2. Field of topic
2.2 Development of performance in sports
Grosso modo, existem, na indústria da música no Brasil, dois tipos de editoras: aquelas que pertencem a artistas que decidem editar suas pró- prias obras, e aquelas vinculadas às grandes gravadoras. As gravadoras in- vestem pesadamente nas suas editoras, e costumam praticar a exigência de que seus artistas editem com eles mesmos. Essa combinação gravadora/ editora fortalece as empresas quando da negociação para o estabelecimen- to de contratos com os artistas:
Por exemplo, a Warner ou a Sony, seja quem for, se eu che- gar lá com uma música maravilhosa: “eu quero gravar”. “Ah, você vai gravar com a gente”. “Mas eu vou editar com editora tal”; “Ah, não vai não, você vai editar com a gente”. Aí existe a força deles, entendeu?! Hoje, minha editora é pequena no mercado por não ter uma gravadora.
(Funcionária de editora)
Um arranjador e pesquisador, reforçou a percepção de que, com a queda na venda de CDs e discos, as editoras passaram a ganhar mais es- paço dentro das grandes corporações da indústria fonográfica, ocupando
DA RÁDIO AO STREAMING:
o lugar que anteriormente pertencia às gravadoras. Segundo ele, as edito- ras vinculadas às gravadoras sempre existiram, com personalidade jurídi- ca distinta da empresa principal, mas eram relegadas ao segundo plano. Essa situação começou a ser transformada com a queda das vendagens e o aumento na arrecadação da execução pública. O conjunto dos direitos autorais tornou-se um ativo financeiramente mais valioso do que o fo- nograma. Alguns atores afirmam que as editoras reteriam entre 12,5% e 18,9% dos valores distribuídos pela execução pública, mas não existem dados oficiais atestando essa porcentagem.
Dada a configuração do mercado, editoras menores não têm por hábito aceitar autores que queiram apenas ter sua música editada, sem antes ter um plano de gravação em vista. O mero ato de edição acaba tornando-se sem valor, já que essas pequenas editoras não são capazes de encaminhar uma música para ser gravada por outro artista:
A gente só edita quem já tiver com uma gravação marca- da. Porque o que adianta editar com a gente? Não adianta nada. Vai tá editado, mas não vai ter quem grave. Eu não tenho mais força nesta editora pra dizer: “Vou dar essa música para Ivete Sangalo [gravar]”. Não tenho contato com ela, com a gravadora dela... Isso é o poder da grava- dora, não da editora. Uma pessoa nova, uma pessoa des- conhecida, nem é bom pra ela editar com a gente. Às ve- zes eles até vêm pedir, mas não vai ter vantagem. Melhor que ela consiga uma editora que tenha gravadora, que vai conseguir passar a música dela pra alguém.
(Funcionária de editora)
As editoras de pequeno porte não costumam celebrar contrato de exclu- sividade com os artistas, mas exigem exclusividade para com a música edi- tada. Logo, o artista pode editar músicas diferentes em editoras diferentes, mas não a mesma música em diversas editoras. Contudo, muitas editoras estabelecem contratos de exclusividade com artistas, especialmente quan- do têm contratos de gravação de fonogramas associados.
Por isso que eles não vão estar preocupados quando o ser- tanejo dá a música, dá o CD no show, ou quando eu falo:
ECAD, DIREITO AUTORAL E MÚSICA NO BRASIL
“Eu quero dar minha música na Internet”. Eles não estão preocupados. Por quê? Porque o que mais interessa a eles é o direito da execução pública, da TV, rádio, das apresen- tações ao vivo. Quero dizer, as editoras estão interessadas nas apresentações ao vivo. Até porque as gravadoras não ganham com shows ao vivo – execução pública de show ao vivo. O que ele ganha é para a editora. Mas a gravadora ga- nha muito dinheiro com a música que toca na TV e no rá- dio, porque são os chamados direitos conexos. Então, para tornar simples o que eu estou dizendo, é assim: as gravado- ras, para você ter uma ideia, em um dos depoimentos da minha pesquisa, um gerente da UBC que é um cara impor- tante dentro da UBC, que é uma das associações, me disse categoricamente que cerca de, no mínimo, 70% dos lucros das gravadoras eram provenientes da execução pública, da arrecadação de direito autoral da TV e rádio.
(Autor e produtor)
Contudo, um produtor discorda que as editoras terão o mesmo pa- pel na indústria da música que as gravadoras já tiveram. Ele alega que os compositores podem ter suas próprias editoras ou ainda administrarem suas obras como pessoas físicas em contratos individuais. Em sua opi- nião, as editoras precisarão oferecer novos serviços para cumprir os pa- péis que eram exercidos pelas gravadoras:
Elas não vão ter o poder. Elas precisariam agir muito rá- pido hoje para conseguir ter o poder que as gravadoras já tiveram. Porque elas vão ter que fazer um monte de serviços que não sejam só o de ir à associação registrar a musiquinha para o cara. Ninguém precisa de editora hoje objetivamente, vamos ser claros. A não ser que a editora traga alguma política de favorecimento desse ar- tista, coloque a música desse artista em um lugar impor- tante, venda a música desse artista. As editoras não têm um serviço, uma política específica de trabalho, de nome de artista e tal e tudo mais. Eu não acredito nisso [nas editoras como agentes centrais da indústria] porque,
DA RÁDIO AO STREAMING:
apesar delas serem muito fortes, uma hora isso vai cair. E uma hora ninguém vai precisar mais delas. Hoje nin- guém mais precisa delas. Pensa bem, os sertanejos que tiverem não precisam mais dela. Ninguém precisa delas, tanto é que aqueles que atacaram nisso um pouco mais, já têm a sua própria editora. O Gil, o Fábio, o Chico, eles já têm a sua própria editora. Acho que é isso.
(Autor e produtor)