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Deltakernes opplevelse av aktivitetene i regi av APD

3. Resultater

3.1.4. Deltakernes opplevelse av aktivitetene i regi av APD

A análise desse seminário foi realizada por meio do relatório proveniente dos registros anotados no diário de campo do professor-pesquisador. Esse seminário foi desenvolvido em sala de aula, sendo realizado no dia 26 de Abril de 2016, no período das 07h15min às 08h05min, tendo como objetivo possibilitar aos participantes desse estudo (alunos e feirante) o desenvolvimento de um ambiente dialógico e democrático por meio do qual houvesse o

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esclarecimento das dúvidas quanto aos procedimentos matemáticos realizados pelo feirante em suas práticas laborais. O feirante, os 38 (100%) participantes da pesquisa e o professor- pesquisador, que conduziu essa dinâmica, participaram da realização do seminário.

Ao chegarem à escola às 07h00min, o professor-pesquisador e o feirante dirigiram-se para a sala de aula com o objetivo de prepará-la para a realização do seminário que teve início às 7h:15min. Assim o professor-pesquisador apresentou o feirante para os participantes, explicando como seria a dinâmica da realização do seminário. Então, o professor-pesquisador explicou que as perguntas e as dúvidas remanescentes da visita à feira, bem como das atividades realizadas em sala de aula poderiam ser esclarecidas com o feirante.

Com o início do seminário, o participante A13 perguntou para o feirante: “como funciona o sistema de desconto dos produtos”. Nesse sentido, o feirante respondeu que ao iniciar o seu dia de trabalho na feira, a venda dos produtos é “mais cara devido às despesas com gasolina, plástico (embalagem), com lanche, com ajudante, etc”. Complementando a sua resposta, o feirante comentou que:

Vamos supor você compra um tomate ele vai sair a 40 reais a caixa, ele vai sair a 40 centavos a 100 gramas, você não pode vender a esse preço por causa das despesas. Dessa forma eu colocaria a 5 conto o quilo. Porque se deve colocar mais caro, pois você não vai no CEASA comprar e vender no mesmo preço. Você vai por 100 porcento, 50 porcento, 60 porcento, depende do preço que compra. Esse sistema é para qualquer mercadoria. Se a mercadoria tiver a 80 reais ou 100 o preço deve ser de 10 contos, 12 contos.

Continuando com o desenvolvimento do seminário, o professor-pesquisador solicitou que os participantes refletissem sobre as atividades realizadas em sala de aula para que percebessem que essas atividades estavam baseadas nas experiências laborais do feirante. Neste sentido, a participante B8 perguntou sobre o funcionamento balança, então, o feirante informou que “cada risquinho que tem na balança representa 50 gramas e 100 gramas, aí, você vai mudando a balança e vai pesando”.

Para complementar a pergunta sobre o funcionamento da balança, o professor- pesquisador elaborou uma ilustração no quadro para que o feirante pudesse explicar com detalhes as operações realizadas na balança. Assim, o professor-pesquisador aproveitou a oportunidade para explicar para os participantes que a balança é colocada na parte superior de uma caixa de madeira, que é utilizada como uma caixa de troco e, também, para nivelar a balança para que possa funcionar corretamente (figura 38).

Figura 38: Balança e seus recursos

Fonte: Arquivo pessoal do Professor-pesquisador

Por outro lado, respondendo ao questionamento dos participantes, o feirante comentou que não utiliza a balança eletrônica, pois “eu não tenho leitura e só sei assinar o nome”. Contudo, o feirante informou que teve ajudantes que “sabem ler e não conseguiram dar conta de vender”.

Continuando com o seminário, o professor-pesquisador perguntou para os participantes sobre a existência de conceitos de função relacionados com as operações realizadas na balança. Dos 38(100%) participantes, 31(81,6%) afirmaram positivamente sobre a existência dessa relação, no entanto, não justificaram essa afirmativa.

Em seguida, continuando com a explicação sobre o funcionamento da balança, o feirante explicou que esse instrumento possui duas graduações, a da frente com um peso menor (figura 38) representa as gramas e a graduação de trás com peso maior representa os quilos. Então, quando a mercadoria é colocada no prato da balança, a haste das graduações da grama aponta para a marca de pesagem.

Por outro lado, quando a haste não aponta para essa marca, o feirante desloca os dois pesos, menor e maior, em busca do nivelamento da haste de graduação com a marca de pesagem. Então, quando isso ocorre, o peso da mercadoria está calculado. Esse procedimento possibilita que o feirante calcule o preço dos produtos rapidamente porque “durante o deslocamento dos pesos (...) já vou somando as gramas e os preços, então, por isso, faço o cálculo rápido”.

Para exemplificar, o feirante, informou que “se você for pesar uma mercadoria de 8 reais ela vai sair 80 centavos a 100 gramas e 50 gramas vai dar 40 centavos”. Então, o professor-pesquisador acrescentou que “a 8 reais o quilo, cada 100 gramas custa 80 centavos, ou seja, cada 50 gramas é 40 centavos. Então, ele [feirante] movimenta os pesos para determinar o preço”.

Com o objetivo de aprofundar essa explicação, o professor-pesquisador solicitou que o feirante realizasse uma simulação de preço para explicar como “calcularia o preço de uma mercadoria que tivesse, por exemplo, 1 quilo e 450 gramas”. Assim, o feirante explicou que “Eu deixo os 8 conto de lado, pois a facilidade de fazer conta eu não tenho. (...). Aí, 200 gramas vai dar 1,60 reais, 1,60 duas vezes vai dar 3,20, aí, eu junto mais 50 gramas, que vai dar 3,60. Aí, vai dá 11,60, pois junto tudo! Eu faço as conta desse tipo”.

Com essa explicação, o professor-pesquisador complementou que “na prática, lá na feira, ele [feirante] faz esses cálculos em um instante muito pequeno”. Consequentemente, o feirante afirma que o: “cliente não gosta que demora para voltar o troco, então, tem que ser rápido”. Aproveitando esse comentário, o participante A15 argumentou: “quando meu pai trabalhou de cobrador ele fazia uma tabela com preços das passagens, não seria mais fácil o senhor fazer isso?”. Por conseguinte, o feirante respondeu que:

Às vezes os fiscais não gostam e por isso não coloco, mas pode pôr (...) mas os feirantes não gostam de fazer [isso] por causa das concorrências, pois se você coloca mais barato a concorrência passa olhando para ver quanto você esta vendendo ali. E, às vezes, não é vantagem colocar a mercadoria muito barato, pois às vezes você coloca barato e no outro dia a mercadoria está mais cara.

Corroborando com o comentário do feirante, o participante A12 complementou que “tem vez que no sacolão a gente compra uma mercadoria e no outro dia está o dobro”. Continuando com as discussões promovidas pelo seminário, a participante B1 perguntou para o feirante que “se o pé de alface é 2 reais, quando a pessoa pede uma quantidade maior sai mais barato, pois se são 2 pés que era pra ser 4 reais, sai a 1,50; tem lucro quando faz assim?”. Sobre esse questionamento o feirante respondeu que “tem lucro! pois eu somo quanto sai [custa] o pé de alface e coloco o preço de venda, apesar da verdura ter muitas despesas. (...) quanto mais vender melhor é. E se levar mais quantidade de alface pode fazer promoção”. Então, o feirante argumentou que no “momento que a alface está mais cara, então, devo colocar [preço] mais caro, a 3 reais [cada] ou 2 por 5 reais”. Como uma maneira de orientar os participantes, o professor-pesquisador solicitou que o feirante informasse quantas unidades de alface tem em uma caixa. A resposta dada pelo feirante foi “3 dúzias, 36 pés”.

Nesse direcionamento, o participante A10 perguntou: “O senhor compra em caixa e vende no pé por quê?”. Então, o feirante respondeu que a “dúzia sai a 12 reais, no caso, aí, já vai sair a 1 real o pé, e você tem os gastos de combustível, plástico, etc. Aí, (...) vendo um pouco mais caro.” Sobre o lucro obtido com as vendas, o feirante informou que “tem que fazer no mínimo meio a meio, ou seja, deve ter lucro de 100 porcento no final da venda e, se levar pouca mercadoria, deve segurar preço para manter o preço mais caro por mais tempo”.

Atendendo a solicitação do professor-pesquisador para que explicasse esse raciocínio, o feirante comentou que: “se levar muito [mercadoria], pode fazer preço melhor, por exemplo, se uma pessoa (cliente) disser que irá levar 50 pés poderia fazer por 1,50 a unidade”. Dessa maneira, o participante A10argumentou que: “então, em vez de ganhar 100% de lucro, [você] vai ganhar uns 80%”.

Em seguida, o feirante explicou que “às vezes, os fregueses pedem descontos, mas nem sempre é possível fazer”. De acordo com o feirante, essa estratégia de venda possibilita a obtenção de um lucro maior, pois “posso acrescentar outras verduras como cebolinha, salsa, etc. (...) e, às vezes, [quando] você não ganha muito dinheiro em uma mercadoria mais ganha em outra”.

Para continuar com a discussão, o professor-pesquisador perguntou para o feirante: “existem mercadorias que o senhor compra e outras que o senhor planta, a que o senhor planta é vendida mais barato ou não?”. Respondendo essa questão, o feirante comentou que “no caso das verduras, eu planto para poder vender um pouco mais barato”.

Similarmente, o participante A10 perguntou para o feirante se as “verduras que o senhor planta tem muitos gastos?”. Então, o feirante respondeu que:

Sim, tem gastos com adubo, esterco, (...), e é por esse motivo que a verdura está cara, pois ninguém quer plantar, pois quem plantava 400 bandejas de muda está plantando somente 200 por causa do preço de custo de adubo e da muda (...) quem está plantando na horta é somente pessoas mais velhas, pois os jovens não trabalham mais.

Aproveitando esse comentário, o professor-pesquisador argumentou que:

(...) esse desinteresse da juventude prejudica o desenvolvimento da cultura dos povos, visto que os feirantes e produtores de verdura não repassam os seus conhecimentos para os seus filhos. (...). Além disso, deve-se pensar que grande parte das verduras que abastecem a CEASA-MG é proveniente dessa cidade, a qual vivem, e a redução do plantio dessas verduras poderia causar um impacto na economia e na manutenção de alimentos.

Prosseguindo com o seminário, o participante A13perguntou se “na feira existe alguma regra para vender e se pode vender qualquer mercadoria”. Em resposta a essa questão, o

feirante afirmou “não é qualquer tipo de mercadoria”. Então, esse participante argumentou que “quando estava caminhando vi pessoas vendendo carne, queijo, etc.”. Em seguida, o feirante disse que “essas barracas são autorizadas a vender essas mercadorias só que não pode misturá-las”.

Nesse direcionamento, o professor-pesquisador explicou que “cada feirante tem um documento que autoriza a colocação de mercadorias na feira e, no caso do feirante, essa autorização o permite comercializar hortifrutigranjeiros e qualquer outra mercadoria que fuja dessa categoria tornaria a venda dele na feira ilegal”.

Com a resposta dada pelo feirante e o esclarecimento do professor-pesquisador, o participante A10 perguntou se “é o feirante que escolhe a categoria de venda ou não”. A resposta dada pelo feirante informa que “é ele quem escolhe [as mercadorias], só que como ele vende verduras, legumes e frutas, ele foi cadastrado na categoria de hortifrutigranjeiro” e complementou informando que “começou a vender a cerca de 26 anos a 27 anos na feira”.

Seguindo essa discussão, o participante A17 perguntou se o feirante “acredita que é vantagem uma pessoa comprar um terreno e começar a plantar horta?”. O feirante respondeu que “é vantagem, o problema é arrumar clientes, os entregadores de verduras ou vender no CEASA”. Nessa linha de raciocínio, esse participante perguntou: “quanto é o seu lucro?” e o feirante respondeu que “como o meu arrendamento é pequeno, cerca de uns 3000 m² e tudo que eu planto eu mesmo varejo e com isso o lucro é de cerca de 4 a 5 mil por mês contando a feira”.

Finalmente, a participante B1 perguntou quais são as providências do feirante com relação às mercadorias que sobram. O feirante respondeu que somente compra “mercadorias que não se perdem fácil”. Em seguida, para finalizar o seminário, o professor-pesquisador agradeceu o feirante e os participantes pela realização dessa atividade.