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5. RESULTATDEL

5.2 R ESEPTIVT VOKABULAR

A dimensão superficialidade-profundidade constitui um dos aspectos de maior relevância na melhoria do desempenho acadêmico e no desenvolvimento da expertise em determinada área do conhecimento humano e, o terceiro objetivo específico desta pesquisa foi explorar a natureza das estratégias de estudo na dimensão profundidade e superficialidade e foi constatado que uma das estratégias de aprendizagem mais utilizadas pelos participantes foi o uso de anotações. Esta estratégia é simples, visto que não envolvem sequer o planejamento e o monitoramento do próprio estudo. Levanta-se o fato de que o contexto institucional brasileiro, de um modo geral, não prioriza que os estudantes aprendam a aprender, desse

modo faltam repertórios adequados para que os universitários apresentem diversas estratégias de estudo, bem como melhorem as condições onde o estudo acontece. A prática de estudar somente para as provas é adotada sempre ou freqüentemente pelos respondentes, ao passo em que alguns raramente ou nunca o fazem. Isto parece demonstrar não haver um total interesse pela aprendizagem, mas à motivação pelo estudo relacionar-se à necessidade de atender às expectativas do curso, ao cumprimento das exigências do sistema de avaliação a fim de evitar o fracasso acadêmico.

Segundo Entwistle e Meyer (1991), quando conseguem antecipar que as avaliações exigem um nível maior de compreensão com, por exemplo, questões que exigem resolução de problemas, os estudantes tendem a utilizarem estratégias profundas de estudo. Algumas pesquisas (ENTWISTLE, HANLEY e RATCLIFFE, 1979; FRANSSON, 1977) categorizam os alunos que adotam estratégias superficiais em passivos e ativos, dependendo de como se envolvem e se esforçam durante os estudos. Por um lado, o aprendiz ativo é aquele que dedica mais tempo ao estudo e assim tende a acumular informações, mas obtém um nível de compreensão superficial. Entretanto, dependendo do tipo de avaliação a que é submetido, provavelmente tira notas altas. Por outro lado, pelo escasso ou nenhum interesse pelo que lhe é ensinado e por dedicar-se minimamente ao estudo, o aprendiz passivo tende a esforça-se pouco. Portanto, acumula pouca informação, de forma desassociada e não há compreensão dos conteúdos.

A visão que os estudantes têm sobre o curso de Pedagogia e da sistematização das disciplinas parece bastante satisfatória, pois para a maioria dos acadêmicos as disciplinas oferecem várias oportunidades para se discutir idéias importantes. Tanto a seqüência das disciplinas oferecidas no curso quanto a seqüência dos tópicos apresentados são bem vistas pelos estudantes. No entanto, um número expressivo de graduandos reportou que às vezes não participa ativamente das aulas e uma insatisfação com o modo como os conteúdos das disciplinas têm sido ministrados, pois muito do que aprendem parece não ter relação em si e percebem que costumam estudar algo sem saber muito bem para quê, sem perceber um objetivo claro naquilo que é transmitido por seus professores. Talvez estes resultados negativos possam refletir o modo como conteúdos têm sido trabalhados por professores do ensino superior. Disto, pode-se inferir uma tensão no aluno entre o conteúdo e passar nos exames, sendo necessário, na maioria das vezes, o aprendiz lançar mão de estratégias superficiais de estudo para atingir seus objetivos (VERMUNT, 1998; PINTRICH e GARCIA, 1994).

Comentam Entwistle e Meyer (1992) que as influências dos docentes nas mediações do aprendizado são amplamente indiretas, já que estas dependem principalmente da percepção do estudante. Entretanto, esta falta de significado prático dos conteúdos ministrados, a ausência de objetivos claros naquilo que é transmitido, o excesso de conteúdo a ser aprendido, prazos rigorosos, pesada carga de tarefas acadêmicas, departamentos supostamente tidos como ‘engessados’ e a falta de liberdade para aprender estão diretamente associados à orientação de reprodução de conhecimento, o que induz o aprendiz à utilização de estratégias superficiais de aprendizagem. Por outro lado, a liberdade para aprender, a arte para criar e o propósito de um estudo são responsáveis por conduzir graduandos a uma orientação significativa e a adoção de estratégias profundas de aprendizagem.

Ao compararmos os resultados obtidos no curso de Pedagogia com os resultados obtidos nos cursos de Letras, e Matemática verificaremos que em média, os estudantes de matemática dedicam mais horas de estudo diário do que os estudantes de letras e pedagogia..Chamou-nos a atenção também, que o percentual dos estudantes que se dedicam mais de quatro horas diárias no curso de matemática é bem superior aos dos estudantes dos outros dois cursos analisados.

Os resultados relativos ao tempo de dedicação ao estudo deliberado indicam que a maioria dos acadêmicos dos três cursos tem dedicado pouco tempo a sua aprendizagem fora de sala de aula. Aqui, um aspecto positivo é que os estudantes parecem ter consciência disso. O tempo de estudo individual, declarado pelos participantes, pode estar relacionado ao fator econômico, uma vez que a grande maioria destes admite ter uma longa jornada diária de trabalho e, como comenta Monsaas (1985), indivíduos que possuem melhores condições sócio-econômicas têm mais tempo para dedicar-se aos estudos.

4.2 Conclusões

Percebeu-se a importância dada aos estudos para os dias atuais e futuros pelos aprendizes de pedagogia. Talvez essa importância esteja relacionada ao apoio e incentivo recebido por parte dos familiares, desencadeando assim, uma responsabilidade e comprometimento para com o trabalho acadêmico, segundo os dados da pesquisa, tanto no que se refere à pontualidade e a permanência em sala, quanto à alta freqüência com que declararam estar de posse do material de aula e participar ativamente das aulas.

Dos fatores que atrapalham a concentração, as conversas paralelas e a monotonia em sala de aula foram os mais apontados e, é a causa de dispersão da concentração durante as aulas e de desatenção às explicações do professor. Para Rodrigues Junior (2002) e Câmara (1995) o professor é o principal ator no processo educacional e é dele a responsabilidade de motivar os alunos. No que se refere aos sentimentos que nutrem pela universidade que freqüentam - tanto se sentem bem quanto gostam de estar presentes. Isto pode ser corroborado pela percepção favorável que declararam ter em todas as questões investigadas tanto em relação ao corpo docente quanto aos próprios colegas, pois Bocchi et al. (1996) fazem considerações acerca da função do professor, do aluno e do relacionamento entre eles, defendendo as estratégias de ensino com abordagem humanística. Entretanto, foram constatados em todos os quesitos relacionados à universidade, aos professores e aos colegas índices positivos mais elevados nos sentimentos e impressões dos respondentes da confessional em comparação aos da pública.

Dos dados quanto ao tempo desprendido para o estudo individual, verificou-se haver uma forte tendência a acontecer entre uma e três horas diárias. Porém os estudantes têm consciência de que o ideal seria estudar mais de três horas diárias. Notou-se também uma tendência a não haver rotina nos dias da semana dedicados ao estudo, mas uma propensão a uma rotina da maioria no que concerne o horário em que ocorre. A maioria dos respondentes afirmou não decorar a matéria sem ter compreendido, mas sim procurarem entender os conteúdos que estudam. Ainda nas questões sobre aspectos temporais, observou-se que pode haver relação direta entre trabalhar e estudar nos horários disponíveis. Todavia, apenas um pequeno percentual dos estudantes declarados não-trabalhadores afirmou realizar seus estudos nos horários preferidos. A própria residência foi apontada como o local em que o estudo individual predominantemente ocorre para grande parte dos respondentes. Constatou-se também uma forte propensão a estudarem sozinhos.

Observou-se que os itens com maior freqüência de respostas quanto ao que mais atrapalha a concentração foram todos relacionados à falta de silêncio, ao barulho produzido nas mais variadas formas. Estudar fazendo anotações foi apontado como a técnica de estudo mais utilizada pelos participantes. Foi comprovado não haver o hábito de se fazer preparação física ou mental para o estudo individual e uma forte tendência a não ouvirem música durante os estudos. Foi observado que a maioria tem o habito de rever a matéria estudada, embora um terço dos estudantes declarasse que estudam somente para as provas. Foi demonstrado que, em geral, os participantes compreendem tanto a relevância dos conteúdos apresentados quanto o que se espera que aprendam. Contudo, parece não haver uma percepção igualmente positiva

quanto a conseguirem estabelecer relação entre os conteúdos e uma tendência a estudarem sem necessariamente perceberem um objetivo definido. Mesmo assim, há uma propensão a conseguirem perceber o sentido na seqüência dos tópicos apresentados em cada disciplina. A maioria dos respondentes afirmou que os trabalhos acadêmicos exigidos os ajudam a fazer conexões com o conhecimento ou experiências anteriores.

Em resumo, como pode ser verificado, a maneira como o ambiente de ensino e aprendizagem é percebido, como se comportam e interagem nesse contexto envolve questões complexas que vão desde a responsabilidade do professor e de todo o contexto acadêmico, até a responsabilidade e o senso de comprometimento dos próprios estudantes. Está claro, então, que quando estes fatores convergem positivamente para a mesma direção, cria-se um ambiente propício a uma aprendizagem qualitativamente eficiente em que o estímulo à metacognição e à auto-regulação, dentre outros fatores, conjuntamente refletem na adoção de estratégias mais profundas de estudo e a uma melhor reflexão sobre os processos de aprendizagem, a uma maior consciência sobre o próprio aprender.

Esta pesquisa, por sua natureza exploratória, não tem a pretensão de esgotar o assunto, e sim contribui para indicar novas pesquisas baseadas na aplicação do questionário, pois, conforme citamos anteriormente, não foram analisadas todas as questões, bem como não houve uma comparação significativa entre os cursos pesquisados no estudo como um todo. Algumas sugestões de pesquisas tais como, comparar as respostas dos estudantes dos cursos de medicina, matemática, pedagogia, psicologia e letras e verificar se há uma diferença significativa nas estratégias de estudo e percepções sobre o ensino em contexto universitário dos aprendizes; verificar se há diferenças significativas nas estratégias de aprendizagens dos cursos de licenciatura em comparação com os outros cursos pesquisados e explorar mais detalhadamente a relação professor-aluno-aprendizagem.

4.2.1 Considerações finais

Compreendendo o que é de mais precioso no processo de ensino-aprendizagem que, a meu ver, é a transformação do ser humano por meio do conhecimento adquirido no contexto acadêmico, este estudo representa um compromisso com a aprendizagem, pois ao tomar conhecimento desta pesquisa os professores e profissionais da educação terão subsídios para uma nova reflexão, desencadeando uma tomada de consciência para a utilização de estratégias de aprendizagem de modo a permitir um aprendizado eficiente.

A revisão da literatura trouxe à tona a importância da utilização de estratégias de estudo e ao fazermos uma associação com a aplicação dos questionários, os resultados revelam que de maneira diversificada, de modo espontâneo e muitas vezes de maneira inapropriada os aprendizes fazem uso de estratégias de acordo com seu estilo de aprendizagem, seu tempo disponível, a natureza da disciplina e incentivo dos professores. Sendo assim, faz-se necessário ensinar aos estudantes estratégias de aprendizagem adequadas ao seu estilo, para que sejam capazes de conhecer e refletir criticamente sobre suas capacidades e habilidades cognitivas, com o intuito de corrigir as falhas e atingirem melhores resultados nos trabalhos acadêmicos, tornando-os estudantes motivados, auto-reguladores e

experts.

Aos professores do curso de pedagogia, ou dos demais cursos, chamamos a atenção para o modo como se relacionam com o aluno. Pois, esta pesquisa apontou um dado importante: os aprendizes se sentem mais motivados a adquirir conhecimento quando há uma boa convivência e quando estes prestam e dão mais atenção as necessidades dos seus aprendizes levando em conta o ontem, o hoje e o amanhã.

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