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4 Results

4.2 Appraisal interviews

4.3.3 Criteria and attitude

Muito embora nossa pesquisa tenha seguido o PIBID como uma das abelhas, isto é, uma das vivências formativas da colmeia que escolhemos estudar na controvérsia sobre a construção das identidades dos licenciandos, ao traçarmos as redes identitárias um actante emergiu de forma contundente na fabricação destas identidades: o curso de licenciatura estudado. Em diversos momentos deste relato, o leitor teve a oportunidade de constatar as agências promovidas pelo curso, muito mais no sentido de desviar os licenciandos da docência, que os aproximá-los da mesma. Na análise dos dados quantitativos, por exemplo, observamos que grande parte dos ingressantes que tinha expectativa de ser professor, teve este desejo desviado durante a trajetória acadêmica. Nas análises dos grupos focais também observamos que os maiores desvios acontecem ao longo do curso, como mostraram os diagramas que traçamos. Portanto, na perspectiva da ANT, a performance do curso indica que ele age como um mediador, pois transforma, modifica, translada os interesses dos licenciandos.

Observamos pelas falas dos nossos sujeitos que o curso tem lugar em dois espaços sociomateriais distintos: a FAE e o ICB. Importante destacar que, além de fisicamente

distantes um do outro49, segundo os próprios licenciandos estes dois espaços formativos estão

fragmentados e não mantém uma interlocução necessária para a construção de um curso em comum. Conforme salientamos anteriormente, esta fragmentação se expressa em diferentes figurações: no currículo, na formação dos professores formadores, na desvalorização das atividades de ensino em detrimento da pesquisa, na falta de relação entre conhecimentos específicos da Biologia e pedagógicos, teóricos e práticos, e assim por diante.

Interessante notar também que o PIBID não aparece, em nenhum momento desta pesquisa, como um programa relacionado ao curso. Parece ser uma atividade ―marginal‖, desvinculada, apenas ―mais um‖ projeto que os licenciandos se encarregam de divulgar entre os colegas, conforme verificamos nas falas dos sujeitos. Importante ressaltar que a CAPES recomenda que o PIBID seja um programa acolhido pelo curso de licenciatura, buscando com isso implementar uma nova cultura de formação de professores, na qual todos os docentes do curso sintam-se responsabilizados pela formação dos licenciandos, e não apenas aqueles vinculados especificamente às disciplinas chamadas pedagógicas.

Embora reconheçamos que se trate de uma reduzida amostra de licenciandos estudados, os dados desta pesquisa coadunam com os resultados de outras pesquisas mais amplas, realizadas no campo da formação de professores, e corroboram várias das perspectivas apontadas por elas, conforme vimos no capítulo 3.

Especificamente em relação aos desafios referentes aos cursos de licenciatura resgatamos Gatti (2014), que constatou no levantamento de pesquisas sobre formação inicial de professores, um grande descompasso entre os projetos pedagógicos destes cursos e a estrutura curricular realmente oferecida. Segundo a autora, o que se oferece nesses cursos é

apenas ―um verniz superficial de formação pedagógica e de seus fundamentos que não pode

ser considerado realmente uma formação de profissionais para atuar em escolas atualmente‖

(GATTI, 2014, p.39).

Outro resultado que encontramos em nossa pesquisa e que encontra ressonância com os achados de Gatti (IBIDEM) refere-se aos estágios obrigatórios, que tem se mostrado sem planejamento e acompanhamento efetivo dos docentes responsáveis pela sua supervisão, uma vez que aos mesmos não são oferecidas condições de se realizar uma orientação real desses

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Embora estejam localizados no mesmo campus, a Faculdade de Educação e o Instituto de Ciências Biológicas estão em prédios separados, distantes aproximadamente 1 km entre si.

estágios. Em geral os estudantes ficam responsáveis por procurarem as escolas e o estágio restringe-se a uma mera observação das aulas. Em contrapartida, aos docentes da universidade é delegada a orientação de inúmeros graduandos, inviabilizando a presença destes docentes nas escolas, para um acompanhamento mais próximo do trabalho realizado. Perde-se com isso, a oportunidade de se estreitar as relações e firmar parcerias entre a universidade e as escolas.

Assim como apontaram os dados do nosso trabalho, Gatti (IBIDEM) identificou nas pesquisas de seu levantamento, que os professores universitários que atuam nas licenciaturas tem, em sua maioria, outra formação profissional que não a do ensino, dificultando o exercício de pensar sua disciplina a partir de um conhecimento didático do conteúdo (SHULMAN, 1986), isto é, aquele que está para além do domínio da disciplina em si mesma, mas que conjuga diversos saberes para poder ensiná-la. Entendendo que basta saber para ensinar, prima-se pela formação do pesquisador. A autora aponta que, neste cenário, aparecerem as dificuldades na relação entre formação de bacharéis e formação de professores, e as decorrentes dificuldades em dimensionar currículos específicos em cada caso.

Sabemos que estes desafios esbarram no debate em torno de políticas e reformas educacionais. Também sabemos que este debate não é novo e é bastante complexo. No entanto, equipar os cidadãos para tomar parte deste debate é não somente uma necessidade, mas uma urgência. Latour (2015) nos alerta que há muito pouco esforço para equipar os cidadãos com novas ferramentas para compreender questões controversas de uma maneira ajustada à situação presente. Ele afirma ser necessário utilizar novos instrumentos e ferramentas para representar de forma compreensível os debates em torno de questões de interesse público. Neste aspecto, a ANT pode ser bastante útil, como veremos a seguir.

8.3 Rastrear actantes, mapear as redes e traçar os cosmos: uma metodologia