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Environmental factors

6.1 Scenario 1: Hydropower investment

6.1.2 Results

6.1.2.2 Environmental factors

Para entender melhor a importância destes benefícios oferecidos aos estudantes PEC- G, foi perguntado quais recursos ou benefícios recebidos foram indispensáveis para a manutenção durante a graduação. Segundo os resultados, os benefícios oferecidos pelo governo brasileiro foram mais importantes para a manutenção dos estudantes, já o auxílio recebido do responsável financeiro foi indispensável para apenas 27% dos estudantes, porcentagem condizente com os valores recebidos apresentados no gráfico anterior.

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Gráfico 16 - Benefícios recebidos que foram indispensáveis para manutenção do estudante

Fonte: Questionário aplicado aos estudantes PEC-G da UnB, 2018

As bolsas PROMISAES ou Mérito se destacaram sendo indispensáveis para 98% dos estudantes, essa generalidade pode ser explicada pela quantidade de bolsas PROMISAES que foram ofertadas em 2016 e 2017, atendendo a quase todos os inscritos na seleção, o que mudou em 2018 com a redução de 36 para 28 bolsas concomitante com o aumento de 45 para 61 estudantes, e a bolsa Mérito que geralmente atendia 1 ou 2 estudantes da UnB, com a melhora do desempenho dos estudantes a seleção para o 2º semestre de 2017 selecionou 6 estudantes da UnB. Outro aspecto que deve ser considerado é que o valor é pago diretamente na conta do beneficiário sem prestação de contas, o que permite que seja utilizado livremente, atendendo a necessidade vivida pelo estudante, seja aluguel, alimentação, transporte, mobília, vestuário, contas gerais, material acadêmico, etc.

O transporte gratuito ficou em segundo lugar, sendo indispensável para 78% dos estudantes, principalmente os que residem ou residiram em locais mais distantes, pois em muitos casos são necessários 2 ônibus para chegar à UnB, e o valor do transporte público no Distrito Federal é alto em comparação a outras cidades, atualmente variando entre R$ 3,50 e R$ 5,00. O alto valor do aluguel no Plano Piloto faz com que muitos estudantes procurem cidades como Candangolândia e Riacho Fundo I para morar.

O benefício oferecido pela UnB com maior porcentagem foi o acesso ao Restaurante Universitário com 76%, esse resultado representa, além de outras coisas, a importância da alimentação na vida dos estudantes, pois mesmo com às várias dificuldades que podem ser

0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100%

Bolsas PROMISAES ou Mérito: Transporte gratuito: Restaurante Universitário: Moradia estudantil na Casa do Estudante da UnB: Auxílio recebido do(a) responsável financeiro(a): Ajuda de terceiros(as): Bolsa de estágio não obrigatório: Outros tipos de bolsas: Outros: 98% 78% 76% 49% 27% 22% 18% 6% 4%

Quais recursos ou benefícios foram indispensáveis para sua manutenção durante a graduação?

89 vividas a alimentação, de certa forma, representa a sobrevivência, a fonte de energia para o aluno poder seguir com os desafios enfrentados durante o PEC-G, podendo ficar sem dinheiro, sofrer com a língua, com as disciplinas, com o racismo ou segurança, tudo isso pode ser passageiro e pode ser enfrentado se a pessoa estiver alimentada, mas se o alimento não está diariamente na mesa, não existe força para combater todos esses desafios, não existe vida. Um bom exemplo, é o estudante que morou na rua durante nove meses por não ter condições de pagar o aluguel de um imóvel, mas o benefício de pagar apenas R$ 1,00 no por refeição, permitiu que seguisse no curso até ser beneficiado pela moradia na Casa do Estudante.

Entre todos os estudantes que responderam ao questionário, a Casa do Estudante foi indispensável para a manutenção de 49%, mas entre os estudantes que foram beneficiados, 89% disseram que foi indispensável. Considerando o alto valor do aluguel em Brasília e a dificuldade imposta pelas exigências como fiador e caução, esse benefício se torna mais importante, mas atualmente atende a apenas 30% dos estudantes PEC-G.

A bolsa de estágio não obrigatório foi considerada indispensável para manutenção de apenas 18% dos estudantes questionados e entre os estudantes que realizaram esse tipo de atividade a porcentagem foi de 56%, ou seja, o interesse nesses estágios em alguns casos é para ter uma renda extra, em outros não, pode ser pela experiência profissional.

. Esse item merece destaque, pois os estudantes PEC-G são proibidos de trabalhar, é essa é uma forma de “driblar” essa restrição e obter renda com esse tipo de atividade. Em muitos casos existe uma resistência dos professores, pois essa ocupação pode interferir no desempenho acadêmico do estudante, mas a pesquisa mostrou que 78% dos estudantes que disseram que o estágio não obrigatório foi fundamental para sua manutenção na graduação estão com IRA acima da média dos estudantes do seu curso. Como exemplo:

Sempre procurei desenvolver atividades que me dessem algum suporte nesta questão financeira. (Comentário de estudante)

Auxílios recebidos de terceiros foram indispensáveis para a manutenção de 22% dos estudantes, uma porcentagem significativa e que não tem origem institucional, podendo estar diretamente ligada ao acolhimento recebido pelos estudantes. Outros benefícios citados pelos estudantes foram: SUS e remédios gratuitos, auxílio de igrejas, Programa de Educação Tutorial - PET, Programa de Iniciação Científica – PIBIC e Restaurante comunitário. Uma

90 dificuldade também relatada por vários estudantes é o peso da moeda de seus países no Brasil, a diferença do custo de vida, com isso os valores enviados para a manutenção no Brasil pode representar verdadeiras fortunas para suas famílias, isso faz com que muitos peçam aos responsáveis financeiros para pararem de mandar dinheiro quando tem alguma estabilidade, o que os motiva a procurar outras fontes de renda.

O acolhimento nesse quesito pode auxiliar com orientações em relação aos gastos que os estudantes possam ter durante a graduação, como no caso do aluguel de imóveis ou compras diversas, além de buscas por estágios e outras fontes de renda permitidas para os estudantes PEC-G.

As informações demonstram como os auxílios do governo e da universidade são importantes, visto que a grande maioria dos estudantes não recebe os recursos dos responsáveis financeiros e eles dificilmente desistem por isso.

Uma das críticas mais relatadas pelos estudantes em relação à dificuldade financeira, é a falta de apoio de seus países, como visto acima, quase todo o apoio oferecido aos estudantes que não recebem o auxílio financeira de seus responsáveis, vem do Brasil. Existem casos como Cabo-Verde e Timor-Leste que oferecem bolsas para alguns estudantes, mas em geral o chamado “acordo bilateral”, não tem essa função no aspecto financeiro de apoio aos estudantes. Para entendermos de quais valores esse apoio se refere, consideramos o valor mensal exigido na inscrição para envio pelo responsável financeiro de $ 400,00, que na cotação do dólar de 31/12/2017 foi de R$ 3,32, o que representa R$ 1.328,00 mensais e considerando um estudante que cursou a graduação em 5 anos, o gasto para manutenção no Brasil durante todo o curso seria pouco abaixo de R$ 80.000,00. Com esse valor os países poderiam dar o suporte financeiro exigido na inscrição do programa. Por exemplo:

Seria muito melhor se os governos de nossos países também ajudassem para nossa manutenção no Brasil porque tenho impressão que o Brasil que faz tudo para nós. (Comentário de estudante)

Para entendermos melhor a situação veremos os valores gastos pelo governo brasileiro com os estudantes PEC-G com valores baseados nos anos de 2016 e 2017 na UnB considerando um estudante que integraliza o curso em 5 anos, considerando que a maioria dos cursos são de 4 anos e que os estudantes ultrapassam por volta de 25% do período de integralização para se formar. De acordo com a administração do Restaurante Universitário da UnB, os valores unitários das refeições neste período foram, Café da manhã, R$ 6,99; almoço

91 e janta R$ 12,98 cada, e retirando o valor pago pelo estudante PEC-G de R$ 1,00 por refeição o total diário é de R$ 29,95, que em 5 anos representa R$ 65.590,50. Já no benefício da Moradia estudantil também oferecido pela UnB, como informado pela DDS, os estudantes moram em apartamentos da UnB, mas em casos em que não é possível a residência do estudante nesses apartamentos, o valor mensal pago em pecúnia para suprir esse gasto é de R$ 530,00, e como o benefício só pode ser pago após o fim do primeiro semestre cursado, em 4 anos e meio somaria R$ 28.620,00. Já o passe livre estudantil para os ônibus oferecido pelo governo do Distrito Federal, no caso de um estudante que mora em Taguatinga e estuda na Asa norte, que pagaria R$ 5,00 por passagem, ou seja, R$ 10,00 por dia, e tirando como base os 173 dias úteis no período de aulas de 2017 o total em 5 anos seria de R$ 8.650,00. Já a bolsa PROMISAES no valor mensal de R$ 622,00 que também não é paga no primeiro semestre, poderia ser recebida por um estudante PEC-G em 4 anos e meio R$ 33.588,00. Considerando a soma desses valores, excluindo o transporte público, pois em geral os estudantes que vivem na moradia estudantil não utilizam o transporte público para chegar à universidade, o estudante PEC-G pode gerar uma despesa de R$ 127.798,50 durante 5 anos de curso, sem contar com os gastos rotineiros da universidade e demais órgãos do governo. É importante considerar que a bolsa Mérito também é recebida por alguns estudantes, mas não pode ser recebida concomitante à PROMISAES, por isso não foi incluída, além da passagem de volta ao país de origem que pode ser paga aos beneficiados pela bolsa Mérito.

Esses dados demonstram o empenho do governo brasileiro, seja pelo MEC, MRE ou IES na assistência aos estudantes PEC-G e a falta do apoio dos países dos estudantes. Esses dados vistos acima também colocam em questão a condição de assistencialista do programa PEC-G, pois evidencia que os auxílios oferecidos, em muitos casos, são fundamentais para a permanência e consequentemente conclusão do curso, por esses estudantes.

As dificuldades vividas por muitos estudantes PEC-G na UnB em decorrência da falta do recurso enviado pelo responsável financeiro, é amenizada ou suprida pelas assistências oferecidas pelo MEC, MRE, UnB, GDF e em alguns casos por terceiros, questionando a participação dos países participantes neste acordo “bilateral”.