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5.2 Discussion

5.2.1 Error Distributions

Futer (2007, p. 40, 43) resgata uma observação feita por Harmer (2001, apud Futer, 2007) sobre o quanto é importante o professor de LE preparar aulas que promovam o sucesso e não o fracasso de seus aprendizes adultos. O professor, dizem Harmer e Futer, precisa descobrir e compreender os estilos e a cultura de aprender de seus aprendizes de LE para compatibilizá-los com suas estratégias e materiais de ensino. Assim, os aprendizes passarão a entender sua própria aprendizagem como um processo e verão o professor e os MDs como auxiliares nesse percurso. O contrário disso é uma situação de aprendizagem na qual os aprendizes travam batalhas diárias contra ambientes e situações de aprendizagem adversos ao seu estilo e cultura de aprender, o que resulta, segundo os autores, em perda da motivação e do interesse pelo aprendizado.

Como compatibilizar tantas personalidades e estilos distintos? Não é prático pensar que cada aprendiz deveria procurar um professor particular para garantir-lhe ensino individual e personalizado. Seria a aprendizagem de línguas algo tão único e diferenciado de outras disciplinas como química, matemática ou história, a ponto de não haver possibilidades de sucesso na aprendizagem em grupos? É um pensamento que nos parece extremo. Mesmo quando pensamos nos aprendizes que já tiveram a oportunidade de estudar inglês em países no qual ela é LM ou uma segunda língua, não possuímos registros de que fossem acompanhados por alguma espécie de personal language instructor. Eles simplesmente participavam das aulas

48 de línguas com outros colegas, nativos ou estrangeiros, dependendo da situação de ensino. Não entendemos, portanto, que o isolamento na aula individual seja uma condição para a aprendizagem de línguas.

As diferenças e uma possível incompatibilidade de estilos de aprendizagem, tanto entre os aprendizes, quanto entre eles e o professor, é algo que cremos ser bastante provável e até esperado. O que importa, de fato, é como a situação – porque é uma “situação” e não um “problema” – será encaminhada. Promover, entre eles, discussões e uma reflexão sobre os vários estilos de aprendizagem existentes parece ser um bom começo. Outro caminho possível é o professor assumir-se como pesquisador em sua sala de aula (DEMO, 2002), porque é essa a postura que o permitirá descobrir os estilos presentes e em interação, incluindo o seu próprio. Com essas condições atendidas, é possível que o professor comece a introduzir situações e atividades que favoreçam os vários estilos de seus aprendizes, a partir das tipologias existentes, criando, inclusive, situações para que aprendizes com diferentes estilos aprendam uns com os outros.

Pode não ser uma tarefa fácil. Não há garantias de que o esclarecimento sobre os diferentes estilos de aprendizagem transformará os aprendizes em pessoas predispostas a conviver com a diversidade natural de estilos. Essa falta de flexibilidade pode, no entanto, ser gradualmente trabalhada à medida que a coerência entre os estilos de aprender dos aprendizes e as estratégias de ensino empregadas pelo professor resulte em uma aprendizagem eficaz para cada um dos membros do grupo, e não somente para os aprendizes cujos estilos são tradicionalmente favorecidos em nosso sistema de ensino.

Os adultos não são, porém, os únicos aprendizes que precisam sentir-se protegidos contra o fracasso, principalmente em seus primeiros momentos de aprendizagem de LE: um rápido exercício de rememoração dos nossos primeiros meses como aprendizes de LE (inglês) em um curso livre de língua inglesa, aos doze anos de idade, revela um ambiente de ensino no qual nos sentíamos seguros por lidar com pequenas quantidades de informação nova a cada aula, num lento processo de progressão. Isso resultou em uma baixa gradual dos filtros afetivos e um consequente aumento da nossa disposição emocional e intelectual para a aprendizagem de línguas, à medida que completávamos com sucesso os pequenos desafios que eram colocados pelos professores nas etapas iniciais de nosso

49 percurso como aprendiz de LE (inglês). Só mais adiante no curso, num período em que já nos sentíamos confiantes e dispostos a enfrentar desafios maiores, é que tivemos que lidar com informações, conteúdos e tarefas mais complexas.

Este breve relato pessoal baseado apenas na memória não é, obviamente, generalizável, e não queremos oferecer nenhuma interpretação errônea de que o conteúdo e as atividades desenvolvidas na sala de aula de línguas devam ser sempre fáceis de cumprir. A facilidade constante pode levar um aprendiz adulto a sentir-se ludibriado em sua nova tentativa de aprender uma LE. Ao mobilizarmos nossa competência profissional como professores, precisamos nos dispor a ensinar tudo aquilo que nossos aprendizes têm direito e condições (físicas e psicológicas) de aprender e tudo aquilo que temos capacidade para ensinar. Suprimir conteúdos para evitar sentimentos de fracasso não é uma atitude profissional. O professor que conhece seus aprendizes e respeita seus ritmos de aprendizagem e níveis de maturidade encontrará o momento e a forma mais adequados de trabalhar atividades e conteúdos considerados difíceis.

Minimizar o fracasso é uma estratégia que pode ser utilizada no planejamento de qualquer atividade humana, mas o foco tem que estar na criação de desafios que levem o aprendiz a ser bem-sucedido pelo próprio esforço, e não por benevolência do professor ou da instituição de ensino. Outro ponto importante a esclarecer é que evitar o fracaso não implica evitar erros, porque errar é um componente essencial dos processos de aprendizagem e de aperfeiçoamento em qualquer empreendimento humano. Se as experiências anteriores mal-sucedidas e/ou traumáticas pelas quais alguns de nossos aprendizes passaram os fazem ter medo de errar, então é preciso conscientizá-los sobre seus filtros afetivos para que eles mesmos aprendam a controlar sua ansiedade de forma a novamente predisporem- se à aprendizagem.

Os aprendizes adultos têm condições de colaborar com seus professores na construção de seu próprio processo educativo. Para que essa colaboração aconteça, no entanto, o professor precisa conduzi-los num processo reflexivo que os leve a compreender e avaliar sua cultura e estilos de aprender, aproveitando aquilo que têm de construtivo e eficaz, descartando o que é ineficaz e promovendo mudanças que os levem a resultados duradouros e satisfatórios com relação à sua

50 aprendizagem de LE (inglês), de acordo com critérios de (auto)avaliação do próprio aprendiz.

É preciso sempre ter em mente, porém, que a conscientização dos aprendizes sobre seus estilos de aprendizagem não é um fim em si mesmo. Ela serve ao propósito de prepará-los para (re)descobrirem e passarem a utilizar as estratégias de aprendizagem que os auxiliem a aprender mais e melhor. É sobre essas estratégias que falaremos a seguir.