Iniciamos o procedimento de pesquisa em campo no primeiro semestre letivo de 2011. Este foi organizado em quatro etapas consecutivas:
a) Primeira etapa: foram formalizados os trâmites legais, administrativos e burocráticos necessários ao desenvolvimento da pesquisa com uma ida à DRE PP/Cruzeiro e duas idas ao jardim de infância.
b) Segunda etapa: três encontros com as professoras para a construção das informações, utilizando os instrumentos mencionados, intercalados com as visitas à escola para observações e conversas informais.
c) Terceira etapa: dois encontros – o primeiro entre a pesquisadora e as gestoras para conversar sobre a escola, e o segundo entre a pesquisadora, as gestoras e as professoras participantes para agradecer e fechar esse momento da pesquisa.
d) Quarta etapa: reunião e análise das informações construídas, redação da metodologia, discussão e resultado da pesquisa e, finalmente, a apresentação à Banca (defesa). As etapas serão detalhadas a seguir. a) Primeira etapa
Com a ida à Diretoria da Regional de Ensino (DRE) do Plano Piloto/Cruzeiro (PP/C), obtivemos o encaminhamento à escola de educação infantil denominada como escola inclusiva. Cumpridos os procedimentos formais entre as instituições, Universidade Católica de Brasília (UCB) e SEDF, foi feita a primeira visita à escola para apresentação da pesquisa às diretoras do jardim de infância. Expusemos à equipe gestora a intenção de realizar o estudo e esclarecemos a necessidade de agendamento de quatro encontros com as professoras participantes no contraturno de regência de aula. Solicitamos a colaboração no sentido de dois dos encontros acontecerem com as professoras voluntárias juntas, num único horário e turno, situação que requereria um empenho maior das gestoras e de outros funcionários da escola para a substituição das docentes em sala de aula. A diretora e a vice aceitaram prontamente, colocando-se à disposição para tomar quaisquer providências para o bom andamento da pesquisa.
Ainda na primeira etapa, o segundo encontro aconteceu com o objetivo de apresentar o projeto de pesquisa às professoras, fazer-lhes o convite e apresentar às voluntárias os critérios de inclusão no estudo: a) serem professoras do jardim de infância; b) atuarem em classe comum; e c) terem estudantes com NEE em suas salas. Das seis professoras, quatro se voluntariaram. As outras duas não atendiam aos critérios, embora apresentassem grande interesse em participar. Eram professoras do jardim de infância, mas atendiam à educação especial em classe especial de ensino. Expusemos a importância do Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE), sua leitura e assinatura. Foi aberto um espaço para o conhecimento dos procedimentos de construção de informações: tempo, horário, local, instrumentos utilizados, agendamento dos encontros e esclarecimento das dúvidas.
b) Segunda etapa
Aconteceram três encontros, antecipadamente agendados. Concentramos nesta etapa a utilização dos três instrumentos para a produção de indicadores e de hipótese. O primeiro encontro foi a dinâmica conversacional em grupo, o segundo encontro, a dinâmica conversacional individual, no terceiro encontro realizamos a atividade de complemento de frases. Utilizamos como disparador das conversas textos e vídeos que suscitavam o tema. A escolha dos instrumentos e das técnicas obedeceu à concepção de González Rey de que os instrumentos podem variar pela expressão individual, oral, escrita, ou pela interatividade gerada pelo grupo. Os instrumentos e as técnicas propiciam inúmeros canais de expressão presentes por meio da constituição subjetiva do sujeito individual nos diferentes espaços sociais (GONZÁLEZ REY, 2011). Os instrumentos da pesquisa estão descritos a seguir:
a) Dinâmica conversacional em grupo
A conversação em grupo, como instrumento, é um processo ativo da relação entre pesquisador e sujeitos pesquisados que sugere utilizar recursos que estimulem as pessoas a se envolverem nas reflexões e nas emoções sobre o tema proposto. Nomeamos a “roda de conversa” como recurso da conversação em grupo, lembrando um momento muito explorado na educação infantil por professoras para um rapport diário entre elas e os estudantes. O objetivo da roda de conversa com as professoras foi abrir um espaço de aproximação da pesquisadora com o grupo e do
grupo com o tema de forma mais descontraída, vivência próxima àquela que elas já realizam no dia a dia com seus alunos em sala de aula. Como propõe González Rey (2010), as conversações são momentos em que os participantes, ouvindo e elaborando hipóteses, refletem sobre as posições assumidas por eles acerca do tema discutido, gerando uma corresponsabilidade como sujeitos do processo. A conversação foi potencializada mediante um momento de descontração, propiciado por um texto que lançou o tema em foco: inclusão escolar. A intenção foi descontrair e proporcionar maior interação entre as participantes com o intuito de alcançar qualidade de informação, como sugere González Rey (2010, p. 46):
A riqueza da informação se define por meio de argumentações, emoções fortes e expressões extraverbais, numa infinita quantidade de formas diferentes, que vão se organizando em representações teóricas pelo pesquisador.
A roda de conversa, além de ter funcionado como preliminar da dinâmica conversacional com a intenção de torná-la mais próxima da realidade, aproximou o grupo do tópico discutido e colocou em reflexão as questões mais particulares. Imbuídos da vontade de dar visibilidade ao professor e voz às suas percepções, experiência pessoal, sentimentos e concepções sobre inclusão escolar, a roda de conversa foi uma das dinâmicas capazes de captar pontos de vista e processos emocionais pela aproximação do tema com o contexto. Nessa situação, pudemos esclarecer situações complexas, polêmicas e contraditórias geradas pelo tema, possibilitando uma reelaboração das questões, própria do trabalho em grupo.
Como previsto, foi perceptível a interferência da “discussão” na roda de conversa na dinâmica conversacional individual. Essa situação foi favorável, uma vez que a dinâmica conversacional tem um caráter processual, é aberta a retomadas de opiniões e posicionamentos na fala individualizada. Esse desenrolar mostrou-se positivo para a pesquisa na análise das informações de cada participante.
A escolha da roda de conversa como primeiro contato foi constatada como uma boa estratégia de rapport da pesquisadora com as participantes. Aos poucos, estas se sentiram à vontade, interadas e confiantes dentro do grupo, revelando, com progressiva descontração, suas experiências. A expectativa de receber apoio das professoras e de toda a equipe da escola em estudos preliminares exploratórios e a dinâmica conversacional no grupo favoreceram a conversação individual.
b) Dinâmica conversacional individual
A dinâmica conversacional individual foi proposta visando a uma aproximação mais particular com cada sujeito, provocando “uma comunicação interativa, que se desenvolveu de forma gradual e permitiu a inclusão constante de novas ‘zonas de intercâmbio’” (GONZÁLEZ REY, 2010, p. 48), considerando um momento empírico privilegiado. A intenção foi aprofundar as informações surgidas no grupo e particularizá-las por meio da proximidade gerada pelo encontro individual, buscando a expressão livre e aberta, e inclusive obter informações que não tenham sido abordadas na roda de conversa. Essa sequência possibilitou-nos uma aproximação como que González Rey (2010) propõe: partir do geral para o mais íntimo.
A dinâmica conversacional individual, ao possibilitar a emergência das particularidades e valorizar as peculiaridades de cada sujeito participante, personalizou as informações construídas, na perspectiva de compreender a singularidade e a subjetividade, conforme referido por González Rey em sua abordagem epistemológica. Nesse processo, evidenciam-se atributos agregados à pessoa como profissional e como sujeito em constituição.
c) Complemento de frases
Para aprofundar e ampliar as informações, tendo em vista tratar-se de estudo de caso, a atividade de complemento de frases focou a participação do sujeito de forma mais individualizada ainda. Depois da discussão no grupo e da conversação individual com a pesquisadora, o sujeito, por meio desse instrumento, foi colocado diante de sua subjetividade e intersubjetividade “[...] permitindo a expressão de sentidos subjetivos diferenciados em áreas e aspectos muito distintos da vida das pessoas; isso constitui um dos pontos fortes de sua utilidade na pesquisa” (GONZÁLEZ REY, 2010, p. 57).
O instrumento abre ao sujeito a oportunidade de expressão. Sem ter explícito na frase seu conteúdo, cada sujeito pode expressar-se, de modo que o significado dado por ele fosse é produzido com base na sua própria subjetividade. No complemento de frases, o sujeito teve a possibilidade de se estender de acordo com seu desejo: ao sentir-se instigado, comunicou-se mais. Essa situação corrobora o que declara González Rey (2010, p. 59): “[à] medida em que este vai induzindo lembranças, emoções e construindo reflexões durante o processo de preenchimento”.
Os instrumentos deram oportunidade para a aproximação dialógica entre a investigadora e as investigadas, de acordo com o pensamento de González Rey (2003, p. 269):
[...] assumir o diálogo no processo de investigação implica que investigador e investigado entrem em um processo conjunto de reflexão, no qual cada um vai saindo gradualmente de suas respectivas trincheiras para entrar em uma relação mais aberta, autêntica e franca, o que não é só relevante para a qualidade de informação produzida, mas para a própria ética da investigação.
Nessa perspectiva, é dado à pesquisadora o lugar de geradora de pensamento na construção da teoria, como um processo vivo e permanente na pesquisa, sem planejamento antecipado, fechado nas etapas. Nesse sentido, a pesquisadora comprometeu-se com a reflexão constante sobre as informações que surgiam, envolvendo-se não somente no campo cognitivo, mas no seu sentido subjetivo, também marcado pela própria história, crenças, representações e valores que expressam sua constituição subjetiva. Ante essa proposta metodológica, conduzimos a construção de modelos compreensivos sobre inclusão escolar, integrada aos espaços de atuação dos sujeitos pesquisados, contribuindo para a expressão das participantes da pesquisa (GONZÁLEZ REY, 2005).
Para González Rey, a escolha de instrumentos diversificados aproxima o pesquisador do participante, bem como dos sentidos subjetivos que o constituem. A utilização dos instrumentos escolhidos produziu os efeitos desejados, revelando eficácia ante o procedimento de construção da informação. Foi confirmado que “o sentido de usar instrumentos diferentes permite ao sujeito deslocar-se de um sistema de expressão, qualquer que seja, e entrar em zonas alternativas de sentido subjetivo em relação àquela que concentrava sua atenção em outros instrumentos” (GONZÁLEZ REY, 2010, p. 50). Essa abordagem abriu um espaço de aceitação para realizar a investigação. Os sujeitos participantes demonstraram credibilidade na pesquisa e confiança em participar dela. O sentimento de satisfação decorrente da participação dos sujeitos na construção teórica foi um sinalizador de que a seriedade e a responsabilidade social atinentes à pesquisa foram compreendidas e assimiladas.
Percebemos que a roda de conversa, cuja estratégia é livre e não orientada por meio de roteiro, se estabeleceu pela qualidade de verbalização expressa no
grupo a partir do texto indutor “Bem-vindo à Holanda” (Apêndice A). A dinâmica conversacional individual possibilitou a aproximação do outro na sua condição de sujeito, fazendo-o atuar como corresponsável pelo processo. Utilizamos o vídeo “O Sapinho” (Apêndice B) como indutor para a conversação individual. Utilizamos o instrumento escrito com a atividade de complemento de frases (Apêndice C), pelo sentido subjetivo que foi expresso, independentemente do conteúdo explicitado ou sugerido nas conversas individuais e em grupo, evidenciou-se por seu grande valor ante a subjetividade. Descritos os três instrumentos utilizados na pesquisa, apresentaremos a seguir os acontecimentos relacionados a cada um deles.
O primeiro encontro da segunda etapa – a roda de conversa – aconteceu na sala dos professores, onde nos foi garantida a privacidade para a interlocução entre as participantes e a pesquisadora. Sentadas em volta da mesa, a pesquisadora e as quatro professoras conversaram aproximadamente por duas horas. Antecipadamente, foi solicitada a autorização para a gravação em áudio do encontro. Após o consentimento de todas, foi iniciada a conversação.
A pesquisadora organizou a sala, tornando-a um ambiente descontraído com o intuito de apreender o máximo de elementos de sentido subjetivo individual e social, propiciando aos sujeitos espaço para que verbalizassem o que lhes fosse mais significativo. Um cantinho com lanche foi oferecido com o intuito de proporcionar às pesquisadas acolhimento, fazendo com que se sentissem confortáveis e bem acomodadas. Na tentativa de tornar o espaço de diálogo o mais descontraído possível, foi priorizada a expressão mais espontânea de cada uma. Inicialmente, a pesquisadora fez um pequeno histórico de sua formação inicial e continuada, sua caminhada na educação, na SEDF e especialmente na educação inclusiva. As professoras apresentaram-se de maneira bem sucinta e formal, limitando-se pontualmente ao que a pesquisadora havia apresentado em seu relato.
Ao final das apresentações, foi lido um texto como indutor motivacional do tema em pauta: inclusão escolar: “Bem-vindo à Holanda”. O texto traz uma analogia entre programar (gestar) um bebê (certamente sem NEE) e a sensação de recebê-lo com NEE e programar uma viagem para a Itália e o sentimento de chegar à Holanda e não à Itália, como programado. A intenção foi que as pesquisadas desenvolvessem suas falas de acordo com os aspectos individuais de cada uma, disponibilizando indicadores de sentidos subjetivos em suas expressões. Havia um roteiro prévio (apêndice), elaborado pela pesquisadora, caso fosse necessária uma
intervenção mais pontual ou provocativa, no entanto isso não foi necessário. As professoras demonstraram necessidade de falar sobre suas vivências e certa ansiedade, não deixando intervalos para maiores interferências, o que evidencia uma modificação da postura inicial, na qual elas se apresentavam de maneira contida. As pesquisadas trouxeram de forma bastante espontânea e motivada informações coerentes com o que foi proposto.
Como articuladora da roda de conversa, a pesquisadora, oportunamente, interviu com questionamentos, pedidos de esclarecimentos, justificativas, de modo que o tema fosse bem difundido, explorado, refletido e por todos, gerando informações que constituíssem indicadores de elementos de sentido. Conforme Gatti (2005) sugere, foi dado oportunidade para que cada uma se situasse no contexto, explicitasse seu ponto de vista, analisasse, inferisse, fizesse críticas, abrisse perspectivas diante da problemática para a qual foram convidadas a conversar coletivamente.
Foi muito importante as participantes se sentirem livres para elaborar seus pontos de vista e dar ênfase à sua expressividade. O comportamento das professoras no espaço de discussão indicou que elas sentem necessidade de ser mais ouvidas. As informações geradas pelo grupo foram analisadas, complementando as informações consideradas significativas. Assim, foi valorizado “o curso progressivo e aberto de um processo de construção e interpretação que acompanha todos os momentos da pesquisa” (GONZÁLEZ REY, 2011, p. 106).
Como o pressuposto norteador da investigação foi internalizado pela ideia de que “para qualquer grupo ou pessoa, o espaço de pesquisa vai gerando novas necessidades, o que implica uma relação permanente entre profissional, o científico e o pessoal no interior desses espaços” (GONZÁLEZ REY, 2010, p. 45), revelou-se no grupo a necessidade de mais encontros, mais intervenções, interesse em continuar o processo de construção de conhecimento – uma demanda gerada pelo tipo de pesquisa escolhido e percebida positivamente pela pesquisadora como confirmação da aceitação e da receptividade da investigação na escola. O empenho das professoras em colaborar com a pesquisa revelou seu desejo de conhecer mais sobre o que estão vivenciando, ao perceberem-se construtoras de suas práticas fundamentadas em construções teóricas coerentes com suas realidades. Acreditamos que essa postura tenha sido motivada pelo modelo instituído nas discussões: reflexivo, dialógico, interativo, construtivo-interpretativo. Confirma-se que
os instrumentos e as discussões propiciaram construções de conhecimento durante o processo e, não tendo um fim em si mesmo, estimularam a expressão e a reflexão para além dos instrumentos. Inferimos, pelos indicadores expressos, que é por meio da interação, da reflexão e da troca que se fortalecerão os conhecimentos produzidos, caminhando-se para uma perspectiva de inclusão mais próspera.
O segundo encontro da segunda etapa – a dinâmica conversacional individual – também foi cuidadosamente organizado, contudo, apesar de reservado, o espaço escolhido não foi o mais silencioso da escola. Era uma sala dentro do pátio central, onde naquele dia e horário, extraordinariamente, acontecia o ensaio das danças juninas. Entretanto, entendendo a necessidade e a importância dos dois acontecimentos: conversação e ensaio, as professoras espontaneamente e de forma bem simpática se dispuseram a, mesmo assim, dar continuidade ao encontro. Referiram-se ao ambiente dinâmico e animado de uma educação infantil. Informaram que se disponibilizam a trabalhar em circunstâncias diferenciadas por compreenderem que é essa a dinâmica da escola, sobretudo a da educação infantil. Naquele momento demonstraram lidar bem com os imprevistos e as situações adversas à rotina planejada da escola.
Foi apresentado um pequeno vídeo (oito minutos) em que havia um grupo de sapinhos correndo pelo brejo quando dois deles caem em um profundo buraco. Deparamo-nos com o comportamento inusitado dos sapinhos que caíram no buraco e com a atitude dos sapinhos que ficaram do lado de fora aguardando o resgate dos companheiros. A expectativa da ação de ambas as partes (dos sapinhos) diante do problema a ser resolvido e o surpreendente final foram os desencadeadores da conversação individual com cada uma das professoras. Inicialmente, cada uma falou da situação avaliando-a de fora, mas, com o desenvolvimento da conversa, acabaram se identificando com um ou outro sapinho nas respectivas situações. As professoras produziram bastante elementos de sentido quanto ao seu envolvimento na situação de inclusão, particularizando bem sua própria condição.
O terceiro encontro da segunda etapa foi a atividade de complementação de frases, realizada na sala dos professores, no horário de coordenação pedagógica, no contraturno de cada uma delas: duas professoras de manhã e as outras duas à tarde. Foi lembrado às participantes que aquele era um instrumento de preenchimento individual. Contudo, devido à sala dos professores ser um espaço
comum a todos os funcionários da escola, fomos surpreendidos com a presença de outros profissionais no mesmo horário, o que não era previsto.
Consideramos que o ambiente escolhido não foi o mais propício, pois houve dispersão, interrupção e comentários mais do que o esperado. Acreditamos que o prejuízo esteve na pressa de complementar a atividade, uma vez que as participantes estavam na presença de outros colegas. Entretanto, essa atividade trouxe indicadores que reforçam a cumplicidade entre as professoras. Foi perceptível o esforço de se manterem no trabalho individualizado ante os colegas, de não se dispersarem e de não interromperem a atividade, pois o desejo de expor suas respostas era muito forte, porque entendiam ser esta uma forma de apresentar para discussão alguns desconfortos provocados pelas frases. A conclusão da segunda etapa se deu ao término da vivência dos três instrumentos.
c) Terceira etapa
Nesta etapa aconteceu o encontro da pesquisadora com a diretora e a vice- diretora, no qual obtivemos as informações quanto ao funcionamento e à dinâmica da escola. Por meio de uma conversa informal conhecemos os critérios utilizados para enquadrar a escola como inclusiva: espaço físico, Projeto Político Pedagógico, professores especializados, estudantes com deficiência matriculados, envolvimento de famílias e profissionais da própria escola e da DRE/SEDF e organização do Projeto Político Pedagógico do jardim de infância. Informamos à diretora e à vice- diretora o ponto em que se encontrava a pesquisa e o desejo de fechar o momento com todas as participantes e colaboradoras juntas. Marcamos o dia e o horário do encontro, providenciamos as devidas substituições e partimos para a conversa com todo o grupo.
O segundo encontro da terceira etapa foi a reunião programada com todo o grupo – pesquisadora, professoras e gestoras –, que ocorreu com muita animação de todas. De forma descontraída, agradecemos a importante participação de todas no procedimento de construção das informações e esclarecemos em que momento a pesquisa se encontrava e qual seria o próximo. Informamos que a pesquisa ainda não entraria em sua fase conclusiva, mas passaria para outro momento, a quarta etapa, na qual seriam reunidas e analisadas as informações, redigida a dissertação, culminando com a apresentação desta à Banca (defesa).
Nesse encontro foi aberto espaço para as participantes se expressarem, caso desejassem fazê-lo. As gestoras agradeceram a confiança e o privilégio de serem escolhidas para a pesquisa. Cada professora falou de forma breve. Todas deixaram explícito o desejo de retorno do resultado da pesquisa, pois consideravam que esta era uma forma legitimada de repercutir, nas instâncias mais elevadas do sistema, suas necessidades, angústias e expectativas quanto à situação que estavam vivenciando. Ficou claro um sentimento de esperança de obter retornos a partir deste trabalho.
Foi lido um texto pela pesquisadora que abordava o tema inclusão, no qual uma mãe narra sua história de dedicação e empenho em atender sua filha com NEE e a paciência dessa filha em esperar a mãe aprender, acolhê-la e amá-la com suas acentuadas diferenças. Todas se emocionaram, revelando sensibilidade ao tema e