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Para Nana Medina (1998 p. 69), a Educação Ambiental é

[...] o processo que consiste em propiciar às pessoas uma compreensão crítica e global do ambiente, para elucidar valores e desenvolver atitudes, que lhes permitam adotar uma posição consciente e participativa a respeito das questões relacionadas com a conservação e adequada utilização dos recursos naturais, para melhoria da qualidade de vida e a eliminação da pobreza extrema e do consumidor desenfreado.

Nota-se, nessa conceituação, a tentativa de conciliar a questão ambiental com a eliminação da pobreza extrema e a melhoria da qualidade de vida. A introdução da Educação (Ambiental) na grade curricular promete “conduzir os cidadãos / educandos a uma conscientização construída, além de possibilitar sua ampliação da visão de mundo, a superação do antropocentrismo estreito e a educação do homem na sua integridade”, por intermédio de “uma prática pedagógica interdisciplinar e transdisciplinar” (PONTES JUNIOR et al., 2002, p. 88).

A Educação (Ambiental) propõe-se a formar cidadãos conscientes, capazes de tomar decisões incidentes sobre a realidade sócio-ambiental, de forma comprometida com a vida do planeta. Por seu caráter intrinsecamente interdisciplinar, ela valoriza a ação pedagógica. Por tratar de problemas vividos, e não abstratos, ela promove a criatividade e a inovação, a partir de um processo de ensino-aprendizagem permanente. Este processo pode ocorrer tanto em espaços formais ou informais.

A Educação (Ambiental) formal tem por locus a escola, realizando-se na rede de ensino, por meio da atuação curricular, tendo como referência pedagógica os Parâmetros Curriculares Nacionais e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação.

Já a Educação (Ambiental) informal se dá por intermédio de campanhas nos meios de comunicação de massa que objetivam alterar padrões de comportamento danosos à natureza, difundindo atitudes que levem ao conhecimento e compreensão dos problemas ambientais e a conseqüente sensibilização para a preservação da natureza.

A inclusão da Educação (Ambiental) no currículo caracteriza-se como um processo de inovação educativa que envolve toda a comunidade escolar e que não pode se configurar como uma nova disciplina. O ambiental, reincorporado à educação, surge como um vasto campo de estudos que abrange as mais diversas disciplinas, permitindo, assim, o diálogo de saberes entre os diversos campos do conhecimento, o que pode levar ao surgimento de inovadoras práticas educativas. EnriqueLeff (2002, p.72) comenta:

O ambiental aparece como um campo de problematização do conhecimento, que induz um processo desigual de “internalização” de certos princípios, valores e saberes “ambientais” dentro dos paradigmas tradicionais das ciências. Este processo tende a gerar especialidades ou disciplinas ambientais, métodos de análise e diagnóstico, assim como novos instrumentos práticos para normatizar e planejar o processo de desenvolvimento econômico sobre bases ambientais. Entretanto, esta orientação “interdisciplinar” referente a objetivos ambientais não autoriza a constituição de um novo objeto científico – o ambiente – como domínio generalizado das relações sociedade – natureza.

A inserção da Educação (Ambiental) na grade curricular inaugura um processo de ruptura com a caracterização histórica da escola, na medida em que possibilita o diálogo de saberes entre os diversos campos do conhecimento, constituindo-se desta forma, num fértil terreno para novas práticas educacionais. Isto permitirá caminhar no sentido da ruptura com as velhas práticas conservadoras, construindo o diálogo professor/aluno e abrindo espaço para o aproveitamento da criatividade e inventividade do educando(a).

Tradicionalmente, a educação incentiva além da aceitação, a obediência ao que é transmitido pelo mestre ou indivíduo mais velho e experiente. O resultado comum é o desenvolvimento de posturas rebeldes, que normalmente se manifestam de forma agressiva. A passividade é outra postura freqüente: Indivíduo aceita o que é ensinado, sem questionar. O respeito esperado pelo professor tradicional ignora a individualidade, a diversidade e a riqueza que todo indivíduo já traz, por mais simples que seja sua origem. O mestre deveria incentivar trocas continuamente para que o aluno se sinta valorizado em sua individualidade, o que facilitaria a construção de processos coletivos de empatia, respeito e colaboração (PÁDUA, 2002, p. 54).

A contestação ao modus operandi da escola tradicional ocorre porque o entendimento da Educação (Ambiental) não se dá apenas no campo teórico, pressupondo a abertura para novas idéias, a capacidade do professor - educador de

colocar-se no nível do educando, vivenciando seus problemas e proporcionando-lhe meios para a construção do conhecimento. Isso significa romper com os dogmas e “verdades” arraigadas na escola tradicional, abrindo horizontes para o respeito às liberdades individuais, à inventividade e às potencialidades dos educandos, na maioria das vezes, “esquecidas” pela escola.

Não é possível respeito aos educandos, à sua dignidade, a seu ser formando-se, à sua identidade fazendo-se, se não se levam em consideração as condições em que eles vêm existindo, se não se reconhece a importância dos “conhecimentos de experiência feitos” com que chegam à escola (FREIRE, 1997, p. 71).

Ao incorporar a dimensão ambiental no ensino formal, caminha-se, naturalmente, para práticas interdisciplinares que aprofundam o conhecimento das questões ambientais, não necessitando ser formalizada em uma disciplina, pois se embasa na interação com todas as outras disciplinas.

O trabalho pedagógico de forma transversal torna o aprendizado mais dinâmico, explicitando valores e incluindo procedimentos vinculados à rotina de educadores e educandos. Ainda que as Ciências Naturais, a Biologia, a História e a Geografia surjam como tradicionais parceiras da temática ambiental, esta pode e deve abarcar quase todas as outras disciplinas pela discussão do tema e pela geração de textos e programas de atividades correlatas.

Seja ou não formal, a Educação (Ambiental) demanda um enfoque interdisciplinar, uma perspectiva global e equilibrada, que se acha na cooperação/interação entre todas as disciplinas ou campos de atuação do tema, sendo importante a abordagem dos seus aspectos sociais, matemáticos, históricos, geográficos, das línguas, artes e filosofia. Diferentes estratégias pedagógicas permitem o desenvolvimento de métodos e técnicas de ensino capazes de dotar a Educação (Ambiental) de um caráter multiplicador de saberes.

A prática da Educação (Ambiental) dá-se na pressuposição de que esta possui uma múltipla visão dos fenômenos e uma atuação catalisadora do conhecimento das questões ambientais. Mas, para trabalhar neste nível, a práxis da Educação (Ambiental) necessita incorporar a crítica das relações na sociedade e desta com a natureza, voltando-se para a complexidade do ambiente, absorvendo diferenças em um processo coletivo de busca de avanços para os problemas ambientais globais.