações acima passam pela crença de que o público direcionará sua atenção aos candidatos, que aparecerão como os principais interlocutores do processo de sucessão política. No mesmo caminho encontram-se os partidos políticos, que se caracterizam como instituições que vivem e são determinantes em um ciclo histórico. Em geral, eles nascem com determinadas convicções e valores e crescem até atingirem uma maturidade, quando se tornam nacionais, com vários filiados por todo país (Ibidem, p. 88). Mais tarde, quando as crenças não são readaptadas, caem em declínio. (Idem, Ibidem).

Em parte, isso acontece em razão das disputas internas e rachas entre setores e facções do partido, que querem – cada um deles – impor seus próprios valores a serem defendidos como bandeiras principais da legenda a que pertencem. Tais temas são considerados cíclicos, não pela sua importância, mas pela relevância que terão no período, ou seja, se é o assunto mais relevante no período em que será pautado pela sociedade (Idem, Ibidem). Até os conflitos existentes entre partidos

passam mais pela disputa de egos entre políticos, que buscam oportunidades no poder, do que pelas diferenças de crenças e valores.

Isso ajuda a explicar o fato de governantes e oposicionistas se atacarem, revezando os papéis após cada eleição, ou seja, o que passa a ser governo apresenta atitudes semelhantes às quais atacava quando era oposição e o que se torna oposição passa a atacar com os mesmos argumentos do ex- opositor. (Ibidem, p. 88).

A eleição de 2006 foi marcada pelo forte embate entre PT e PSDB. Ambos partilham das mesmas técnicas no que se refere à comunicação baseada em estatísticas e ao marketing, que delineiam seus discursos. Os conceitos empregados pela técnica mercadológica tornam, pois, os discursos variáveis conforme as medições da opinião pública. Entretanto, os valores e as bandeiras defendidas historicamente pelas legendas são deixados de lado.

Com o passar do tempo, é provável que a população os veja como semelhantes (Ibidem, p. 89). Isso tende a desgastar a ambos, mas no futuro pode surgir a possibilidade de que outros partidos – que estejam mais estruturados – cresçam e conquistem os lugares que antes os dois ocupavam.

Esse fenômeno ocorreu entre o PMDB e o PDS (atual PP), que foram os mais acirrados opositores durante a década de 1980 até que se desgastaram publicamente, perderam a identidade e passaram a ser vistos como a mesma coisa, dando oportunidade para os atuais. Com isso, a tendência é que as próximas eleições sejam oportunidades para novos líderes políticos e partidos que estão crescendo. De acordo com o princípio da alternância no poder, a administração pública de um partido que não seja plenamente satisfatória favorece a instalação de uma administração de outro partido, preferencialmente aquele que se mostrar mais contrário ao atual (Idem, Ibidem).

As alianças formadas entre partidos que visam alcançar o poder mostram o quão frágeis são os discursos expressos por cada um deles. Desse modo, há dificuldade de articulação entre as tendências ou facções dentro da mesma legenda, ao visar uma meta em comum. Além disso, ainda existem as diferenças doutrinárias entre partidos historicamente rivais, que para chegar ao poder abrem mão de suas crenças para formar alianças (Ibidem, p. 90).

Exemplo disso é a aliança entre o PT e o Partido Republicano (do vice- presidente José Alencar), sendo que este último tem em boa parte de sua base, candidatos do antigo PFL (atual Democratas). Do outro lado, o PSDB tem adotado

medidas populares e assistencialistas em seus discursos, que vão radicalmente contra as crenças neoliberais outrora praticadas pelo partido, que sempre foram bandeiras históricas dos partidos de esquerda. “Perdendo sua identidade ideológica, os partidos, conseqüentemente, perderam a capacidade de influenciar o comportamento do eleitor que se volta mais para a figura do político” (Ibidem, p. 93).

Ao tomarem decisões comedidas, para não perderem popularidade, a tendência é a migração dos partidos para o centro. A semelhança entre os discursos dos partidos uniformiza também “os conteúdos ideológicos acionados” (Ibidem, p. 94). Uma vez que o marketing padroniza as técnicas empregadas na confecção dos discursos e, considerando que as bases de informações nas pesquisas são as mesmas (o grande público que decide a eleição é o mesmo), inevitavelmente os discursos tendem a se aproximar no que se refere ao conteúdo. Desse modo, é possível constatar uma tendência de os partidos de direita e esquerda migrarem para o centro, em razão de essa posição ser mais moderada.

Uma tendência geral dos partidos é o fenômeno ‘vôo ao centro’. Os partidos que começaram na extrema esquerda, para se manterem, precisam do apoio financeiro de grupos com recursos em troca de favores nem sempre coerentes com a ideologia inicialmente pregada pelo partido. Já os da extrema direita precisam aumentar o número de eleitores e simpatizantes para conseguir eleger mais representantes, livrando-se do indesejável rótulo de favorecedores das classes dominadoras e adorando um discurso e estilo de comunicação mais populares e simpáticos. À medida que crescem, os principais partidos estão se tornando cada vez mais centrais, gradativamente abandonando radicalismos iniciais. Estão tendendo a criar marcas próprias por meio de logotipos, canções e imagens, adotando estratégias de Marketing Político e pode-se dizer até que o sucesso de um político e seu partido é diretamente proporcional à sua capacidade de se comunicar e convencer as pessoas no momento ideal (Idem, Ibidem).