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É expresso por diversos autores que as organizações estão a tornar-se conscientes das questões ambientais e do aquecimento global. O paradigma Green começou a ser adotado nas

organizações com o crescimento do movimento ambientalista, particularmente com o consenso global acerca do impacto humano nas alterações climatéricas.

Cada vez mais os consumidores questionam sobre o quanto Green é o processo de fabrico dos produtos que estão a adquirir ou do serviço de que estão a usufruir. Machado e Duarte (2010) referem que, por este motivo, há uma crescente necessidade de integrar ambientalmente as práticas das cadeias de abastecimento à indústria da produção. Contudo, embora o foco seja tornar os sistemas produtivos e serviços mais Green, Machado e Duarte (2010) consideram que os objetivos de visibilidade, eficiência e redução de custos não devem ser rejeitados.

O paradigma Green há muito que foi adotado no contexto da manutenção. A manutenção é uma atividade necessária em qualquer instalação e é a forma mais eficaz para manter ou repor o sistema num nível desejado de desempenho. Atualmente, a manutenção tem também a responsabilidade adicional de proteção de instalações, prevenção da poluição, a segurança das pessoas e eliminação de resíduos. Além disso, Ajukumar e Gandhi (2013) mencionam que várias políticas e regulamentações ambientais têm colocado pressão sobre as organizações para operarem, repararem e eliminarem os seus equipamentos de forma ambientalmente amigável. Green Maintenance (manutenção verde) é um conceito que emergiu como solução para o problema da sustentabilidade ambiental das atividades e práticas da manutenção.

Ajukumar e Gandhi (2013) apresentam a manutenção verde como uma tentativa de tornar a manutenção mais benigna ambientalmente, eliminando todos os fluxos de resíduos associados à sua atividade. Os autores alegam que o planeamento e execução da manutenção devem envolver a integração de questões relacionadas com o projeto e conceção dos equipamentos e instalações, visando minimizar os efeitos prejudiciais ao ambiente, ao mesmo tempo que garante a saúde e a segurança das pessoas envolvidas.

Por outro lado, sempre que possível, as equipas de manutenção devem envolver-se no projeto das instalações com o objetivo de transmitir requisitos de manutenção Green possíveis de atribuir como características na fase de conceção. Dessa forma, podem-se avaliar e antecipar os impactos ambientais da manutenção e incorporar considerações Green de forma sistemática e eficaz. Para Ajukumar e Gandhi (2013) estes aspetos são significativos, já que o impacto ambiental da manutenção associado aos equipamentos e instalações é decidido principalmente na fase de conceção e secundariamente, pelas políticas e etapas seguintes durante a fase de operação da manutenção. Os projetistas devem, portanto, estar cientes e incorporar aspetos de manutenção Green, além das variáveis convencionais de projeto dos equipamentos e instalações. O sucesso da manutenção Green vai além das características dos equipamentos e é também dependente das práticas de manutenção (Ajukumar e Gandhi, 2013). Normalmente, a manutenção tem sob a sua responsabilidade, a maioria dos cuidados ambientais exigidos às organizações. Tanto nas indústrias da produção, como nas organizações de prestação de serviços, o departamento de manutenção é incumbido das questões relacionadas com a eficiência ecológica,

certificação ambiental, racionalização dos consumos de água e energia, gestão da recolha e tratamento de resíduos, controlo de fontes de poluição, estabelecimento de práticas tendentes à redução do risco de fugas de contaminantes e emissões poluentes, entre outras.

Luvas usadas, juntas, retentores, filtros de óleo, mangueiras, óleo e recipientes de massas devem ser depositados em dispositivos apropriados para serem encaminhados para uma reciclagem ou eliminação adequada com as normas ambientais. Os desengorduradores, detergentes e produtos resultantes de limpezas devem ser impedidos de impregnar solos, de verter para esgotos ou sistemas de drenagem de água. Adicionalmente, deve haver um esforço de redução (quantitativa e qualitativa) de resíduos ao selecionar os produtos e os materiais a utilizar, nomeadamente, na seleção daqueles que apresentam ter características menos agressivas para o ambiente, ou cuja reciclagem/eliminação se verifica mais adequada face à tecnologia de tratamento disponível. É importante estabelecer um sistema de gestão de recolha e tratamento de resíduos.

A manutenção Green utiliza recursos e práticas ambientalmente recomendadas, procura minimizar a agressividade com o ambiente nas suas intervenções, é empenhada na redução e tratamento de resíduos e prudente no controlo de fontes de poluição.

A manutenção Green tem também a responsabilidade de manter o ambiente de trabalho seguro. As reparações têm de ser realizadas de forma segura, com proteção adequada para os trabalhadores de manutenção e para outras pessoas presentes nos locais. A manutenção inadequada e inoportuna pode contribuir para acidentes com consequências nefastas para a saúde humana e meio ambiente. As práticas mais Green e a redução de produtos tóxicos contribuem para melhorar as condições de saúde e segurança dos trabalhadores (Figueira et al., 2012). Cada vez mais, estão disponíveis no mercado produtos amigos do ambiente, biodegradáveis e não-tóxicos. A manutenção deve adquirir produtos que têm um efeito menor ou reduzido na saúde humana e ao meio ambiente, quando comparados com produtos concorrentes que servem o mesmo propósito.

Seguindo as rotinas de manutenção preventiva, as incidências requerendo manutenção corretiva ou as atividades de melhoria, a gestão da manutenção deve procurar ser eficaz mas, favorável ao meio ambiente. Preferência por lubrificantes de longa vida de utilização, aquisição de produtos com conteúdo reciclado, produtos ambientalmente preferíveis, produtos de base biológica, equipamentos eficientes no uso da água, conversão para combustíveis alternativos, recorrer a energias renováveis e analisar alternativas aos produtos químicos perigosos, são alguns outros exemplos de recomendações possíveis para uma postura mais Green.

Um passo importante, na direção ao objetivo da manutenção Green, é a redução de riscos à saúde pública e ao meio ambiente associados à libertação de substâncias, poluentes ou contaminantes, através de:

• Prevenção da poluição;

• Aumento da eficiência dos equipamentos;

• Modificação da tecnologia de equipamentos, sistemas e instalações; • Eliminação de avarias com risco de danos ambientais;

• Substituição de substâncias perigosas, poluentes ou contaminantes com perigo de libertação para o meio ambiente;

• Melhoria dos serviços de limpeza, otimização e controlo do processo; • Eliminação de resíduos expostos ao ar livre;

• Outros.

Para a manutenção o paradigma Green, deverá proporcionar eficiência energética, eliminação ou redução de resíduos, minimização da agressividade com o ambiente nas suas intervenções, redução de custos, poupança de recursos e melhoraria da eficiência ecológica.

Baptista et al. (2011) realçam a importância da minimização da agressividade para com o ambiente aquando das intervenções de manutenção Green, permitindo obter eficiência energética, bem como a redução de desperdícios.

Um edifício é um sistema com profundas interligações com o ambiente exterior e interior. Está sujeito a um conjunto de interações que são afetadas por modificações sazonais e diárias do clima e por condições diversificadas de conforto exigidas pelos seus ocupantes. Acrescem ainda aspetos regulamentares e normativos também relacionados com o conforto acústico, térmico, iluminação, qualidade do ar, entre outros. E portanto, torna-se necessário encontrar o equilíbrio multidisciplinar dessas exigências com eficiência energética e responsabilidade ambiental. Essa tarefa é normalmente da competência da gestão da manutenção.

A utilização dos edifícios (operação e exploração) tem um grande impacto sobre o ambiente. Uma das principais componentes desse impacto resulta do consumo energético que lhes está associado. Segundo Coias e Fernandes (2007), em Portugal, mais de 28% da energia final é consumida nos edifícios, sendo que estes consomem mais de 60% da energia elétrica.

Toda a manutenção tem um impacto ambiental, algumas com intervenções que resultam num maior consumo de energia e CO2 relativamente a outras. Para Foster et al. (2011), o modelo conceptual para a manutenção Green em edifícios concentra-se sobretudo nessa área, com a finalidade de compreender o potencial para reduzir o consumo de energia e as emissões de CO2. Um dos principais contributos da gestão da manutenção no âmbito do conceito Green é, sem dúvida, a racionalização e gestão dos consumos de energia. A questão da eficiência energética concede vantagens evidentes, nomeadamente, vantagens económicas na eliminação de gastos energéticos desnecessários, e vantagens ambientais na redução das emissões de CO2 para a atmosfera, diminuindo assim o impacto nas alterações climatéricas.

A gestão da manutenção Green pode reduzir o impacto ecológico das atividades e utilizações num edifício sem sacrificar a qualidade do serviço, o conforto dos utilizadores, a fiabilidade dos equipamentos e todas as suas funcionalidades. A gestão da manutenção Green num edifício envolve todo o tipo de controlo e medição do seu desempenho ambiental que inclui, não só a energia consumida, mas também os detritos produzidos, os materiais perigosos utilizados, os químicos utilizados, a água consumida, combustíveis consumidos, emissões atmosféricas, resíduos perigosos, consumo e poluição da água, entre outros.

Embora para muitos considerada uma função secundária da manutenção, as questões ambientais tais como, a eficiência energética e o controlo de fontes de poluição, são hoje regulamentadas. Para a gestão da manutenção em edifícios o paradigma Green deve integrar todas as práticas e atividades de gestão ambiental adaptadas e aplicáveis à realidade do edifício, para a minimização dos danos ecológicos e redução de custos.

A integração simultânea dos paradigmas pode ajudar a gestão da manutenção a tornar-se mais eficiente. O paradigma Lean concentra-se na eliminação de resíduos, desperdícios e atividades sem valor agregado para atingir níveis mais elevados de eficiência, rentabilidade e flexibilidade. Alguns desses desperdícios enquadram-se no paradigma Green, como é o caso dos desperdícios e/ou excessos no consumo de energia. A gestão de energia é vital para a redução dos custos operacionais e consequente competitividade das organizações. Com a implementação de sistemas de gestão de energia, é possível obter poupanças na ordem dos 15% a 20%, eliminando os desperdícios existentes através de uma abordagem Lean (Branco e Nobre, 2014). Na maioria dos casos, são necessários investimentos muito reduzidos, contudo adequados, segundo uma abordagem estratégica face às economias esperadas e com base em níveis de eficiência tangíveis.

A norma ISO 50001 (2011) define os requisitos e orientações necessários para a implementação de um sistema de gestão de energia nas organizações. A norma permite às organizações estabelecer os sistemas e processos necessários para melhorar o seu desempenho energético global. O objetivo da norma é a redução de custos com energia e a redução das emissões de gases com efeito de estufa, bem como outros impactos ambientais relacionados, através de uma gestão sistemática da energia.

É portanto essencial incorporar a gestão energética nos sistemas e processos das organizações. A estratégia energética a estabelecer deverá abranger sempre todas as funções importantes dentro de uma organização e, segundo Branco e Nobre (2014), requer a cooperação e o compromisso de todos:

• A gestão de topo, que fornece a liderança e a definição das orientações gerais de

finanças e de aquisições, para garantir que são tomadas as decisões apropriadas;

• As equipas técnicas, garantindo que as instalações, equipamentos e operações são

• Os recursos humanos, que estão envolvidos para proporcionar a formação necessária e

ajudar a gerar uma cultura de consciência energética.

A implementação de um sistema de gestão de energia numa organização permite, não só uma economia energética, mas também conduz a uma vasta gama de benefícios. Adicionalmente, Branco e Nobre (2014) mencionam a redução de recursos, cumprimento dos limites de emissões e outros requisitos legais relacionados com o ambiente, evitando assim sanções e custos acrescidos. Estes autores mencionam que a implementação de sistemas de gestão de energia tem demonstrado também contribuir para a melhoria da eficiência operacional com impacto positivo na produtividade e competitividade das organizações:

• Redução de custos relativos a consumos energéticos; • Redução de emissão de gases com efeito de estufa; • Maior transparência nos consumos energéticos; • Cumprimento dos requisitos legais;

• Otimização técnica e processual dos aspetos energéticos; • Maior fiabilidade no funcionamento das instalações;

• Maior envolvimento dos colaboradores na eficiência energética;

• Um compromisso de toda a cadeia de valor na otimização e redução de custos.

Outro aspeto também importante, é estimar o desperdício de energia nas próprias ações de manutenção, o consumo de água e o nível de poluição que a manutenção provoca na água que consome.

É fundamental a formação e treino dos colaboradores, informar e incentivar os clientes no sentido de os sensibilizar para questões ambientais e adquirirem conhecimentos e práticas que, aplicadas no dia-a-dia da manutenção proporcionam um ambiente mais Green.