3.6 Student Questionnaires
3.6.3 Designing the questionnaire
A Bielorrússia é sem dúvida, de entre todos os membros da CEI, aquele que é politicamente mais próximo de Moscovo, o que em muito se deve ao facto de Aleksandr Lukashenko, eleito presidente em 1994, continuar no poder. Apesar da queda da URSS, a vitória de Lukashenko permitiu que um regime autoritário continuasse vigente e que a relação com a Rússia continuasse tão próxima como nos tempos soviéticos. Em 1996, os dois países ratificaram um Tratado sobre a Formação da Comunidade Bielorrússia- Rússia. Em 1999, assinaram o Tratado de União, tendo ficado estabelecida uma União que previa a integração política, económica e militar. Contudo, isto não levou à integração entre os dois estados, ou à criação de um estado federal, tendo a Rússia assumido um curso mais pragmático em relação à Bielorrússia. As relações entre os dois países passam, essencialmente, pelo nível militar e económico, tendo o primeiro mais sucesso que o segundo, que se encontra concentrado na relação energética. Tal como acontece com os restantes países da CEI, a dependência face aos recursos energéticos russos permite que Moscovo tire proveito desta situação de vulnerabilidade sempre que as acções destes países sejam contrárias aos interesses russos, seja por via do aumento dos preços ou até pelo corte dos abastecimentos. Apesar da sua dependência face à Rússia, a Bielorrússia não se encontra isolada, devido ao seu posicionamento geográfico, procurando uma aproximação a ocidente sempre que as relações com Moscovo não cumpram as metas estabelecidas.
As relações entre os dois países entraram em declínio em 2004147, quando a Grazprom cortou o fornecimento de gás à Bielorrússia numa tentativa de pressionar Lukashenko a vender a Beltransgaz, responsável pelo trânsito de gás no país, à Rússia
147 “Since then, Russo-Belarusian relations have been going from bad to worse, with the result being
Belarus’s moving farther away from Russia, from which it had been initially almost indistinguishable.” (TRENIN 2011a:46).
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(SHAPOVALOVA e ZAREMBO 2010:2)148. Disputas de gás entre os dois países tiveram também lugar em 2006 (Grazprom adquire 50% da Beltransgaz), 2008 e 2010, estando relacionadas com tentativas russas de adquirir poder nas indústrias de gás e petróleo bielorrussos. Entre 2008 e 2009, as relações atingiram um ponto de maior tensão quando a Bielorrússia se recusou a reconhecer a independência da Abcásia e a Ossétia do Sul, levando a Federação Russa a banir os laticínios bielorrussos do seu mercado. Nesse momento, a Bielorrússia optou por uma aproximação à UE, pela participação na Parceria Ocidental. Ao mesmo tempo ignorou a Cimeira da OTSC, ameaçou cobrar pela presença de bases militares russas no território bielorrusso, e recusou-se a participar na União Aduaneira, com a Rússia e o Cazaquistão. Por sua vez, a Rússia decidiu adoptar medidas contra o regime de Lukashenko149. “Porém, a situação alterou-se após uma reunião, a 9 de dezembro de 2010, entre Dmitri Medvedev e o presidente bielorrusso, em que ambos anunciaram a abolição de taxas aduaneiras pelo petróleo importado por Minsk e a garantia de não haver um aumento dos preços do gás em 2011. Em troca, Lukashenko acordou integrar o Espaço Económico Comum com a Rússia, que entraria em vigor em janeiro de 2012.” (DIAS 2014:72). A resolução deste conflito de interesses políticos, entre a Rússia e a Bielorrússia, foi feito através de compromissos de ordem energética, como tem vindo a ser característico de Moscovo.
Para a Bielorrússia, a Rússia é um importante parceiro político, económico e militar, contudo existem receios quanto ao nível de interferência que Moscovo tem e poderá ter sobre a Bielorrússia, internamente assim como a nível internacional (na cooperação bilateral com Estados Ocidentais, com a NATO e UE). Neste sentido, tem sido política bielorrussa cooperar tanto com a Rússia como com o Ocidente, de modo a inverter o isolamento internacional criado desde o fim da URSS e a dependência das relações com a Federação Russa.
148 Para além desta questão, colocou-se também a questão sobre o preço cobrado pela Rússia à
Bielorrússia pelo fornecimento de gás. “A questão acabou por ser resolvida com a concessão de um empréstimo russo à Bielorrússia para pagamento do diferencial relativo ao aumento de custos, o que veio reforçar ainda mais as ligações de dependência face a Moscovo. Não tendo sido um incidente único, este tipo de acções e a manutenção do estado da União num registo assimétrico claramente favorável à Rússia foram mantidos nos mandatos de Putin como forma de controlo sobre a pequena república (…).” (FREIRE 2011a:79).
149 “In addition, the civil campaign ‘Tell the Truth’, which began in Belarus on 25 February 2010 and
aims to inform the public about political oppression in the country, is said to be at least partially financed by Russia. In September, the Russian media campaign against Lukashenka in Belarus moved up a gear: films were aired showing human rights abuses and journalists and opposition leaders murdered by the Belarusian regime. As a result, hundreds of protesters took to the streets, demanding an investigation of the alleged presidential involvement in the political disappearances.” (SHAPOVALOVA e ZAREMBO 2010:2-3).
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Relativamente a Moscovo, a Bielorrússia continua a ser um importante parceiro a nível económico e militar. A nível político é dos países da CEI Ocidental que mais proximidade tem de Moscovo, sendo a manutenção desta relação vital para a Rússia devido ao peso geoestratégico da Bielorrússia. Num primeiro plano, actua como barreira geográfica entre a Rússia e a Europa, por outro lado permite o acesso ao enclave de Kaliningrado150. Nas palavras do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Federação Russa Sergei Lavrov, “Absolutely, Belarus is our closest ally. It is also our long-time partner and the most important that it is a country which we have fraternal relations among nations.” (LAVROV 2012a).
A nível comunitário a Bielorrússia participa na área de livre comércio da CEI, na Comunidade Económica Euroasiática, no Espaço Económico Comum e na Organização do Tratado de Segurança Colectiva.