CHAPTER 2 : LITERATURE REVIEW
2.3 E XISTING M ICROBIAL R ESERVOIR S OURING M ODELS
Ao estruturarmos o conteúdo programático do Programa Cooperar para Competir e, mais, ao desenharmos a estratégia metodológica, tivemos a intenção de contemplar e estimular continuamente a dimensão axiológica. No entanto, dentro da dimensão axiológica, buscávamos acentuar atividades que pudessem fazer emergir a dimensão confiança. Entendíamos que a confiança deveria ser intencional, deliberada, para atingirmos nossos objetivos e, por isso, o nosso desenho pedagógico também deveria intencionar o desenvolvimento da confiança.
O pressuposto institucional era a própria demanda do Comitê Gestor do APL de Birigui, que queria um “programa comportamental” e, com isso, parecia querer dizer algo como “mexer com o indivíduo, suas atitudes”, etc. Isso provavelmente significava que, no espectro volitivo–cognitivo, muitas das ações institucionais esbarravam na vontade política dos participantes – não era uma questão de saber fazer, mas de poder fazer e principalmente de querer fazer.
Já o pressuposto instrucional foi o de que “everything we do, every decision we make and course of action we take, is based on our consciously or unconsciously held beliefs, attitudes and values“ (SIMON & HOWE & KIRSCHENBAUM, 1972, p.13, in press). A proposta apresentada ao agente, o SEBRAE/SP, e ao Comitê Gestor procurou refletir esses pressupostos:
O subtítulo do programa acentuava a perspectiva ontológica15 como nuclear para o processo de cooperação - Programa Cooperar para Competir: o sucesso individual que fortalece o grupo.
O escopo, que chamamos de metáfora, (aumentar o bolo para que todos possam ter uma fatia maior) apontava para um apelo econômico, mas que sustentou conceitualmente o conteúdo da disciplina Negociação Integrativa, alicerçada na construção de interesses, também obviamente de caráter individual e axiológico. O objetivo e o público alvo tinham um caráter genérico: Ampliar a competência
estratégica de empresários de micro e pequenas empresas de Birigui, procurando
13 Axiologia: estudo ou teoria de alguma espécie de valor.
14 Este capítulo tem como escopo apresentar como foi construído o programa Cooperar para Competir
diante dos desafios, impasses, problemas e indagações que surgiram no seu decorrer. Por isso, será utilizada a forma pessoal, visto que se trata tanto de relato como de descrição de um movimento de reflexão.
o fortalecimento competitivo de toda a rede calçadista envolvida. Público alvo: 16 empresas do APL de Birigui a serem indicadas pelo Sinbi.
Na contextualização, estruturada no item Fundamentos da proposta, apresentamos o modelo conceitual que nos orientava para o atendimento da demanda dos clientes, merecendo destaque, em itálico abaixo, dois pressupostos que sinalizavam a estratégia pedagógica que iria permear praticamente todas as atividades em sala de aula:
“...compartilhamento e criação coletiva de idéias, de competências e de recursos etc., passa a se constituir no principal desafio para o obtenção do sucesso”, e “...a construção de modelos, estratégias e práticas consistentes decorre da interação contínua entre pensar, fazer, rever, repensar, reconstruir – é isto o que a cooperação vai estimular”. (BRANDÃO & SANCHES, 2006)
Na estratégia metodológica, descrita no item Estrutura do Programa Cooperar para Competir, a ênfase foi dada na interação intermediada por atividades, projetos, exercícios, estimulando mais do que o compartilhamento de conteúdos em si, mas aproximações individuais, relacionais, axiológicas.
Deve, também, ser dado destaque para a busca de alternância de perspectivas e ênfases, pois a presença de dois professores pressupunha um ganho que se pode ter quando se “combinam diferentes” – uma preocupação metapedagógica. Com isso, buscava-se uma alternância não só em termos programáticos (olhares distintos para um mesmo conteúdo), como também em termos de condução das atividades (mais ou menos formais, mais ou menos estruturadas). Como um dos elementos-chave no nosso processo pedagógico seria o compartilhamento de “lições aprendidas”, culminando a execução de qualquer atividade – estimulando a transferência de aprendizagens para as esferas pessoal, profissional, empresarial e do APL – a presença dos dois professores deveria assegurar olhares distintos, sob a forma de questionamentos distintos.
Por fim, é também importante registrar que essas alternâncias deveriam ocorrer simultaneamente - embora isso possa parecer contraditório em termos temporais -, indicando o caráter sistêmico do processo de aprendizagem na nossa perspectiva metodológica.
Diferentemente de algumas abordagens pedagógicas que alocam certo tempo (minutos ou horas) por dia ou por semana para atividades de clarificação de valores (SIMON & HOWE & KIRSCHENBAUM, 1972), o conteúdo do nosso programa, descrito no subitem Núcleos conceituais e práticos a serem abordados no programa, mais do que uma taxonomia clássica, privilegiou o processo de valuing, inter-relacionando continuamente os níveis de fatos, conceitos e valores, como explicitado abaixo:
Another approach to teaching values-clarification is to incorporate it into standard subject matter. Most subject matter can be taught on any or all of the following levels: the facts, the concepts and the values level. For example, in teaching the Thanksgiving story on the facts level, the teacher might ask what date the Pilgrims landed on Plymouth Rock. On the concepts level, the class would discuss freedom of religion and emigration, perhaps making comparisons with other historical or contemporary events. On the values level, the teacher might ask the class questions like, “Is there anything you value so strongly that
you would leave this town or country if it were taken away? If you had to cross the ocean, like the Pilgrims, could only take one suitcase full of belongings, what do you prize so much that you would put it in that suitcase? (SIMON & HOWE & KIRSCHENBAUM, 1972, p.21)
Assim, sinteticamente, buscou-se uma unidade básica – axiológica – que permeasse todo o desenvolvimento do programa. Em termos concretos, algo tão simples como o pressuposto formulado abaixo:
[…].often the most sophisticated use of value-clarification is to tie the values- clarification strategies in with subject matter and skill learning so as to advance both the search for knowledge and the search for values....They might then decide on a plan of action utilizing their new knowledge (after students identify their feelings and priorities about certain content issues)…Thus the students have engaged in the valuing processes of prizing, choosing and acting, and at the same time they have learned the subject matter of the course? (SIMON & HOWE & KIRSCHENBAUM, 1972, p.22)
5.2. Do institucional ao ontológico em sala de aula – um propósito específico de longo