4. THE ADJUSTMENT OF POLICY
4.5 T HE VIOLATION OF N ORWEGIAN NEUTRALITY
Ano de 1857
A Comissão Geológica de Portugal, tal como foi anteriormente exposto, fora encarregada de elaborar o mapa geológico de Portugal continental. Entre os objectivos traçados para a organização do trabalho da Comissão Ribeiro considerou indispensável, em primeiro lugar, efectuar um reconhecimento geral da parte continental do território de modo a fixar aproximadamente as direcções e a extensão das principais linhas orográficas.1 A par
daquele estudo deveriam ainda ser examinadas as relações físicas dessas linhas, quer com os acidentes mais notáveis do relevo, quer com a constituição e estrutura geológica do país, bem como investigadas a extensão das formações ígneas e sedimentares, a sua posição geográfica e a sua idade relativa, e ainda determinada a extensão e situação geográfica das diferentes formações “tercearias marinas” e dos depósitos “calcareo-arenosos, tanto lacustres como diluviaes”.2
Todavia, a Comissão não iniciou os seus trabalhos desconhecendo inteiramente o território que se propusera explorar. Na verdade, iria beneficiar largamente do estudo
iniciado por Ribeiro a título particular efectuado no período entre 1848 e 1857.3 Este
reconhecimento geológico prévio tinha sido realizado apenas nalgumas regiões de Portugal continental e não fora efectuado de um modo sistemático, regular, e numa extensão que permitisse um reconhecimento geral e completo. No entanto, Ribeiro reunira um número considerável de elementos sobre a constituição do solo, sendo sobretudo salientados os respeitantes à classificação e distribuição das rochas ígneas das Beiras, da Estremadura, de
1
Relatório da Commissão Geológica de Portugal, com referencia ao ano de 1857-1858, 31 de Dezembro de 1858, AHIGM, Armário 1, Prateleira 2, Maço 9, Pasta 7, p. 1.
2 Op. cit. (1), pp. 1, 3. 3
Ofício de Carlos Ribeiro dirigido a Filipe Folque, 26 de Janeiro de 1871, AHIGM, Armário 8, Prateleira 3, Maço 97, Pasta 2.
Trás-os-Montes e do Alentejo.4 A Comissão considerava esta informação fundamental por
entender que as formações ígneas tinham tido grande influência na constituição física e composição geológica do país, além de terem exercido nas rochas sedimentares um “profundo metamorfismo”.5 O estudo prévio de Ribeiro tinha igualmente permitido antever
que as formações do Terciário das bacias do Tejo e do Guadiana seriam de difícil análise, além de que o relevo do país tinha sido modificado em muitos pontos.6 No entanto, estavam
assim reunidas as condições para que o levantamento geológico pudesse ser delineado a partir de uma base minimamente sólida, evitando a execução obrigatória de um reconhecimento preliminar sobre a generalidade do território.
Fazia ainda parte dos objectivos da Comissão organizar colecções geológicas e paleontológicas fundamentais para o estudo do território continental.7 Esta era, na verdade,
uma das prioridades da direcção da CGR já que as colecções existentes no país se encontravam dispersas por várias instituições8 além do seu número se adivinhar escasso.
De facto, em Portugal não existiu uma rede de recolha de exemplares como por exemplo se verificou na Grã-Bretanha, local onde a geologia, sobretudo nas primeiras décadas do
século XIX, fora um fenómeno social abrangente.9 Em Portugal, nem mesmo as entidades
administrativas eram sensíveis a colaborar num programa de recolha de exemplares representativos do território nacional. Por exemplo, antes da criação do MOPCI Pereira da Costa tivera intenção de formar uma colecção que reunisse os materiais de construção mais comummente empregados nas diversas regiões do país. Para esse fim, solicitou ao Ministério do Reino que tomasse as medidas indispensáveis junto dos engenheiros dos vários distritos e dos governadores civis para que houvesse um verdadeiro empenho na recolha de uma colecção desta natureza. Não obstante as diligências governamentais apenas os distritos de Coimbra e de Aveiro e as ilhas dos Açores colaboraram nesta iniciativa, facto que levou a Comissão responsável pela avaliação do projecto de Isidoro Emílio Baptista a lamentar o insuficiente número de exemplares reunidos.10 Factores desta 4 Ibid. 5 Op. cit. (1), p. 2. 6 Op. cit. (1), pp. 2-3. 7 Op. cit. (1), p. 1. 8
J. Carríngton da Costa, “Aspectos da evolução dos serviços encarregados do estudo geológico de Portugal”,
Memórias da Academia das Ciências de Lisboa — Classe de Ciências, 5 (1950), 291-302 (296).
9
A ciência geológica em Inglaterra, ao contrário da francesa, foi suportada por uma cultura voluntariosa, de “laissez faire”. Simon Knell, The Culture of English Geology 1815-1851: a science revealed through its collecting, Hampshire, Ashgate Publishing Limited, 2000, pp. 6-7.
10 Isidoro Emílio Baptista bem como o Conselho de Obras Públicas remeteram novamente, em 1856, uma circular aos directores de Obras Públicas, a qual ordenava que fossem enviados ao respectivo ministério exemplares de materiais de construção que fossem empregados nos respectivos distritos, ou que considerassem de possível utilidade na construção e na indústria. A ser cumprida desta vez a ordem governamental, os exemplares reunidos juntavam-se aos já existentes, e a outros que pudessem ser enviados de operações metalúrgicas. As amostras remetidas pelos pretendentes à concessão de minas poderiam também, no decorrer do tempo, formar uma colecção capaz a servir a estudo no curso, ou mesmo servir de consulta aos engenheiros de minas. “Parecer da Commissão Nomeada para examinar o Projecto sobre Minas do Vogal do Conselho das
natureza condicionariam a Comissão Geológica na fase inicial da sua existência, por apenas dispor do pequeno núcleo de colecções constituído pelos exemplares recolhidos por Ribeiro durante as digressões que efectuara, anos antes, a algumas regiões do país.11