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Os trabalhos da Comissão Geológica iriam, por opção dos seus membros, iniciar-se pelas formações marinhas mais modernas por serem essas que se prestariam mais

facilmente à apresentação de trabalhos em nome da CGR.12 Talvez este objectivo se

prendesse com o facto da direcção da CGR se sentir coagida a apresentar resultados com a maior brevidade, devido à experiência negativa que o governo português tivera com a Comissão presidida por Bonnet. Principiou, assim, a sua actividade de campo pelo estudo das formações marinhas do Terciário na margem esquerda do rio Tejo, participando nesta

viagem todos os elementos que a compunham.13 Além do reconhecimento, deveria

igualmente ser determinada a cronologia das formações do Terciário sobre as quais

assentava a bacia de Lisboa bem como os seus limites geográficos.14 Para efectuar esta

investigação os membros da Comissão condicionaram a sua digressão a locais que, na sua opinião, ofereciam melhores condições de estudo.15 Procuraram então realizar observações

em secções naturais do solo escolhendo, para tal, as escarpas de Cacilhas à Trafaria, de Palmela a Azeitão e à Serra da Fagulha, e a linha de costa da Trafaria à Lagoa de Albufeira e ao Cabo Espichel. A digressão ocupou todo o mês de Outubro e parte do mês de Dezembro.16

Em Outubro de 1857 o trabalho de campo iniciou-se na península de Setúbal por se tratar de uma das zonas do território de Portugal continental menos estudada por Ribeiro.17

Filipe Folque era progressivamente informado do andamento dos trabalhos no primeiro mês de explorações e sobre a evolução nas pesquisas efectuadas, nomeadamente face aos resultados anteriormente obtidos pelo geólogo britânico Daniel Sharpe:18

Obras Públicas, o Dr. Isidoro Emilio Baptista”, Boletim do Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria, 2 (1857), 148-167 (155).

11 Op. cit. (3). 12

Carta de Carlos Ribeiro, dirigida a Carlos Bento da Silva, s/d, AHIGM, Armário, 1, Prateleira 2, Maço 9, Pasta 2.

13 Ibid.

14 Apontamentos de Carlos Ribeiro para a história da Comissão Geológica, AHIGM, Documentação não tratada, Pasta Sousa Brandão.

15

Op. cit. (12). 16

Op. cit. (1), p. 3. 17

Nery Delgado, “Elogio historico do General Carlos Ribeiro”, Revista de Obras Publicas e Minas, 36 (1905), 1- 51 (19).

18

Ofício de Pereira da Costa dirigido a Filipe Folque, 24 de Outubro de 1857, AHIGP, Pasta 1, “Officios recebidos de diversas autoridades (1848-1868)”.

Na nossa digressão temos obtido mais detalhes do que Sharpe appresentou (...), e temos corrigido algumas inexactidões de observações sobre delimitação de formações, a classificação dellas; cremos que temos aproveitado o tempo aqui gasto, e que não nos temos descuidado. (...).Todos os membros da Comissão se conservão em vigoroso estado de saude, como convem, para continuar o assiduo trabalho que lhes foi confiado.

A partir deste pequeno relato, pode constatar-se que existia uma preocupação evidente na preparação prévia do trabalho de campo. Sendo a região em exploração desconhecida de Ribeiro, houve necessidade de recorrer às memórias que já tinham sido redigidas as quais, apesar de incompletas, facilitavam o trabalho em mãos. Este mesmo ofício dirigido à DGTGCHGR permite ainda saber que os membros da Comissão, na primeira digressão que efectuaram, não se deslocaram em simultâneo para o local onde iriam decorrer as explorações. Em nome da CGR Pereira da Costa comunicou a Filipe

Folque que Ribeiro só se reunira aos restantes membros a 22de Outubro de 1857, data em

que passaram a examinar em conjunto alguns dos pontos já analisados mas que ainda

necessitavam de um exame mais aprofundado.19 Costa não oferece qualquer

esclarecimento acerca dos motivos da ausência de Ribeiro, designadamente se este estivera a tratar de assuntos extrínsecos à Comissão ou se andara sozinho em

explorações.20 Do que se pôde apurar, Ribeiro teria andado ocupado no Alentejo a

inspeccionar minas da região,21 certamente devido ao cargo que ocupava na secção de

minas do MOPCI. Através de um dos seus cadernos de campo pode ainda dizer-se que, a par da visita às diversas minas na região alentejana, aproveitou também para examinar as formações geológicas que, na altura, eram o objecto principal do estudo da Comissão.22

Da correspondência com a DGTGCHGR pode igualmente verificar-se que o itinerário traçado pela Comissão para a digressão no campo não era inflexível. Por exemplo, Costa comunicou a Folque que a partir de 28 de Outubro iriam regressar a Palmela partindo daí para Alcácer, região onde se deveriam demorar cerca de quatro dias. No entanto, esta

deslocação não se chega a realizar23 levando a crer que houve alteração no roteiro

inicialmente delineado. Será pois de admitir que o plano traçado para as digressões de campo apresentava alguma flexibilidade para que os executantes, se assim o entendessem, efectuassem alterações mediante as necessidades do próprio trabalho.

No final dos primeiros meses de actividade da Comissão Geológica existiam já alguns dados concretos sobre a geologia das regiões visitadas. No relatório elaborado expressamente para informar o governo sobre o trabalho desempenhado, a Comissão

19 Ibid. 20

As ajudas de custo do mês de Outubro referem o pagamento de 28 dias a Carlos Ribeiro, mas não especificam qual o trabalho executado. Veja-se as ajudas de custo de Carlos Ribeiro, pagas nos anos de 1857, AHIGM, “Relatorios das despezas de trabalhos”, Armário 3, Prateleira 2, Maço 32, Pasta 1.

21

Relatório de Carlos Ribeiro, 9 de Novembro de 1867, AHIGP, Pasta “Relatorios”.

22 Cadernos de Campo de Carlos Ribeiro, 4 de Outubro de 1857, AHIGM, Armário 10, Prateleira 1. 23

No itinerário dos trabalhos de campo da Comissão para o ano de 1857, pôde verificar-se que a digressão se cingiu às regiões compreendidas entre Cacilhas e Setúbal. Op. cit. (14).

referia que “pelo exame aos deslocamentos produzidos” nas camadas do Terciário entre Palmela, Azeitão, Serra da Fagulha, e Setúbal, e a sua posição em relação aos maciços calcários e de grés do Jurássico que formam as serras do Viso, dos Barris, e de S. Luís, entre outras, foi reconhecido que a maior parte dos maciços entre Setúbal e o Cabo Espichel eram posteriores à deposição das camadas marinhas do Terciário. Era também avançada a possibilidade dos depósitos arenosos que formam as charnecas do Alentejo

serem mais modernos que as camadas de Almada e da Trafaria.24 A Comissão relatava

ainda que ao percorrer a localidade do Alto do Viso (Setúbal), por Calhariz, Arrábida, Sesimbra e Cabo Espichel, encontrou formações pertencentes ao Jurássico médio e superior mas alertava para o facto de existirem algumas formações invertidas em certas zonas da Serra da Arrábida, situação que foi atribuída à sobreposição de terrenos mais

antigos sobre os mais modernos.25 Por outro lado, através de um corte geológico

correspondente à parte superior do Jurássico efectuado em Sesimbra, a Comissão coligiu dados que permitiram a correlação entre as formações que constituem os maciços do Viso, Arrábida e Cabo Espichel com aquelas que formam os de Montejunto, Rio Maior, Porto de Mós, Buarcos e ainda outras que existem na Estremadura e na Beira.26

Este primeiro relatório elaborado pela Comissão demonstra muito bem que Ribeiro possuía já uma visão de conjunto da geologia do país, pois foram integrados dados geológicos de diferentes regiões do território de Portugal continental. Sobre as localidades exploradas Ribeiro redigiu um total de 138 páginas nas quais foi efectuada a respectiva

descrição geológica.27 A Comissão coligiu também nesta primeira campanha mais de 10000

exemplares, os quais representavam 130 géneros e mais de 600 espécies de cetáceos, peixes, crustáceos, moluscos, polipeiros, entre outras.28

Nos documentos consultados relativos à primeira expedição, a Comissão não faz qualquer referência ao uso de guias ou de alguém especialmente contratado para auxiliar na recolha e acondicionamento dos exemplares coligidos. No entanto, num dos livros de despesas da DGTGCHGR, particularmente na secção dos trabalhos geológicos, encontra-

se um item correspondente ao dispendido com trabalhadores ao serviço da Comissão,29

sendo de admitir que houve contratação de guias ou assistentes para colaborarem nos trabalhos deste primeiro levantamento geológico.

Apesar de não se poder provar a contratação de colectores em 1857, tudo leva a crer que estaria previsto o emprego destes funcionários em futuras digressões pois nesta altura foi também elaborado um regulamento especial destinado a quem viesse a exercer funções

24 Op. cit. (1), p. 5. 25 Op. cit. (12). 26 Op. cit. (1), pp. 4-5. 27 Op. cit. (14). Op. cit. (21). 28

Op. cit. (1), p. 3.

ao serviço da Comissão. O regulamento a que se refere impunha diversas normas, entre as quais a obrigatoriedade dos colectores viajarem munidos das guias respectivas e de documentos que comprovassem a regularização da sua situação militar.30 Isto leva a crer

que os colectores seriam, em princípio, seleccionados entre os que serviam, ou serviram, na carreira militar. O regulamento exigia ainda que, chegado a qualquer localidade, o colector deveria apresentar-se às respectivas autoridades com a sua guia, informar sobre o serviço a

executar e o tempo provável da sua demora.31 Durante o tempo que permanecessem em

digressão os colectores eram ainda obrigados a redigir um diário de serviço de acordo com o modelo fornecido pela direcção da Comissão, no qual deveriam dar conta das tarefas realizadas e os motivos das suas eventuais interrupções. A par deste diário,os colectores estavam ainda obrigados à redacção de um caderno onde fossem explicitados os cortes que estavam a ser realizados.32 Os vencimentos destes funcionários deveriam ser estipulados

pela Comissão Geológica, podendo os mesmos ser acrescidos de uma gratificação extraordinária consoante o zelo demonstrado no desempenho do serviço.33

Neste primeiro regulamento não se nota ainda a preocupação em especificar detalhadamente o trabalho a ser efectuado por cada colector. Esta circunstância não é certamente de estranhar pois não existiam em Portugal indivíduos qualificados para tais trabalhos, tendo os candidatos a colectores de se sujeitar primeiro a um período de instrução na Comissão até poderem alcançar alguma autonomia. Assim, na fase inicial dos trabalhos da Comissão, o serviço destes auxiliares limitava-se à recolha de fósseis nos locais que lhes tinham sido previamente indicados por não possuírem ainda capacidade para efectuar o traçado de contactos entre as diversas unidades geológicas.

A partir de 20 de Dezembro de 1857, os membros da Comissão Geológica envolvidos no trabalho de campo regressaram a Lisboa. Nos meses que se seguiram iniciaram a classificação dos fósseis da bacia terciária do Tejo, servindo-se para tal dos livros existentes na Academia Real das Ciências e na Escola Politécnica de Lisboa. Do estudo então efectuado concluíram que a distribuição geral dos “seres orgânicos” observada nas diferentes formações do Terciário da bacia do Tejo, conjuntamente com as suas características litológicas, permitira reduzir essas formações a um total de quatro.34 Este

estudo permitiu também à Comissão reconhecer a escassez de meios de estudo à sua disposição chegando mesmo a lamentar-se que, no final de dois meses de trabalho constante, apenas se tivesse conseguido garantir a classificação de um pequeno número de espécies. Com efeito, os livros especializados eram raros, as colecções tipo inexistentes, e

30

Artigo 1, do Regulamento que deve ser observado pelos collectores quando estejam em serviço fóra de

Lisboa, 8 de Agosto de 1857, AHIGM, Armário 17, Prateleira 1, Pasta “Congresso Geologico Internacional”, p. 1.

31

Artigo 2, op. cit. (30), p. 2. 32 Artigo 6, 8, op. cit. (30), pp. 4-5. 33

Artigo 11, op. cit. (30), pp. 6-7.

o contacto com paleontólogos experientes quase nulo, o que dificultava a realização de um

trabalho profícuo.35 Apesar das contrariedades apontadas, foi possível esboçar as

formações do Terciário da península de Setúbal no mapa corográfico de José Maria das Neves Costa36 (1774-1841) fornecido pela secção geodésica.37 A tabela 5.1 faz uma breve

síntese do trabalho efectuado pela Comissão Geológica desde a sua constituição ao final do ano de 1857.

Ano 1857

Período

Trabalho de campo

Trabalho de

gabinete

Observações

OUTU BR O Digressão à região de Setúbal e arredores. NOV EMBR O Continuação da digressão à região visitada no mês anterior e zona de Almada

e arredores. DEZE MBR O Digressão à Costa da Caparica, Almada e arredores.

Classificação dos fósseis da bacia terciária do Tejo (a partir de 20 de Dezembro).

Recolha de um número superior a 10000 exemplares

representando 130 géneros, e mais de 600 espécies de cetáceos, peixes, crustáceos,

polipeiros, etc. Esboço das formações do

Terciário da península de Setúbal no mapa corográfico

de Neves Costa. Ribeiro redige 138 páginas,

com a descrição geológica das regiões visitadas.

Tabela 5.1. Breve resumo da actividade da Comissão Geológica para o ano de 1857.

Apesar da actividade de campo da Comissão Geológica estar especialmente orientada para o estudo das formações do Terciário, as observações efectuadas não ignoraram a recolha de exemplares e de informações respeitantes a outras formações, nomeadamente do Mesozóico.38 Numa carta dirigida ao Ministro das Obras Públicas, Ribeiro mencionava a

recolha de colecções petrográficas e de fósseis da linha de costa contígua a Sesimbra, além de diversas observações acerca da correspondência entre camadas da linha de costa de Sesimbra e da Serra da Arrábida com as das serras de Torres Vedras, de Montejunto,

35

Op. cit. (1), pp. 4-5.

36 Um exemplar desta carta encontra-se no Arquivo Histórico do IGM. 37

Op. cit. (1), p. 4.

Óbidos, Porto de Mós, Leiria, Pombal, Soure e Buarcos.39 Também opinava que os

conglomerados antigos da Arrábida, denominados por Sharpe “conglomerado vermelho de data incerta” pertenciam, segundo as suas palavras, “ao andar mais moderno do terreno oolitico ou jurassico”, e o “calcareo de Espichel”, como Sharpe o conhecia mas cuja data não fixou, parecia “ocupar o apice do terreno oolitico”.40

Talvez por se tratar de um documento especialmente dirigido ao responsável pela pasta das Obras Públicas, Ribeiro indicava igualmente que a Comissão tinha ainda efectuado um reconhecimento ao areal de Tróia por considerar dependente desse estudo a solução de questões importantes tais como a melhoria dos portos, a protecção dos campos e as formações litorais, entre outras.41 Dá ainda conta que aquele areal teria tido uma acção

negativa sobre o regime do rio Sado, prejudicando por isso a estabilidade do porto de Setúbal e as terras cultiváveis que lhe eram adjacentes, aconselhando por isso a fixação das areias por meio de pinhais.42 Ribeiro sublinhou ainda a necessidade de ser reservado

um estudo pormenorizado para uma outra campanha para que, com mais detalhe, se pudesse apreciar o movimento das areias e a extensão dos danos. Acrescentou, todavia, que só seria conveniente realizar tal campanha depois da Comissão Geodésica efectuar um levantamento daquela região. Neste ponto, note-se a cautela de Ribeiro em não ultrapassar as competências da Comissão Geológica, ao contrário do que Franzini propusera para a Comissão presidida por Bonnet. Recorde-se que Franzini pretendia que o geólogo francês efectuasse também trabalhos de geodesia, apesar de já existir na época um serviço especialmente destinado a esse fim. Estas considerações de Ribeiro significam, sobretudo, que o objectivo da Comissão Geológica tinha sido bem definido e interiorizado pelos seus membros aquando da sua criação, não fazendo parte desse plano trabalhos cuja realização competisse exclusivamente aos Serviços Geodésicos.

Ano de 1858

Trabalho de campo e de gabinete

Nos três primeiros meses de 1858 os membros da Comissão permaneceram em Lisboa a fim de efectuarem estudos de gabinete. Esses estudos incluíram, quer a

39

Ribeiro refere ainda neste caso a contemporaneidade das formações de Sesimbra e Buarcos, e a identidade de fenómenos a que as formações em Sesimbra, em Soure, Leira, Porto de Mós e Óbidos foram sujeitas no mesmo período. Op. cit. (12).

40 Carta de Carlos Ribeiro dirigida a Carlos Bento da Silva, (s/d), Armário 1, Prateleira 2, Maço 9, Pasta 2. 41

Ibid.

classificação dos exemplares recolhidos durante as excursões efectuadas em 1857, quer a

coordenação do plano de levantamento a efectuar no ano de 1858.43 Nos seus

apontamentos, Carlos Ribeiro refere que todo o programa da digressão efectuado nesse ano, o itinerário, a recolha, a observação e coordenação dos elementos fora, uma vez mais, unicamente efectuado por ele.44

A 22 de Março de 1858 iniciou-se uma nova viagem para continuar o reconhecimento a sul do Tejo45 e prosseguir o estudo das formações marinhas do Terciário, na Estremadura

e Algarve.46 No entanto, até ao final do mês, a região de Setúbal voltaria ainda a ser

explorada47 provavelmente para completar alguma informação que tivesse ficado pendente

da digressão anterior.

A estreita cooperação e articulação entre a Comissão Geológica e a DGTGCHGR conservava moldes semelhantes aos observados na campanha anterior. Era mantida uma correspondência regular com a direcção dos Serviços Geodésicos, sendo aquele serviço informado de todos os passos dados pela Comissão. Como exemplo, é relatado num dos ofícios que a Comissão se dirigia de Setúbal a Grândola, passando por Palma e Alcácer,

onde chegou a 5 de Abril e permaneceu até ao dia 10.48 Neste dia saiu de Grândola,

passando no seu trajecto por Santiago do Cacém, Sines, Cercal, Odemira, Aljezur, chegando finalmente a Lagos no dia 26, localidade assinalada como o centro de campanha para a região do Algarve. Além disso, como a DGTGCHGR tinha conhecimento prévio do planeamento da campanha, estava preparada para receber a sua colaboração se necessário, e vice-versa. Por exemplo, durante a digressão os elementos da CGR iam informando Folque do estado dos marcos geodésicos: “Em um destes dias iremos à Foya e depois desta digressão participarei a V. Exa. o que podermos colher pela nossa observação e por informação, a respeito do signal geodésico deste ponto (...)”.49

No relatório da Comissão para este ano foi indicado que foram, sempre que possível, marcados os contactos entre formações. No entanto, também não deixam de referir que dada a importância e complexidade dos dados geológicos recolhidos, dificilmente podiam

43 Op. cit. (14). 44

Ibid.

45 Num ofício dirigido a Folque, Costa não só dava conta da digressão da Comissão, como mencionava ainda o envio da relação dos livros que deveriam ser encomendados ao “livreiro Melchiades”, com o qual tinha sido acordado o preço referido no catálogo, a uma razão de 180 réis por franco. Ofício de Pereira da Costa dirigido a Filipe Folque, Palmela, 22 de Março de 1858, AHIGP, Pasta 1, “Oficios recebidos de diversas autoridades (1848- 1868).

46

Op. cit. (1), p. 6.

47 Em nome da Comissão Geológica, Costa comunica a Folque a viagem realizada a Setúbal e Tróia, aproveitando ainda para enviar as folhas de vencimentos dos três membros que compunham a referida Comissão e a respectiva folha de despesa. Minuta da CGR, 31 de Março de 1858, AHIGM, Armário 3, Prateleira 1, Maço 28, Pasta 4.

48

Ofício de Pereira da Costa dirigido a Filipe Folque, 27 de Abril de 1858, loc. cit. (45).

49 Ibid. Geralmente os marcos geodésicos eram pirâmides construídas em alvenaria com cerca de 2,5m de altura. Fernando Costa, “Geodesia” in Notas Sobre Portugal, Exposição Nacional do Rio de Janeiro em 1908, vol I, Lisboa, Imprensa Nacional, 1908, 217-225 (219).

ser adiantados pormenores por carecerem estes factos de um estudo devidamente ponderado.50 De um modo geral, o relatório esclarece que tinham sido reunidos, ao longo do

trajecto efectuado, diversos elementos importantes para o estudo do Terciário.51 Além disso,

em Santiago do Cacém, Melides e Sines, a Comissão informa que reuniu inúmeros “factos novos” sobre o estudo da geologia do país, observou formações do Mesozóico semelhantes às das serras da Arrábida e do Calhariz, e as que constituem as serras desde Montejunto a Porto de Mós e Redinha. Também foram encontrados indícios de uma formação marinha do Terciário até então desconhecido dos vogais da Comissão, tanto pela sua extensão como pelos fósseis que continha. Foi ainda em Santiago do Cacém e em Sines que a Comissão diz ter deparado com profundas alterações de metamorfismo exercido pelas rochas vulcânicas sobre os terrenos sedimentares. No trajecto de Sines ao Algarve foi igualmente examinada a linha de costa entre os cabos de Sines e São Vicente, zona onde foi observada