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4.2 Experimental Setup

4.2.3 Ensemble Learning Methods

Apesar de serem apresentados de uma forma que passa a impressão de existirem em oposição uns aos outros, cada um dos estilos de aprendizagem ocupa seu espaço num continuum ao longo do qual os aprendizes identificam-se em maior ou menor grau de acordo com as características apresentadas (REID, op. cit., p. XIII). Essa situação aplica-se às três tipologias – a cognitiva, a sensorial e a dos estilos ligados à personalidade.

O termo cognitivo refere-se “ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio” (HOUAISS, s/d). São seis os estilos cognitivos: campo- independente, campo-dependente, analítico, global-relacional, reflexivo, e impulsivo. Os aprendizes campo-independentes buscam entender primeiro as partes para só então apreenderem o todo, enquanto os campo-dependentes enxergam o todo, desprezam as partes e usam sua intuição para compreender as relações e as interações entre as pessoas na situação observada. Os analíticos gostam de estabelecer as próprias metas e objetivos de aprendizagem e preferem aulas e materiais didáticos em que as sequências estejam claramente explicitadas em termos de começo, meio e fim. O aprendiz global/relacional precisa de experiências concretas para aprender melhor e prefere quando tem a oportunidade de interagir com outras pessoas. O aprendiz reflexivo quer sempre encontrar a resposta exata mas, para isso, necessita de tempo para pensar nas várias opções de que dispõe. O aprendiz impulsivo, ao contrário, gosta de reagir imediatamente a um estímulo – uma pergunta ou um desafio –, e não tem medo de errar, nem sente dificuldade em assumir riscos.

39 Por “sensorial” devemos entender três dimensões: o ambiente social, o ambiente físico e o uso que o aprendiz faz dos seus cinco sentidos. O ambiente social remete a reflexões sobre a relação entre a aprendizagem e a interação social, isto é, se o aprendiz aprende melhor sozinho, em duplas, ou em grupos.

Com relação ao ambiente físico, o aprendiz é levado a refletir sobre até que ponto sente que sua aprendizagem é favorecida ou prejudicada em função de variáveis físicas, como a temperatura (calor ou frio), o clima (seco ou chuvoso), a luminosidade do ambiente de aprendizagem (luz natural ou artificial, ambientes muito ou pouco iluminados, a necessidade e a sensibilidade do aprendiz à luz), a presença ou ausência de som e/ou de barulho, o relógio biológico22 (o horário em que o aprendiz sente mais disposição física para aprender), entre vários outros fatores.

Alguns dos estilos sensoriais de aprendizagem estão diretamente ligados a um ou mais dos sentidos humanos. Assim, existem aprendizes preferencialmente visuais, auditivos, táteis (aprendem com as mãos), cinestésicos (aprendem movimentando o corpo e em situações de imersão no ambiente ou situação de aprendizagem) e hápticos (uma combinação do aprendiz tátil com o cinestésico). As pesquisas sugerem que não há tipos “puros” entre os aprendizes e é por isso que optamos, nesse trabalho de pesquisa, por dizer estilo preferencial. Além disso, dois aprendizes visuais ou hápticos não são necessariamente iguais, nem são estimulados da mesma maneira. A literatura anteriormente citada nos permite entender que é comum a coexistência de dois ou mais estilos de aprendizagem em percentuais que diferem de aprendiz para aprendiz.

Tátil é o aprendiz que se utiliza das mãos, por meio da manipulação de recursos e instrumentos, em ações como escrever, desenhar, construir um modelo, ou fazer um experimento num laboratório. Se por um lado é bastante interessante saber classificar todas essas ações dentro do estilo tátil de aprendizagem, por outro lado é óbvio que os aprendizes táteis não formam um grupo homogêneo, já que aquele que, para aprender, necessita escrever (um futuro escritor, talvez?) não possui o mesmo modus operandi e provavelmente não imagina compartilhar a

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“O termo relógio biológico é uma metáfora usada para se referir a uma parte do cérebro responsável pelo controle dos ritmos biológicos (chamados circadianos, com ritmos de 24 horas de duração). É ele que regula os horários de dormir, acordar, comer e também outras atividades do corpo [...]”. Fonte: Cardio Neto Website: < http://www.cardioneto.com.br>. Acesso em 19/08/2010.

40 mesma modalidade de aprendizagem com quem precisa desenhar (um futuro desenhista?). Ambos, por sua vez, operam diferentemente do “construtor de modelos” (talvez um futuro arquiteto ou engenheiro), ou do “experimentador de laboratório” (um futuro cientista ou pesquisador, quem sabe?).

Pode ser bastante interessante provocar, entre os aprendizes, questionamentos que os façam perceber as semelhanças e diferenças que eles talvez não imaginem existir entre seus pares. Alguns deles podem, do ponto de vista dos estilos de aprendizagem, estar mais próximos ou mais distantes uns dos outros do que imaginam. Essa constatação pode, inclusive, ser uma surpresa para seus professores, tanto os de línguas quanto os de outras disciplinas.

Cinestésicos e hápticos são os que aprendem por meio de imersão física (corporal) num ambiente ou situação de aprendizagem. Viagens de campo, visitas técnicas, atividades de dramatização/teatralização ou entrevistas – todas tendo em comum a possibilidade de se assumir papéis – são seu ambiente natural. Uma observação mais atenta nos revela, porém, que tanto o aprendiz cinestésico quanto o háptico estão, também, manipulando recursos, o que os aproxima do estilo tátil. A diferença, a nosso ver, está na necessidade que os aprendizes cinestésicos e hápticos têm de sentir, absorver e interagir com o ambiente e com a situação de aprendizagem utilizando seus corpos, seus sentidos e suas emoções. É o aprendizado de quem prefere estar in loco, ir a campo, ou ir para o mundo, em oposição a quem prefere trazer o mundo para dentro de casa ou da sala de aula. Esses aprendizes sentem a necessidade de estabelecer intercâmbios com o meio e seus sujeitos, e de interferir e também sofrer as interferências do ambiente e/ou da situação de aprendizagem. Essa dinâmica e essas necessidades extrapolam a manipulação de recursos característica da aprendizagem tátil.

Os auditivos podem sentir-se estimulados por uma palestra ou aula expositiva, mas também por gravações em áudio – CDs e/ou mp3 –, para ficarmos nos exemplos mais comuns. Também são auditivos os que se sentem estimulados pelas vozes que ouvem nas atividades em grupo como discussões em sala, reuniões, aulas particulares, monitorias e tutoriais, ou ainda quando leem em voz alta para si mesmos. Do ponto de vista do ambiente social, o aprendiz auditivo que utiliza-se de CDs, mp3, ou lê para si mesmo em voz alta pode estar evidenciando sua preferência por uma aprendizagem independente, individualizada e

41 (propositalmente) solitária, enquanto os que optam por atividades em grupo demonstram preferência por uma aprendizagem socializada.

É considerado visual aquele que aprende por meio de leitura silenciosa, mas também através de gráficos, mapas, tabelas, ou diagramas. Em nossa atual era tecnológica, também é visual quem aprende por meio da TV, cinema, vídeos, tela do computador e sítios eletrônicos. Embora não estejam disponíveis em todos as localidades, os museus e as galerias podem ser, também, altamente estimulantes para aprendizes visuais, como também para os cinestésicos e hápticos.

Os Cinestésicos e os hápticos são provavelmente os que menos têm oportunidades de aprenderem em seu habitat preferencial, devido à própria estrutura curricular da escola, que privilegia a proposta de “trazer o mundo para a sala de aula”. A incorporação das novas tecnologias digitais de informação e comunicação (TDICs)23 nas escolas reforçou ainda mais essa tendência. Esses aprendizes estão também entre os que mais sofrem com a limitação de recursos financeiros no sistema escolar, principalmente quando se trata de custear viagens de campo que, no caso da aprendizagem de línguas, traduzem-se em programas de intercâmbio ou de imersão linguístico-cultural. Podem, no entanto, e a um custo menor, engajar-se em atividades de dramatização, teatralização e entrevista, que possuem como vantagens o fato de poderem ser trabalhadas tanto dentro como fora da sala de aula e de poderem ser gravadas para serem vistas, revistas, reapresentadas e avaliadas, contribuindo para gerar situações de aprendizagem bastante construtivas.

A afetividade e o temperamento são componentes importantes dos estilos de aprender ligados à personalidade – extrovertido, introvertido, sensorial, perceptivo, pensador, sensível, julgador, percebedor. O aprendiz extrovertido24 precisa estar em contato com o mundo exterior, sair da sala de aula quando possível e estabelecer contato com as pessoas; já o aprendiz introvertido25 prefere aprender consigo mesmo, sozinho, em atitude de reflexão. O aprendiz sensorial aprende melhor com estímulos físicos e por meio da observação, enquanto o perceptivo prefere aprender

23 As TDICS podem ser utilizadas para mostrar possibilidades de imersão in loco para esses mesmos

aprendizes cinestésicos e hápticos. Podem, também, criar realidades virtuais e simulações que coloquem os aprendizes em situação de imersão. Atividades como o bate-papo com vídeo, uma modalidade somente possível através das TDICs, encurta distâncias e possibilita a pessoas reais comunicarem-se em tempo real. Essa discussão será retomada posteriormente neste trabalho de pesquisa.

24 A palavra “extrovertido” deve ser entendida como “voltado para fora” 25 A palavra “introvertido” é entendida como “voltado para dentro (de si)”

42 relacionando-se com os outros e passando por experiências e vivências. O aprendiz pensador quer compreender a lógica das coisas e não depende de interagir com outras pessoas para aprender. O aprendiz sensível aprende melhor através do ensino-aprendizagem de valores, enquanto o julgador prefere o processo de refletir e analisar para só então tomar uma decisão; por fim, o aprendiz percebedor aprende melhor em situações nas quais há negociação e uso do pensamento indutivo.

A tolerância à ambiguidade é outro aspecto importante no processo de auto- descoberta de estilos de aprendizagem. Os aprendizes tolerantes à ambiguidade gostam de experimentar, agir e arriscar-se; convivem bem com o erro e acham normal terem dúvidas, porque sabem que irão descobrir a resposta mais cedo ou mais tarde. Os aprendizes intolerantes à ambiguidade, por outro lado, preferem situações de aprendizagem que os façam sentir-se seguros e gostam de trilhar caminhos já mapeados, livres de surpresas e de riscos.

A lateralidade cerebral também parece influir nos estilos de aprendizagem. Aprendizes que usam mais o lado esquerdo do cérebro são visuais, analíticos, reflexivos e aprendem por si mesmos, não dependendo tanto da interação com outras pessoas para aprender. Enquanto isso, os que utilizam mais o lado direito do cérebro são interativos (aprendem na interação com outras pessoas), auditivos, globais/relacionais e impulsivos. Aqui também está presente o conceito de

continuum e não há oposição entre os lados do cérebro.

Kinsella (op. cit., p. 178) afirma que o sistema de ensino atualmente em vigor privilegia os aprendizes com lateralidade cerebral esquerda, que processam informações sequencialmente e resolvem problemas aplicando o pensamento lógico em lugar do emotivo ou intuitivo. Essa limitação do sistema educacional prejudica diretamente os aprendizes com lateralidade cerebral direita, que aprendem de forma intuitiva e integradora, mas afeta, indiretamente os aprendizes de lateralidade cerebral esquerda, que deixam de desenvolver habilidades-chave para a resolução de problemas, como o pensamento criativo, que é típico da lateralidade cerebral direita.

A autora aponta a necessidade da elaboração e utilização de materiais e metodologias de ensino que valorizem os dois lados do cérebro. Para isso, ela oferece uma lista de insumos – que ela chama de técnicas, mas que são, na verdade, procedimentos e instrumentos – para atividades em sala de aula que

43 estimulem os aprendizes a utilizarem, também, o lado direito do cérebro (KINSELLA,

op. cit., p. 179-80).

2.5.2 Algumas reflexões sobre o trabalho com os estilos de aprendizagem na