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77 AIR Committee on Climate, the Central Bureau of
Segundo a OECD pesquisas sobre inovação e discussões de políticas devem ter uma perspectiva de pesquisa ampla, ou seja, uma visão baseada em conhecimento criado e trocado dentro e fora das empresas. O processo de inovação além de utilizar a P&D em suas
atividades depende fortemente de outros fatores para o sucesso como, por exemplo, a interação desse conhecimento entre empresas.
Pesquisas a respeito de inovação utilizam-se de diversas disciplinas de maneira complementar para explicação da teoria como, por exemplo a perspectiva econômica. Schumpeter (1934), um dos grandes influenciadores da teoria da inovação, afirma que inovações “radicais” engendram rupturas mais intensas, enquanto inovações “incrementais” dão continuidade ao processo de mudança. Baseado nestas premissas, o autor propõe uma lista de cinco tipos de inovações:
1. Introdução de novos produtos;
2. Introdução de novos métodos de produção; 3. Abertura de novos mercados;
4. Desenvolvimento de novas fontes provedoras de matérias-primas e outros insumos; 5. Criação de novas estruturas de mercado em uma indústria.
O ponto chave é entender o porquê as empresas inovam. É fato que a inovação busca melhoria no desempenho, aumento de demanda e redução de custos, através de vantagens competitivas, como a melhoria de processos, ou ainda uma estratégia de diminuição de preço e de margem de lucro a fim de conquistar uma fatia maior de mercado.
Os neoclássicos veem a inovação como criação de ativos e de experimentos de mercado, onde figura como estratégia de negócios, ou parte de um conjunto de investimentos para desenvolvimento de produto ou melhoria da eficiência. Sutton (1992, 1998), aponta que desenvolvimentos recentes centram-se na ideia de “sunk costs”, comprometimento irrecuperável de recursos para entrar em novos mercados ou para criar vantagens competitivas, por meio do reposicionamento da produção ou de seus resultados na cadeia de valores.
Em teoria da organização Tirole (1995) enfatiza a importância do posicionamento competitivo. As empresas inovam para defender sua atual posição competitiva, assim como para buscar novas vantagens em seu mercado. Empresas podem se comportar de forma reativa e inovar para não perder mercado para concorrentes, ou ainda ser proativa e inovar em seus produtos como, por exemplo, promover melhoria nos padrões tecnológicos de seus produtos em relação aos concorrentes.
Segundo Rosenberg (1994) a decisão de inovar geralmente ocorre sob grande incerteza. Os níveis de incerteza variam de acordo com o setor em questão, novas tecnologias, ciclo de vida de produtos, entre outros, onde o desenvolvimento de conhecimento e tecnologia,
mercado, produtos assim como insumos contemplam cenários altamente imprevisíveis. Ainda sobre inovação organizacional Lan (2005) centra-se nos processos de aprendizado e de adaptação às mudanças tecnológicas e no meio-ambiente (estas incluem a estrutura institucional e os mercados).
Hunt (1983) coloca o foco no comportamento do consumidor, nas trocas de mercado entre compradores e vendedores, e nas abordagens normativas. Para o autor o principal desafio das empresas é adequar seus produtos e serviços às necessidades de um mercado composto por consumidores heterogêneos, ainda dependendo de sua imagem e de suas características sociais.
Perreault e McCarthy (2005) baseiam-se na implementação de práticas de marketing através de um modelo de “Marketing Mix”, denominado “4 Ps” do marketing: produto, preço, promoção e posicionamento, onde:
1. Produto: compreende mudanças na concepção do produto, em sua embalagem com a intenção de mudar ou melhorar sua atratividade, ou ainda na conquista de um novo mercado ou segmento de mercado;
2. Preço: métodos de fixação de preços para bens e serviços de mercado;
3. Promoção: realizada pelas empresas para melhorar a imagem ou aumentar o reconhecimento de seus produtos; e,
4. Posicionamento: tipos de canais de vendas que as empresas escolhem para vender, e/ou distribuir melhor seus produtos.
Outro ponto abordado a respeito de inovação é o fator da difusão do conhecimento e da tecnologia, onde as empresas que o adotam, aprendem e constroem novos conhecimentos e tecnologias. Hall (2005) informa que a teoria está centrada nos fatores que afetam as decisões das empresas sobre a adoção de novas tecnologias, o acesso das empresas a novos conhecimentos e a sua capacidade de absorção.
Com visão sociológica Rogers (1995) ressalta os atributos das empresas que influenciam suas decisões em adotar novos conhecimentos e tecnologias, tais como a vantagem relativa de uma nova tecnologia, sua compatibilidade com as formas existentes de realizar as tarefas, sua complexidade e a aptidão com a qual a empresa avalia a nova tecnologia. No cenário econômico a utilização da difusão foca custos e as vantagens de novas tecnologias, onde esses benefícios muitas vezes são estratégicos, assim como sustentam e acrescentam vantagens sobre concorrentes.
Nelson e Winter (1982) como evolucionistas, enxergam a inovação como um processo dependente de uma trajetória, por meio do qual o conhecimento e a tecnologia são desenvolvidos a partir da interação entre vários atores e fatores. A demanda de mercado e as oportunidades de comercialização definem quais produtos devem ser desenvolvidos e quais tecnologias são as mais bem-sucedidas.
Parecida com a abordagem evolucionista está a visão que assume a inovação como um sistema. Lundvall (1992) e Nelson (1993) estudam a influência das instituições externas, definidas de forma ampla, sobre as atividades inovadoras de empresas e outros atores. Esta visão alerta sobre a importância da difusão de ideias, experiência, conhecimentos, informações e sinais de vários tipos em um processo dinâmico, onde o conhecimento é adquirido através do aprendizado e da interação. Ressalta-se a importância de regulamentações e políticas onde os mercados operam, enfatizando o papel do governo em intermediar a estrutura geral desse processo.