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Para a compreensão sobre a fonte de inovação é necessário entender a relação entre P&D e sobre o que é invenção, e o que é inovação. Freeman (1982) define P&D como sendo um método que utiliza o conhecimento baseado em ciência ou ações profissionais, para criar um novo produto, processo ou método de organização; já uma invenção é uma ideia ou um modelo para um novo processo ou produto que pode ser patenteado, e em consequência inovação é o uso comercial desta invenção.
As pesquisas sobre inovação possuem variáveis complexas, passando de pequenos passos incrementais até mudanças radicais, que podem envolver concomitantemente um produto, um processo, chegando até mesmo à mudanças na estrutura propriamente dita da organização, onde a tentativa de mensurar o nível de inovação alcançada, ou da inovação percebida, torna-se um procedimento complexo.
No começo do século XIX Freeman (1994
a) relata que a natureza do processo de P&D muda de orientação e ação profissional para uma abordagem de ciência, caracterizada por maior complexidade de invenções e inovações, com uma crescente quantidade de divisões de funções entre P&D e o setor de produção das organizações.
consequentemente geram diversas definições. Schmookler (1966) afirma que a demanda de mercado, e não as descobertas científicas, formam o estimulo para as invenções e inovações nas empresas. Em complementação Schmookler (1966) ainda fornece um referencial teórico para o modelo de market-pull, onde a oferta é maior que a procura.
Mowery e Rosenberg (1979) aprofundam os estudos empíricos sobre a relação entre a demanda de mercado e a inovação, partindo do repúdio a um processo linear de inovação, impulsionado pelo mercado. Mowery (1983) aponta que empresas desenvolvem sistemas internos de P&D para poder preencher as lacunas de distribuição deixadas em função da incapacidade de atendimento pleno do mercado, da informação ao mercado de seus produtos, assim como por motivos de sigilo empresarial e para ganho de vantagem competitiva.
Embora argumentos sinalizem para um modelo de technology push da inovação, as teorias atuais de inovação também rejeitam um modelo linear de abastecimento. Von Hippel (1988) afirma que a fonte de inovação apresenta muitas variações e diversos geradores como consumidores, fornecedores e também de criadores de demanda independente de sua classificação.
Gort e Kleeper (1982) indicam que não existe um ponto de equilíbrio na relação entre empresas e mercado, ou de um produto novo em especial em relação a diversos fabricantes. Com isso a entrada de empresas no mercado, assim como o seu sucesso, depende da sua expectativa na geração de lucro em função da capacidade de conseguir informações que gerem inovações, frente a seus concorrentes.
Pavitt (1984) consegue identificar quatro tipos de empresas consideradas inovadoras atuantes no setor de produção:
1. Fornecedores que dominaram setores, principalmente com inovação de processo; 2. Setores do mercado especializado em abastecimento, que tem inovações de produto; 3. Setores do mercado que possuem produtos e processos inovadores; através de
investimento de capital intenso;
4. Setores do mercado alicerçados em ciência, diretamente ligados a novas descobertas científicas.
No que se refere a incentivos econômicos para empresas dos diversos setores do mercado Dosi (1982) relata que são muito variáveis, o que o leva a definir um sistema de "paradigmas tecnológicos". Este sistema determina padrões para soluções de problemas, utilizando-se princípios da ciência natural, seguindo "trajetórias tecnológicas", que são determinadas pela utilização de inovações baseadas em um determinado paradigma. Entende-
se por paradigmas tecnológicos inovações radicais que exigem mudanças no mais amplo contexto da organização, e trajetórias tecnológicas como o progresso tecnológico incremental. Nelson e Winter (1982) utilizam concepção semelhante, onde o regime tecnológico, inovação e crescimento, são etapas evolutivas e as decisões estão atreladas ao custo, que são utilizados para a definição da direção a ser seguida pelas empresas, e também por etapas incrementais em razão do custo e de incertezas relativas aos novos conhecimentos. Os autores ainda argumentam que as empresas definem uma trajetória com base no seu "ambiente de seleção", onde são incluídos o mercado, a demanda de setores do mercado, e a mudança nas instituições de inovação (P&D), apoio do governo, entre outros fatores que possam influenciar o ambiente.
Decisões particulares de indivíduos da empresa moldam o seu setor de mercado, afetando o comportamento de seus concorrentes, com isso a sua formulação faz um link entre a análise macro do que está ocorrendo no mercado (regional ou nacional), e o estudo da geração de inovação no nível micro, ou seja, as operações internas da empresa.
Um dos modelos utilizado para a criação e difusão de inovação é baseado em vínculos entre setores, na geração e modificação das inovações que se assemelham ao ambiente de seleção. Nelson e Winter (1982) salientam que o fluxo de informações entre setores é a capacidade de se adaptar a uma nova inovação para um ambiente da própria empresa. Cohen e Zysman (1987) apontam que esta articulação é um componente vital de competitividade, porém com restrições, pois é necessário atestar se a “nova invenção” será viável ao mercado.
Rosenberg (1982) afirma que uma empresa, sendo a primeira a produzir um determinado item, não tem garantia de que terá sucesso nesse processo de inovação; em contrapartida, o autor afirma que invenções que já tinham deixado de serem utilizadas há um determinado período podem, em uma ocasião especifica, voltar a serem utilizadas e apresentar maior grau de satisfação e sucesso.
Ainda segundo Hagerstrand (1967) a difusão de inovação é influenciada por uma série de fatores, tais como: a estrutura da empresa, a estratégia da empresa e a sua política governamental. Este fato fez com que o autor determinasse ser a difusão de inovação uma construção de padrões aleatórios, que surgem a partir de decisões independentes, atingindo suas próprias conclusões sobre o que deveria ter sido realizado.
Arrow (1962) argumenta que as empresas adquirem novas inovações por meio da experimentação, na verdade através de novas tecnologias, ou seja, aprendem fazendo.
Manfield (1961) sugere que a taxa de imitação correlaciona-se com investimentos relativamente baixos e a presunção de grandes lucros. Freeman (1982) sugere que uma boa compreensão das necessidades do consumidor é fundamental para uma empresa ter sucesso em seu processo de difusão de inovação. Rosenberg (1982) ecoa esse sentimento por descrever a difusão de inovação como sendo um processo acumulativo e interativo entre os consumidores e fornecedores de uma determinada inovação.