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3. VIRKSOMHETSTEORIEN

4.4 F RA ELITE TIL ” MAINSTREAM ”

Grandes projetos não poderão mais conviver com a baixa capacidade que os caracterizam para se adequarem às mudanças de requisitos. Seus processos e produtos de planejamento se tornarão excessivamente caros e morosos para o retrabalho, quando necessário. Por sua vez, na medida em que evolui a utilização dos métodos ágeis de pequenos para grandes projetos, esses precisam adotar algumas das práticas das metodologias tradicionais (BOEHM e TURNER, 2004, p. 151). Nesta seção são apresentadas possibilidades e condições para uso conjunto das metodologias das abordagens ágeis e tradicionais.

2.3.1 Avaliações Comparativas

Os métodos tradicionais originaram-se principalmente de necessidades governamentais e militares para definir como desenvolver software. Os problemas centrais abordados estão relacionados ao gerenciamento, custo e robustez, não como resolver o problema. As metodologias ágeis, abordagem que se originou em comunidades de desenvolvedores de software e universidades, tratam a questão de outra forma, onde a solução dos problemas de forma aberta e colaborativa é desenvolvida no decorrer do tempo. Eischen (2002, p. 40) conclui que embora ambas as abordagens possam estar tratando de questões similares, elas divergem na forma de como resolvê-las, como estruturá-las e como definir métodos e ferramentas para suportar as necessidades.

Numa outra visão, o aparente conflito entre as metodologias ágeis e tradicionais, na avaliação de Mohan, Ramesh e Sagumaran (2010, p. 49), pode, muito pelo contrário, trazer benefícios quando utilizadas práticas de uma e outra em conjunto. As metodologias tradicionais, em ambientes que exigem mais flexibilidade, podem se beneficiar de algumas das práticas ágeis, criando as condições necessárias para que os projetos não sejam prejudicados no seu andamento, como nas situações em que há a necessidade de mudanças de requisitos, por exemplo.

Numa outra visão empírica sobre as práticas de metodologias ágeis ou tradicionais, Vinekar e Huntley (2010, p. 89) sugerem evidências que indicam que a maioria das equipes de desenvolvimento de software segue parte das duas abordagens, ditas contraditórias. A maioria das equipes ágeis praticam planejamento e desenho de soluções antes de iniciar o desenvolvimento do software. As equipes que seguem métodos formais, na verdade, desenvolvem os projetos com interatividade com os clientes, obtendo, inclusive, taxas de sucesso de certa forma similares. Isso sugere que são inadequados os argumentos que os métodos ágeis não têm planejamento e de que os métodos formais não são flexíveis, o que indicaria que estudos e o uso prático de metodologias de desenvolvimento de software poderiam focar mais na integração das práticas ágeis e tradicionais (VINEKAR e HUNTLEY, 2010, p. 89).

Fogelström et al., (2010, p. 54) destacam a importância para as organizações em identificar previamente o impacto de práticas ágeis em seus processos de desenvolvimento de software baseados em metodologias tradicionais. Ainda, segundo Mohan, Ramesh e Sagumaran (2010, p. 48-49), a crescente tensão entre os vários interessados nos atuais projetos de software, dada a nova dinâmica dos mercados, requer mudanças nos processos tradicionais de desenvolvimento de software, sem abandoná-los, mas agregando-lhes mais agilidade e adaptabilidade. A habilidade para adaptar processos internos às mudanças do ambiente ajuda a reduzir as diferentes expectativas que os clientes demonstram na utilização de softwares que são desenvolvidos por práticas ágeis.

“O potencial para a combinação de métodos ágeis e formais é uma promessa. Embora possa não ser sempre uma parceria fácil, ela terá êxito se puder fomentar um intercâmbio fecundo de conhecimentos entre as duas comunidades” (BLACK et al., 2009, p. 37). Falessi et al. (2010, p. 23-25) obtiveram evidências em pesquisa realizada com experientes profissionais de desenvolvimento de software, em uma grande empresa de tecnologia mundialmente reconhecida, de que as práticas das metodologias ágeis e tradicionais, ao contrário de serem opostas ou totalmente neutras, possuem características importantes que se complementam. Passados 10 anos da publicação do Manifesto Ágil, as metodologias ágeis estão largamente difundidas na indústria de software e, embora persistam conflitos entre as comunidades de desenvolvimento ágil e tradicional, emergem estudos que indicam aproximação entre as mesmas (BOEHM e TURNER, 2004; FALESSI et al., 2010; HANSSEN e FAEGRI, 2008; MOHAN, RAMESH e SAGUMARAN, 2010; VINEKAR e HUNTLEY, 2010).

2.3.2 Adoção e Adaptação das Metodologias nas Organizações

Numa proposta visando obter os melhores benefícios com métodos ágeis e tradicionais existentes, Boehm e Turner (2004, p. 100-101) examinaram as abordagens orientadas ao planejamento versus as abordagens ágeis e propuseram um modelo para orientar quando utilizar de forma balanceada uma ou outra das duas categorias de abordagens, ou ainda usar ambas, dadas as características de cada projeto e os riscos associados. Na proposta desenvolvida, a escolha do método a ser utilizado para o desenvolvimento dos projetos pode ser feita com auxílio de um diagrama em radial com cinco pontos de análise, conforme pode ser visto na Figura 2.

Figura 2 - Gráfico polar

Fonte: Boehm e Turner (2004, p. 150).

As características de cada radial apontam para a zona central do diagrama, de acordo com o grau de aderência às situações que caracterizam mais os métodos ágeis e, de forma contrária, apontam mais para a forma externa quando o grau de aderência sugere o uso de metodologias orientadas ao planejamento. Ligando-se os pontos no diagrama radial obtém-se uma área, que quanto menor mais indicada seria a utilização da metodologia ágil. De forma contrária, quanto maior a área, mais indicada seria a metodologia tradicional, visto indicar maiores riscos. Quando o tamanho da área do radial resultar posição em zona intermediária os

autores recomendam avaliar a utilização simultânea das duas abordagens. Boehm e Turner (2004, p. 148) concluem sobre metodologias para o desenvolvimento de software que:

Não existem soluções mágicas com métodos ágeis, nem tampouco com a utilização dos métodos orientados ao planejamento; métodos ágeis e aqueles orientados ao planejamento têm ambientes com características onde um ou outro dominam claramente; as tendências futuras são para desenvolvimento de softwares que necessitam tanto de agilidade como de disciplina; alguns métodos balanceados estão surgindo; quando você possuir um método é melhor evolui-lo do que jogá-lo totalmente fora; e, os métodos são importantes, mas as boas soluções são mais prováveis de serem encontradas se melhoradas as formas de lidar com as pessoas, seus valores, a comunicação e a gestão das suas expectativas.

Dyba e Dingsoyr (2008, p. 852) destacam evidências que sugerem que métodos ágeis para grandes projetos não são a melhor escolha, o que indica ser melhor tirar proveito dos benefícios existentes nas metodologias tradicionais, como por exemplo, as decisões tomadas na passagem de uma fase para outra e combiná-las com práticas do gerenciamento ágil de projetos, que podem ser úteis em grandes projetos.

Para Boehm e Turner (2004, p. 55), as pessoas sentem-se confortáveis por diferentes motivos quando utilizam metodologias ágeis ou tradicionais. Com metodologias ágeis, numa cultura ágil, as pessoas sentem-se confortáveis por terem liberdade para tomar decisões. Com metodologias tradicionais, as pessoas sentem-se bem por estarem num ambiente onde os processos são bem definidos e há clara definição do papel que cada ator deve executar.

Alguns estudos sugerem que mudanças podem ser incorporadas de forma mais fácil em projetos ágeis do que em projetos tradicionais, demonstrando, inclusive, valor ao negócio de forma mais eficiente. Evidências como clientes gostarem de dar e receber feedback sobre os projetos, desenvolvedores estarem mais satisfeitos com o seu trabalho quando utilizando métodos ágeis e a percepção de que clientes gostam de ver resultados prévios sugerem, também, que algumas práticas de projetos ágeis podem ser combinadas com os princípios gerais das metodologias tradicionais. Em projetos ágeis, os membros das equipes são menos substituíveis, o que traz consequências em como os projetos são gerenciados (DYBA e DINGSOYR, 2009, p. 8).

Diferentes tipos de riscos podem afetar fortemente na decisão pela escolha de um método ágil ou de um método tradicional. Boehm e Turner (2004 p. 25-57) identificaram as seguintes categorias de riscos: a) riscos associados ao uso de abordagens ágeis, como escalabilidade, criticidade, simplicidade, pessoal e a sua qualificação; b) riscos associados ao uso de abordagens orientadas ao planejamento, como necessidades surgidas durante o projeto, mudanças constantes, necessidade de rápidos resultados e competência do pessoal; e c) riscos ambientais relacionados às incertezas tecnológicas, às partes interessadas e aos softwares

complexos.

A mudança para uma prática ágil de desenvolvimento de software em uma organização acostumada com métodos tradicionais é um desafio. Qumer e Henderson-Sellers (2008b, p. 1909) sugerem avaliar a possibilidade de fazê-la de forma gradual, o que pode facilitar o atingimento do objetivo em implantá-la.