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3. THE DECLINE OF NEUTRALITY

3.2 B RITAIN AND N ORWAY DURING THE W INTER W AR

3.2.1 The Deptford Affair

Além das deficiências apontadas a nível organizativo e de respeito pela hierarquia institu

um levantamento geológico que conduzisse à elabo

nstrou preocupação em expor regularmente o andamento do serviço desempenhado pela Comissão, não havendo conhecimento de relatórios periódicos a não ser quando foi expressamente obrigado pelo governo a proceder à sua elaboração. O maior volume de correspondência com o governo sobre o serviço realizado pela Comissão aconteceu apenas quando o seu trabalho foi posto em causa pela Academia das Ciências, na altura em que foi aprovado o projecto de Costa.

Com base nestas cons

ura organizativa inicial, a Academia das Ciências não chegou a funcionar como “centro de cálculo” dos trabalhos geológicos além de ficar, a par do governo, impossibilitada de exercer um papel activo e efectivo através da orientação, fiscalização e controlo dos trabalhos que Bonnet ia dirigindo. Esta circunstância aumentaria o risco de descoordenação e dificultaria a articulação dos objectivos delineados pelos organismos tutelares, impedindo- os de retirar qualquer proveito pelo facto de se manter em funcionamento uma instituição como a Comissão Geológica e Mineralógica.

O

cional, outras circunstâncias terão contribuído para o insucesso quase total dos objectivos inicialmente delineados para Comissão Geológica e Mineralógica presidida por Bonnet. Uma delas está ligada ao facto do governo cabralista, instigado pela Academia das Ciências, pretender que Comissão criada em 1849 realizasse uma tarefa hercúlea. Na verdade, os objectivos da Comissão liderada por Bonnet tinham um âmbito excessivamente alargado para serem coerentes com o título que a denominava, devendo por isso ser tomados em consideração outros factores.

Em primeiro lugar, para ser realizado

ração da respectiva carta era necessário existir um bom suporte topográfico da região. Porém, é sabido que a primeira carta geográfica de Portugal continental surge apenas em 1865. Até então existiam graves lacunas no que respeitava ao levantamento geográfico e

topográfico, porque os serviços responsáveis por este trabalho tinham estado praticamente

parados durante 37 anos.8 Assim sendo, tendo em conta o estado da cartografia em

Portugal no momento em que Bonnet assume a presidência da Comissão Geológica e Mineralógica, é natural que se entendesse a necessidade de recolha de informação topográfica e geográfica a par do reconhecimento geológico, situação que iria obviamente condicionar o trabalho efectuado.

Em segundo lugar, os membros da Academia pretenderam certamente beneficiar do facto

tendia realiz

de se tratar da primeira exploração em larga escala efectuada no país, considerando da maior utilidade efectuar a recolha de dados diversos, apesar do objectivo principal da Comissão ser o estudo geológico de Portugal continental. A Comissão liderada por Bonnet teria, deste modo, funções semelhantes às dos “state geologists”9 encarregados de executar

o levantamento nos diversos Estados que compunham a América do Norte, mas largamente limitada a nível de meios humanos face à sua congénere americana. Porque nos Estados Unidos da América também não existiam cartas topográficas previamente publicadas, uma equipa composta por diversos geólogos deveria elaborar ou completar as cartas geográficas existentes, medir alturas, determinar a composição do solo, entre outras tarefas, ou seja, efectuar um levantamento rápido mas o mais completo possível de cada Estado. Recorde- se que a missão das equipas nomeadas para tal levantamento, compostas não só de geólogos, mas também de zoólogos e biólogos, estendia-se ao exame agrícola e avaliação da terra inculta, da flora e da fauna do país, à localização de pedreiras, minas, etc., resultando as cartas geológicas de uma investigação enciclopédica de cada Estado.10

Em Portugal, o governo de então apoiado pela Academia das Ciências pre ar uma tarefa complexa, num âmbito comparável ao realizado nos Estados americanos mas dispondo de pessoal insignificante em número, além de lhe ser exigido competência em especialidades muito diferentes. Em meados do século XIX todos estes domínios estavam já num elevado grau de especialização, da qual parecia não haver consciência em Portugal, designadamente por parte dos responsáveis por este projecto. De facto, parte do trabalho pedido a Bonnet viria mais tarde a ser efectuado, com as dificuldades conhecidas, pela Comissão Geodésica, pela Comissão Geológica, pela Repartição de Minas e pela Repartição de Estatística. Neste âmbito, não se pode partilhar da opinião de Carríngton da

8 Folque refere que os trabalhos geodésicos sofreram interrupções entre os anos de 1803 a 1835 e entre 1838 a 1843. Filipe Folque, Varias reflexões a um artigo do Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Marino Miguel

Franzini, sobre os Trabalhos Geodesicos e Topographicos do Reino, Lisboa, Imprensa Nacional, 1850, p. 10.

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Beaumont designa estes funcionários por ”geologists to the state”. Elie de Beaumont, Leçons de Géologie

Pratique, professées au collège de France, pendant l’année scolaire 1843-1844, vol 1, Paris, P. Bertrand Éditeur,

1845, p. 50. Ver também o primeiro capítulo de Michele L.Aldrich, New York State Natural History Survey, 1836-

1842. A Chapter in the History of American Science, Paleontological Research Institution, New York, 2000.

Costa quando louva a acção e clarividência dos membros da Academia na sua contribuição para a Comissão presidida por Bonnet.11

Finalmente, a par da posição do governo e da Academia também não se compreende porque é que Bonnet se comprometeu a realizar uma tarefa tão complexa com meios

humanos tão restritos em apenas quatro anos.12 O tempo limite estimado era

manifestamente curto para concluir o trabalho que lhe fora atribuído, sobretudo depois de ter presenciado no terreno as condições que teria de enfrentar. Além disso, estaria certamente consciente que a concretização de um estudo geológico com um único indivíduo seria uma tarefa praticamente impossível por depender de conhecimentos específicos em diversos ramos científicos, designadamente na área da paleontologia, tendo estes de ser, inúmeras vezes, requisitados a especialistas.