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2. BRITAIN AND NORWAY FROM THE EVE TO THE OUTBREAK OF THE SECOND WORLD WAR

2.3 C HURCHILL AND THE INTERVENTIONISTS

A estrutura da Comissão, tal como foi instituída, pretendia enquadrar-se num modelo que pressupunha o “centro de cálculo”1 sediado na Academia das Ciências de Lisboa, para

onde deveria ser mobilizado todo o tipo de recursos essenciais ao estudo da geologia do

país a fim de se poder dar início a um “ciclo de acumulação”.2 Porém, para este modelo

funcionar convenientemente, seria imprescindível que a corrente de informação fluísse livremente entre os organismos responsáveis pelo planeamento do levantamento geológico, de modo a acautelar qualquer obstáculo na sua coordenação e possibilitar a simplificação na consulta dos dados acumulados.

Na estrutura delineada para a Comissão Geológica e Mineralógica estava ainda

subentendida uma “aliança”3 entre esta instituição, o governo e a Academia Real das

Ciências de Lisboa. Neste sistema cabia à Academia desempenhar o papel de intermediário entre o Ministério do Reino e o presidente da Comissão, além de ter a incumbência de enviar as instruções necessárias para a execução do levantamento geológico. Ao Ministério do Reino competia a tutela de toda a organização, sem restringir a sua administração unicamente ao financiamento da Comissão Geológica e Mineralógica, podendo também

exercer a sua autoridade para sancionar quaisquer instruções elaboradas pela Academia.4

Uma estrutura desta natureza, admitia assim que o controlo da forma e objectivos, e da avaliação do trabalho da Comissão chefiada por Bonnet, fosse da responsabilidade conjunta do Ministério do Reino e da Academia das Ciências. Neste âmbito, a resistência da

“ligação”5 entre os organismos envolvidos era um princípio essencial para garantir o

sucesso da instituição responsável pelo levantamento geológico.

1

Bruno Latour, Science in Action. How to follow scientists and engineers through society, 8ª edição, Cambridge, 1999, Harvard University Press, p. 232.

2

Bruno Latour, op. cit. (1), p. 220. 3

Bruno Latour, “Joliot: a história e a física misturadas”, in Michel Serres (dir.), Elementos para uma história das

ciências, (edição portuguesa), vol. 3, Lisboa, Terramar, 1996, pp. 131-155 (149).

4

Artigo 2º do decreto de 2 de Maio de 1849, cópia do decreto assinado pelo Duque de Saldanha de 2 de Maio de 1849, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Ministério do Reino, 3ª Direcção, 2ª Repartição, Proc. 392, Liv. 11, folhs. 3390, 1852.

Deve ainda salientar-se o facto do “centro de cálculo” se encontrar instalado apenas na Academia e, por conseguinte, deslocado da estrutura do Estado, impedindo por isso a este último o exercício de um controlo directo sobre a informação que aí fosse sendo sucessivamente acumulada. Esta circunstância reflecte, de certo modo, a forma como foi instituída a Comissão, ou seja, o facto da sua criação não ter surgido de um objectivo delineado pelo poder vigente como essencial para a configuração da sua política. Na verdade, não estava aparentemente prevista a criação de um organismo desta natureza, tendo somente o executivo considerado importante a sua constituição depois de Bonnet se ter oferecido para iniciar o projecto de levantamento geológico do país e da Academia das Ciências ter dado o seu aval.

Por outro lado, a naturalidade com que Bonnet é aceite pelo executivo deixa transparecer, de certo modo, a solidez das suas relações pessoais na esfera política. Na verdade, Franzini, Conselheiro de Estado, ex-Ministro e amigo pessoal do Duque de Saldanha, terá auxiliado a catapultar o engenheiro francês para os meandros da cena política, facilitando-lhe contactos no parlamento e no governo. É disso testemunho a dedicatória que Bonnet faz na sua memória sobre o Algarve ao Conde de Tomar que, em 1849, era Presidente do Conselho de Ministros e Ministro da Guerra.6

No entanto, é fundamental referir que a estrutura real da Comissão presidida por Bonnet nunca seguiu com rigor o projecto que fora inicialmente delineado no decreto da sua criação. De facto, somente numa fase muito inicial da sua vida é que a Comissão Geológica e Mineralógica esteve inserida no modelo previamente delineado tendo-se limitado, no restante período da sua existência, a estabelecer ligações institucionais ténues com os organismos que a tutelavam. Com a Academia das Ciências a relação nunca foi expressiva, notando-se mesmo um enfraquecimento significativo do elo inicialmente montado sobretudo a partir de 1850, até à ruptura oficialmente efectivada a partir de 1852. O vínculo ao Ministério do Reino apesar de muito frágil, foi naturalmente mantido pois era aquele órgão que, em última análise, decidiria o seu destino. Mesmo depois da criação do MOPCI e da passagem da Comissão para a tutela deste ministério, Bonnet numa atitude algo incompreensível a menos que desconhecesse a nova legislação, ainda tentou conservar esta ligação ao Ministério do Reino.

Neste sentido, o esquema estrutural mais adequado para representar verdadeiramente a Comissão Geológica presidida por Bonnet, de modo a traduzir o seu real funcionamento, seria o representado na figura 4.1.7 Note-se que a construção de um modelo bidimensional

6

Veja-se a dedicatória de Bonnet ao Conde de Tomar, no seu livro, que se encontra na secção de Reservados da Biblioteca do IGM. Charles Bonnet, Algarve. Description géographique et géologique de cette province, Lisboa, Typographia da Academia Real das Sciencias, 1850.

7

Note-se que a representação das setas a tracejado, pretende simbolizar a relação ténue estabelecida entre a Comissão presidida por Bonnet e as restantes instituições.

para reflectir o que se passou na prática, ao invés de um modelo tridimensional baseado no modelo descrito na introdução, revela a ineficácia dos organismos responsáveis pela Comissão no exercício do seu controlo. O novo diagrama bidimensional salienta simplesmente as ligações entre os diversos “actores” sem realçar a sua importância na rede estrutural, por ser deficiente a prestação efectiva das partes para um mesmo objectivo.

definição de objectivos recombinação das inscrições para fins variados

Figura 4.1. Estrutura da Comissão Geológica e Mineralógica, a partir de 1850. Comissão Geológica e Mineralógica Ministério do Reino Ministério das Obras Públicas Academia das Ciências

O enfraquecimento das ligações em toda a orgânica inicialmente montada, estava também bem patente nas relações institucionais entre os diversos organismos. Na verdade, Bonnet correspondia-se directamente com o governo ignorando o papel da Academia das Ciências na supervisão dos trabalhos da Comissão Geológica e Mineralógica. Por outro lado, a Academia nunca teve um controlo efectivo sobre a actividade da Comissão Geológica já que Bonnet nunca chegou a cumprir o que fora estipulado no decreto da sua criação. Nunca chega a enviar àquela instituição relatórios pormenorizados sobre os trabalhos realizados, factor essencial que teria permitido à Academia manter-se a par do plano de levantamento executado, nem depositaria naquela instituição os materiais coligidos nas digressões que efectuou.

Toda esta situação conduziria à inevitável ruptura nas relações entre Bonnet e a Academia das Ciências, e levaria esta última a tornar-se completamente intransigente perante o Ministério do Reino face ao engenheiro francês, chegando mesmo a aprovar um novo projecto, proposto por Pereira da Costa, para o levantamento geológico de Portugal

continental. Apesar de ser compreensível a posição inflexível da Academia, a aprovação do novo projecto de levantamento pusera totalmente em causa a qualidade do trabalho de Bonnet de um modo pouco ético. Teria sido mais elegante se os membros da Academia tivessem proposto ao executivo a abertura de um inquérito, para apurar o desempenho de Bonnet e as razões do sucessivo incumprimento das suas obrigações.

Perante o Ministério do Reino, ou mesmo sob a tutela do MOPCI, Bonnet também não demo

iderações pode afirmar-se que, nos moldes gizados na estrut