A tendência recente de internacionalização das PME tem levado estas empresas a assumir um novo protagonismo nos mercados internacionais. Apesar deste recente protagonismo internacional, as PME têm tido uma importância muito grande nos mercados internos de muitos países.
Em todo o mundo, as actividades das PME ajudam a impulsionar a criação de emprego e o crescimento económico através da inovação e do aproveitamento dos recursos humanos e financeiros locais, tornando-se um grande determinante da competitividade local, o que influencia a performance económica a nível nacional (OECD, 2005).
Assim, e dada a sua importância torna-se essencial perceber no que consiste a categoria de PME. No entanto, não existe uma definição global uniforme para esta categoria de empresas que têm sido classificadas segundo diferentes critérios, sobretudo quantitativos, reflectindo as diferentes realidades que encontramos um pouco por todo o mundo. Por exemplo, países como os EUA e o Canadá consideram como PME todas as empresas com menos de 500 trabalhadores, enquanto o Japão opta por critérios de segmentação de acordo com o sector de actividade e número de trabalhadores.
No caso da União Europeia (UE), esta adoptou a sua própria definição de PME4:
A categoria das micro, pequenas e médias empresas é constituída por empresas que empregam menos de 250 pessoas e cujo volume de negócios não excede os 50 milhões de euros ou cujo balanço total anual não excede os 43 milhões de euros.
4 Artigo 2º, alínea 1, da Recomendação da Comissão Europeia relativa à definição de micro, pequenas e médias empresas (2003/361/CE), de 6 de Maio de 2003, in Jornal Oficial da União Europeia (L124/369). P-1.
67 Esta definição distingue assim, três categorias de PME: as micro, as pequenas e as empresas de média dimensão e, estabelece três critérios que permitem classificar uma empresa como uma PME: o critério do número de efectivos, o critério do volume de negócios ou do activo total líquido, e determina os respectivos limites máximos para esses critérios, como podemos observar no Quadro 6.
Parece-nos também importante analisar quais são as características das PME, visto que esta categoria de empresas difere substancialmente das grandes empresas, cujas características se encontram amplamente estudadas. Assim, tal como a sua classificação, também as características das PME não são fáceis de definir, em especial devido à grande diversidade de tipologias que podem assumir, sendo bastante heterogéneas entre si (Nicolescu, 2009).
Quadro 6. Categorias de PME na União Europeia (UE) Categoria da Empresa Número de Efectivos Volume de Negócios OU Activo Total Líquido
Média < 250 ≤ 50 milhões ≤ 43 milhões
Pequena < 50 ≤ 10 milhões ≤ 10 milhões
Micro < 10 ≤ 2 milhões ≤ 2 milhões
As PME tendem a caracterizar-se por estrutura mais pequena, mais orgânica e menos complexa que as estruturas das grandes empresas. Para além de terem uma estrutura, usualmente, pouco hierarquizada, existe no seio das PME um elevado grau de informalidade nas relações de trabalho (Ghobadian & Gallear, 1996).
Estas características tornam as PME mais flexíveis que as grandes empresas, sobretudo quando ocorrem mudanças no ambiente de negócio (Levy & Powell, 1998), o que se deve à pequena dimensão dos recursos e das operações em que as PME estão tradicionalmente envolvidas e à grande capacidade de percepção face ao exterior do dono/empresário/gestor e da sua equipa (Nicolescu, 2009) e da sua percepção face aos desafios que a globalização dos mercados pode colocar à empresa (Knight, 2000).
68 Desta forma, as PME têm uma maior probabilidade de sobrevivência em tempos conturbados onde a inovação e a flexibilidade de adaptação a novas situações são factores chave, do que as estruturas mais burocráticas e hierarquizadas. A capacidade de inovação e a capacidade de incorporação de tecnologia têm sido, nos últimos anos, das características mais proeminentes das PME (OECD, 2010), muito devido ao aumento da competição não só a nível nacional mas também a nível internacional pelo know-how como fonte de vantagem competitiva.
A estrutura, geralmente, pouco hierarquizada das PME permite-lhes, também, ter um ambiente de trabalho mais flexível onde há espaço para a criação de uma relação pessoal forte entre os trabalhadores e o dono/empresário/gestor (Ghobadian & Gellear, 1996). De facto, outra das características das PME relaciona-se com a grande influência que as singularidades pessoais, capacidade de gestão da equipa e espirito inovador do dono/empresário/gestor têm na criação e desenvolvimento da empresa (Dominguez, et al, 2010; Nicolescu, 2009).
Relacionada com a característica anterior está a capacidade de correr riscos das PME (Hollesen, 2001), o que pode acontecer em situações em que a sobrevivência da empresa pode estar ameaçada ou, onde uma empresa concorrente está a ameaçar as actividades desenvolvidas pela PME. Situações como esta podem levar o empresário ou a equipa de gestão a tomar decisões arriscadas como a da Internacionalização, que assume uma importância fundamental para a PME pois, tradicionalmente, estas empresas têm um foco mais doméstico virado para o seu mercado interno, uma esfera de acção geográfica mais limitada e dispõem de pouca ou nenhuma experiencia internacional, tendo dificuldades em aceder a financiamento e a informações acerca dos mercados (Lu e Beamish, 2002).
As PME desempenham um papel muito importante em praticamente todas as economias, representando cerca de 95 a 99% de todas as empresas do mundo, configurando-se como um instrumento fundamental para a criação de emprego e crescimento económico (OECD, 2005).
De acordo com dados da OECD (2005), as PME representam cerca de 95% do número total de empresas nos países desta organização. Sustentando esta ideia, a União Europeia classifica as PME como a “espinha dorsal” da sua economia visto que 99,8% das empresas existentes se inserem nessa categoria, sendo que destas, 92,1% são micro-empresas com menos de 10 trabalhadores (EC, 2011).
69 Um dos contributos fundamentais das PME é o facto de serem uma fonte importante de emprego, pois recorrem sobretudo aos recursos humanos disponíveis nos seus países de origem. Nos países que compõem a OECD (2005), as PME são responsáveis de cerca de 2/3 dos postos de trabalho existentes, ao mesmo tempo que são as principais geradoras de novos postos de trabalho. Contribuindo ainda para cerca de 50% de todo o valor acrescentado gerado pelas economias da OECD. Nos países que compõem a UE, as PME são responsáveis por cerca de 67% dos empregos existentes no sector privado assim como por cerca de 60% do valor acrescentado gerado no mesmo sector (EC, 2011).
Em muitos países, um forte sector de PME pode funcionar como um factor balanceador de forma a reduzir a capacidade das grandes empresas de controlarem o mercado e permite a criação de um ambiente de negócio mais competitivo, que facilita a entrada de novas empresas, o acesso a direitos de propriedade e fomenta o acesso ao financiamento (Ayyagari,
et al, 2007).
Usualmente, as PME são um sector heterogéneo de empresas que opera, principalmente, nos sectores da indústria e dos serviços, podendo ser inovadoras, dinâmicas e orientadas para o crescimento ou simplesmente manterem-se como um pequeno negócio familiar (Lukacs, 2005), sem interesse no crescimento ou na internacionalização das suas actividades.
Como temos vindo a constatar as PME desempenham um papel muito importante em praticamente todas as economias do mundo. Todavia, nos últimos anos, estas empresas têm ganho importância ao nível da sua actuação na economia global, visto estas empresas terem encetado uma tendência crescente para internacionalizarem as suas actividades (OECD, 2005).
Esta situação tem levado a um recente interesse dos académicos por este fenómeno e, também, por parte dos governos que têm procurado estabelecer políticas que estimulem a internacionalização das PME de forma a aumentar o crescimento económico, baixar o desemprego e potenciar a criação de mini-multinacionais no futuro (Ruzzier, et al, 2006).
Apesar das suas limitações e do considerável risco que correm ao enveredar pela internacionalização das suas actividades as PME têm apostado nesta estratégia por forma a
70 aproveitar as oportunidades que a economia global lhes apresenta, fazendo-o sobretudo através da exportação e/ou do IDE (Reynolds, 1997).
De acordo com dados da OECD (2004), 25% das PME dos países que compõem esta organização estão activas nos mercados internacionais, principalmente através da exportação. Outras formas mais sofisticadas de entrada nos mercados têm ganho relevo como é o caso das alianças, enquanto o IDE ainda é bastante residual.
Nos países que compõem a UE a situação não é muito diferente, 25% das PME estão activas nos mercados internacionais, das quais 24% são micro, 38% são pequenas e 53% são médias empresas, operando sobretudo nos sectores das minas, indústria transformadora e comércio grossista. Tal como nos países da OECD, a principal forma de internacionalização utilizada pelas PME das UE é a exportação, sendo que apenas 10% das empresas estão activas nos mercados internacionais através de outros modos de internacionalização e dessas, apenas 2% o fazem através do IDE, fundamentalmente nos sectores da investigação e transportes (EC, 2010).
De facto, nos últimos anos, as alterações estruturais que a economia internacional tem sofrido na forma de desmantelamento das barreiras ao comércio e a desregulamentação financeira têm feito aumentar a concorrência internacional, à qual as PME já não conseguem ser indiferentes. Estas alterações conjugadas com os avanços tecnológicos, que têm facilitado a comunicação entre diferentes partes do mundo e o acesso à informação favorecendo o aumentado da percepção face às oportunidades internacionais, têm levado ao aumento da internacionalização das PME.
Assim, a expansão das PME permite-lhe crescer e tornarem-se empresas mais competitivas, ao mesmo tempo que são uma fonte de fonte de dinamismo, inovação e flexibilidade nas economias industrializadas, mas também nas economias em desenvolvimento e nas economias emergentes (OECD, 2005).
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