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9. Erosion, entrainment and deposition

9.1 Fjærland case

9.1.1 Erosion and entrainment

Em se tratando de Brasil, no que se refere ao fenômeno da globalização, Carlos de Meira Mattos, citado por Alberto Nogueira faz o seguinte alerta:

Além das preocupações nacionalistas ou regionalistas, há que se considerar que, em países como o Brasil, o perigo de se aceitar o enfraquecimento de um sistema internacional que moralmente sustenta o principio de igualdade entre os Estados, por outro lado, em face de nosso atraso tecno-científico e nossa escassez de capital, poderá vir a nos condenar à situação de colônia dos poderosos Estados e conglomerados financeiros e científicos, mais aptos a se beneficiarem da globalização92.

Nesse contexto, necessário se faz abordar a política de abertura no Brasil e a liberação do comércio. Regis Bonelli e Armando Castelar Pinheiro, afirmam “que a economia brasileira, e, especialmente seu setor industrial, foi por várias décadas protegida da competição externa por um conjunto de instrumentos de política comercial que incluía elevada proteção tarifária e não tarifária, além de controles [...] moeda estrangeira”93. Segundo os autores, por mais de meio século o Brasil “acumulava não menos do que 42 regimes especiais de importação como forma de permitir a isenção ou redução parcial do pagamento de tarifas”94.

A partir da Constituição de 1988, motivado pela abertura democrática e para fazer frente à busca do desenvolvimento do mundo globalizado, “o Brasil inicia um processo de liberação de importações de modo a melhorar a eficiência alocativa pela competição externa”95.

Segundo Regis Bonelli e Armando Castelar Pinheiro,

o processo de abertura deu-se através da redução de tarifas e 1988-89, 1991-93 1994. Na reforma de 1988-89, a tarifa média diminuiu de 51% para 35% (Tabela 3.1). [...] A segunda rodada de redução tarifária teve inicio em 1990, foi comparativamente muito mais radical que a anterior e teve profundos e duradouros efeitos sobre a economia brasileira, efeitos esses que se projetam até o presente 96.

Da analise da política econômica implantada pelo governo brasileiro “o principal objetivo da liberação comercial era modernizar o setor industrial, e, ao

92 LEE, Hsien Loong. Integração em uma nova Ásia: como a ascensão da China modifica a arquitetura internacional. Cadernos Adenauer: China por toda parte, Rio de Janeiro, v. 1, 2006. p.103.

93 BONELLI, Regis; PINHEIRO, Armando Castelar. Abertura e crescimento econômico no Brasil. In: BARROS, Octavio de.; GIAMBIAGI, Fábio (Orgs.). Brasil globalizado: o Brasil em um mundo surpreendente. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. p. 97.

94 Id. Ibid. 95 Id. Ibid. 96 Id. Ibid., p. 98.

tempo, reintroduzir alguma diferenciação na proteção de atividade econômica redundante”97.

Os impactos positivos da abertura se fizeram sentir mais gradualmente ao longo do tempo. Da analise apresentada pelos autores concluem que: (i) as medidas apresentadas pela reforma tarifárias, serviram para regular a oferta doméstica e controle de preços; (ii) aumento da produtividade, de inovações a partir das pressões competitivas; (iii) as empresas passaram a importar bens de capital mais modernos, com conteúdo mais tecnológico; (iv) o setor agropecuário se modernizou e se tornou mais competitivo globalmente; (v) estreitamento de laços comerciais com outros países, especialmente com os vizinhos98.

Quanto ao impacto macroeconômico mais importante pode ser visto como instrumento regulador da oferta doméstica, dessa forma ajudando a suavizar o ciclo econômico e contribuindo com o Banco Central no controle de preços.

Há que se destacar, ainda, nesse contexto do Brasil como potência emergente sua participação no BRIC, grupo de países emergentes – Brasil, Rússia, Índia e China. Há participação também na comunidade de países denominado IBAS que é uma entidade formal, composta por Índia, Brasil e África do Sul. Mais recentemente a África do Sul tem também participado de encontro do grupo, que se denomina BRICs. Em se tratando de IBAS, tais países apresentam certas similaridades: credenciais democráticas, condição de nação em desenvolvimento e a capacidade comum de atuação em escala global, o status de potências médias, a necessidade de corrigir desigualdades sociais internas e a existência de parques industriais consolidados99.

Ao se tratar do capitulo destinado à atração de investimentos diretos estrangeiros no Brasil, capitulo II, será possível empreender uma melhor abordagem sobre os investimentos aportados nos países em paralelo com sua situação econômica. Para o momento vale lembrar que a economia brasileira tem sido suficientemente forte para superar a crise financeira, como exposto a seguir.

97 BONELLI, Regis; PINHEIRO, Armando Castelar. Abertura e crescimento econômico no Brasil. In: BARROS, Octavio de.; GIAMBIAGI, Fábio (Orgs.). Brasil globalizado: o Brasil em um mundo surpreendente. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. p. 101.

98 Id. Ibid.

99 BRASIL. Ministério das Relações Exteriores. Fórum de diálogo Índia-Brasil-África do Sul: IBAS. Disponível em: <http://www2.mre.gov.br/ibas>. Acesso em: 22 jul. 2011.

1.4.1 A economia brasileira superando a crise

O mundo se viu abalado com a crise sub-prime americana que atingiu em cheio o mercado imobiliário e o mercado financeiro. Nesta nova realidade, a economia mundial é atingida. Os EUA que detém 25% da economia do mundo é quem mais sofreu com o impacto da crise. O reflexo foi o desemprego e a falência de grandes empresas. O governo americano foi obrigado a interferir na economia financiando bancos, financeiras e até montadoras de automóveis.

Neste prisma de incerteza com a economia para grande parte dos economistas equiparada a crise de 1929, do dia para a noite, milhares de investidores quebraram, demorando cinco longos anos para a recuperação da economia. Nesta crise de 2007-2008, o Brasil foi o ultimo a sentir a crise e o primeiro a sair dela. Os países retraíram seus investimentos, reduziram suas economias e, consequentemente, em um efeito dominó, todos foram atingidos.

No Brasil não foi diferente. Entretanto, a situação do Brasil foi atenuada pelas bases sólidas dos bancos brasileiros, movidas pelo controle do Banco Central do Brasil e pela situação fiscal do país. O país há algum tempo vem sendo governado sob a égide da lei de responsabilidade fiscal, portanto, dispondo de marco legal regulatório capaz de manter os governos e empresas dentro do controle da legalidade e equilíbrio das contas públicas.

A economia brasileira tem enfrentado crises e conseguido superá-las, por possuir um solido e diversificado parque industrial, uma agricultura e pecuária das maiores do mundo. Além de um mercado interno capaz de segurar a queda das exportações.

A China, grande motor do atual crescimento econômico mundial teve uma queda de 11% para 7% em seu crescimento, com isto, retraiu suas importações, refletindo nas demais economias do mundo. Entretanto, as exportações brasileiras de minério e soja para a China ajudou a atenuar a crise. Mesmo assim, Brasil sentiu o impacto da crise, tendo o governo que interferir no mercado com a redução de juros e impostos sobre carros, linha branca de eletrodomésticos e materiais de construção. Os bancos do Brasil, Caixa Econômica e BNDES, ajudaram abrindo créditos para socorrer as empresas nacionais.

Outro fator importante, no enfrentamento da crise, foram as exportações brasileiras de soja e minério de ferro, direcionadas a China e fortalecimento das relações comerciais com Ásia de maneira geral e África.

Há que se considerar ainda, o Brasil ter atingido nos últimos anos a consolidação de suas finanças públicas e domínio da inflação. Houve um consenso da classe política e setor empresarial, quanto ao direcionamento da política macroeconômica. Como fator negativo, ainda prevalece a necessidade de reformas estruturais.

Ressalta-se a importância da política de governo, as metas de inflação, taxa de câmbio flutuante, superávits fiscais primários, o desatrelamento da dívida pública quanto ao dólar e o preparo de um colchão de reservas para atenuar a vulnerabilidade externa do país.

O Banco Central do Brasil teve papel preponderante na condução do controle inflacionário e da política externa mais ativa. Os Bancos do Brasil e Caixa Econômica estiveram presentes na abertura de novos créditos. A indústria nacional, igualmente, desempenhou um importante papel na diversificação de produção e busca de novos mercados, para superar o declínio da demanda dos países da OCDE.

Fato que desencadeou um quadro de crescimento do Brasil e sua recente ascensão na classificação de risco para investidores, promovidas pelas agências de avaliação de risco S&P100.