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As relações entre os EUA e a RPC em 1980 estavam reguladas por dois comunicados conjuntos publicados respectivamente em 1972, aquando da deslocação do presidente Nixon a Pequim e

em 1979 aquando do estabelecimento de relações diplomáticas durante a presidência Carter54.

Posteriormente a este último comunicado o Congresso dos EUA passou o Taiwan Relations Act que estabelecia os compromissos que os EUA manteriam relativamente a Taiwan à sua defesa, documento que a República Popular da China nunca aceitou por considerar que era uma intromissão nos seus assuntos internos E uma das questões que se foi cristalizando como foco de tensões entre as duas partes foi a da venda de armas a Taiwan. Ainda antes do inicio oficial das negociações sobre o futuro das relações bilaterais EUA/República Popular da China, na sequência do estabelecimento em 1979 de relações diplomáticas EUA/China, o governo de Taiwan apresentara aos EUA um extenso pedido de fornecimento de mais de 10 tipos de armamento em que se incluía a autorização para, após a produção final dos 48 caças F 5E realizada nas instalações da NORTHROP em Taiwan, fosse possível produzir 50 exemplares de

53 Consolidação que passou a ser considerava como dependente da capacidade do Partido comunista ter êxito nas

políticas que gerassem prosperidade e contribuíssem para a unidade nacional.

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uma versão avançada do caça designada por F-5G; bem como a compra de caças de intercepção FX e mísseis navio-navio HARPOON e terra-ar da RAYTHEON. Esta lista de armamento, e em particular a dos caças F-5G, haveria de criar divisões no seio da Administração Carter, nomeadamente entre o Secretário de Estado Cyrus Vance e o Conselheiro Nacional de Segurança Zbigniew Brezinki, este último disposto a realizar as concessões necessárias a Pequim para consolidar uma parceria estratégica contra a URSS. Em Janeiro de 1980, já após a anulação do Tratado de Defesa Mútua EUA/Taiwan, a Administração Crater renovou o fornecimento de armas a Taiwan, não aprovando todos os pedidos já feitos, nomeadamente do caça FX, com receio de provocar uma crise nas relações com a República Popular que se oporia frontalmente a esse upgrading da força aérea de Taiwan.

Na impossibilidade de resolver as divisões surgidas no seio da Administração acerca de que tipo de caça fornecer no período seguinte a Taiwan resultou a decisão de transferir para a Administração seguinte essa decisão. Cumpre recordar que durante a campanha eleitoral Reagan tinha manifestado uma firme posição de defesa dos interesses de Taiwan, na linha aliás do que o

Taiwan Realtions Act consagrara. Ora nos primeiros dois anos da Administração Reagan surgiram divisões entre o Secretário de Estado Alxander Haig, também favorável a concessões à Republica Popular da China, e praticamente o resto do “núcleo chave” de Segurança da Administração, mais inclinado a responder positivamente aos pedidos de Taiwan. Em Outubro de 1981, à margem da Cimeira Norte - Sul em Cancun, e posteriormente com a visita do MNE chinês a Washington, a China fez saber que considerava necessário obter dos EUA um duplo compromisso: as vendas de armas a Taiwan ficariam limitadas a um intervalo de tempo a estipular; e durante este intervalo as vendas de armas se iriam reduzindo gradualmente até, eventualmente, cessarem. A Administração, agora pela voz de A.Haig, considerou que nestes termos um compromisso era inaceitável. Em Julho de 1982 os EUA deram oficialmente seis garantias a Taiwan, antes de concluírem o acordo formal com República Popular da China: a) não aceitar uma data para terminar as vendas de armas a Taiwan; b) não aceitar realizar consultas prévias com a República Popular da China ` no que respeita às vendas de armas a Taiwan; c) não desempnehar nenhum papel futuro de mediação entre Taipé e Pequim; d) não aceitar rever o

Taiwan Relations Act; e) não alterar a posição face à questão da soberania de Taiwan (ou seja que os EUA, continuando a considerar que Taiwan fazia parte da China, deixariam a questão da reunificação aos chinesas das duas partes, apenas estipulando que essa reunificação só se poderia dar por meios pacíficos f) não exercer pressão sobre Taiwan para entrar em negociações com a República Popular da China.

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Este conjunto de garantias estiveram na base da demissão de Alexander Haig, que entretanto propusera a Reagan a assinatura de um terceiro comunicado conjunto com a China a propósito das vendas de armas, comunicado que acabou por ser assinado em 17 de Agosto de 1982 e no qual os EUA a)declaravam que não tinham em mente levar a cabo uma politica de longo prazo de fornecimento de armas a Taiwan, b) que as vendas futuras de armas a Taiwan não excederiam, nem em termos quantitativos nem qualitativos, o nível de fornecimentos de armas realizados nos anos recentes desde o estabelecimento de relações diplomáticas com a Republica Popular da China c) que pretendiam diminuir gradualmente essas vendas de armas, levando após um período de tempo a uma resolução final. O Comunicado não só estabelecia limites aos fornecimentos futuros de armas a Taiwan, como abria a possibilidade de, num momento futuros por determinar, os EUA suspendessem totalmente essas vendas. Na prática restringia a venda dos modelos de caças avançados do tipo FX, por ultrapassarem o nível qualitativo dos fornecimentos realizados durante a Administração Carter, desde 1979.

A Administração Reagan acabara assim por chegar a um consenso em que, sem deixar de assumir responsabilidades na defesa de Taiwan (nomeadamente face a eventuais tentativas da RPC pretender resolver pela força a questão da reunificação) valorizava a colaboração da China na ofensiva contra a URSS que acabou por se concretizar explicitamente na formação de dois "eixos de colaboração": (i) Um "eixo" EUA//China/Paquistão/Arábia Saudita para apoio aos

mujaheddin que no Afeganistão combatiam as forças invasoras soviéticas; (ii) Um "eixo" EUA/China/Tailândia para apoio aos Khmers vermelhos que no Cambodja combatiam os invasores do Vietname, que contavam com o apoio da URSS. Foi no quadro desta convergência estratégica dos EUA e da República Popular da China que se realizaram as grandes transformações internas na economia e sociedade chinesas.