Segundo a norma NP EN 13306 (2007), os responsáveis pela organização da manutenção têm o dever de definir a estratégia da manutenção. Para tal, a norma aponta três critérios fundamentais:
• Assegurar a disponibilidade do bem para a função requerida a custos otimizados;
• Considerar os requisitos de segurança relativos ao bem e ao pessoal da manutenção e da operação e, quando necessário, ter em conta o impacto ambiental;
• Melhorar a durabilidade do bem e/ou a qualidade do produto ou do serviço, tendo em conta os custos, se necessário.
A gestão da manutenção deve delinear a sua estratégia para atingir os objetivos de acordo com as necessidades reais do negócio e ativos físicos (bens) da organização. Genericamente, a norma NP EN 13306 (2007), define “objetivos da manutenção” como as metas fixadas e aceites para as atividades da manutenção. Para o termo “estratégia da manutenção”, a mesma norma refere serem os métodos de gestão utilizados para atingir os objetivos da manutenção. No entendimento destas definições, subentende-se que a gestão da manutenção deverá começar por interpretar os objetivos a atingir para, de imediato, estabelecer a sua estratégia.
Existe a necessidade de estabelecer uma estratégia de manutenção, que seja coerente com os objetivos de negócio e esteja envolvida na estratégia da empresa, permitindo garantir a sua capacidade produtiva ao longo do ciclo de vida, assim como as margens de mais-valias geradas, ou seja, permitindo manter a empresa competitiva (Gonçalves et al., 2013).
Na asserção destas ideias, a gestão da manutenção em edifícios deverá estar apta para identificar as falhas no seu desempenho e desenvolver o seu plano estratégico de melhorias. Em função do serviço, do negócio ou do tipo de utilização do edifício, das suas características e criticidade dos seus ativos físicos, a manutenção deverá estabelecer as estratégias mais adequadas para a sua intervenção. As contribuições da manutenção têm, cada vez mais, impacto na realização de valor, não só através das competências técnicas, que são reconhecidamente essenciais, como também no recurso a metodologias de organização e gestão. Gonçalves et al. (2013) acrescentam que, muitas vezes, realizar valor pode representar minimizar a combinação de custos e riscos. O gestor da manutenção em edifícios assume também um papel decisivo no estabelecimento de
estratégias que permitam a otimização dos custos, proporcionando níveis de conforto e qualidade dos serviços ao cliente e assegurando a segurança operacional e ambiental.
A contribuição da manutenção para o desempenho das organizações tem vindo a ser cada vez mais reconhecida e podem ser evidenciados alguns dos principais impactos, como os compreendidos através da Figura 2.8.
Gonçalves et al. (2013) referem que as organizações têm necessidade absoluta de melhorar o seu desempenho, através do aumento dos seus rácios de ROI (Return On Investment), o que só é possível, melhorando o seu índice de ROA (Return On Assets), uma vez que os seus ativos físicos representam a componente mais importante dos investimentos.
A manutenção é uma componente imprescindível e extremamente importante de uma política de Physical Asset Management, que é a gestão sustentável e integrada dos ativos físicos das empresas ao longo do ciclo de vida (Gonçalves et al., 2013).
Figura 2.8 - Fatores que influenciam o desempenho da manutenção (Saltzer, 2006) Fonte: Gonçalves et al. (2013)
Para analisar a eficiência do processo de manutenção, devem comparar-se os seus desempenhos reais com os desempenhos esperados. No conjunto de estratégias do negócio de uma empresa, aquelas que permitem obter os resultados esperados, devem também estar abrangidas as estratégias de manutenção. As estratégias de manutenção devem proporcionar, conforme os
casos e os tipos de instalações, capacidades operacionais e produtivas, a redução de custos e a rentabilidade dos capitais investidos. A manutenção deve recorrer a políticas de manutenção que favoreçam a melhoria contínua dos meios produtivos, as “zero avarias” dos equipamentos, a qualidade dos produtos ou serviços, a satisfação dos clientes e a motivação dos trabalhadores. As competências técnicas e de gestão do pessoal da empresa devem evoluir permanentemente, e para tal, a empresa deve definir exatamente as competências pretendidas, em coerência com a sua visão estratégica. Deste modo a empresa deve garantir que:
• São definidas estratégias de manutenção em função dos objetivos da manutenção e coerentes com as estratégias globais da empesa e do negócio;
• As estratégias definem claramente o modo como os desempenhos da manutenção participam na obtenção dos objetivos globais da empresa;
• As estratégias identificam as competências e as relações da manutenção com toda a empresa;
• As estratégias de manutenção são claramente ligadas à natureza e necessidades de manutenção dos sistemas e equipamentos da empresa;
• As missões da manutenção, assim como o planeamento e programação das ações, os processos e procedimentos da manutenção, são formalizados, comunicados e estão disponíveis;
• O conjunto de estratégias formalizadas e os desempenhos esperados são comunicados de forma que todos conheçam os seus objetivos;
• São realizadas medições e avaliações de desempenho da manutenção com periodicidade adequada para garantir o controlo e eficiência das ações e gestão da manutenção;
• As estratégias são analisadas periodicamente em simultaneidade com a confrontação dos resultados de desempenhos (técnicos e funcionais) alcançados e esperados;
• Mediante a perceção de desvios de desempenho da manutenção, face às estratégias adotadas para o alcance dos objetivos, são realizadas as correções e os ajustes necessários numa perspetiva de melhoria contínua;
• A manutenção comunica o seu desempenho e até que ponto os seus objetivos estão sendo atingidos de modo a favorecer uma perceção organizacional da manutenção a confrontar com as expectativas da empresa.
As estratégias de manutenção, em coerência com as estratégias globais da empresa devem, portanto, traduzir-se em objetivos concretos, por função, por competências e por nível hierárquico. Para que os objetivos sejam aceites, devem permitir a participação de todos. O pessoal que intervém no processo de manutenção deve conhecer o seu contributo para os desempenhos esperados e ser informado dos desempenhos alcançados. Para tal, os objetivos do processo de
manutenção devem ser quantificados, caso contrário, não serão mensuráveis e o seu controlo irá provavelmente carecer de objetividade. Para medir os desempenhos, a manutenção deve selecionar indicadores facilmente mensuráveis e que englobem todos os objetivos da manutenção.