4. Terrain modelling
4.2 LIDAR laser scanning
A partir da segunda metade do Séc. XX, a sociedade internacional despertou para a realidade da proteção e recuperação do meio ambiente degradado durante a progressiva evolução da humanidade, em que as pessoas e as organizações buscaram incessantemente o lucro, negligenciando a premissa de que os recursos existentes são limitados e exauríveis.
Nessa nova ótica de visualizar a gestão dos recursos disponíveis tornou-se impactante o princípio ambiental do “desenvolvimento sustentável”, que paulatinamente vem sendo recepcionado pelos estados contemporâneos, pois os efeitos da degradação ambiental não informam o que, como, onde, quando e quem prejudicará, assim como silencia acerca dos seus reflexos e consequências. Esse quadro revela que o uso dos recursos disponíveis na atualidade não estejam se realizando de modo racional, equilibrado e eficiente, já que se identificam reduzidas preocupações com a preservação e/ou recuperação para que tais bens venham a ser utilizados pelas gerações futuras.
Nesta dissertação elegeu-se como objeto principal no contexto do desenvolvimento sustentável a gestão dos recursos hídricos, de maneira que nos demais continentes exemplos de iniciativas bem sucedidas.
4.2.1 Caso do rio Reno
Por tratar-se de um rio de águas internacionais no cenário da União Européia, este caso é singular, uma vez que o Reno possui o maior tráfego fluvial no âmbito do continente europeu, ao longo de seus cerca de 1200 Km de extensão.
Apesar de fluir por seis países, o desastre ecológico provocado pela empresa suíça Sandoz, em 1986, ao degradar suas águas com cerca de 30 ton. De pesticidas despertou a necessidade de conscientização ambiental dos estados, organizações e demais usuários deste importante curso d’água.
Assevera-se que houve uma integração de esforços entre países, empresas e demais usuários para minimizar os efeitos persistentes da degradação ambiental. Essa integração de ações originou-se na forte pressão social das populações
ribeirinhas, exigindo investimentos de bilhões de dólares e a vontade política de governos e da iniciativa privada.
Essa luta hercúlea pela recuperação do rio Reno iniciou-se em 1989, sendo que passadas mais de duas décadas de implementação coordenada de estações de tratamento de esgotos, de monitoramento das águas, de programas de conscientização ambiental e de ações de despoluição, chega-se a resultados exemplares de recuperação ecológica. Atualmente, o rio Reno possui mais de 60 espécies originários daquele habitat, inclusive de salmões (espécie que se desenvolve apenas em águas limpas), a maioria dos esgotos despejados são tratados, e oficialmente, o Reno é considerado limpo.
4.2.2 Caso do rio Tâmisa
O caso do rio Tâmisa é bastante emblemático, pois ele já sofreu vários processos de degradação ambiental e de despoluição posterior.
A última iniciativa de despoluição iniciou-se no Séc. XX, na década de 1950, sendo que o processo de combate à degradação ambiental existente exigiu cerca de vinte anos para apresentar os pioneiros resultados considerados satisfatórios.
Com o objetivo de despoluição foram executados elevados investimentos para o tratamento de esgotos, purificação de águas, e outras ações pertinentes à condução de sua recuperação.
A revitalização do rio Tâmisa é considerada como exemplo bem sucedido de iniciativas visando à despoluição de águas, haja vista o retorno do salmão, espécie de peixe exigente, pois somente se cria em águas limpas. Este processo tende a ser perene, uma vez que ele recebe incentivos constantes para seu saneamento, tratamento d’água, navegação, dentre diversas outras ações.
4.2.3 Caso do rio Sena
O caso do rio Sena também é muito emblemático, pois de sua nascente até a foz aconteceram mudanças radicais no sentido da revitalização de suas águas, chegando a resgatar a piscosidade de cerca de trinta espécies de peixe, bem como houve a repressão severa aos comportamentos de degradação ambiental de
97 maneira que eliminou a sua condição de rede esgotos. Atualmente, na sua passagem por Paris a população pesca de suas janelas e nos parques públicos.
Esta recuperação iniciou-se há cerca de quarenta anos atrás, mediante a adoção de políticas públicas que começam com a educação ambiental, para a conscientização da sociedade, prosseguindo com regras severas sobre o tratamento de esgotos, lançamentos de resíduos, recuperação da vegetação ciliar, monitoramento da qualidade da água e na fiscalização de usos não permitidos.
4.2.4 Caso do rio Cheonggyecheon
O rio Cheonggyecheon que atravessa Seul, capital sul-coreana, trata-se de caso de recuperação revelador de que há possibilidade de um rio degradado que cruza uma zona urbana de grande cidade retornar ao status quo anterior, desde que exista a vontade política governamental, a fomentação adequada e o interesse da coletividade em incentivar a implementação e o desenvolvimento de ações de recuperação e de combate à degradação ambiental.
A recuperação do rio Cheonggyecheon constitui-se como referência mundial na humanização de cidades, pois ocorreu numa cidade com mais de 10 milhões de habitantes, sendo considerada a 7ª mais populosa do mundo.
Nessa empreitada destacam-se a vontade política estatal, o aporte de grandes investimentos, a participação popular incentivando as iniciativas e a adoção de regras para melhorar a qualidade de vida e a preservação do ambiente ecologicamente equilibrado para todas as espécies de vida envolvidas.
4.2.5 Outras lições alienígenas
Talvez, a grande lição sobre a água nos últimos anos venha da ONU, pois durante o ano de 2010 ao adotar resolução acerca desse líquido incolor, inodoro e insosso, passa a reconhecê-lo como cada vez mais essencial à sobrevivência humana e à sadia qualidade de vida. Segundo a revista Veja (2196/2010, p. 77) divulga que:
Em julho, o Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou uma resolução que define a água como um direito humano tão fundamental quanto o direito à vida e à liberdade. Foi um gesto, não uma solução.
Além desses casos exemplificativos, consegue-se identificar outras situações espalhadas pelo Planeta, em que governos desencadearam ações de recuperação ambiental quanto aos recursos hídricos como os referentes ao rio Amarelo, na China e o Mississipi-Missouri, nos EUA.