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Et åbnere arbejdsmarked, herunder globalisering

Por fim e, não menos importante, ainda que disciplina formal não o seja, introduz em igualdade de condições os conhecimentos do senso comum. Senso comum aqui entendido como um saber disseminado e disputado pelo seu valor de equilíbrio e bom senso, mesmo dentro os não-letrados. Trata-se da sabedoria inerente àqueles que vivem na própria pele os fenômenos da época e/ou herdados de outras épocas e lugares.

A primeira questão que se apresentou a mim foi a mim foi: Quando é que a verdade é falada e quando é que a verdade é verdadeira? Essa indagação, do ponto de vista acadêmico, já se apresentava a mim quando escrevi minha dissertação de mestrado. Das pessoas que deram seus depoimentos, até que ponto seus relatos eram confiáveis e fidedignos? A necessidade de assegurar-me e aos demais, de que em meu trabalho estariam registradas as verdades por elas vividas, causava-me profundos questionamentos de natureza ética.

Um dos aspectos que mais foi valorizado em meio aos relatos foi a sua consistência. Além dele, o grau de coerência percebida entre o relato da experiência e o modo pelo qual ela é expressa. Em palavras simples: coisas engraçadas são de fazer rir; coisas tristes são de fazer chorar e, em se tratando de simples informações, há pouca ou nenhuma emoção ou sentimento atrelado. Em se tratando, porém, de experiências marcantes, as pessoas mais do que informam: elas comunicam. E comunicar significa tocar o íntimo do outro, transformar algo que era somente pessoal em algo em comum, compartilhar um conhecimento.

Tudo isso tem em comum o quê? A comunhão: tornar de muitos ou de todos aquilo que pertencia somente a poucos ou, talvez, somente a um. E o que pertence

somente a um, senão sua própria experiência de vida, seu mais confiável saber? Isso não significa, porém, que se saiba de tudo, mas que se torna comum, e confiável, saber autêntico, aquilo que cada pessoa vive ou viveu e como ela mesma, em suas reflexões posteriores a respeito, rememora e revive em seus relatos o que – de todo o seu vivido – tem expressiva significância para o seu conceito de eu.

Rememorar é, para cada pessoa, trazer algo de significativo de volta na sua memória, enquanto reviver é acrescentar vida às rememorações de dor e/ou prazer. Uma nova experiência, esta, a de rememoração: lembranças vívidas que se apresentam durante os relatos. Em sendo novos os relatos verbais e orais podem, sim, ter sofrido viés e se apresentarem mais ou menos enganosos aos sentidos de um pesquisador. Ou terapeuta. Ou vizinho, amigo ou simples desconhecido. Mas durante o relato, em se tratando de uma nova verdadeira comunicação, a experiência afeta a ambos: quem fala e quem ouve. Sendo uma experiência compartilhada, o ingrediente principal é a atenção. Imbricado neste, a confiança despertada.

Pode, então, o pesquisador, o terapeuta, o vizinho, o amigo, confiar no que vê e no que ouve e tomar o relato por dado. E é com a sua subjetividade objetivada que o pesquisador haverá de acolher a verdade relatada pelo outro, como verdade verdadeira, em toda a sua complexidade, com direito a acertos e erros, até prova em contrário. Ou até que uma nova realidade se sobreponha.

Cheguei a pensar, um dia, que as verdades científicas fossem mais confiáveis e menos provisórias que as verdades compartilhadas no dia-a-dia, entre pessoas que apreciam trocar idéias entre si. Ledo engano. Tanto quanto o senso comum, também a ciência produz afirmações que, no decorrer do tempo, revelam-se inexatas e até mesmo fantasiosas. Afirmações falsas, pela repetição, podem alçar ao patamar de verdadeiras crenças e passar a serem vistas como sistemas de crenças e, mais tarde, como dogmas.

A grande diferença é precisar provar o que se diz e não só assinar em baixo do que se escreve, para que uma afirmativa seja tomada por científica e aceita na respectiva comunidade.

São do mestre Samir Meserani5 as seguintes considerações sobre o senso

comum:

Há três tipos de pensamento do senso comum que tendem a falsidades:

• As opiniões vindas de pressões, da tradição da classe

dominante, da maioria, da moda, da propaganda, que nos induzem a aceitar acriticamente certas afirmações;

• Preconceitos, que são conceitos prévios, elaborados sem

exame racional ou cético;

• Chavões, clichês ou lugares comuns, que são afirmações

batidas e rebatidas, sem originalidade, que acabam se impondo por repetição.

Para ser verdadeiro, ele aconselha seus alunos: Só recorra a esses tipos de crenças quando puder demonstrar que são verdadeiras, ou então, indique tratar-se de crenças ou opiniões suas, ou de algum grupo ou de alguma cultura (MASSERANI, 1986, P.102)

Dentro do senso comum há, sim, conforme nos esclarece, conceitos

verdadeiros que se mostram pela evidência, observação, por uma experiência de vida continuada, por inteligência e reflexão, por concordância ou consenso. Tais conceitos são chamados de bom senso.

Para o professor Meserani, o bom senso dispensa a prova científica para mostrar que uma dada afirmativa seja verdadeira. Na minha opinião, os argumentos e evidências que o professor aponta são exatamente as mesmas de que os pesquisadores e cientistas se valem para conhecer a ou as verdades de uma realidade.

Se, por um lado, pela aplicação do bom senso, produzem-se desde simples idéias a complexos sistemas de crenças altamente fidedignas, coerentes, consistentes, de longa permanência em torno das quais nos organizamos cultural e socialmente; se, por outro lado a ciência, mesmo mediante comprovação, é passível de, partindo de falsas premissas, gerar falsos resultados e conclusões, desde simples idéias a complexos sistemas de crença, permito-me conferir a mais plena credibilidade ao conhecimento advindo do senso comum, inserindo-o através dos depoimentos, relatos, entrevistas e conversas que tive com aqueles que se

5 Samir Curi Meserani: é professor de Processos de Redação Criativa e de Teoria da Literatura da

PUC-SP. É de sua autoria o livro “Redação Escolar: Criatividade”, para o segundo grau, de 1986 e do qual retirei os trechos aqui transcritos.

interessaram em falar comigo a respeito da experiência de aposentar-se, com ou sem danos, assédios e/ou perdas e ganhos de várias ordens. E o faço, procurando preservar a fala original de cada um deles.